Jaqueta Branca

Herman Melville · Capítulo 88 de 101

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Jaqueta Branca

85. O grande massacre das barbas

85

O grande massacre das barbas

 

O para o presente, no qual é

com tristeza que Jaqueta Branca relata um desastroso

acontecimento, que encheu o Neversink de longas lamentações

que ecoaram por todas as suas gáveas e conveses. Depois de

discorrer sobre nossas excessivas madeixas e três vezes nobres

barbas, de bom grado pararia e silenciaria sobre o que vem a

seguir, mas a fidelidade e a verdade me impedem de fazê-lo.

Neste momento, enquanto vago sem rumo, demorando-me em

escaramuças nas fronteiras desta narrativa, invade-me um

sentimento de tristeza que não consigo controlar. Que cruel

massacre de cabelo! Uma verdadeira Noite de São Bartolomeu,

as Vésperas Sicilianas do assassinato das barbas!410 Ah! Quem

poderia acreditar! Com instintiva solidariedade passo a mão por

minha própria barba castanha enquanto escrevo e agradeço a

minhas estrelas protetoras que cada precioso fio de cabelo meu

esteja para sempre longe do alcance dos impiedosos barbeiros

de um navio de guerra!

É preciso que esse triste e seriíssimo acontecimento seja

fidedignamente detalhado. Ao longo da viagem, muitos dos

oficiais haviam expressado seu desagrado quanto à impunidade

com que as mais extensas plantações de cabelo se cultivavam sob seus próprios narizes; e com desgosto ainda maior franziam

o cenho diante de cada barba. Diziam não ser digno de um

marinheiro; digno de um navio; em suma, uma desgraça à

Marinha. Mas, como o capitão Claret nada falava, e como os

oficiais, por si próprios, não tinham autoridade para convocar

uma cruzada contra barbados e cabeludos, a Velha Guarda do

castelo de proa ainda cofiava complacente suas barbas, e os

doces jovens da Guarda de popa ainda enrolavam

adoravelmente os dedos nos próprios cachos.

Talvez a generosidade do capitão em permitir até então que

nossas barbas crescessem tenha derivado do fato de ele próprio

trazer uma barba curta a cobrir seu rosto imperial; a qual, se os

rumores eram verdadeiros, servia para esconder algo, como

Plutarco diz sobre o imperador Adriano.411 Mas, para fazer-lhe

justiça — como tenho feito —, a barba do capitão não excedia os

limites prescritos pelo departamento da Marinha.

Segundo uma então recente ordenança vinda de Washington,

as suíças tanto de oficiais quanto de marinheiros deviam ser

acuradamente aparadas e inspecionadas e, de forma alguma,

alcançar a parte inferior da boca, de modo a corresponder ao

padrão do Exército — um regulamento diretamente oposto à lei

teocrática disposta no décimo nono capítulo, versículo vinte e

sete, do Levítico, em que se diz expressamente: “Não

danificareis as extremidades de vossa barba”.412 Os legisladores,

porém, nem sempre regulam seus estatutos pelos da Bíblia.

Por fim, quando já tínhamos cruzado o trópico de Câncer e nos

postávamos diante de nossos canhões nos exercícios do

entardecer, enquanto o sol poente, brilhando através das portinholas, iluminava todos os cabelos a ponto de, para um

observador no tombadilho, as duas longas e idênticas linhas de

barbas parecerem uma só densa mata; deve ter sido naquele

terrível momento que um cruel pensamento adentrou o coração

de nosso capitão.

“Belo grupo de selvagens”, pensou ele, “este que estou

levando para a América; pensarão que são todos turcos e

pumas. Além disso, agora me dou conta de que é contra a lei.

Não pode ficar assim. Todos devem ser barbeados e ter os

cabelos cortados — disso não resta dúvida.”

Não se sabe se essas foram as palavras nas quais o capitão

meditou naquela noite; pois ainda é questão de debate entre os

metafísicos se pensamos em palavras ou se pensamos em

pensamentos.413 Mas algo como o acima transcrito deve ter sido

a reflexão do capitão. De qualquer forma, naquele mesmo

entardecer a tripulação do navio foi surpreendida por um

extraordinário anúncio feito à escotilha principal da coberta dos

canhões pelo guardião do contramestre ali postado. Descobriu-

se, depois, que ele estava um pouco bêbado na hora.

“Escutem todos, a popa e proa. Quem tiver pelo na cabeça, é

hora de cortar; e quem tiver cabelo na cara, é hora de aparar!”

Cortar nossos cabelos cristãos! E, então, inclinando a cabeça

entre os joelhos afastados, permitir que venham aparar nossas

adoradas barbas! O capitão estava louco.

Imediatamente após o anúncio, porém, o contramestre correu

na direção da escotilha e, depois de sonoramente repreender o

guardião bêbado, bradou uma versão verdadeira da ordem que

viera do tombadilho. Corrigida, assim se ouviu:

“Escutem todos, a popa e proa. Todos que têm cabelo longo, é

hora de cortá-lo curto; e todos os que têm suíças longas, apará-

las segundo o regulamento da Marinha.”

Era um avanço, sem dúvida alguma; mas, de qualquer forma,

uma barbaridade! Ora! Não faltavam nem trinta dias para

chegarmos — e perderíamos nossos penteados “torna-viagem”!

Os pelos que vínhamos havia tanto tempo cultivando! Perdê-los

num só golpe fatal? Estavam os vis barbeiros da coberta dos

canhões prontos a ceifar nossas longas e moventes searas e

expor nossos inocentes queixos ao frio da costa ianque! E as

vinhas de nossos cachos! Seriam elas também cortadas? Era

uma grande tosa de ovelhas, como as que anualmente têm lugar

em Nantucket; caberia a nossos ignóbeis barbeiros depelar o

rebanho?

Capitão Claret! Ao cortar nossas barbas e cabelos, fere-nos

com o mais vil dos cortes!414 Estivéssemos prestes a entrar em

combate, capitão Claret — para combater o inimigo com nossos

corações em chamas e nossos braços de ferro, teríamos com

alegria oferecido nossas barbas ao terrível Deus da Guerra, e

isso não entenderíamos senão como sábia precaução contra tê-

las puxadas pelo inimigo. Nesse caso, capitão Claret, estaria

apenas imitando o exemplo de Alexandre, que tinha todos os

seus macedônios barbeados para que, na hora da batalha, suas

barbas não pudessem ser tomadas pelas mãos dos persas. Mas

agora, capitão Claret! Quando depois de nossa longuíssima

viagem retornamos a nossas casas, cofiando com amor as belas

borlas que nos caem dos queixos; pensando em pai e mãe, irmã

ou irmão, filha ou filho; cortar nossas barbas agora — as mesmas barbas que congelaram e embranqueceram enquanto

atravessávamos a Patagônia — isso é revoltante, capitão Claret!

E, pelos céus, não nos submeteremos! Tragam seus canhões ao

convés; que os fuzileiros carreguem as baionetas, e os oficiais

desembainhem as espadas; não deixaremos que nossas barbas

sejam cortadas — o último insulto imposto a um inimigo

derrotado no Oriente!

Onde estão, homens da âncora d’esperança! Capitães das

gáveas! Subchefes de artilharia! Marinheiros, todos! Reúnam em

torno do cabrestante suas veneráveis barbas e, enquanto as

unem em sinal de irmandade, cruzem os braços e jurem que

levaremos a cabo mais uma vez o motim de Nore415 e antes

morrer do que entregar um fio de cabelo!

A agitação foi grande durante toda a tarde. Grupos de dez e

vinte se espalhavam pelos conveses, discutindo a ordem e

protestando com veemência contra seu bárbaro autor. A longa

área da coberta dos canhões era algo como uma populosa rua

de vendedores de ações no momento em que acabam de chegar

terríveis notícias comerciais. Todos, sem exceção, estavam

decididos a não sucumbir, e toda a marinhagem jurava lutar pela

própria barba e a do próximo.

Vinte e quatro horas depois — no exercício de posto do

entardecer —, viram-se os olhos do capitão passando em revista

os homens em seus canhões. Nenhuma barba barbeada!

Quando o tambor rufou a dispersão, o contramestre — agora

acompanhado de todos os seus quatro guardiões, para assim dar

maior solenidade ao anúncio — repetiu a ordem do dia anterior, e concluiu dizendo que vinte e quatro horas seriam dadas a todos

para que se adequassem.

Contudo, o segundo dia passou e, no exercício, intocadas, as

barbas de cada um despontavam, duras, de cada rosto.

Imediatamente, o capitão Claret convocou os aspirantes que,

recebendo ordens, correram para as diferentes divisões dos

canhões e as comunicaram aos respectivos lugares-tenentes

encarregados delas.

O oficial que comandava nossa divisão voltou-se a nós e disse:

“Homens, se amanhã à noite encontrar qualquer um de vocês de

cabelos compridos ou suíças em padrão que viole as leis da

Marinha, os nomes dos que desobedecerem às orientações

serão denunciados”.

A questão tinha, então, assumido um aspecto mais sério. O

capitão estava decidido. A agitação geral decuplicou; e muitos

dos marinheiros mais velhos, extremamente irritados, falavam em

interromper o trabalho até que a ordem ofensiva fosse revogada.

Imaginei que fosse impossível que de fato pensassem numa

loucura daquelas; mas não há como saber do que um marinheiro

de navio de guerra é por vezes capaz, quando provocado — vide

Parker e o caso de Nore.

Naquela mesma noite, quando o primeiro quarto estava em

serviço, os homens em grupo tiraram os dois guardiões do

contramestre de seus postos nas escotilhas principal e de proa,

recolhendo as escadas; e assim cortaram toda a comunicação

entre a coberta dos canhões e o espardeque, à frente do mastro

principal.

Mad Jack tinha o trompete em mãos; e tão logo o motim

incipiente lhe foi reportado, ele saltou em meio à multidão e, sem

medo de misturar-se a ela, bradou: “O que querem com isso,

homens? Não sejam estúpidos! Esses não são modos de

conseguir o que desejam. Ao trabalho, rapazes! Ao trabalho!

Guardião do contramestre, arme a escada! Isso! Todos para

cima, meus rapazes, rápido! Saiam daí!”

Seus modos intrépidos, seguros e improvisados, sem

reconhecer tentativa de motim, tiveram efeito mágico sobre os

marinheiros. Eles subiram, como ordenado; e pelo restante da

noite limitaram-se a declarar, em privado, sua irritação contra o

capitão, e a exaltar publicamente cada botão de âncora do

uniforme do admirado Mad Jack.

O capitão Claret cochilava na cabine no momento da comoção;

e esta foi tão rapidamente abafada que ele nada soube a seu

respeito até ser oficialmente informado. Circularam, depois,

rumores pelo navio de que ele repreendera Mad Jack por agir

como agira, afirmando que ele devia ter imediatamente reunido

os soldados e investido contra os “amotinados”. Mas se as

palavras do capitão são verdadeiras ele, porém, se conteve; não

deu imediata resposta à comoção, nem tentou procurar e punir

seus líderes. Foi uma sábia decisão; pois há momentos em que

mesmo o mais poderoso governante deve fechar os olhos à

transgressão para preservar as leis invioláveis para o futuro. E

grande cuidado deve ser tomado, por uma boa administração,

para evitar qualquer ato incontestável de motim e, assim, evitar

que os homens se sublevem, a partir de sua própria consciência

da transgressão, em toda a fúria de uma insurreição sem limites. Nessas ocasiões, por algum tempo, soldados e marinheiros não

conhecem limites; como a coragem de César e a prudência de

Germânico416 o deram a conhecer, quando suas hostes se

rebelaram. Nem todas as concessões do conde Spenser, como

primeiro lorde do almirantado, nem as ameaças e pedidos de

lorde Bridport, o almirante da esquadra — nem o pleno perdão

antecipado de Sua Majestade convenceu os amotinados de

Spithead (quando por fim excitados para além da normalidade)

de se render, até que foram abandonados pelos próprios

companheiros de rancho e, alguns poucos, deixados para o

enfrentamento.417

Portanto, Mad Jack!, você agiu corretamente; ninguém poderia

ter feito melhor. Com sua astuciosa simplicidade, sua coragem

bem-intencionada e postura direta e improvisada (como se nada

estivesse acontecendo), talvez tenha acabado com um

acontecimento muito sério ainda em botão, evitando que a

Marinha americana conhecesse a desgraça de um motim trágico

motivado por suíças, espuma e lâminas de barbear. Pense nisso

— imagine se futuros historiadores precisassem dedicar um

longo capítulo à grande “Rebelião das Barbas” a bordo do navio

de guerra americano Neversink. Ora, dali em diante, os barbeiros

se desfariam dos sinalizadores com espirais de suas fachadas,

substituindo-os por miniaturas de mastros principais.

E aqui há ampla margem para um comentário repleto de

implicações sobre como os acontecimentos de vasta magnitude

em nosso mundo flutuante podem se originar nas menores

banalidades. Mas esse é um antigo tema; deixemo-lo de lado, e

prossigamos.

Na manhã seguinte, embora não fosse dia de barbear, os

barbeiros da coberta dos canhões estavam, assim se viu, com

seus salões armados, os barris de pavio de suas acomodações à

disposição, e as lâminas a postos. Com seus pincéis, produziam

poderosa espuma em seus recipientes de lata; e observavam a

multidão de marinheiros que passava, convidando-os

silenciosamente para entrar e serem servidos. Além dos

tradicionais implementos, exibiam de tempo em tempo uma

enorme tesoura de tosa, para desse modo recordar mais

veementemente aos homens o édito a que se havia de obedecer

naquele dia, antes que experimentassem o pior.

Por algumas horas, os marinheiros caminharam de um lado

para o outro em maus humores. Antecipadamente, criticavam os

homens que se rebaixassem ao cumprimento da ordem. O hábito

à disciplina, porém, é mágico; e não demorou para que um

homem de castelo de proa se revelasse sentado sobre o barril de

pavio, enquanto, com um sorriso malicioso estampado no rosto,

seu barbeiro — um sujeito que, pela crueldade da grosa que

portava,418 atendia pela alcunha de Pele Azul — o agarrava por

sua longa barba e, num só golpe, a cortava e jogava ao mar pela

portinhola que tinha às costas. Esse homem do castelo de proa

foi, dali em diante, conhecido por um apelido bastante expressivo

— no geral, equivalente ao xingamento dirigido ao primeiro

ateniense que, no tempo de Alexandre, antes do qual todos os

gregos ostentavam barbas, se submeteu à privação de sua

própria.419 Mas, a despeito de todas as imprecações lançadas a

nosso marinheiro do castelo de proa, seu prudente exemplo foi logo seguido; assim, em pouco tempo todos os barbeiros

estavam ocupados.

Que triste visão! Diante dela, apenas barbeiro ou tártaro não

chorariam! Barbas de três anos; barbichas que teriam feito os

bodes dos Alpes mais belos; cavanhaques dignos de inveja a um

conde d’Orsay; cachinhos do amor e anéis que teriam se medido,

centímetro a centímetro, com as mais longas madeixas da

Menina dos Cachinhos Dourados — todos lançados ao mar!

Capitão Claret! Como consegue deitar a cabeça em sua maca!

Por esta barba castanha que agora se projeta de meu rosto — a

bela sucessora daquela primeira jovem e vigorosa barba que

entreguei a sua tirania — por esta barba viril, juro, aquilo foi pura

barbárie!

Meu nobre capitão, Jack Chase, estava indignado. Nem

mesmo toda a especial generosidade que conhecera do capitão

Claret e o pleno perdão que lhe fora estendido após sua

deserção em nome da luta peruana poderiam refrear a expressão

de seus sentimentos. Mas, em seus momentos de maior calma,

Jack era um homem sábio; e, por fim, julgou ser prudente

sucumbir.

Quando foi ao barbeiro, as lágrimas quase lhe brotavam dos

olhos. Sentando-se melancólico no barril de pavio, olhou para os

lados e disse ao barbeiro, que coleava sua tesoura de tosa

pronto para começar:

“Meu amigo, creio que suas tesouras sejam consagradas. Não

permita que elas toquem minha barba caso ainda precisem ser

mergulhadas em água benta; as barbas são sagradas, barbeiro.

Não tem sentimento pelas barbas, meu amigo? Pense nisso.” E lamentosamente entregou seu rosto curtido de sol à mão do

barbeiro. “Dois verões se foram desde a última vez que se fez a

colheita em meu rosto. Eu estava em Coquimbo, em águas

espanholas; e, enquanto os homens plantavam o grão outonal

em Vega, comecei a cultivar esta abençoada barba;420 e,

enquanto os vinícolas podavam suas vinhas, eu pela primeira vez

a aparei ao som de uma flauta. Ah, barbeiro, não tem coração?

Essa barba foi carinhosamente tocada pela mão branca como

neve da adorável Tomasita de Tombez, a mais bela castilhense

de todo o baixo Peru. Pense nisso, barbeiro! Eu a usei como

oficial do tombadilho de um navio de guerra peruano. Com ela

desfilei e dancei maravilhosos fandangos em Lima. Com ela subi

e desci mastros em alto-mar. Sim, barbeiro! Ela tremulava como

a flâmula de um almirante no mastro principal desta mesma

intrépida fragata, o Neversink! Ó, barbeiro, barbeiro! Isso cala-me

fundo no coração… Não fale em arriar as insígnias e estandartes

quando derrotado… o que é isso, barbeiro? É arriar a própria

bandeira da Natureza pregada ao mastro!”

Neste ponto, falaram mais alto os sentimentos do nobre Jack;

e ele deixou a postura agitada de que seu entusiasmo

momentaneamente o dotara; sua cabeça desceu na direção do

peito, e sua longa e triste barba quase roçou o convés.

“Sim! Arrastem suas barbas em dor e desonra, ó tripulação do

Neversink!”, suspirou Jack. “Barbeiro, aproxime-se… agora, diga-

me, meu amigo, obteve absolvição por este feito que está prestes

a cometer? Não? Então, barbeiro, eu o absolvo; suas mãos hão

de ser lavadas desse pecado; não é você, mas outro; e embora

esteja perto de cortar minha humanidade, eu o perdoo, barbeiro; ajoelhe-se, ajoelhe-se, barbeiro! Para que possa abençoá-lo, em

sinal de que não me valho de maldade!”

Então quando esse barbeiro, o único homem de bom coração

em sua tribo, ajoelhou e foi absolvido, Jack entregou-lhe a barba;

e o barbeiro, prendendo-a com um suspiro, ergueu-a e,

parodiando o estilo dos guardiões do contramestre, bradou:

“Escutem a popa e proa! Esta é a barba do Inigualável Jack

Chase, o nobre capitão da gávea do mastro principal desta

fragata!”