O Amanuense Belmiro

Cyro dos Anjos · Capítulo 38 de 51

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O Amanuense Belmiro

§ 35. Francisquinha Piora. 71

§ 35. FRANCISQUINHA PIORA.

 

COM grande pesar, fui forçado hoj e, pela m anhã, a levar Francisquinha para o Instituto de Alienados. É m edida extrem a, que não tenho em pregado m uitas vezes no curso destes doze anos, desde que as velhas se acham com igo. Passa, ali, um a tem porada, alim enta-se m elhor, torna-se m ais calm a e volta para casa.

No correr desta sem ana (que ficou em branco no caderno de notas) suas crises se tornaram fortes e freqüentes. Em ília quis recorrer de novo ao espiritism o, m as consegui convencê-la de que o caso pertencia à m edicina; estava, aliás, um pouco desencantada, com o m alogro da tentativa feita na sessão de quinze dias atrás, e certam ente por isso não ofereceu resistência.

A pobre m ana se recusava sistem aticam ente a ingerir alim entos, agitava-se m uito, a ponto de querer agredir-nos, e gritava dia e noite. Em ília, que sem pre relutou, quando de outras vezes tive de valer-m e do Instituto, reconheceu logo a necessidade da m edida. Está ficando m ais velha, m ais achacada da gota ciática e j á não suporta os esforços violentos a que a irm ã a obriga.

O m édico que ali a recebeu prom eteu m elhorá-la com a aplicação de duchas e inj eções.

A casa m e parece m utilada com a sua ausência. Um grande silêncio—a que estou desabituado, durante o dia e às prim eiras horas da noite—m odifica o aspecto das coisas e m e oprim e. Em ília tam bém se ressente da falta da Chica. Sem pre a tratou com o a um a criança de colo e suas diabruras deveriam diverti-la. Já lhes contei que nada ou pouco fala à irm ã, com o a m im , m as sei quanta ternura se esconde por trás da cara fechada dessa velha Borba. Já não há quem dê m ingaus a ratinhos, m exa com as galinhas, tom ando-lhes os pintos, suj e a roupa com seu sistem a de lavagem e faça, enfim , qualquer coisa, ainda que pelo avesso, para m ovim entar nossa solidão.