O Amanuense Belmiro
§ 14. Analgésico, Etc. 40
—Se o caso é de urgência, aqui tem um hom em .. .
Jandira m e olhou com ódio:
—Se não soubesse que você está apenas fazendo um a gracinha, eu lhe dava na cara...
Fiquei encabulado, sem achar saída. Expliquei-lhe, com o pude, que realm ente estava brincando e que, logo depois de ter dito aquela tolice, eu m e censurara pela m inha incom preensão. Olhou-m e pensativa, e disse:
—Fui um a boba em pensar que podia lhe falar essas coisas. Vocês não com preendem isso. Não é culpa sua...
Protestei, dizendo que, naquele m om ento, ela é que não parecia razoável: levou m uito longe um a sim ples pilhéria; eu com preendia tudo. Achava, porém , que era m uito nova para desesperar de um a solução. Um a criatura bonita e j ovem assim tem diante de si um m undo grande, cheio de possibilidades. Ela devia saber disso. Minhas palavras produziram bom efeito e, dentro em pouco, Jandira voltava ao seu clim a, assum indo ar de m ofa e provocando-m e. Gostei dessa reação, sintom a de vitalidade, e prom eti-lhe que ainda lhe levaria um bom m arido, desde que ela não m e queria. Quando nos despedim os, j á estava brincalhona:
—Belm iro, m eu anj o, com o você é analgésico!
Voltei para casa tranqüilo, em bora não m uito satisfeito com o adj etivo.
§ 14. ANALGÉSICO, ETC.
RELENDO a página escrita ontem , volto a rem oer o adj etivo analgésico, com que Jandira m e brindou. Ela o em prega com o sentido de sedativo, no seu calão. E não é, positivam ente, um elogio atribuir-m e a função de calm ante; com o qualquer um , eu preferiria a de excitante. Mas está dito: sou analgésico. É o que pensam as m ulheres, pela sua representante j unto à Rua Erê.