O Jogo em Vermelho

Charlie F. Grosskopf · Capítulo 16 de 50

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O Jogo em Vermelho

Capítulo 16

Ela tentou dezenas de vezes antes de conseguir acender o isqueiro, aproximou da ponta do cigarro e o viu pegar fogo. Puxou e soltou fumaça duas vezes sem realmente tragar antes de começar a fumar. Sentiu a fumaça quente com leve sabor de hortelã, que a deixava refrescante, descer por sua garganta e espalhar pelo seu pulmão lentamente. Devagar, sabia que estava destruindo sua saúde com aquele vício.

Com o tubo branco entre o indicador e o médio, ela observou a fumaça desaparecer na noite escura.

Katherine não estava nem um pouco animada com a ideia de ir para seu apartamento frio e vazio, por isso, decidiu entrar naquele bar cheio de homens e mulheres. Parecia dezenas de vezes mais interessante do que ir para o apartamento, mesmo que ela fosse fazer a mesma coisa. Tinha um ar de alegria bêbada, o oposto do peso depressivo que tinha no ar do outro bar.

E tinha quase certeza que Camile não a encontraria ali.

— Você ainda não aprendeu que beber é uma péssima ideia? — Katherine revirou os olhos quando ouviu a detetive perguntar, olhou para o lado e a encontrou encostada no balcão logo ao seu lado

— E você não aprendeu que eu não me importo — virou o resto da bebida — Como me achou?

— Segui você — encolheu os ombros, sem mostrar que se preocupava no que Katherine poderia pensar sobre essa pequena perseguição

— Você me seguiu?

— Foi o que eu acabei de dizer — tirou o copo vazio da mão de Katherine e sorriu, formando uma expressão divertida — O álcool já está matando teus neurônios

— Idiota — murmurou — Eu tenho idade o suficiente para saber o que eu quero

— Eu não perguntei, doutora. — sua voz estava carregada de sarcasmo — Caso a bebida tenha destruído mais neurônios do que eu imaginei, você deveria saber que estamos em um pequeno e simples de assassino em série. E, para sua infelicidade, eu ainda sou estúpida o suficiente para precisar da sua inteligência.

— Por isso você está aqui? — fixou o olhar no balcão e batucou os dedos ali

— O que esperava? — Camile franziu o cenho

— Nada — resmungou

— Katherine?

— Hm

— Você esperava alguma coisa de mim?

— Não — Katherine cruzou os braços — Por que eu esperaria? Não sou uma princesa que precisa ser salva

— Não é preciso ser uma princesa para criar expectativas

— Minha única expectativa é que você me deixe beber em paz

— Por acaso você me escuta? Eu disse que preciso da sua inteligência

— Beber não me faz burra — bufou — Ou eu não teria sequer saído do maternal

— Foda-se, Cooper, vamos ter uma mudança de política aqui

— Apenas porque eu fui gentil com você não significa que vou deixar você cuidar de mim

— Eu estou fazendo o meu trabalho

— Agora seu trabalho é me seguir?

— Meu trabalho é obedecer a ordens diretas, Brown me mandou seguir você

— E você nem queria, não é?

— Não importa o que eu quero ou não — seu tom foi mais duro

— Eu não gosto disso — encarou a detetive com os olhos faiscando de ódio — Diga a ele que eu não quero uma guarda-costas

— Não sou correio, se quer dizer isto a ele, diga você mesma — encolheu os ombros, indiferente ao ódio abrasador no olhar — Se quiser continuar aqui, continue, eu só preciso vigiar você — apontou para o outro lado do bar — Eu não preciso ficar grudada, dali eu posso ver

Camile colocou o copo no balcão e o empurrou, Katherine segurou e observou a detetive se afastar. Ela sentou em um banco entre um loiro alto e uma ruiva, o loiro começou a puxar assunto antes que Camile pudesse realmente estar sentada no banco.

Katherine bufou e pediu para o barman encher outra vez seu copo com o forte whiskey. Sabia que a garota a checava algumas vezes, mas ainda estava furiosa demais com Brown por ele ter ordenado que Camile a vigiasse. E ainda mais furiosa consigo mesma por ter sido gentil, quase fofa, e esperar que isso não a afetasse.

Enquanto esperava o barman encher seu copo outra vez, olhou em direção a detetive e viu que o loiro já tinha saído e agora era a ruiva que falava com ela. Rangeu os dentes e começou a beber o whiskey.

— Acho que ele não gostou muito — a ruiva riu e juntou as sobrancelhas — Era um cara gostoso

— Não faz meu tipo

— Ela faz? — apontou em direção a Katherine — Você olha para ela a cada dez segundos — Camile corou levemente e tentou retrucar — Você está corando

— Estou corando não — observou a ruiva girar o copo na mão — Pode me dizer teu nome?

— Steele, Margo Steele — ela sorriu, sedutora — E o seu, linda?

— Simons, Camile Simons — encolheu os ombros e aceitou quando Margo ofereceu o copo cheio de Whiskey

— Não parece muito o tipo de lugar que você frequenta

— Não costumo sair muito de casa — passou o dedos na borda do copo — E você?

— Procurando diversão — Camile sorriu baixo com o modo que Margo falou, sedutora e sugestiva

— E acha que vai encontrar?

— Talvez já tenha encontrado

Camile não respondeu, deixou as palavras da ruiva ficarem no ar. Bebeu o restante da bebida e colocou o copo de volta no balcão. Margo deu um pequeno sorriso, estavam perto o suficiente para seus braços se tocarem. O barman encheu o copo com mais uma dose e resistiu a deixar um sorriso se formar em seu rosto, ele estava acostumado a esse tipo de ação e sabia que Margo sempre conseguia sua diversão.

Katherine pagou sua conta e, com muita raiva de si mesma por estar se importando tanto com quem falava e pedia a atenção da detetive, saiu do bar. Ela não se importava por ser tão tarde, o frio do inverno deixava ela mais sóbria. Preferia caminhar naquele frio de matar do que precisar encarar Camile sendo descaradamente seduzida.

Camile observou, com o cenho franzido, Katherine sair do bar, esperava que ela bebesse mais. Seu plano era deixar ela ficar bêbada o suficiente para ser sincera, pagar sua conta, colocar ela no carro e fazer mais e mais perguntas. A ideia de ir atrás passou rapidamente por sua mente, mas foi distraída quando o barman empurrou o copo em sua direção.

Talvez não fizesse mal ela não ser insistente por uma noite.

Margo, fingindo estar concentrada nos riscos na madeira escura do balcão, passou as pontas dos dedos pelo pulso da detetive ao seu lado. Camile ergueu as sobrancelhas e continuou bebendo, a ruiva passou as unhas pela parte interna do seu pulso com pressão o suficiente para deixar quatro pequenas marcas na pele branca. Steele terminou sua dose e saiu do banco, saiu andando em direção ao banheiro, o seu sorriso era mais que o suficiente para fazer Camile imaginar se deveria ou não ir atrás.

Aquele não era o tipo de coisa que a australiana costumava fazer, Na verdade, ela nunca havia feito isso. Ela não ia para bares beber, muito menos era paquerada daquele modo. Tinha que admitir que era melhor do que havia imaginado. Quando Margo passou as unhas pelo seu pulso, ela pôde sentir os pelos da sua nuca se arrepiarem com o contato.

Pagou a conta e seguiu o mesmo caminho de Margo Steele.