O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 37 de 50

Páginas do PDF

O Jogo em Vermelho

Capítulo 38

Laurie estava preocupada, muito preocupada com Camile. Se lembrava perfeitamente de como foi vê-la no escritório. Como a garota parecia tímida enquanto James apresentava ela a Brown, seu futuro chefe, e a Dirk. E claro, à ela. Claro que Laurie não esperava que fossem se tornar amigas tão rapidamente.

E ela também se lembrava de ter conhecido Sarah, de ter convivido com ela. Era uma garota legal, podia ver que a conexão entre elas. Pareciam terem sido feitas uma para outra. Laurie lembrava de como Camile parecia nervosa certo dia e descobriu que ela havia finalmente reunido coragem o suficiente e decidido pedir a namorada em casamento. E, claro, como ela apareceu radiante de alegria por ter tido seu pedido aceito.

Já fazia bem mais de um ano que as duas tinham terminado e Laurie ainda sentia raiva de Sarah, afinal, todos estavam estressados com o caso atual. A mulher escolheu o pior dia para terminar com Camile. Laurie tinha certeza, havia visto quanta dor aquilo causou, que foi por causa do término que Camile não foi a policial perfeita que ela costumava ser.

Agora entendia o que significava “você não está mais nos meus planos”. Continuava sendo cruel, continuava sendo o que fazia Laurie odiá-la. Afinal, se passaram quase oito meses antes que Camile finalmente voltasse ao trabalho. E voltasse por causa de Katherine, Laurie sabia que isso foi porque o instinto protetor da australiana fosse despertado.

E agora ela tinha certeza que as duas estavam em perigo. Certeza absoluta que Katherine estava em um perigo maior. E também que Sarah Parker era completamente louca.

Abigail Carter nunca foi realmente apaixonada por Katherine Cooper.

Entretanto, isso não significava que não se importava com ela. Havia errado quando não apoiou ela depois do acidente de carro. Apenas porque a legista traia o marido na maior cara de pau, não significava que não o amava. Ela nunca trocaria o homem e o filho por uma mulher com quem fazia um sexo maravilhoso.

E Carter se sentia culpada por ter se afastado, por ter preferido tentar consertar o relacionamento com a namorada possessiva do que ter mantido uma amizade como aquela.

A amizade com benefícios que elas tinham não era nada correta. Não apenas porque era pura infidelidade das duas. O marido de Katherine e a namorada de Abigail eram irmãos. Gêmeos, parecidos e melhores amigos. Por isso parecia ainda mais errado, afinal, estavam traindo duas pessoas da mesma família.

Ela gostava da legista, adorava ela como amiga. E também estava preocupada com Camile. Havia algo na detetive que fez Carter simplesmente gostar dela.

— Você se importa com as duas, não é? — Brown perguntou encostado no portal do escritório da agente

— Bem — batucou os dedos na mesa — Um pouco complicado não me importar, não acha

— É, meio complicado — ele sorriu — Mas vamos encontrar elas, é só confiar um pouco na nossa própria capacidade de encontrar pessoas

— Confio... mas não significa que vou ficar tranquila até ter certeza de que estão bem — massageou a têmpora direita — Limpamos o apartamento de Parker — encolheu os ombros — Procuramos vestígios em cada pequeno lugar em daquele apartamento e não encontramos nada. Nada de nada, nem um pequeno detalhe que poderia apontar para onde elas estão. Como vamos descobrir para onde Parker as levou

— Simons e sua maldita mania de fazer tudo por si mesma — ele resmungou — Ela já deveria ter aprendido que não pode sumir assim, é perigoso

— Ela já sumiu antes? — franziu o cenho

— Ela é impulsiva — coçou a barba que começava a crescer — Principalmente se mexem com quem ela se importa.

— Ela parece altruísta demais para a própria segurança

— Qualquer coisa sobre ela é demais para que ela fique segura

— Você sabe que é uma péssima ideia, Kate! —o garoto gritou, Alexander, um garoto alto e magro com os cabelos cor de areia, estava preocupado com aquela ideia de subir no telhado para colocar as luzes de Natal — Você não tem força para se segurar se escorregar!

— Não vou escorregar — revirou os olhos, ela era pequena para a idade, tinha quase quinze e algumas garotas de doze eram maiores que ela, enquanto Alexander tinha a mesma idade que ela e maior que os garotos da idade deles

— Ninguém garante! — ele passou os dedos através do cabelo — Eu que deveria subir

— Mais fácil você cair do que eu, seu gigante. Você é magro, não leve

— Claro... não pode falar nada, um vento te carrega, srta. peso-pena. Pelo menos eu fico seguro

— Você fica seguro aí no chão, não vou me machucar

Ele cruzou os braços, estava claro em suas feições que estava realmente detestando a ideia de ver Katherine andar pelo telhado, se abaixando algumas vezes para prender a corda com lâmpadas na calha.

O Natal era a época favorita da maioria das crianças por ali, afinal, era quando as pessoas tinham uma bondade exacerbada em seus corações e algumas iam até casas como aquela para alegrar um pouco o dia das crianças que acabaram por lá.

Katherine sinceramente detestava aquele lugar, só era suportável quando estava com Alexander. Afinal, ele compartilhava o sentimento de ódio por nenhuma Casa de Adoção dar a sensação de segurança. Eles nunca estariam em um lar até poderem sair de lá, com dezoito anos, e encontrar um lugar para ficar.

Outra coisa que a deixava irritada era a maldita ideia da polícia de mudar seu sobrenome, não gostava daquele Green que substituiria o Cooper até que ela fosse maior de idade e pudesse finalmente ser livre.

Entretanto, enquanto estivesse presa aos adultos, ela era apenas mais uma garota com uma história triste. Depois ela poderia ser alguém além daquilo, ir para a faculdade e ter uma carreira. Ter alguém, ter filhos. S

Ela seria outra pessoa e poderia esquecer qualquer coisa que fosse relacionado a Katherine Green e tudo antes dela.