O Amanuense Belmiro
§ 18. Um Baile das Moças em Flor. 44
Jandira foi quem apurou essas coisas, com sua rede de inform ações, e nós as perdoam os ao rapaz que, apesar de tais tolices, é inteligente, vivo, bom parceiro.
Manda a sinceridade que eu escreva tam bém que, ao cabo de contas, ficam os lisonj eados com isso. A m istificação nos prestigia de certo m odo e satisfaz a um a pontinha de vaidade que não conseguim os reprim ir.
§ 18. UM BAILE DAS MOÇAS EM FLOR.
EU ME conform o com o m eu ridículo, j á que o ridículo é de todos os nam orados, m as a tirania de Glicério leva-m e a coisas que nunca fiz, com o esta noite, obrigando-m e a acom panhá-lo a um baile. Não m e disse que haveria danças e o pretexto, para a sortida, foi um pôquer. Falou-m e que o Senador Furquim , em cuj a casa iríam os j ogar, era hom em m uito sim ples, e esclareceu que o j ogo seria barato, pois o senador não adm ite cacife acim a de dez m il-réis.
Recusei term inantem ente, em bora tivesse curiosidade de conhecer a casa de um senador e privar com um pai da Pátria. É que essa aventura m e intim idava, pondo-m e fora de m eu m undo e em contato com um a fauna hum ana de caracteres inteiram ente desconhecidos para m im .
Mas o m edo de descontentar o m eu tirano e de fechar, assim , os cam inhos para Carm élia, fez-m e ceder às suas insistências e, tom ando um autom óvel, tocam os para a casa do senador. Havia realm ente o pôquer, m as não j ogam os um a hora, porque m oças e rapazes, aparecidos às dúzias, não couberam no salão e reclam aram , tam bém , o gabinete do senador. Era um a data aniversária na casa.