O Jogo em Vermelho
Capítulo 24
Camile bateu na porta do escritório, estava segurando a alça da bolsa e se sentia curiosa sobre o que havia de errado. Demorou alguns instantes para Carter abrir a porta. A detetive ergueu as sobrancelhas ao ver como a expressão da mulher, parecia abatida e estava pálida.
— Finalmente você chegou — deu um passo para o lado, permitindo que a australiana entrasse na sala — Demorou
— As ruas ainda estão cheias de neve, não é muito fácil andar nas calçadas — afundou as mãos nos bolsos do casaco — Enfim, por que me chamou?
— Para te mostrar uma coisa — pegou o post-it e entregou para a detetive, que leu rapidamente
— Uma mulher loira? — devolveu o papel
— Depois podemos fazer algumas perguntas para o guarda, mas agora quero te mostrar o que havia dentro do envelope — apontou para o notebook — São dois vídeos, eles são... eles são perturbadores
— Uma mulher loira apareceu aqui no meio da nevasca para deixar um envelope com dois vídeos?
— Exato — puxou o fio do fone de ouvido
— Talvez essa mulher conheça Stean
— Ou talvez seja Stean
— Espera — Camile segurou os fones de ouvidos, pronta para colocá-los — Você está dizendo que talvez Stean seja uma mulher?
— Stean é uma mulher, estou dizendo que talvez ela tenha estado bem debaixo do nosso nariz ontem à noite
— Como você sabe que é uma mulher?
— Por causa do primeiro vídeo, você vai ver
— Entendo — coçou o queixo — Ela esteve aqui ontem ou tem uma ajudante
— Ou os dois, seria mais prático
Camile assentiu, finalmente havia algum avanço depois de corpos mutilados e bilhetes misteriosos. Milagre de Natal, era 23 de Dezembro e esse avanço parecia uma bênção.
Carter sentou no pequeno sofá, todos os escritórios daquele prédio tinham um e ela achava isso maravilhoso, cruzou as pernas, colocou a cabeça para trás e esperou. Depois de alguns minutos, quando ela achou que já havia passado tempo o suficiente, ela olhou para a detetive.
Simons estava com uma expressão que a agente achou quase inexpressiva, o que abalava a indiferença era a raiva e nojo que havia em seus olhos. Ela tirou os fones de ouvido, ficou alguns segundos olhando para a tela escura. Sem dizer nada, ela levantou e caminhou para a porta.
— Simons...
— Preciso pensar — abriu a porta — Apenas pensar
A cabeça da detetive estava latejando, desceu as escadas pulando de dois em dois degraus. Quando saiu do prédio, sentiu o ar gelado invadir seu pulmão. Com as mãos tremendo levemente dentro do bolso. Ela atravessou a rua, reparou que estavam jogando sal nas ruas para retirar a neve da noite anterior. Começou a andar lentamente, as imagens do vídeo pulsavam em sua mente.
Carter estava mais do que certa quando falou que era perturbador.
Tão perturbador que sua cabeça parecia que estava prestes a estourar. Entrou na farmácia, comprou uma cartela de remédio para dor de cabeça e continuou caminhando sem ter um destino certo. Nevava levemente, alguns flocos de neve caia em seus ombros mas a vontade habitual de caçar floquinhos com a língua não apareceu.
Estava enjoada, as imagens dos vídeos faziam seu estômago se revirar quase do mesmo modo que a visão das baratas semi mastigadas no dia anterior fez. Entrou no mercado que tinha na esquina, estava indo para o lado oposto do Instituto mesmo sabendo que deveria falar com Brown e que quisesse ver Katherine.
Era quase algo automático, sua mente estava em modo estresse. Não faria o de sempre, um estoque, mas apenas para o momento. Pegou um pacote grande de salgadinhos de queijo e uma lata de cerveja. O tempo que ficou na fila, não conseguiu controlar o impulso e acabou comprando o maço do melhor cigarro que tinha disponível e um isqueiro. Pagou as compras, enfiou o maço e o isqueiro no mesmo bolso do remédio.
Se equilibrou em uma perna, apoiou a lata na coxa e abriu. Também abriu o pacote de salgadinhos e saiu do mercado comendo e bebendo. Não era o melhor gosto do mundo, um café bem quente combinava muito mais com o clima invernal do que salgadinhos e cerveja.
Depois que terminou de comer e beber, jogou o lixo na primeira lixeira que encontrou. Precisou tentar algumas vezes antes de conseguir acender um dos cigarros. Deu a volta em um quarteirão para começar a voltar ao escritório. Quase uma hora depois, com um pequeno plano formado em sua mente, ela estava no balcão perguntando sobre o guarda da noite anterior.