O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 31 de 50

Páginas do PDF

O Jogo em Vermelho

Capítulo 31

— Amarre com mais força — Sarah disse para Margo, que murmurou desculpas no ouvido da legista e apertou mais a corda — É pra machucar!

— Mas...

— Me obedece — mirou sua cabeça — Agora, porra

Margo obedeceu, murmurando mais desculpas. Sarah jogou um pano em sua direção, Steele encarou ela por um segundo antes de amordaçar a mulher.

Aquilo era mais parecido com o que Katherine havia imaginado.

Estavam na sala do apartamento que ficava ao lado de onde havia sido presa. Ali fedia a sangue e outros dejetos humanos, o odor queimava o nariz da legista. No outro lado da sala, havia um homem amarrado em uma cadeira. Apenas vestido com uma cueca, hematomas e cortes espalhados em seu corpo. Viu que havia um curativo cobria onde deveria ser sua orelha esquerda, Katherine demorou alguns segundos para entender que o motivo de tanto sangue no ombro dele era porque alguém havia cortado a orelha dele.

Ele ergueu a cabeça, ela podia ver que havia medo e dor em seu olhar. Sarah mexeu nas coisas que havia em uma mesa, Margo saiu e voltou alguns minutos depois com Camile. A detetive não parecia confortável por estar sendo puxada para dentro da sala.

A detetive engoliu seco quando viu o homem. Ela fechou as mãos com força, os nós dos dedos ficaram brancos. Margo ficou atrás da legista e apoiou as mãos nas costas da cadeira.

— Vamos jogar um pouco — pegou uma furadeira sem pilha — Vai ser divertido

Entregou para a detetive, que ficou encarando o objeto por alguns segundos. Ela segurou ele com firmeza, ele parecia pesar mais ou menos um quilo. Escorregou o dedo indicador para o gatilho. Sarah ficou atrás dela, coloco uma mão na altura da lombar e a empurrou levemente para que ficasse em frente ao homem preso.

Ele ergueu os olhos para ela, Sarah murmurou em seu ouvido:

— Vamos, Cammy — segurou seu pulso e ergueu, fazendo ela apontar para o homem — É só você colocar ali, apertar o gatilho e empurrar

Camile respirou fundo, seus pensamentos não conseguiam ficar focados apenas naquilo.

Os hematomas desapareceram há muitos anos, deixando sua pele imaculadamente branca outra vez. Os cortes se curaram há anos, deixaram somente finas linhas mais pálidas do que o restante do corpo. Os ossos se regeneraram, assim como qualquer lesão muscular, deixando seu corpo outra vez forte e resistente. O tempo curou seu corpo com êxito, fazia anos que ele era uma máquina funcionando perfeitamente outra vez.

As marcas fisícas eram cicatrizes.

Entretanto, o maior problema não era o corpo, era a sua mente. Ela já havia perdido a conta de quantas vezes os pesadelos vinham e a faziam viver o mesmo horror e dor. Ela acordava respirando tão rápido que parecia que seus pulmões entrariam em colapso, o som do seu próprio grito a acordava.

Era algo psicológico, ela sabia, mas algumas vezes podia sentir seus ombros doerem como se estivesse pensurada. Podia sentir a lâmina cortando sua pele e o sangue escorrendo. Podia ouvir a voz dele, o toque dele, o pânico e a dor outra vez.

Tudo isso por causa daquele homem amarrado bem a sua frente.

Se Abigail Carter soubesse que Camile simplesmente sumiria depois de ver o vídeo, teria amarrado ela na cadeira e chamado Brown. Agora, não fazia ideia de onde ela havia ido. Carter conseguiu falar com o guarda e descobriu que a detetive já havia falado com ele e até mesmo feito um desenho da tal mulher loira. Conseguiu descobrir que chegou um pacote para detetive e que ela simplesmente sumiu depois disso. E também que o carro de Katherine estava na rua ao lado, a pá ainda perto da roda.

Agora, peritos tentavam encontrar algum vestígio. Mas não havia pegadas depois que a neve encobriu, nenhuma testemunha de alguma coisa. Brown ordenou que um perito fosse o apartamento do guarda e conseguisse outro retrato falado. Camile e Katherine sumiram como fumaça.

Abigail bebeu mais café, aguado e doce demais. Ela andava de um lado para o outro, preocupada com aquilo. Tentou ligar dezenas de vezes para as duas, mas apenas caia direto na caiza postal. Esperava que o tal retrado facilitasse a busca no sistema.

Olhou o relógio, sua cabeça latejava. Batidas na porta interromperam sua enxurrada de xingamentos. Ela abriu, era o perito que foi mandado para conversar com Krieg. Ele resumiu o encontro e entregou uma cópia do retrato. Ela agradeceu, fechou a porta e voltou para a mesa.

Sentou em sua cadeira, tirou o papel de dentro do envelope e olhou. Podia ver que era bonita, parecia o tipo de garota que você encontra em uma festa, conversa com ela e a leva para algum jantar. Não o tipo que parecia capaz de deixar aqueles homens em estado lastimável.

Batucou os dedos na mesa, abriu o sistema de procura e começou a colocar os dados que tinha. O buscador começou a fazer seu trabalho através dos bancos de dados, ela se ajeitou melhor na cadeira, o copo de café entre as mãos e olhando para papel.

— Ei — Laurie apareceu na porta

— Uh, entre — a garota entrou

— Algum avanço?

— Procurando se tem algo sobre ela no sistema

— Acha que foi descuido ou intencional?

Carter encolheu os ombros. Laurie se aproximou da mesa e puxou o papel para si. Franziu o cenho enquanto analisava o desenho. Um aviso apareceu no monitor quando o buscador encontrou perfis condizentes com as características procuradas. Ela olhou as imagens e encontrou qual batia perfeitamente com o desenho.

— Sarah Parker — ambas disseram ao mesmo tempo, Carter ergueu os olhos

— Como sabe disso? Você a conhece?

— Mais ou menos — empurrou o desenho de volta — É a ex-noiva da Cam