O Amanuense Belmiro

Cyro dos Anjos · Capítulo 42 de 51

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O Amanuense Belmiro

§ 39. No Instituto. 79

§ 39. NO INSTITUTO.

 

QUANDO m e assentei no banco do bonde que deveria levar-m e ao Instituto de Alienados, alguém m e tocou no om bro, am istosam ente. Virei-m e: era o Florêncio.

—Que vai fazer em Santa Ifigênia? Nunca lhe vej o por aqueles lados... perguntou-m e.

Nosso am igo claudica sem pre nas regências verbais e Silviano não estava conosco para lhe cham ar a atenção. Muitas vezes brigam por causa da língua: "Que é que você tem com isso?" retruca Florêncio, furioso. "Deixa eu falar com o eu quiser. Não é da sua conta." "Mas isso m e fere os ouvidos afeitos ao bom vernáculo", reclam a o outro.

—Vou ver Francisquinha, respondi. Piorou m uito e tive de levá-la para o Instituto.

Florêncio, que ouviu a notícia com ar com pungido, quis acom panhar-m e, e fom os j untos.

Lá chegados, esperou-m e no saguão do edifício para não perturbar a visita.

Achei a doente bem m elhor, e regressei alegre à casa. Alim enta-se, dorm e tranqüilam ente, segundo m e inform ou a enferm eira, e j á não tem acessos violentos.

Achava-se sentada na cam a, quando entrei no quarto. Não se levantou, m as pôs-se a rir, o que é bom sinal, dizendo que a guerra iria acabar e poderíam os voltar para a Rua Erê (aludia, suponho, a coisas passadas há cinco anos, na revolução de Trinta). Notei-lhe paz na fisionom ia. Os cabelos, m eio grisalhos, estavam arranj ados em trança, coisa que desde m uito tem po Em ília não conseguia fazer. Vendo o pacote de biscoitos, que lhe levei, alegrou-se com o um a criança; depois, ficou séria, perguntando se não era feitiço. Afirm ei-lhe que não, e com i um para dissipar as dúvidas.