O Amanuense Belmiro

Cyro dos Anjos · Capítulo 2 de 51

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O Amanuense Belmiro

Nota da Editora 6

NOTA DA EDITORA

 

DADOS BIOBIBLIOGRÁFICOS DO AUTOR

 

CYRO VE RSIANI DOS ANJOS, 13.° entre os quatorze filhos do casal Antônio dos Anjos e Carlota Versiani dos Anjos, nasceu em Montes Claros, Minas Gerais, a 5 de outubro de 1906. Reunido em torno da "mesa de pereiro branco", o clã Versiani dos Anjos, malgrado o ambiente rural e as longas distâncias que o separavam dos mundos urbanos mais atingidos pelo progresso, não estava ausente do gosto pela arte e pela literatura. O patriarca da família, fazendeiro e professor, amava a leitura e o debate de idéias, entretendo-se com o- latim tradicional entre mineiros e, ainda mais, com escritores e temas contemporâneos. Dona Carlota, por sua vez, gostava de música e na casa sertaneja não faltavam os acordes de Bach e Beethoven, ouvidos ao piano numa época em que um Pleyel, para alcançar Montes Claros, tinha de fazer acidentadaviagem de mais de 30 dias, em carro de bois.

Aos 8 anos, já o futuro romancista deixava entrever visíveis inclinações literárias, rabiscando um jornalzinho manuscrito intitulado Horas Vagas, revelador ao mesmo tempo do embrião de jornalista que se formava e da disciplina infantil a que se submetia na vida cotidiana e familiar. Aos 10, Cyro dos Anjos já editava um jornal chamado O Civilista, estimulado por um amigo da família dono de tipografia, deixando ver a influência política da primeira campanha de Rui Barbosa, de quem seu pai era ardoroso partidário. Iniciando os estudos médios na Escola Normal de Montes Claros, em cuja pequena biblioteca descobriu (aos 15 anos) Machado de Assis, Eça de Queiroz, Alexandre Herculano, Fialho e Camilo Castelo Branco, Cyro dos Anjos transferiu-se em 1924 para Belo Horizonte, onde concluiu o curso secundário e o de Direito, bacharelando-se em 1932.

Dedicando-se ao jornalismo, a fim de prover o próprio sustento, Cyro dos Anjos trabalhou nos jornais Diário da Tarde (1927), Diário do Com ércio (1929), Diário da Manhã (1929), e Diário de Minas (1930). Em 1933, como redator de A Tribuna, publicou sob o pseudônimo de Belmiro Borba, as crônicas que foram o germe de O Am anuense Belm iro. Malograda tentativa de advocacia na cidade natal fez com que desistisse da profissão, voltando à imprensa e ao serviço público em Belo Horizonte- Em 1931 Cyro dos Anjos já era oficial de gabinete da Secretaria de Finanças de Minas Gerais, cargo que marcou o início de uma carreira pública onde sempre ocupou funções de destaque. Oficial de gabinete do Governo de Minas (1935-1938), Diretor da Imprensa Oficial de Minas (1938-1940), Diretor do IPASE (1946-1951), Professor de Estudos Brasileiros nas Universidades do México e Lisboa (1952-1955), Subchefe do Gabinete Civil da Presidência da República (1957-1960) e, finalmente, Conselheiro do Tribunal de Contas de Brasília, são as etapas que definem a carreira de Cyro dos Anjos no serviço público estadual e federal, a que se acrescentam os títulos de fundador da Faculdade de Filosofia de Minas Gerais e da Universidade de Brasília, sendo nesta última regente do curso Oficina Literária, que exerce juntamente com os deveres de fiscal dos dinheiros públicos na capital do país.

Estreando na literatura em 1937, com o romance O Am anuense Belm iro, muito bem recebido pela crítica, Cyro dos Anjos pertenceu ao grupo de escritores em que se destacavam Carlos Drummond de Andrade, Emílio Moura e João Alphonsus, os dois últimos já falecidos, além de Newton Prates e Guilhermino César, este radicado atualmente em Porto Alegre, de cuja vida intelectual participa com intensidade. Seu segundo livro, também romance, Abdias, saiu em 1945 e o terceiro, ainda no mesmo gênero, Montanha, em 1956, ambos editados por esta Casa. Mas o romancista Cyro dos Anjos, apesar do sucesso conquistado, inclusive no exterior com as versões espanhola e italiana de O Am anuense Belm iro, ambas de 1954 no México e na Itália, revelou-se também ensaísta e memorialista, publicando em 1954 (Coimbra, Portugal) um estudo sobre A Criação Literária e, em 1963, em edição nossa, Explorações no Tem po, volume de memórias. Seu último trabalho, por sinal, data de 1963 e nele o ensaísta e romancista cede lugar ao poeta bissexto dos Poem as Coronários, publicados pela Universidade de Brasília. Cyro dos Anjos pertence à Academia Mineira de Letras e possui várias condecorações nacionais e uma de Portugal. Em 1969 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, cadeira n.° 24, sucedendo a Manuel Bandeira. Casado em 1932 com D. Zelita Costa dos Anjos, o romancista tem seis filhos: Margarida, Márcia Antonieta, Martim Afonso, Antônio Joaquim, Joaquim Carlos e Francisco de Assis.

 

Rio, outubro de 1971.