O Palhaço e o Psicanalista
Você Hospedeiro
46 Você hospedeiro
Ao longo de toda experiência de escrevermos este livro pudemos exercitar vários dos conceitos aqui expostos. Foi uma baita prova de (termos pelo menos alguma) coerência entre o que estávamos escrevendo e a nossa prática de escuta ao escrevermos juntos. Claro que várias vezes divergimos. Somos diferentes. Para que você, leitor, tenha uma ideia, o palhaço é corinthiano roxo. O psicanalista? Palmeirense doente! Quer conflito mais difícil que esse para superar? Não ia ser uma divergenciazinha ou outra sobre escuta que ia nos abalar.
Ao longo do percurso nós trocamos umas boas dezenas de versões de cada capítulo. Corta, recorta e cola. Faz e refaz. Não sei como não interrompemos o tráfego internético tamanha a quantidade de e-mails trocados.
Durante todo processo fomos hospitaleiros com as ideias, com as visões de mundo e com as interferências (incontáveis) que fazíamos no texto um do outro. Fomos hospitalares ao cuidarmos mutuamente de nossas angústias no meio do caminho, mas, sobretudo, a etapa que mais vivemos nessa jornada foi o hospício. Partilhamos um com o outro as nossas histórias, nossos sucessos e fracassos, nossa boniteza e nossa feiura. Nossas visões tortas do mundo. Nossa loucura. E de partilha em partilha, aqui estamos. Chegamos até aqui juntos, firmes fortes e mais amigos ainda. Só não peça para o palhaço torcer para o palmeiras ou para o psicanalista entrar para o bando de loucos.
A próxima etapa é com você, leitor ou leitora. Você é quem será hospedeiro de tudo que leu. É na transmissão da sua experiência, tenha sido ela boa ou não, que nosso livro continua. Agora não mais apenas do palhaço e do psicanalista. Mas de todos que nos tenham escutado.