Química Orgânica: Uma Aprendizagem Baseada em Solução de Problemas (Vol. 2, 3ª Edição)
Introdução
QUÍMICA ORGÂNICA É REALMENTE APENAS MEMORIZAÇÃO?
A química orgânica é realmente tão difícil quanto todos dizem? A resposta é sim e não. Sim, porque você passa mais tempo com química orgânica do que passaria em um curso de fabricação de cestos subaquáticos. E não, porque os que dizem que é assim tão difícil estudaram de maneira ineficiente. Pergunte à sua volta e verá que a maioria dos estudantes pensa em química orgânica como um jogo de memorização. Isto não é verdade! Ex-estudantes de química orgânica perpetuam o falso boato de que a química orgânica é a aula mais difícil do campus, porque isto os faz se sentirem melhor frente às baixas notas que receberam.
Se não tem nada de memorização, então, o que ela é? Para responder
esta pergunta, vamos comparar a química orgânica a um filme. Imagine um filme em que o enredo muda a cada segundo. Se você está em um cinema vendo um filme deste tipo, não pode sair do lugar nem por um segundo porque perderia algo importante para o enredo. Assim, você tenta esperar ao máximo o filme terminar antes de ir ao banheiro. Você já passou por isso?
A química orgânica é muito semelhante. É uma longa história, e a
história realmente só faz sentido se você prestar atenção. O enredo se desenvolve continuamente, e tudo fica amarrado ao enredo. Se você se distrair por muito tempo, poderá se perder facilmente.
Muito bem, então, trata-se de um filme longo. Mas eu não preciso
memorizar? É claro, há algumas coisas que você precisa memorizar. Você precisa saber alguma terminologia importante e alguns outros conceitos que exigem uma parcela de memorização, mas a quantidade de pura memorização não é tão grande. Se eu tivesse que dar a você uma lista de 100 números, e lhe pedisse que os memorizasse para um exame, você provavelmente ficaria muito preocupado com isso. Mas, ao mesmo tempo, você provavelmente pode me dizer pelo menos 10 números de telefone de cabeça. Cada um deles tem 10 algarismos (incluindo o DDD). Você nunca se sentou para memorizar todos os 10 números de telefone. Em vez disso, com o tempo você lentamente se acostumou a digitar os tais números até o ponto de sabê-los. Vejamos como isso funciona na nossa analogia com o filme.
Você provavelmente conhece pelo menos uma pessoa que assistiu a um
filme mais de cinco vezes e pode repetir cada fala de cabeça. Como essa pessoa pode fazer isto? Não é porque ele ou ela tentou memorizar o filme. Na primeira vez que você assiste a um filme, aprende o enredo. Depois da segunda vez, você entende por que as cenas individuais são necessárias para o desenvolvimento do enredo. Depois da terceira vez, você entende por que o diálogo foi necessário para o desenvolvimento do enredo. Depois da quarta vez, você repete muitas das falas de cabeça. Você nunca, em tempo algum, fez um esforço para memorizar as falas. Você as conhece porque elas fazem sentido na dimensão do enredo. Se eu tivesse que entregar a você um roteiro de um filme e pedisse que memorizasse o máximo possível em 10 horas, você provavelmente não iria muito longe. Se, ao contrário, eu o colocasse em uma sala por 10 horas e repetisse o mesmo filme várias vezes, você saberia a maior parte do filme de cabeça, sem mesmo tentar. Você saberia os nomes de todos, a ordem das cenas, muitos diálogos, e assim por diante.
A química orgânica é exatamente a mesma coisa. Não se trata de
memorização. Trata-se de fazer ter sentido o enredo, as cenas e os conceitos individuais que compõem nossa história. É claro que você vai precisar se lembrar de toda a terminologia, mas, com prática suficiente, a terminologia se tornará automática para você. Então aqui está uma rápida pré-estreia do enredo.
O ENREDO
A primeira parte da nossa história baseia-se em reações e aprendemos a respeito das características das moléculas que nos ajudam a entender as reações. Começamos examinando os átomos, os blocos construtores das moléculas, e o que acontece quando eles se combinam formando ligações. Concentramo-nos em ligações especiais entre certos átomos e vemos como a natureza das ligações pode afetar a forma e a estabilidade das moléculas. Neste ponto, precisamos de um vocabulário para começar a falar sobre moléculas, então, aprendemos como representar e dar nome às moléculas. Vemos como as moléculas se movimentam no espaço e exploramos as relações entre tipos semelhantes de moléculas. Neste ponto, sabemos as características importantes das moléculas e estamos prontos para utilizar nosso conhecimento e, então, explorar as reações.
As reações ocupam o resto do curso e são normalmente divididas em
capítulos baseados em determinadas propriedades. Dentro de cada um desses capítulos, existe realmente um enredo secundário que se encaixa na história principal.
COMO UTILIZAR ESTE LIVRO
Este livro irá ajudá-lo a estudar com mais eficiência de modo que você possa evitar perder incontáveis horas. Vai destacar as principais cenas do enredo da química orgânica. O livro fará uma revisão dos princípios críticos, explicando por que eles são relevantes para o resto do curso. Em cada seção, você receberá as ferramentas para compreender melhor seu livro-texto e as aulas, bem como diversas oportunidades para praticar os conhecimentos fundamentais que necessitará para resolver problemas nas provas. Em outras palavras, você aprenderá a linguagem da química orgânica. Este livro não substitui seu livro-texto, suas aulas ou outras formas de estudo. Este livro não é um “Lembrete” de Química Orgânica. Ele se concentra nos conceitos básicos que capacitarão você a se sair bem se for às aulas e estudar além de usar este livro. Para fazer o melhor uso deste livro, você precisa saber como estudar neste curso.
COMO ESTUDAR
Há dois aspectos separados associados a este curso:
1. Entender os princípios
2. Resolver os problemas
Embora estes dois aspectos sejam muito diferentes, os professores
normalmente medirão seu entendimento dos princípios por meio de testes de sua capacidade de resolver problemas. Assim, você deve dominar ambos os aspectos do curso. Os princípios estão nas suas notas de aula, mas você deve descobrir como resolver problemas. A maioria dos alunos tem dificuldades com essa tarefa. Neste livro, exploramos alguns processos em etapas para analisar problemas. Há um hábito muito simples que você deve adquirir imediatamente: aprenda a fazer as perguntas certas.
Se você vai ao médico com dores no estômago, vai ouvir uma série de
perguntas: Há quanto tempo você tem a dor? Onde é a dor? Ela vem e vai ou é constante? Qual foi a última coisa que você comeu? E assim por diante. O médico está fazendo duas coisas muito importantes e muito diferentes. A primeira é que ele aprendeu as perguntas certas a fazer. Em seguida, ele aplica o conhecimento dele junto com as informações que ele recolheu para chegar ao diagnóstico apropriado. Observe que o primeiro passo é fazer as perguntas certas.
Imaginemos que deseje mover uma ação contra o McDonald’s porque
você derramou café no seu colo. Você procura uma advogada e ela faz a você uma série de perguntas que a possibilitem aplicar seu conhecimento ao seu caso. Mais uma vez, o primeiro passo é fazer perguntas.
De fato, em qualquer profissão ou negócio, o primeiro passo para
diagnosticar um problema é sempre fazer perguntas. Digamos que você esteja tentando decidir se realmente quer ser médico. Há algumas perguntas difíceis e profundas que você deverá fazer a si mesmo. Tudo isso será para aprender como fazer as perguntas certas.
O mesmo é verdadeiro para a solução de problemas neste curso.
Infelizmente, espera-se que você aprenda como fazer isso por si mesmo. Neste livro, vamos examinar alguns tipos comuns de problemas e verificaremos que perguntas você deverá fazer em tais circunstâncias. E o mais importante, vamos também desenvolver “habilidades” que permitirão a você descobrir que perguntas deverá fazer para um problema que nunca viu antes.
Muitos alunos perdem a cabeça nas provas quando encontram um
problema que não podem resolver. Se você pudesse ouvir o que se passa nas suas mentes, seria algo parecido com: “Não posso resolver isto… vou ser reprovado.” Esses pensamentos são contraproducentes e um desperdício de tempo precioso. Lembre-se de quando tudo falha, há sempre uma pergunta que você pode fazer a si mesmo: “Que perguntas eu deveria fazer agora?”
A única maneira de realmente dominar a solução de problemas é
praticar os problemas todos os dias, de forma consistente. Você nunca aprenderá como resolver problemas pela simples leitura de um livro. Você deve tentar, e falhar, e tentar novamente. Você deve aprender com seus erros. Você deve ficar frustrado quando não conseguir resolver um problema. É assim o processo de aprendizado. Sempre que encontrar um exercício neste livro, pegue um lápis e trabalhe nele. Não ignore os problemas! Eles são concebidos para incentivar o preparo necessário para a solução de problemas.
A pior coisa que você pode fazer é ler as soluções e achar que agora
sabe como resolver problemas. Não funciona assim. Se você quer uma nota 10, vai precisar suar um pouco (sem esforço, não há vitórias). E isso não significa que você deve passar noite e dia memorizando. Os alunos que se concentram na memorização experimentarão dor, mas poucos deles vão receber um 10.
A fórmula simples é: reveja os princípios até entender como cada um se
encaixa no enredo; então, concentre todo o tempo restante na solução dos problemas. Não se preocupe. O curso não é tão ruim se você o aborda com a atitude correta. Este livro agirá como um mapa para seus esforços no estudo.
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