O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 41 de 50

Páginas do PDF

O Jogo em Vermelho

Capítulo 42

Abigail Carter estava puta, muito puta.

Era Natal, uma época que ela costumava adorar. Mas, com todo aquele estresse, ela estava odiando com todas as forças. Queria estar no seu apartamento, sentada no sofá, enrolada em um cobertor confortável, com um chocolate quente nas mãos e assistindo algum filme natalino bobo. Entretanto, ali estava ela no escritório sem ter nada para fazer e avançar no caso.

Estava preocupada com Katherine e Camile. Absolutamente nada no apartamento indicava para onde Sarah poderia ter levado elas. Havia apenas encontrado algumas notas fiscais de lojas perto do lugar, os itens mostravam que Sarah usava objetos simples e fáceis de encontrar para torturar aqueles homens. E alguns papéis, anotações sobre as vitimas dela. Não eram muitos nomes, a maioria que estavam ali já haviam sido encontrados.

Uma coisa que chamou a atenção deles era que havia algumas folhas com o desenho do mesmo homem. Abigail conseguiu ficar com cópias dos desenhos, agora eles estavam espalhados pela mesa e o notebook encontrado. Na teoria, um técnico em computação deveria olhar, mas ela não se importou com isso. Somente registrou que havia encontrado ele e que analisaria.

Bebendo seu café, ela começou a olhar os desenhos. O homem neles era o mesmo nos vídeos que Sarah havia mandado. Eram oito desenhos. Um era somente o rosto do homem, como um retrato falado. Outro era ele do quadril para cima, os braços cruzados e a mesma expressão sádica do vídeo. Carter se impressionou com como era detalhista. E o terceiro era mais perturbador, ao menos em sua percepção, também era do quadril para cima. Em uma mão, havia um bisturi e na outra havia um martelo. Talvez por ser desenhado apenas com lápis, o sangue pintado de grafite parecia mais doentio.

— Hey, Carter — Laurie bateu levemente na porta, tirando Abigail das ideias dela, estava começando a imaginar coisas piores do que havia visto no vídeo.

— Entra — ela ergueu os olhos.

— Tudo bem? — se aproximou da mesa.

— Odeio trabalhar no Natal.

— Ninguém gosta — se apoiou na mesa e olhou para os desenhos — Algum avanço?

— Não — juntou os desenhos — Você viu os vídeos?

— Vi, é o mesmo cara, certo?

— Sim, eu ainda não procurei no sistema, então não faço ideia do nome dele.

— E no notebook?

— Mais vídeos desse — ela coçou o queixo — Essa mulher é louca.

— Um pouco — puxou um desenho para si, aquele em que ele estava com os braços cruzados.

— Agora precisamos saber quem desenhou isso.

— Foi a Cam — empurrou o desenho de volta.

— Como sabe?

— Porque eu sei algumas coisas sobre ela — Laurie encolheu os ombros — O que foi?

— Por que ela desenhou esse cara? — Abigail franziu o cenho — Era ela no vídeo?

— Era — murmurou baixo — Infelizmente era.

Era quase fim do expediente quando Vincent Brown ligou para Carter e mandou ela descer o mais rápido possível. Ela vestiu o casaco, fechou até o pescoço enquanto descia. Estranhou a urgência na voz dele.

— O que houve? — ela encontrou o homem encostado no carro.

— Corpo novo — abriu a porta do carona — Entra aí.

Carter o fez, podia ver quanta tensão havia nos ombros. O silêncio pesava dentro do carro. O homem dirigiu com cuidado, estava nevando outra vez e o vento mostrava que talvez uma nevasca violenta estivesse chegando. Brown parou perto da linha amarela que demarcava a cena do crime.

Abigail desceu do carro e o seguiu, andando cuidadosamente sobre a camada de neve. Passaram por baixo da fita e se aproximaram do corpo quase congelado. Estava perto do hospital. Pela posição do homem, Sarah havia parado o carro (ou seja lá com o que ela carregava os homens mortos) e simplesmente empurrado o homem para fora. Vincent se agachou perto dele, Abigail parou perto dele de braços cruzados.

— Esse não está tão ruim como o anterior — ele estava ajustando a luva nos dedos — Como se Parker estivesse com pressa.

— Eu não esperava um corpo novo.

— Ninguém esperava — cuidadosamente virou o rosto para sim, havia sangue espalhado por ele e alguns cortes.

— Normalmente ela tortura mais — ele viu as marcas de estrangulamento no pescoço.

— É — ele levantou — Podem levar.

Com o máximo de silêncio que era capaz de manter, Katherine abriu a porta do apartamento e entrou. Estava escuro e silencioso, o que confirmava o quão tarde era. Trancou a porta outra vez, tirou os sapatos e o casaco.

Ela se sentia culpada por estar mentindo tão descaradamente apenas para continuar tendo aquele sexo maravilhoso com Abigail. Respirou fundo, caminhou lentamente até um quarto. Ela abriu lentamente e caminhou até a cama encostada na parede. Nicholas, ou apenas Nicky, estava deitado e encolhido na cama. A legista sentou na beira da cama, colocou a mão em seu ombro e acariciou carinhosamente.

— Você realmente anda trabalhando muito, não acha? — Robert disse, estava encostado no portal e Katherine virou em sua direção.

— Você sabe como é o trabalho burocrático.

— Parece bem puxado.

— É apenas tedioso — ela levantou — E cansativo.

— Não acha que deveria falar com seu chefe e pedir para que ele diminua sua carga de trabalho?

— O trabalho já é dividido — ela encolheu os ombros — Melhor trabalhar demais do que alguém trabalhar por mim.

— Seu marido e seu filho precisam de um pouco da sua atenção — ele falou em um tom levemente magoado.

— Desculpe, querido — ela se aproximou, enlaçou o pescoço do marido com os braços — Vou tentar diminuir as horas extras, trabalhar mais rápido.

— É uma ótima ideia.

— Eu sei.

— Então vem... — ele sorriu do modo que ela conhecia bem.

— Eu preciso de um banho. E dormir.

— Mas Kate...

— Estou cansada e com dor de cabeça.

— Você sabe que sexo melhora dor de cabeça.

— Mas não melhora cansaço, eu preciso dormir.

— Está bem — ela deixou os ombros caírem em desânimo — Eu te espero na cama — ele inclinou a cabeça levemente e a beijou carinhosamente, o que fez ela se sentir ainda mais culpada — Eu amo você.

— Eu também, eu também...