O Jogo em Vermelho
Capítulo 13
"O homem abriu a porta e acendeu a luz, era o décimo dia em que a garota estava presa. No segundo dia, ele não lhe deu roupas e ela não pediu. O quarto era um pouco frio, na cama, ela estava enrolada em si mesma tentando manter algum calor. Ela era resistente, qualquer uma da sua idade, ou qualquer outra idade, provavelmente estaria pedindo piedade. Implorando para que ele não a machucasse mais ou matasse logo.
Ele sorriu, apertando a alça da pequena maleta, inflado de sadismo.
Cutucou-a rudemente para fazê-la se mexer. Ela gemeu enquanto se sentava, era dolorido se mover com todos aqueles hematomas e pequenos cortes. Seus olhos queimaram com a claridade, ele a deixou muitas horas no escuro. O homem a puxou, a obrigando a se ajoelhar perto da cama. Ela arfou, quando ele a empurrou para ficar com o tronco deitado na cama. Naquela posição, ela estava completamente exposta ao abuso dele. Ele abriu a maleta e pegou um bisturi, a lâmina brilhou na luz.
Com uma crueldade lenta, ele cortou suas costas. Devagar, com uma pressão controlada. Ela gemeu baixinho com a dor, o sangue quente sujou sua pele. Dez dias, dez cortes. Perfeitos, retos, curtos e um embaixo do outro.Ela podia sentir a excitação dele, era sufocante saber o que aconteceria. Ele espalmou as mãos ali e as sujou com o sangue, aquilo os deixou mais animado.
Tentando se mover calmamente, com as mãos vermelhas tremendo, o homem tirou o cinto, abriu a calça e a abaixou junto a cueca até o meio das coxas. Um arrepio correu seu corpo quando viu o quanto seu membro estava ereto. Pulsando. Ele buscou molhar a mão com mais sangue e lambuzou seu pênis com ele, arfando enquanto via a pele se tornar rubra com o liquido.
Com nem um pouco de cuidado, ele se posicionou. Uma mão segurou o ombro da garota e a outra ele usou para guiar seu membro até a entrada do ânus dela. Ele havia esperada dez dias para isso. Forçou a entrada até a cabeça cheia de sangue entrar. Observou ela ficar tensa, sorriu. Então subiu a outra mão pelas costas dela, agora segurando os ombros dela com ambas as mãos.
— Fale pra eu te foder com força — rosnou
— Me… fode… — era difícil falar, ela não queria — Com força
—Mais alto
— Me fode… com força
— Eu quero que grite
— Me fode com força — gritou o mais alto que a dor permitia
— Isso — ele gemeu e empurrou o quadril para frente, entrando de uma vez — Outra vez
— Me fode com força
— Geme meu nome
— Adam
Ele pegou um ritmo acelerado, ele via o corpo dela o rejeitar. Ele estava acabando com ela. Ele sentia ela sangrar, isso era delicioso para ele. Gemeu quando chegou ao ápice, suas mãos meladas de sangue, seu pênis melado de sangue e seu ego deliciosamente inflado."
A cabeça de Camile estava latejando, parecia prestes a explodir de dor. Nas últimas três horas, ela leu tantas coisas que não conseguia mais. As frases chegavam a se embaralhar em sua mente. Esfregou os olhos, ela queria ir para casa e dormir. Dormir e dormir até tudo acabar. Até não se lembrar de mais nada. Esquecer até o próprio nome. Entretanto, se dormisse por dois minutos onde estava, provavelmente seria bombardeada com pesadelos.
Pesadelos infernais.
Havia fotos dos corpos, inclusive do homem pendurado em um gancho, papéis de relatórios, canetas, marcadores, lápis e folhas brancas. Detestava aquelas fotos, pegou alguns papéis e colocou por cima das imagens. Pegou um lápis e uma folha branca, começou a rabiscar. Era o tipo de coisa que ela fazia para se distrair.
Era, de certa forma, algo involuntário. Não pensou sobre isso, sua mão deslizava pela folha rapidamente. Uma batida na porta a tirou do desenho, suspirou e olhou. Viu que havia o contorno da silhueta de um homem, com os braços para cima. Bufou, a imagem da última vítima de Stean estava gravada em sua mente como ferro. Ouviu a batida na porta outra vez, gritou que estava aberta e viu a cabeça de Carter aparecer em na brecha entre a porta e o batente.
— Posso entrar?
— Entre — enfiou o desenho debaixo de uma pasta
— Hm, ok — Abigail entrou e fechou a porta — Bem, como está indo os relatórios?
— Complicados — encolheu os ombros — E os seus?
— Complicados também
— Sempre assim — gesticulou para a cadeira — Sente-se
— Okay — sentou na cadeira e cruzou as pernas — Posso fazer uma pergunta?
— Faça
— Qual seu relacionamento com Katherine?
— Profissional — "garota direta, essa" — Sabe, ela é... fria. Digamos que não é lá muito simpática
— Costumava ser — isso fez Camile erguer a sobrancelha, duvidando um pouco — O que?
— Você conhece ela há muito tempo?
— Não muito. Na verdade, ela é como outra pessoa
— Não dizem que as pessoas mudam?
— Tanto assim?
— Eu não sei, eu levei um fora dela em menos de dez minutos
— Isso não é um sinal muito bom — riu, Camile não resistiu e riu junto — Mas você parece aguentar bem
— Sou muito teimosa
— Demais
— Eu sei, todos dizem
— Como aguenta isso? — Abigail olhou para ela, como se estivesse analisando e tentando adivinhar seus pensamentos — Tem que ser muito, hm, muito teimosa para insistir em um relacionamento assim
— Eu preciso trabalhar com ela — cruzou os braços — Apenas estou tentando não brigar o tempo inteiro
— E está dando certo?
— Não muito — entrelaçou os dedos — Ela não gosta muito de mim
— Parece que ela não gosta de ninguém — Camile assentiu — E você continua tentando?
— Você não tentaria?
— Por motivos diferentes — deu um meio sorriso
— Que motivos?
— Você pode imaginar
Katherine empurrou a pasta para longe. Fechou os olhos, encostou na cadeira e respirou fundo. Sua mente escorregou para a noite anterior. Não bebeu o suficiente para esquecer tudo completamente. Conseguia se lembrar do que não deveria.
A noite foi melhor do que ela havia esperado. Na verdade, ela tinha que admitir: deveria ter beijado a detetive antes. Ou não. No momento, seus pensamentos estavam voltados naquilo. Nos beijos e nos toques. E também no olhar da garota. Que era capaz de fazer ela sentir um arrepio subir por suas costas.
E outra coisa que ela pensava, era aquela rede de cicatrizes. Estava curiosa para saber o porque daquilo.
Esfregou o rosto, se pensasse demais na noite, começaria a querer outra vez.
— Como estão seus relatórios? — Brown apareceu na porta
— Infernais — resmungou
— Para Simons também — Katherine ergueu os olhos — Ela é sua parceira, vocês deveriam se ajudar
— São relatórios diferentes — no momento, ela precisava se manter longe
— Mas estão no mesmo caso
— Eu sei — bufou — Mas o que posso fazer?
— Colaborar com ela, é uma boa ideia — Katherine abriu a boca para retrucar, mas Brown continuou — Qual o problema de vocês? Vocês deveriam trabalhar juntas.
— Não gosto disso — folheou a pasta
— Não é pra gostar, srta. Cooper, é para colaborar.
— Posso colaborar, apenas não preciso ficar grudada nela
— Não grudada, apenas um pouco mais próxima — Katherine se conteve para não responder "não quero ficar próxima, estou bem assim, e no momento vou querer fazer outra coisa se ficar perto tempo demais" — Serem amigas
— Está bem, está bem — bateu os dedos na mesa — Vou tentar
Brown sorriu e saiu. Katherine colocou os braços em cima da mesa e enfiou o rosto ali. Não era a primeira vez que Brown pedia aquilo, em que ele insistia nesse assunto. Cooper não queria se aproximar. Uma pequena parte queria, sua parte traidora. Queria saber mais sobre a garota que insistia em continuar tentando. E sua parte tarada queria mais noites como a anterior.
Muitas noites.
Laurie batucou os dedos na bancada, esperando a impressora colaborar com sua vida e fazer seu trabalho. Precisava dos novos resultados, estava quase na hora de Camile aparecer no laboratório perguntando onde estavam os resultados dos novos exames. Quando a impressora cuspiu as folhas cheias de números e palavras, a detetive finalmente apareceu no laboratório.
— Você aqui outra vez — sorriu e viu a garota sentar no banco — Alguma novidade?
— Não — encolheu os ombros — Bem, Carter veio falar comigo
— E parece que você não a odeia
— Por que odiaria?
— Não sei, sempre esqueço que você é simpática demais
— Isso é ruim
— Eu não acho... o que vocês conversaram?
— Hm, Katherine — murmurou — Ela disse que Katherine era mais, mais simpática
— Simpatia não parece combinar com ela — soltou uma risadinha pelo nariz
— Eu sei — franziu o cenho — Não acho que ela seja rude o tempo inteiro
— Se ela fosse, provavelmente vocês não teriam transado ontem
— Você fala isso como se fosse algo especial
— E não é?
— É só sexo, apenas sexo. Sexo, sexo, sexo, sexo e nada mais do que sexo. E apenas sexo, Laur, nada mais que sexo
— Você falou "sexo" dez vezes
— Porque não é nada mais do que sexo — bufou — Por que seria mais que isso?
— Porque vocês às vezes parecem um casal
— Não, não parecemos — massageou a nuca — Você vê coisas que não existem
— Nem sempre. Talvez a química seja real
— Não tem química nenhuma
— Tem sim
— Laur...
— Pare de ser teimosa, Simons — jogou uma caneta na detetive, que desviou rapidamente do projétil — Química é diferente de sentimentos. Não estou dizendo que você está apaixonada por ela, estou dizendo que vocês duas dão certo na cama.
— Já falei que...
— Foi apenas sexo. Diga isso mais uma vez que eu vou trancar as duas dentro de um quarto.
Camile fechou a cara e puxou alguns papéis para si. Não queria conversar sobre isso. Era o tipo de assunto que ela preferia fugir. No momento, Laurie estava falando de química. Na próxima conversa, começaria a enfiar sentimentos no meio da conversa.
Havia uma grande diferença entre tesão e paixão.