Atlas de Anatomia para Implantodontia

Jean-François Gaudy, Bernard Cannas, Luc Gillot, Thierry Gorce · Capítulo 54 de 66

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Atlas de Anatomia para Implantodontia

Tempos cirúrgicos

FIG. 10.61 Corte tomográfico em 3D obtido com o software imPlant®, Materialise. Nesse corte, o software permite visualizar o implante escolhido em escala 1:1 (1) e o eixo do pilar protético (2). O forame vascular está representado pelo número (3).

 

Os softwares específicos, como o SimPlant®, Materialise, permitem

simular o posicionamento do implante e, até mesmo, transformá-lo em uma

imagem 3D.

 

Tempos cirúrgicos

 

As vias de abordagem cirúrgica são diferentes conforme se realiza uma

cirurgia para instalação de um implante endo-ósseo ou para remoção de um

enxerto ósseo.

Implantodontia endo-óssea

 

Na implantodontia endo-óssea, a principal dificuldade deve-se à forma das

cristas ósseas que, em alguns casos, não permite um resultado estético

aceitável com as próteses.

 

Incisão (Figuras 10.62 e 10.63)

Pode ser realizada sobre a crista ou afastada para lingual ou vestibular,

dependendo do que permite a forma da crista.

 

FIG. 10.62 Caso clínico de um indivíduo desdentado cuja mandíbula é muito reabsorvida. O deslocamento da incisão para a lingual não é possível. Será realizada uma incisão sobre a crista (1) ou deslocada para vestibular (2).

FIG. 10.63 Caso clínico de um indivíduo desdentado parcial com um rebordo largo. O deslocamento para a lingual, neste caso, é possível. A incisão será, portanto, realizada sobre a crista por lingual (1).

 

Instalação do implante (Figuras 10.64 a 10.67)

O guia cirúrgico permite a instalação de implantes em uma situação

compatível com a estética, uma vez que é confeccionado a partir do

planejamento reverso, iniciado com a prótese dentária.

FIG. 10.64 Posicionamento da guia cirúrgico e utilização da primeira broca.

 

FIG. 10.65 Esta imagem mostra que o paralelismo dos implantes foi verificado com o guia cirúrgico em posição.

FIG. 10.66 O guia foi retirado para a instalação dos implantes.

FIG. 10.67 Sobre esta peça anatômica vê-se que os implantes possuem um apoio bicortical.

 

Em caso de extrema reabsorção vertical, deve-se obedecer ao

posicionamento previsto do implante, a fim de não perfurar as corticais

lingual e inferior.

 

Nota

Considerando a grande variabilidade do calibre arterial e dos pontos de

penetração dos ramos perfurantes, é imprescindível o descolamento

mucoso envolvendo toda a espessura do tecido, permitindo a

visualização precisa desses pontos de penetração vascular.

 

Incidentes e acidentes (Figuras 10.68 a 10.71)

Não existem incidentes e acidentes a serem considerados se os implantes

forem estritamente endo-ósseos. As lesões das artérias submentual e

sublingual são acidentes, anteriormente descritos neste capítulo, que podem

ser evitados.

FIG. 10.68 Telerradiografia de perfil em que o posicionamento do implante foi simulado verticalmente, passando da borda inferior da mandíbula.

FIG. 10.69 Telerradiografia de perfil em que o posicionamento do implante foi simulado com uma orientação apical mais lingualizada, correndo o risco de lesionar os ramos da artéria sublingual.

FIG. 10.70 Nesta peça anatômica, se a perfuração para a instalação do implante for lingualizada, haverá um risco de lesionar a artéria sublingual (1) na região onde ela penetra na cortical lingual.

FIG. 10.71 Nesta peça anatômica, o implante (1) passa da cortical basal justamente do lado de fora da artéria submentual (2).

 

Retirada de enxerto da região mentual

 

A remoção de enxerto ósseo mentual foi, por muito tempo, uma técnica

cirúrgica privilegiada na implantodontia oral em virtude da facilidade de

acesso. Atualmente, tem sido substituída pelos enxertos de ramo

mandibular.

 

Tempo cirúrgico

A abordagem cirúrgica dessa região é simples. O único problema está

relacionado com o pós-operatório, frequentemente doloroso, devido à

secção ou ao descolamento dos músculos mentuais.

 

Incisão (Figuras 10.72 a 10.75)

Existem dois tipos de linhas de incisão:

FIG. 10.72 Traçado da incisão intrassulcular e incisões relaxantes à frente dos forames mentuais.

 

FIG. 10.73 Descolamento do retalho.

FIG. 10.74 Neste tipo de incisão, os músculos mentuais (1) devem ser descolados.

 

FIG. 10.75 No caso de uma incisão em forma de arco, no fundo de sulco vestibular, os músculos mentuais (1) são seccionados.

 

1. Uma incisão superior ao longo do colo dos incisivos, associada a duas

incisões de verticais relaxantes, situadas na frente dos forames mentuais;

2. Uma incisão de forma variável, geralmente em forma de arco, no fundo

de sulco vestibular.

 

Remoção do enxerto (Figuras 10.76 a 10.78)

Se o indivíduo for dentado, os ápices dentários deverão ser levados em

consideração para que o enxerto seja removido para uma região mais

inferior. Neste caso, não há nenhum risco de lesões nervosas.

 

FIG. 10.76 Remoção do enxerto utilizando um cinzel reto.

 

FIG. 10.77 Após a remoção do osso cortical, o osso esponjoso também pode ser coletado com auxílio de uma cureta.

FIG. 10.78 A sutura do retalho pode ser realizada com pontos simples ou com uma sutura suspensa. Não é necessário suturar os músculos mentuais.

 

Sutura

A sutura é clássica e se faz com pontos simples.

 

Incidentes e acidentes (Figuras 10.79 e 10.80)

As consequências operatórias são simples, de uma forma geral, com

exceção das dores. O único risco possível é a perda da sensibilidade

dentária.

FIG. 10.79 Corte axial de uma tomografia, mostrando a localização lingual do pedículo incisivo (1).

 

FIG. 10.80 Dissecção da região incisiva da mandíbula mostrando que o tronco principal do pedículo incisivo é muito baixo e próximo da cortical lingual.

Nota

Não é muito frequente a ocorrência de lesão seccional do pedículo

incisivo, pois ele se encontra, na maioria das vezes, em posição muito

baixa e próxima da cortical lingual.

 

Leituras sugeridas

Jacobs, R., Mraiwa, N., Van Steeberghe, D., et al. Appearance of the mandibular incisive canal on

panoramic radiographs. Surg Radiol Anat. 2004; 26:329–333.

 

Mraiwa, N., Jacobs, R., Moerman, P., Lambrichts, I. Presence and course of the incisive canal in the

human mandibular interforaminal region : two dimensional imaging versus anatomical observations. Surg Radiol Anat. 2003; 25:416–423.

 

Olivier, E. The inferior dental canal and its nerve in the adult. Br Dent J. 1928; 49:356–358.

 

Rosenquist, B. Is there an anterior alveolar loop of the inferior alveolar nerve? Periodont Rest Dent.

1996; 16:40–45.

 

Walton, J. N. Altered sensation associated with implants in the anterior mandible. J Prosthet Dent.

2000; 83:443–449.

 

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