Química Orgânica: Uma Aprendizagem Baseada em Solução de Problemas (Vol. 2, 3ª Edição)

Capítulo 8 Aminas

8.1 NUCLEOFILICIDADE E BASICIDADE DAS AMINAS

 

As aminas são classificadas com base no número de grupos alquila ligados ao átomo de nitrogênio central:

 

A reatividade de todas as aminas deriva da presença de um par isolado no átomo de nitrogênio. Todas as aminas possuem esse par isolado:

 

Esse par isolado pode se comportar como um nucleófilo (atacando um eletrófilo):

ou pode se comportar como uma base (recebendo um próton):

 

Vamos nos concentrar nesse par isolado de modo a entender por que as aminas são bons nucleófilos e boas bases. Quando uma amina participa de uma reação, a primeira etapa será sempre uma das duas possibilidades: ou o par isolado receberá um próton ou o par isolado atacará um eletrófilo.

É claro que, se tivéssemos uma carga negativa no átomo de nitrogênio,

seria ainda melhor. Para obter uma carga negativa no átomo de nitrogênio, temos que desprotonar a amina. As aminas terciárias não têm um próton que possa ser removido, mas as aminas primárias e secundárias podem ser desprotonadas formando os ânions vistos a seguir:

 

Estes ânions são nucleófilos mais fortes e bases mais fortes do que as

aminas sem carga. Essas estruturas são chamadas de amidetos.1 Aqui estão dois exemplos de amidetos que vimos até este momento neste curso:

É preciso prestar atenção para não confundir o termo amideto, que se refere a um íon, com o termo amida, que já utilizamos para descrever um tipo de derivado de ácido carboxílico:

 

Agora, voltemos às aminas sem carga. Algumas aminas são menos nucleofílicas e menos básicas do que as aminas regulares. Por exemplo, compare as duas aminas vistas a seguir:

 

A primeira amina é chamada de alquilamina porque o átomo de nitrogênio está ligado a um grupo alquila. O segundo composto é chamado de arilamina porque o átomo de nitrogênio está ligado a um anel aromático. As arilaminas são menos nucleofílicas e menos básicas porque o par isolado está deslocalizado no anel aromático. Podemos ver isto quando representamos as estruturas de ressonância: