Jaqueta Branca
Cronologia: Vida e obra de Herman Melville
:
1819 | 1o ago: Em Nova York, nasce Herman Melville, filho do
renomado comerciante Allan Melvill (sim, há diferença na grafia
dos sobrenomes) e de Maria Gansevoort, filha de um herói da
Revolução Americana.
1830: Passa a viver em Albany, para onde a família muda após a
quebra dos negócios de Allan. Na cidade, Melville frequenta a
Albany Academy.
1832: Após a morte de seu pai, passa a trabalhar na setor
administrativo de um banco para ajudar no sustento da mãe e
dos irmãos. Antes de iniciar as aventuras pelo mundo, também
atuaria como professor. No mesmo ano, perde o avô paterno,
Thomas Melvill, nome importante do Boston Tea Party,
movimento contrário ao governo britânico durante o período de
lutas pela independência dos Estados Unidos.
1838: Embarca como auxiliar e aprendiz na viagem de ida e volta
que o navio mercante St. Lawrence fez dos Estados Unidos à
Inglaterra.
1840: Viaja para Illinois para tentar arrumar trabalho com um de
seus tios. De mãos abanando, ainda tenta conseguir algo em
Manhattan antes de voltar aos navios.
1841: Nova temporada nos mares: desta vez a bordo do
Acushnet, baleeiro que zarpou do porto de New Bedford, cidade
na costa de Massachusetts, rumo ao oceano Pacífico.
1842: Ano agitado. Após chegar às ilhas Marquesas, na
Polinésia, deixa o Acushnet para viver com os habitantes locais.
Depois, arranja uma vaga no baleeiro australiano Lucy Ann e vai
parar no Taiti, onde é preso por apoiar um motim. Consegue fugir
e parte para Moorea, ilhota que hoje faz parte da Polinésia
Francesa, onde fica durante um mês.
1843 | Abr: Chega ao Havaí a bordo do baleeiro Charles &
Henry.
1843 | Ago: Entra para a Marinha norte-americana e cumpre
missão na fragata USS United States.
1844 | Ago: Passa cerca de uma semana na costa brasileira,
quando o USS. United States aporta no Rio de Janeiro para
abastecimento. A experiência, ainda que breve, renderia uma
passagem em Jaqueta Branca. | Out: Retorna à porção
continental dos Estados Unidos.
1846: Estreia na literatura com o romance Taipi, ou Vislumbres
da vida polinésia, baseado no que viveu após deixar o Acushnet.
Depois de ser recusado por uma editora dos Estados Unidos, o
livro sairia primeiro na Inglaterra. No mesmo ano, começa a
Guerra Mexicano-Americana, que durará até 1848 e será
responsável por uma significativa expansão territorial dos
Estados Unidos, consolidando o país como a potência que busca
ditar o ritmo do que acontece em todo o continente.
1847: Lança seu segundo livro, Omoo, uma narrativa de
aventuras nos Mares do Sul, continuação de Taipi e sequência
da ficcionalização do que vivera ao longo de 1842. Casa-se com
Elizabeth Shaw, filha do chefe de justiça do estado de
Massachusetts. O casal terá quatro filhos.
1848: Numa tentativa de produzir romances filosóficos na linha
de As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, publica Mardi, ou
Uma viagem além, que, ao contrário dos livros até então
lançados por Melville, não cai nas graças dos leitores.
1849: Publica Redburn, que traz ecos da viagem que fez em
1838 como aprendiz de marinheiro. Ao longo do verão, escreve
Jaqueta Branca. Nasce Malcolm, primeiro filho de Elizabeth e
Melville.
1850: Publica Jaqueta Branca, ou O mundo em um navio de
guerra, no qual remonta ao que viveu a bordo do USS United
States, navio de guerra no qual atuou como segundo marinheiro.
A obra é apontada como a mais política de Melville. Muda-se
com a família para Pittsfield, Massachusetts, onde escreve Moby
Dick, que se tornaria o seu mais famoso romance. Conhece o
escritor Nathaniel Hawthorne, que virá a ser seu grande amigo.
1851: Lança, primeiro na Inglaterra e depois nos Estados Unidos,
Moby Dick, que tem uma recepção bastante tímida. O mesmo
aconteceria com os livros seguintes do autor, que passaria o
resto da vida sem repetir o sucesso feito no início da carreira.
Nasce Stanwix, o segundo filho de Melville e Elizabeth.
1852: Publica Pierre, or The Ambiguities.
1853: Nasce Elizabeth, terceiro filho do casal.
1855: Lança Israel Potter. Nasce o quarto e último filho de
Melville e Elizabeth, Frances.
1856: Publica a coletânea Piazza Tales, que, dentre outros
textos, inclui a novela Bartebly, o escrivão (publicada em um
periódico em 1853), que com o passar dos anos se tornaria
célebre.
1857: Lança The Confidence-Man.
1858: Começa a escrever poemas. Inicialmente, compartilha os
versos apenas com a esposa.
1860: Parte em viagem de volta ao mundo a bordo do Meteor.
Tenta publicar seus poemas, mas não encontra editoras que
banquem o trabalho.
1863: Em sérias dificuldades financeiras, vende a própria casa e
se muda com a família para Nova York.
1864: Visita campos de batalha da Guerra Civil dos Estados
Unidos, ou Guerra de Secessão, iniciada em 1861 e que duraria
até 1865. A experiência teria impacto na sua produção literária.
1866: Inicia, com Battle Pieces and Aspects of the War, uma
sequência de livros de poemas inspirados pela Guerra Civil.
Começa a trabalhar como fiscal de alfândega em Nova York,
cargo que ocuparia ao longo de muitos anos.
1867: Malcolm, filho mais velho de Melville, morre com um tiro na
cabeça; não se sabe se o jovem quis se matar ou atirou em si
acidentalmente.
1876: Publica o épico Clarel.
1885: Deixa o cargo de fiscal de alfândega.
1886: Morre o filho Stanwix, vítima de tuberculose.
1888: Melville lança a coletânea John Marr and Other Sailors.
1891: Nova coletânea, Timoleon.
1891 | 28 set: Herman Melville morre em Nova York, aos 72
anos, após um ataque cardíaco. Jornais e leitores praticamente
ignoram a perda do escritor.
1892: Uma nova edição de Moby Dick e alguns textos
reavaliando a dimensão e a importância do romance iniciam o
resgate do nome de Melville.
1921: O crítico Carl van Doren dedica um trecho de The
American Novel a Moby Dick.
1923: D. H. Lawrence trata de Moby Dick em um dos capítulos
de Estudos da literatura clássica americana.
1924: Publicação do romance inacabado Billy Budd, outro marco
importante na trajetória póstuma de Melville ao longo do século
.
1941: Em American Renaissance, de F. O. Mathiessen, numa
leitura que atualiza a disputa entre América e Europa e o então
candente embate entre a democracia e o totalitarismo, Melville se
torna um nome central do cânone literário dos Estados Unidos.