Obras Completas de Luis de Camões, Tomo III

Luís de Camões · Capítulo 58 de 93

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Obras Completas de Luis de Camões, Tomo III

Scena II.

E agora logo tão cedo

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De rustico e de villão!

Dando-me ventura o dedo, {390}

Lhe quero tomar a mão!

Mas oh! qu'isto não he assi,

Nem são villãos meus cuidados,

Como eu delles entendi;

Mas antes, de sublimados,

Os não posso crer de mi.

Porque como hei eu de crer

Que me faça minha estrella

Tão alta pena soffrer,

Que somente pola ter

Mereço a gloria della?

Senão se amor, d'attentado,

Porque me não queixe delle,

Tẽe por ventura ordenado

Que mereça o meu cuidado,

Só por ter cuidado nelle.

 

SCENA II.

 

Vilardo e Filodemo.

 

VILARDO.

O Senhor Dom Lusidardo

Dorme com todo o convento;

E elle com o pensamento

Quer estar fazendo alardo

De castellinhos de vento!

Pois tão cedo se vestio,

Com seu damno se conforme,

Pezar de quem me pario;

Que ainda o sol não sahio: {391}

Se vem á mão, tambem dorme.

Elle quer-se levantar

Assi pela manhãzinha!

Pois quero-o desenganar:

Nem por muito madrugar

Amanhece mais asinha.

Filodemo.

 

Traze-me a viola cá.

VILARDO.

(Voto a tal que me vou rindo.)

Senhor, tambem dormirá.

FILODEMO.

Traze-a, moço.

VILARDO.

Si, virá,

Se não estiver dormindo.

FILODEMO.

Ora hi polo que vos mando:

Não gracejeis.

VILARDO.

Eis-me vou:

Pois, pezar de São Fernando!