Atlas de Anatomia para Implantodontia

Jean-François Gaudy, Bernard Cannas, Luc Gillot, Thierry Gorce · Capítulo 51 de 66

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Atlas de Anatomia para Implantodontia

Suporte ósseo

tratamento do paciente desdentado total. Nos casos de

reabsorção extrema, há uma limitação que se resume aos riscos

de fragilização e de fratura da mandíbula.

As áreas destinadas à instalação de implantes nessa região são

chamadas de sinfisárias; no entanto, essa denominação é

inadequada, pois os implantes não são posicionados na região da

sínfise. Por isso, devem ser chamados de “parassinfisários”.

 

Suporte ósseo

 

Forma geral ( Figuras 10.3 a 10.6 )

 

A forma geral depende da extensão e do tempo da perda dentária. Para

um indivíduo dentado, em um corte sagital, a face anterior faz um desenho,

de cima a baixo, uma curva inicialmente côncava, voltada para frente e

ligeiramente para cima e, em seguida, convexa, unindo-se à borda inferior.

No indivíduo desdentado, a concavidade superior é inexistente e todo o

conjunto tende a se tornar regularmente convexo.

FIG. 10.3 Corte anatômico no plano sagital de um indivíduo dentado mostrando a forma geral da região incisivo-canina: concavidade superior (1) e convexidade inferior (2).

FIG. 10.4 Corte tomográfico no plano sagital de um indivíduo dentado mostrando a forma geral da região inciso-canina: concavidade superior (1) e convexidade inferior (2).

FIG. 10.5 Corte anatômico no plano sagital de um indivíduo desdentado, mostrando uma reabsorção em forma de “lâmina de faca”.

FIG. 10.6 Corte anatômico no plano sagital de um indivíduo desdentado, mostrando uma reabsorção horizontal formando uma crista arredondada.

 

Face anterior vestibular (Figuras 10.7a

 

10.10)

 

A face anterior é marcada por uma crista sagital, geralmente pouco

marcada, que se estende do espaço interproximal dos incisivos até o ápice

da protuberância mentual.

FIG. 10.7 Face anterior da região incisiva da mandíbula. 1: sínfise da mandíbula; 2: protuberância mentual; 3: fossa de inserção do músculo mentual; 4: forames vasculares.

FIG. 10.8 Face anterior da região incisiva da mandíbula vista de perfil. 1: protuberância mentual; 2: fossa de inserção do músculo mentual; 3: forames vasculares; 4: forame mentual.

 

FIG. 10.9 Dissecção mostrando a face anterior da região incisiva e a terminação da artéria submentual (1).

FIG. 10.10 Dissecção mostrando a face anterior da região incisiva e a terminação sobre as quais agulhas mostram os forames de acesso dos ramos terminais da artéria submentual (1).

 

Nos indivíduos dentados, as eminências alveolares formam uma saliência

na parte superior, de cada lado da sínfise da mandíbula. Superior e

externamente à protuberância mentual, a face óssea é deprimida e fornece

inserção ao músculo mentual.

Considerando a cronologia, a importância e a extensão da perda dentária,

esta face tem um aspecto parecido com de um indivíduo dentado,

apresentando apenas uma simples redução transversal da porção alveolar.

Esse processo pode provocar desde rebordos em “lâmina de faca” até a

reabsorção total do osso alveolar.

Os forames mentuais que correspondem aos pontos de penetração de

ramos terminais de artérias submentais algumas vezes marcam essa face.

 

Face lingual (Figuras 10.11 a 10.16)

 

Esta face é sempre fortemente côncava no sentido transversal e ligeiramente

côncava no sentido vertical. As espinhas genianas superiores e inferiores

dão inserção aos músculos genioglosso e gênio-hióideo. Um número

variável de forames vasculares marca esta face, de cada lado das espinhas

genianas. Esses forames correspondem à penetração das ramificações

oriundas provenientes, geralmente, das artérias sublinguais.

FIG. 10.11 Face lingual da região incisiva da mandíbula. Aqui, as espinhas genianas inferiores (1) estão muito desenvolvidas. Observam-se forames vasculares (2) inferiormente situados.

 

FIG. 10.12 Face lingual da região incisiva da mandíbula. Observam-se, nesta imagem, quatro espinhas genianas (1) igualmente desenvolvidas. Observa-se, também, um forame vascular (2) mediano, situado entre as espinhas genianas superiores.

FIG. 10.13 Face lingual da região incisiva da mandíbula. Nesta imagem, as espinhas genianas (1) são pouco marcadas. Observam-se inúmeros forames vasculares (2), distribuídos em diferentes níveis dessa face.

FIG. 10.14 Corte no plano sagital de uma mandíbula seca, mostrando a penetração de um vaso (1) e sua distribuição no osso. 2: face lingual; 3: face vestibular.

FIG. 10.15 Hemissecção de uma mandíbula na região incisiva. A artéria submentual (1), nesta imagem, apresenta grande calibre e penetra no osso, passando externamente ao músculo genioglosso (2). 3: Artéria profunda da língua; 5: músculo gênio-hióideo.

FIG. 10.16 Vista superior do assoalho bucal na região inciso-canina. Da artéria sublingual (1) saem três ramos terminais (1a, 1b, 1c) que penetram na mandíbula. 2: músculo genioglosso; 3: raiz do canino.

 

Esses forames são múltiplos e constantes, e encontram-se,

principalmente, nas seguintes posições:

• Interalveolares: ao nível da crista alveolar lingual entre o incisivo central

e incisivo lateral e entre o incisivo lateral e canino.

• Paraespinal: ao redor das espinhas mentuais, das quais a mais importante

(em tamanho e frequência) é a supraespinal, denominada forame

lingual.

Essa face também apresenta uma concavidade, chamada fóvea

sublingual, que corresponde à glândula sublingual. Ela se situa na base do

canino e do primeiro pré-molar. Essa concavidade aumenta o risco de perfuração da cortical lingual no momento da perfuração para instalação de

um implante.

 

Nota

A artéria submentual pode originar, em alguns casos, um ramo que

atravessa o músculo milo-hióideo, substituindo a artéria sublingual no

papel de promover a para a vascularização da região incisivo-canina

(Figuras 10.17 e 10.18).

 

FIG. 10.17 Dissecção do assoalho bucal mostrando a passagem da artéria submentual através do músculo milo-hióideo (1), originando, do lado esquerdo, uma ramo perfurante (2). Do outro lado, o ramo perfurante direito origina-se da artéria sublingual (4).

FIG. 10.18 Dissecção do assoalho bucal em um indivíduo que apresenta uma vascularização derivada totalmente da artéria submentual (1) e que origina artérias linguais perfurantes (2).

 

Borda superior (Figuras 10.19 a 10.22)

 

Essa borda corresponde ao rebordo alveolar, que tem aspectos muito

variáveis entre os indivíduos desdentados.

FIG. 10.19 Vista superior de uma mandíbula que apresenta uma reabsorção das tábuas vestibular na região dos incisivos (1). Observam-se fenestrações (2) e tábuas ósseas vestibulares muito finas (3). Na face lingual, podem ser vistas exostoses ósseas (4).

 

FIG. 10.20 Vista anterior de uma mandíbula que sofreu uma reabsorção das tábuas ósseas vestibulares, resultando na formação de uma crista em “lâmina de faca”.

FIG. 10.21 Vista superior de uma mandíbula extremamente reabsorvida, que tem uma crista em fenda (1). Observa-se uma hipertrofia das espinhas genianas (2), que sofreu remodelação óssea. Os forames mentuais localizam-se sobre a crista (3).

 

FIG. 10.22 Vista superior de uma mandíbula cuja reabsorção levou à formação de um rebordo largo com conservação parcial da tábua óssea vestibular, causando um problema na determinação do eixo de inserção dos implantes.

 

Borda inferior (Figuras 10.23 a 10.26) Essa borda, regularmente convexa e rombuda, apresenta, de cada lado do

plano sagital, duas fossas ovoides que dão inserção aos ventres anteriores

dos músculos digástricos.

 

FIG. 10.23 Vista da borda inferior de uma mandíbula mostrando as fossas de inserção dos músculos digástricos (1). Nesta vista, a borda inferior do osso na região incisiva é larga (2), ao passo que é estreita em outras partes (3).

FIG. 10.24 Vista da borda inferior de uma mandíbula mostrando as fossas de inserção dos músculos digástricos (1). Observam-se, adjacente às fossas, forames vasculares (2) que correspondem certamente a pontos de penetração de ramos da artéria submentual.

FIG. 10.25 Vista da borda inferior de uma mandíbula mostrando a inserção dos ventres anteriores dos músculos digástricos (1). Do lado direito, a pinça traciona a artéria submentual (2) e desloca o ventre anterior do músculo, indicando a passagem da artéria pelo músculo. 3: músculo milo-hióideo; 4: artéria submentual esquerda.

FIG. 10.26 Vista de perfil da região submandibular. 1: ventre anterior do digástrico; 2: tendão intermediário do digástrico; 3: músculo milo-hióideo; 4: mandíbula.

 

Estrutura (Figuras 10.27 e 10.28)

 

A região incisiva da mandíbula é caracterizada pela presença de um osso

esponjoso denso no seio de ossos corticais espessos em quase toda sua

extensão.

FIG. 10.27 Corte anatômico sagital de uma mandíbula. Nessa imagem, o osso esponjoso é denso (1), e as corticais são espessas (2). 3: Pedículo incisivo; 4: passagem para penetração de um vaso; 5: músculo genioglosso; 6: músculo gênio-hióideo.

FIG. 10.28 Corte tomográfico sagital de uma mandíbula. Nesse caso, o osso esponjoso é pouco denso (1), e os corticais são pouco espessos (2). 3: pedículo incisivo; 4: passagem para penetração da artéria sublingual.

 

A cortical da crista é de espessura muito variável, ao passo que as outras

corticais têm uma espessura que ultrapassa normalmente os 3 mm.

 

Conteúdo (Figuras 10.29 e 10.30)

 

O pedículo incisivo continua o trajeto inicial do pedículo da mandíbula até

a sínfise da mandíbula, nunca a ultrapassando. Geralmente, o pedículo apresenta uma distribuição em forma de candelabro, cujas ramificações se

destinam aos dentes.

 

FIG. 10.29 Nesta mandíbula fresca injetada, vê-se o pedículo incisivo, que apresenta uma distribuição em forma de candelabro. Aqui, o pedículo está situado abaixo.