O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 10 de 50

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O Jogo em Vermelho

Capítulo 10

O homem respirou fundo, observando a garota sentada. Ele amarrou os punhos dela juntos, forçou seus braços para trás. A corda a prendia na cadeira. Os pés também presos com cordas na cadeira. Antes de prender ela ali, a deixou apenas de calcinha e sutiã. Ela estava desacordada, respirava calmamente.

Ele ajustou a câmera, assim seria divertido. Estava mascarado, vestido com um macacão negro e luvas. Ninguém poderia o reconhecer. Ele sempre gravava o que fazia com as garotas. Com aquela não seria diferente, gravaria todos as torturas com cuidado. Depois, ele poderia fazer cópias, três cópias de cada gravação. Uma cópia para ele, uma cópia para deixar com ela, esta seria confiscada pela polícia. E, se ela sobrevivesse, a terceira cópia seria enviada a ela para que pudesse se lembrar o pequeno castigo que viveu.

O homem mexeu nos instrumentos que usava para torturar suas pequenas amigas. Ele pegou uma gilete, pequena e afiada. Esperou a garota acordar para começar com apenas um corte. Ela abriu lentamente os olhos, ela se contorceu tentando escapar. O homem segurou seu cabelo e a obrigou a o olhar.

Sabia que a família dela estava desesperada procurando sua garota.

Esse era o Primeiro Dia.

Stean estava sentado na poltrona, o livro em seu colo era o único de sua estante que estava em inglês. E também o único que leu mais de uma vez. A capa era simples, preta e com o título “Diamantes da Morte” escrito em letras prateadas. O nome da autora também em dourado, em um tamanho de fonte menor e colocado no canto superior da capa.

Era o único livro lançado por ela, já que ela acabou morrendo no parto da filha mais nova e seu segundo projeto nunca foi finalizado, era uma história policial. Um assassino em série, ele simplesmente cortava o pescoço de suas vitimas. Em todos os corpos, ele deixou um papel com um diamante desenhado.

No final, o assassino era o legista. Após ser descoberto, ele enfiou um bisturi no próprio pescoço e ninguém conseguiu salvar ele.

Stean gostava desse livro.

E por isso era dentro dele que uma única foto estava guardada ali dentro. Achava um foto bonita, duas garotas. Irmãs, claro, quase como gêmeas. Na verdade, a família toda era parecida.

A maior diferença era as roupas, eram apenas sete anos de diferença entre elas. A mais velha vestia a beca preta com detalhes verdes como todos seus colegas, aquele era o dia de sua formatura na faculdade e havia felicidade em seus olhos, finalmente aos vinte e três ela conseguiu realizar o sonho. A outra garota usava uma camisa social branca, conseguia parecer mais jovem do que realmente era, como seu pai lhe ordenou, e parecia tão feliz quanto sua irmã.

Aquela foto foi tirada antes de Stean conhecer as duas garotas, antes de toda a merda acontecer.

Fechou o livro, a felicidade parecia machucar mais do que a tristeza. Passou os dedos pelo título, lendo o que ele já havia lido milhares e milhares de vezes. Letra por letra, escrito cuidadosamente na capa.

“Alice F. Simons”

Academia, o segundo lugar favorito de Camile. Não a academia onde os moradores da cidade gostavam de ir, e sim a academia feita para os policiais treinarem. Era um lugar silencioso naquele horário, afinal, quantas pessoas estão acordadas fazendo exercícios às cinco horas da manhã? Apenas uma, Camile.

Ela era uma das poucas pessoas que podiam entrar ali em horários diferentes. Eram quase seis horas, o único som que ela ouvia era a mistura de sua respiração e seu coração. Era tão vazio que se ela se concentrasse o suficiente, ela poderia ouvir o som do seu corpo cortando o ar enquanto subia e descia.

Mas, talvez, ela não pudesse ouvir. Não tinha a melhor audição do mundo, seu ouvido esquerdo tinha alguns problemas para funcionar e ela detestava usar um aparelho. Sabia muito bem que em alguns anos ele não poderia mais funcionar. Era uma ideia desagradável pensar que poderia ficar sem audição de um lado.

Suas mãos seguravam a barra de metal com força enquanto ela usava seu próprio peso para manter sua forma física.

Era relaxante. Se movimentar daquele modo esvaziava sua mente. Seu problema era que quanto mais estressada ela ficava, mais exercícios ela fazia, isso podia machucar seu corpo. Seria mais esforço do que deveria fazer.

Já estava cansada.

Antes de ir embora, ela desceu a escada em direção aos banheiros. Um banho e estava pronta para o trabalho. Às sete da manhã estava subindo as escadas em direção para seu escritório.

A cabeça de Katherine parecia prestes a explodir. Pulsava, doía, ela detestava ressaca. Todos detestam. Era outro dia burocrático, Brown parecia querer que ela terminasse todos os seus relatórios acumulados.

Leu, leu e leu.

Em alguns momentos ela precisou parar e esfregar os olhos para que as letras gravadas nos papéis fizessem algum sentido. Ouviu uma pequena batida na porta e ergueu os olhos para a porta. Camile estava encostada no portal, com os braços cruzados.

— O que quer?

— Eu preciso do seu relatório sobre o último corpo — ela continuou na porta, ao contrário do que sempre vazia, que era entrar na sala — Está pronto?

— Sim — Katherine pegou uma pasta — Você pode entrar

— Hm, obrigada — entrou na sala e pegou o relatório — Em duas horas eu trago de volta, okay?

— Okay — ela concordou e Camile assentiu antes de sair da sala

Katherine suspirou, aquilo foi estranho. Camile, pela primeira vez desde que as duas estavam trabalhando juntas, havia sido tão fria quanto Katherine. Não era exatamente ruim, apenas parecia esquisito Camile agir daquele modo.

Apoiou o rosto entre as mãos e se sentiu cansada, muito cansada.

— Simons, você deveria prestar atenção em mim — Brown chamou, Camile estava observando a janela atrás dele e voltou sua atenção ao homem

— Desculpe

— Okay — ele arrumou a pilha de folhas que tinha em frente a si — Apenas preciso que você se concentre mais

— Eu me concentro

— E se distrai com qualquer coisa

— A culpa não é minha — ergueu as mãos — Eu tento, okay?

— Eu sei, você sabe que preciso diminuir os seus prazos

— Ouch — franziu o cenho — Isso não é bom

— Não há o que fazer — ele deu de ombros — Agora com Carter por aqui, vamos ser pressionados. Aqui é uma cidade pequena, esses tipos de assassinatos em um lugar como esse faz tudo parecer algo pior

Camile suspirou, se ele diminuísse seus prazos, seria difícil terminar na hora. Brincou com o botão da camisa, pensando sobre o que Brown disse. Stean estava tornando seu trabalho mais difícil do que antes era.

Ela havia pensado que uma cidade pequena seria um ponto de tranquilidade, mas sentia que estava errada. Aquele ano, onde seu maior problema era trabalhar com uma mulher antipática, foi como a calmaria antes da tempestade.

Stean era uma tempestade.