O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 30 de 50

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O Jogo em Vermelho

Capítulo 30

Camile fechou os olhos antes de rolar para fora da cama. O silêncio entre elas era apenas marcado pelo som dos passos, a garota andava em círculos pelo quarto. Seu pescoço doía, sua cabeça parecia prestes a explodir. Mas nenhum desconforto físico chegava aos pés da dor emocional.

Desde que havia começado a desconfiar talvez Stean e Sarah fossem a mesma pessoa, um nó de aflição começou a se formar em seu peito. Quando ela pediu para Krieg descrever... enquanto o rosto conhecido começou a ficar bem definido no papel, essa aflição aumentou. Foi substituída por raiva e preocupação quando pegou a jaqueta (pois ali percebeu que Margo estava envolvida) e leu o recado.

Então, pensando naquilo, presa com Katherine no esconderijo da mulher, começava a doer. Doer saber o quanto Sarah estava sendo uma filha da puta. Os bilhetes agora tinham sentido, o padrão fazia sentido. Era uma vingança. Ela sentiu que deveria ter percebido com o homem no açougue, ou antes disso, deveria ter ligado os pontos no segundo bilhete.

Camile não abriu os olhos, preferia ficar daquele modo, tão confortável quanto estar em casa. Ou ela realmente estava em casa, mesmo do outro lado do mundo. Mesmo a centenas de quilômetros de onde vinha, estava em casa apenas por estar com quem estava.

Sentiu as mãos de Sarah em suas costas, sabia que ela estava com uma perna de cada lado da sua cintura e praticamente montada em suas costas. A loira tocou delicadamente a sua pele quente, fazia carinho de cima para baixo, se inclinou um pouco e beijou seu ombro. A policial gemeu baixo enquanto sentia os lábios em seu ombro. Sarah subiu a mão e entrelaçou os dedos nos fios curtos e recém coloridos (Camile ainda tinha um espírito meio adolescente e acabou perdendo uma aposta com o parceiro de trabalho, o preço era manter o cabelo quase loiro enquanto não fosse promovida a detetive), admitia que era um pouco estranho vê-la com os fios mais claros que o comum.

— Preciso trabalhar — a policial resmungou

— Trabalhe depois

— Dirk vai me matar

— Não vai não

— Vamos lá — se contorceu, tentando fugir do toque, Sarah resmungou e saiu de cima dela

— Porra... 'la vie n'est pas juste

— Você adora dizer isso

— Mas é uma verdade absoluta

— Por isso ela não gosta de mim — Katherine disse, mas para si mesma do que para a australiana, a frase tirou a garota do mundo de lembranças

— Ela é uma psicopata

— Ou apenas uma louca — Katherine fixou o olhar no teto, ela não gostava da ideia de Camile ter sido noiva de uma serial killer

— É a mesma coisa

— Você sabe que não é — ouviu os passos pararem, olhou para saber o porque dela ter parada e viu que ela havia parado, de costas para a legista — O que foi?

— Nada

— Não precisa mentir — sentou na cama — O que houve?

— Você ouviu o que eu disse sobre ela? — girou sobre os calcanhares, seus olhos brilhavam com as lágrimas — Minha ex-noiva é a porra de uma assassina em série, me deixe acreditar que ela faz isso porque é uma doente psicopata...

O som da porta sendo destrancada atraiu a atenção, quando Sarah entrou logo atrás de Sarah, Katherine pôde realmente ver como ela era. As mangas da blusa puxada até acima dos cotovelos mostravam que seus braços eram musculosos, ela supôs que era pelo seu “trabalho”, mas não chegava a ser desproporcional. Tinha impressão que normalmente pareceriam apenas um pouco mais gordinhos. Talvez fosse uma vantagem, considerando a altura.

— Vai — incentivou Margo empurrando suas costas

A ruiva se aproximou da legista, segurou seu braço sem força e fez ela se levantar. Katherine achava muito mais simples não lutar, ainda mais sabendo que não tinha habilidade ou velocidade para isso. Steele a puxou em direção a porta, uma mão segurando seu braço e a outra enfiado no bolso do casaco.

— Pra onde você vai levar ela? — Camile rosnou em direção a ruiva

— Você vai ver — Sarah respondeu

— Não vou deixar ela sozinha com vocês

Avançou em direção a Margo, Sarah foi mais rápida e ficou na sua frente, envolveu seu pescoço com uma mão.

— Colabore

— Me obrigue — seus olhos escuros brilhavam em desafio

— É uma péssimo ideia me desafiar

— Você não vai me machucar — ergueu as sobrancelhas

— Não você — gesticulou em direção a legista — Mas não vou hesitar em machucar a sua amiga ali — tirou a mão do seu pescoço — Agora, fica quieta e colabora

Camile suspirou e deu um passo para trás, mostrando que estava se rendendo. Sarah sorriu, Margo olhou para detetive como se pedisse desculpas silenciosamente e levou Katherine em direção a escuridão do resto do apartamento.