O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 6 de 50

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O Jogo em Vermelho

Capítulo 06

A mulher entrelaçou os dedos no cabelo vermelho. O beijo era viciante, muito viciante. As mãos da outra se enfiaram por dentro da blusa dela, as mãos envolveram seus seios com força. Os toques a deixavam mais e mais excitada. Seu sexo latejava e ela queria aquelas mãos e aquela boca tocando ela entre suas pernas.

As mãos da ruiva escorregaram para suas costas, arranharam a pele até chegar na sua bunda. Apertou a carne, enfiou a perna entre as pernas da mulher e usou a coxa para fazer pressão sobre o sexo dela. A mulher puxou o seu cabelo e gemeu no beijo. Riu baixo e deu pequenas mordidas no seu queixo.

— O que quer?

— Que me toque — arfou — Agora

— Você é muito puta — agarrou o cós da saia — Puta pra caralho

Puxou o pano para baixo, ignorando o fato de estarem no escritório e que alguém poderia e chegar, inclusive o marido da mulher. A ruiva segurou a barra da blusa e tirou, deixando a mulher seminua. Não era nada mais do que sexo, eram apenas amigas que transavam.

Carter.

Abigail Carter.

Este era o nome da agente. Camile conseguiu lembrar depois de cinco minutos a observando na reunião. Carter tinha o cabelo avermelhado, mais perto do ruivo natural do que se costuma ver. Camile sabia que ela não era ruiva por causa das sobrancelhas, duas linhas loiras. E aquele tom parecia combinar muito mais com a agente do que seu tom de cabelo natural.

Simons não prestou atenção na reunião, sabia tudo o que o legista-chefe ia falar. Então preferiu desenhar, com uma caneta azul, em uma das folhas em que deveria estar anotando tópicos para seu relatório.

Vincent Brown, o legista-chefe convocou a reunião. Ele e as três responsáveis pelo caso. Ele tinha um porte forte. Como um rei, ele era o Rei do Instituto. Todos gostavam dele, claro que gostavam, sempre estava afundado em trabalho burocrático e fazia anos que não fazia uma autópsia.

E ele sabia que a detetive estava olhando, e movimentando a mão, demais para estar prestando atenção no que ele falava.

Ele falou o pouco que sabiam, os casos. Como foram encontrados os corpos, os lugares e os resultados dos exames. Não falou muito sobre o daquela manha, afinal, ainda não havia resultados, apenas a autópsia. Que revelava o mesmo dos outros. Era o mais perturbador e Brown descreveu o modo em que o encontraram como "estava pendurado em um gancho, exatamente igual um pedaço de carne exposto".

Brown liberou ela e Katherine, a legista pareceu se controlar para não correr, como se quisesse a maior distância possível entre ela e a agente. Em nenhum momento a detetive insistiu, afinal, não queria levar outro fora como o da cena do crime. E a legista também não tocou sobre o momento frágil da garota, estava concentrada na presença de Carter no caso.

Aquele foi um péssimo dia

O despertador tocou, alto e irritando, acordando Katherine. Ela praticamente o jogou no chão para o silenciar. Sua cabeça apenas latejava mais quando aquilo a acordava, ou seja, todas as manhãs. Resmungou quando saiu das cobertas e pisou no chão gelado. Ao menos o choque de temperatura a acordou, quando a diferença entre o chão gelado e seu corpo quente fez um arrepio correr pelo seu corpo.

Isso era irritante.

Ela detestava o frio.

"Quanto mais trabalho, mais sua mente será ocupada"

Esse era o seu mantra e o que a fazia se levantar todas as manhãs mesmo com ressaca. Chutou uma garrafa vazia, ou quase vazio, porque um resto de liquido escorreu para o chão e o cheiro de rum chegou ao seu nariz. Pegou a garrafa e jogou no lixo da cozinha.

Estava enjoada, mas precisava comer alguma coisa. Não havia jantado na noite anterior, nem se lembrava de almoçar. Então caçou na geladeira algo. Havia apenas várias latas de cerveja, entre elas, Katherine encontrou uma única lata de soda. Era doce, poderia melhor seu enjoo e sua dor de cabeça. Enquanto bebia em pequenos goles, procurou pelos armários algo e encontrou macarrão e cereal, de manhã ninguém come macarrão e cereal apenas com leite.

E não havia leite.

Então ficaria apenas com soda. Tentaria se lembrar de comprar algo no mercado quando voltasse para casa, ou morreria de fome. Não era a primeira vez que estava daquele modo, então não iria morrer, era apenas comprar coisas que não fosse bebida.

Instituto Davis Archer.

Todos, ou quase todos, que ali trabalhavam estavam envolvidos de alguma forma com investigações. Médicos legistas, policiais, técnicos de laboratório, assistentes, detetives e alguns psicólogos. Alguns advogados e promotores algumas vezes apareciam por lá. Claro, também havia os que não estava ligados diretamente com casos, mas eram essenciais. O pessoal da limpeza, funcionários de funerárias, secretárias, os guardas... Afinal, era preciso suporte para que tudo funcionasse em perfeita ordem.

Não perfeita, talvez relativa. Sempre havia discussões, "tretas". E a maioria Holly Hernandez estava envolvida. A garota das apostas e ele não era exatamente um exemplo de honestidade.

E lá estava uma confusão, uma pequena confusão no hall quando Katherine chegou naquela manhã. Tirando a neve que havia se acumulado no pequeno trajeto de atravessar a rua, o que a fez bufar de irritação. Sério? Logo de manhã já havia motivo para se estressar. Depois de treês dias em que era acordada com um corpo novo, não havia um naquela manhã.

Aproveitando o fato de não ser exatamente grande, e também por estar de botas — para evitar qualquer possível, ou todas as quedas que certamente teria enquanto caminhasse sobre o chão escorregadio — e esgueirou o corpo entre duas pessoas que formavam o círculo em volta da confusão.

E no centro estava Holly deitada no chão com uma funcionária de funerária, pelo que dizia sua camisa, montada em seus quadris a estapeando.

— Mas que merda é essa? — ela ouviu a voz raivosa de Camile — Saia da frente

A figura da detetive apareceu três pessoas a esquerda da legista, o rosto corado de frio e irritação. Uma carranca se formou em seu rosto quando ela viu as duas mulheres no chão brigando. Parecia de mau humor, como todas as vezes que ela acabava passando a noite fazendo relatórios no escritório. Sem dormir, sem comer e com frio. Destacou-se do círculo, indo em direção à briga no chão, enquanto tirava flocos de neve dos ombros. Colocou a bolsa no chão, um dos guardas também saiu em direção as mulheres. O guarda abraçou a funcionária, prendendo seus braços rentes ao corpo, e a ergueu. A detetive, nem um pouco delicada, agarrou o braço de Holly e a fez se levantar.

Sua mão segurava o braço dela com tanta força que seus dedos com certeza marcariam ela. Katherine achava que se ela um dia se metesse em briga e a detetive a segurasse seu braço daquele modo, nunca mais levantaria um dedo contra uma pessoa. Era quase patético o modo como as pessoas tinham pressa de sair do caminhos dos sois. Era grosseiro ficar no caminho de alguém, e era desagradável ficar no caminho de alguém de muito mau humor que arrastava uma garota que havia acabado de sair de uma briga.

Katherine observou a multidão se dispersar e foi em direção a Sala de Vidro, onde havia as relações de legista - corpo, para saber se trabalharia em um corpo ou teria que se enfiar no escritório.

Trabalho burocrático, era o que estava escrito ao lado do seu nome.

Ele respirou fundo, seu peito ardia. Estava abafado e o ar era pesado. A fumaça o impedia de respirar direito. O quarto era minúsculo e estava completamente cheio dessa maldita fumaça.

Ouviu a tranca da porta e depois o rangido sofrido dela, anunciando a chegada de mais uma seção de tortura. Sentiu sua cabeça rodar com a proximidade de mais dor.

Um pouco mais de crueldade.