O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 26 de 50

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O Jogo em Vermelho

Capítulo 26

As costas de Katherine começaram a doer logo na segunda vez que ela enfiou a pá na neve compacta que prendia seu carro. Sabia que foi uma estupidez deixar o veículo fora do local protegido. Ela até poderia caminhar até o prédio caminhando, mas não era tão saudável quanto Camile e parecia cansativo e desanimador andar até lá. Pelo tom de voz que Carter usou na ligação, era algo grave.

E estava preocupada porque ligou dezenas para a detetive e ela não atendeu.

— Você fica bem mais bonita sem parecer que está com raiva — uma voz feminina fez Cooper virar o corpo para ver quem era e viu a ruiva do bar

— O que quer aqui?

— Vim falar com você, oras

— Falar o que? — revirou os olhos e voltou a enfiar a pá na neve

— Talvez sobre a sua parceira — se aproximou e encostou na lateral do carro

— Não tenho nada para conversar contigo — o ciúmes ficou bem claro em seu tom de voz — Eu nem sei seu nome

— Steele, Margo Steele — ergueu as sobrancelhas — Agora sabe

— Ainda não quero falar contigo

— Eu sei ser bem persuasiva — havia um leve tom de ameaça, isso fez a legista apertar a pá com mais força — Só quero dar uma volta com você — se aproximou, ficou atrás dela — É rápido...

— E se eu não quiser ir? — girou para ficar de frente a ela, segurando a pá com toda força

— Eu convenço você — se aproximou o suficiente para seu hálito de hortelã bater contra o rosto da legista

— Não é tão fácil assim

— Eu já disse que sou persuasiva — tirou a mão do bolso, era um pequeno alívio não ter o peso de uma pistola ali, esticou o braço o suficiente para pressionar o cano da arma no estômago da mulher — Não tem ninguém olhando, doutora, ninguém vai aparecer e te salvar de mim. Eu não quero te machucar, confie um pouco em mim

— Você está apontando uma para mim — ergueu as sobrancelhas, parecia perigoso, mas havia algo que lhe dizia que aquela ruiva realmente não a machucaria — Como quer que eu confie?

— Apenas porque eu não sou Stean, apenas ajudo

— E por que está aqui?

— Porque ela quer falar com você — Katherine arregalou os olhos de surpresa com o pronome — É, mulheres também são bem agressivas — colocou a mão livre em seu ombro — Vamos, não quero te machucar

Katherine deixou a pá cair na neve ao seu lado. Steele enfiou a pistola no bolso, ficou ao lado da mulher e ofereceu seu braço, de onde a mão com a arma pertencia, para que ela segurasse. Katherine agarrou a manga do casaco, isso lhe dava a impressão que poderia impedir a ruiva de atirar. Caminharam lentamente, a ruiva parou ao lado de um carro preto e abriu a porta do carona e fez a legista entrar.

A ruiva dirigiu com cuidado, estava indo em direção a parte da cidade que ainda não havia sido limpa. O silêncio era pesado, a tensão era quase palpável. Katherine passou a apenas olhar para o lado de fora, para os poucos flocos de neve que caiam lentamente e começavam a se acumular pelo asfalto e pelas calçadas. Ela sentia que estava em perigo, mas que esse perigo não era a ruiva ao seu lado e sim quem queria falar com ela.

— Não precisa ficar tão nervosa — Margo olhou para a mulher — Não acho que ela vá te machucar

— Você apontou uma arma para mim, parece perigoso, não acha?

— Mas eu não mato pessoas, eu só sigo ordens

— E se ela mandar você matar?

— Se o dinheiro valer a pena... — Katherine tirou o olhar da rua para encarar a ruiva, que sentiu o olhar — O que?

— Se o dinheiro valer a pena você mataria alguém?

— É... de onde você vem, garota? No meu mundo é o dinheiro que move as coisas

— Inclusive para matar pessoas?

— Eu preciso de dinheiro, doutora, trabalhar para alguém como Stean rende dinheiro rápido e fácil — deu de ombros — Não é tão ruim quanto parece

— O trabalho ou Stean?

— Os dois, já tive trabalhos e chefes piores. Ela é até legal em algumas coisas — batucou os dedos no volante

— É uma psicopata

— Não é não, ela é vingativa — parou o carro em frente a um prédio abandonado de cinco andares, Katherine reconheceu a rua: o seu prédio ficava logo na esquina — Sempre estivemos bem debaixo do seu nariz