O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 38 de 50

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O Jogo em Vermelho

Capítulo 39

— Eu vou sair daqui! — Camile começou a andar de um lado para o outro entre as duas camas — Nós duas vamos sair!

— E como pretende fazer isso? — Katherine perguntou, ela preferia ficar na cama e brincando com uma mecha do cabelo

— Eu posso derrubar ela

— Ela tortura e mata estupradores, Cammy, você realmente quer brigar com ela?

— Sou mais rápida do que ela, Kathy. Não confia em mim?

— Confio, mas eu não quero que você se machuque — levantou e parou na frente da detetive, que precisou parar de andar pois a legista estava em seu caminho — É perigoso

— Se toda sua percepção sobre esta situação está certa, ela não vai me machucar — segurou os ombros da legista, inclinou um pouco e beijou sua testa — Eu preciso ao menos tentar

“Espero que dê certo... tem que dar certo” Camile respirou fundo, tentando confiar mais em si mesma. Era quase meia noite quando Sarah a chamou para fora do quarto. Camile relutou em deixar Katherine sozinha com Margo, mas precisava de um jeito que seu plano pudesse ser executado.

— Você não mudou muito — Sarah murmurou

— Não é como se realmente tivesse passado muito tempo — deu de ombros e encostou na parede

— Eu sei, Cammy

Camile se apoiou no balcão, apertou com força, respirou fundo, tentando controlar a raiva. Ela simplesmente porque não achava que tinha sentido algum que Sarah estivesse fazendo tudo aquilo. Sarah se aproximou e colocou as mãos nos seus ombros.

— Eu senti sua falta — Sarah murmurou

— Porque quis — respondeu — Você escolheu fazer isso

— Preciso explicar outra vez?

— Não importa o quanto você tente explicar — a detetive virou, a encarou com os braços cruzados — Continua sendo... sendo o tipo de coisa que você não pode querer que eu entenda! Que eu aceite e compreenda!

— Só quero que pare de me julgar tanto! — segurou o rosto da mulher — Eu amo você

— Como se dizer isso fosse ser o suficiente e...

Sarah não a deixou continuar, se aproximou e a beijou sem nem um pouco de delicadeza ou carinho. Ela só estava matando a saudade, o desejo que ela havia deixado debaixo de uma manta de ódio. De raiva, de sadismo e vingança. Escorregou a mão direita para sua nuca, enfiou as unhas na pele dela, e com a outra segurou seu ombro com força.

Camile gemeu baixo, segurou sua cintura e a deixou empurrá-la contra o balcão. Sarah se afastou do beijo puxando o lábio inferior da detetive, seus dentes apertando com força o suficiente para sentir o sabor metálico de sangue. Ela desceu o beijo pelo queixo até o pescoço, começou a morder a pele branca e macia.

— Você é tão... gostosa e irresistível — desceu as mãos pelo seu tronco e as enfiou por baixo da camisa — Quente pra caralho

— Vai se foder, Sarah — cerrou os dentes

— Posso foder você — sussurrou no seu ouvido, subiu as mãos pela barriga definida até envolver seus seios

— Você realmente acha que vou te deixar me tocar tanto?

— Já está deixando — riu baixo — Você sempre deixa

— Filha da puta — tirou as mãos da sua cintura e envolveu os pulsos dela — Você realmente acha que pode me abandonar, depois voltar do nada e simplesmente vir me comer? Para de ser tão cafajeste

— Eu não abandonei você

— Não? — agarrou o colarinho da blusa que a garota vestia e a sacudiu com toda sua força — Você fez dezenas de promessas e eu acreditei em todas elas. E o que elas eram? Mentiras, eram malditas mentiras

— Eu já disse que menti apenas uma vez para você! — segurou os pulso dela, acariciou a pele macia com os polegares — Quando eu disse que não te amava mais... foi a única vez que menti, Cammy.

— O suficiente para te fazer ser uma filha da puta

— Você nunca vai acreditar em mim, não é? Sobre o porquê de tudo isso

— É doentio demais para mim, Sarah — largou seu colarinho — É tão... por que fazer tudo isso? Qual o objetivo de se vingar?

— Você nunca vai entender — subiu as mãos pelos braços dela, segurou o rosto da detetive entre as mãos e focou em seus olhos — Você nunca vai conseguir entender como é a sensação de torturar eles e saber que estão sofrendo pelo que eles fizeram. E o quão isso é forte com Adam. Isso é justo, Cammy, o tipo de coisa que deveria acontecer com mais frequência.

— O seu senso de justiça é bem deturpado. — ergueu as sobrancelhas — Seu objetivo é apenas sentir prazer em ferir alguém

— Como se eles fossem inocentes

— São humanos, Parker!

— São monstros, Fletcher! — respondeu com raiva — Você vai me dizer que não acha justa destruir aquele desgraçado?!

— E se tornar um monstro também? Não, não acho justo. Não importa o que você faça, não vai mudar porra nenhuma!

— Eu disse que não entenderia, mesmo que seja tudo por sua causa

— Claro, faz muito sentido — riu sarcástica — Se você quer muito fazer algo por uma pessoa, a primeira coisa que você faz é abandonar ela. Ainda mais quando ela precisa de você — sua voz começou a ficar carrega de fúria — Precisa pra caralho. É uma ótima ideia!

— Eu não posso prever o futuro, Cammy! Como esperava que eu soubesse que tudo na sua vida daria errado?! Não posso fazer nada se a tragédia é magicamente atraída por você. E não, eu não podia voltar. Se eu voltasse, não conseguiria ir embora. Dar as costas uma vez já foi difícil e doloroso o suficiente. Algumas coisas exigem sacrifício, você sabe muito bem disso. E eu sacrifiquei a minha vida perfeita do seu lado para vingar o que aquele desgraçado fez com você.

— Vingar pra que? Já pensou que talvez eu estivesse muito bem daquele modo? — apontou para Sarah com o indicador, acusando com ódio marcado em sua voz e no olhar — Já pensou que talvez não tenha sentido vingar por algo que aconteceu há tanto tempo? Por algo que poderia ter sido evitado se eu fosse um pouquinho menos teimosa!

— Você só consegue culpar a si mesma

— Eu não pedi para você me vingar, não pedi para ninguém me salvar. Olhe para tudo o que você está fazendo por causa de um erro meu

— Claro, claro, você acha que não tem sentido torturar monstros, mas acha que faz sentido culpar uma garota de quatorze anos por estar no lugar errado na hora errada — assumiu a mesma posição de acusação — Se quer tanto culpar especificamente alguém que não seja o Adam, culpe a sua irmã! Vamos lá, culpe a Rebecca por tudo. Já pensou em como seria se ela não fosse tão vadia? Ela não teria feito tudo aquilo, não teria te provocado até você estourar. E, adivinha o que aconteceria? Não estaríamos aqui. Porque você nunca teria saído, ele nunca teria te pego. E você teria tido uma vida bem melhor! Você teria tentado ser a desenhista que tanto queria ser, se não desse certo, assumiria a empresa do seu pai. E onde estaria hoje? Bem longe e bem melhor.

Quando parou de falar, estava sem ar com a intensidade das emoções que giravam dentro de si.

Viu Camile deixar os ombros caírem em derrota, dar dois passos para trás, se apoiar no balcão e segura-se ali como uma âncora. A detetive conseguia imaginar como tudo seria diferente se Rebecca fosse uma irmã um pouco melhor.

Talvez estivesse melhor se não tivesse sido alvo de um ódio tão terrível.