A Torre do Amor
Capítulo 12
Edie preparou-se para dormir como se estivesse num sonho. Banhou-se, vestiu uma camisola e um robe, então sentou-se num banco para que Mary retirasse todos os grampos do cabelo e o escovasse.
Gowan era uma combinação muito estranha: sério e intenso, com um leve toque de humor irônico. O coração dele era sincero. Por outro lado, era um homem complexo que, na avaliação dela, não se deixava revelar.
– Gostaria de deitar-se agora, senhorita? – perguntou Mary.
– Ainda não – respondeu Edie, sorrindo para ela. – Primeiro, preciso praticar um pouco. Obrigada. Por hoje é só.
Depois que a criada foi embora, Edie tirou o violoncelo de seu descanso, perto da parede, e começou a afinar as cordas. Apesar do cansaço, precisava tocar durante uma hora por dia, no mínimo. O dia seguinte, com a cerimônia de casamento, seria totalmente perdido.
Anos antes, quando havia começado a recusar viagens sem o violoncelo, o pai mandara construir um estojo especial, estofado e revestido de veludo, quase uma duplicata do que ele usava. Os instrumentos viajavam numa carruagem separada, e os estojos de proteção eram tão pesados que eram necessários dois lacaios para carregá-los da casa para o veículo.
Edie começou com Vivaldi. Não estava se saindo bem com o “Inverno”. Meia hora depois, concentrava-se em como deveria manipular o arco, tocando dois compassos repetidas vezes, até ficar satisfeita.
Então, recomeçou a música, pretendendo tocar a peça inteira antes de se permitir o descanso. Estava tão concentrada que levou um susto quando um súbito golpe de vento entrou pela porta que se abria para a varanda, soprou a partitura e jogou no chão algumas páginas. Ela falhou no dedilhado e praguejou baixinho antes de recomeçar.
Uma brisa tornou a agitar as páginas, mas dessa vez Edie não perdeu o passo. Estava quase no fim quando a porta para o corredor foi aberta sem aviso. Edie ergueu a cabeça fazendo uma careta. Mary sabia muito bem quanto ela detestava ser interrompida durante os estudos.
Mas não era Mary. Era seu pai, carregando o próprio violoncelo. O rosto do conde estava tenso, o olhar sombrio.
Ela ergueu o arco e acenou para a cadeira do outro lado do fogo, perto da janela. Enquanto ele atravessava o aposento com o instrumento, ela puxou a camisola para baixo a fim de cobrir as pernas. Como costumava tocar antes de dormir, todas as suas camisolas tinham uma fenda alta que libertava suas pernas e, ao mesmo tempo, permitia que se mantivesse decente.
O pai compreendia as limitações de tocar o instrumento de lado. Nenhuma musicista séria poderia tolerar as restrições aos movimentos do braço.
Ele se sentou e passou o arco nas cordas, afinando o instrumento no mesmo tom do de Edie.
– O novo arranjo para o Concerto Italiano, de Bach? – sugeriu ela.
Os duetos eram a alma do relacionamento entre pai e filha. Quando pequena, Edie adorava as visitas que o conde fazia a seu quarto no início da noite. Começara a se esforçar na música para ganhar um sorriso do pai… mas continuou a estudar porque virou sua paixão.
O conde nunca tinha sido muito bom com demonstrações de afeto. No entanto, visitava a filha todas as noites, sem falta, e lhe ensinara a tocar. Em dado momento, nada mais havia para ser ensinado, mas continuaram a estudar juntos.
Ele assentiu silenciosamente, concordando com a sugestão. Sacaram os arcos simultaneamente, pois já tocavam juntos havia tanto tempo que seus hábitos se igualaram sem nem mesmo terem consciência disso. A peça que Edie sugerira era poderosa e intensa, as notas profundas quase soluçando das cordas.
Ela tocava o contraponto, suas notas dançando em torno das dele, desenhando a severa linha do baixo, combinando-a com a melodia, tecendo um fio de luz do sol à meia-noite. O pai estava sentado diante dela, a expressão tomada por uma mistura de alegria e intensa concentração.
No meio da peça, porém, o vento voltou a agitar a partitura e Edie ergueu os olhos. O arco quase vacilou, apesar de o arranjo exigir que suas notas superassem a performance potente do pai. Sua total absorção era uma felicidade, pois, para sua completa surpresa, viu Gowan de pé na varanda, junto às portas abertas, atrás de seu pai.
Edie sentiu a mão esquerda vacilar nas cordas do instrumento, enquanto fitava o duque de Kinross. Então, seu pai ergueu o arco e a música parou abruptamente, deixando que as notas de Edie caíssem como versões mais exíguas do que deveriam ser. Teria ele ouvido algo? Ela ergueu o arco também, com dificuldade para respirar.
– Da capo? – perguntou ele.
Para seu alívio, não havia nenhuma suspeita na voz do pai, apenas o reconhecimento de que ela não estava mais dentro da música. Não era de espantar: como poderia manter a intensa concentração necessária para uma peça daquele porte quando seu noivo tinha se materializado, como um fantasma escocês, 7 metros acima do solo, no pequeno balcão do lado de fora de seu quarto? Como diabo ele havia chegado ali?
Se o pai se virasse…
O lado vaidoso de Edie queria que Gowan acreditasse que ela era uma mulher sensual, cujos lábios escarlates anunciavam como era seu eu interior. Edie tentou ajeitar a camisola, mas acabou por abri-la, expondo a perna esquerda. O pai nunca perceberia. Nenhum músico olha para o lado enquanto toca. Na verdade, ele fechava os olhos enquanto tocava.
– Sim – respondeu ela. – Ou melhor, não. Em vez disso, vamos tocar o “Largo”, do Concerto em Sol Maior de Vivaldi. Eu estava trabalhando no arranjo de Melchett pouco antes de o senhor chegar.
– Precisa da partitura?
– Não. Trabalhei bastante nela no mês antes de adoecer. Tenho tocado o segundo violoncelo, então se puder fazer o primeiro…
O pai assentiu.
– Lembre-se do lirismo da música, Edie. Da última vez, você estava concentrada demais no dedilhado e não ouvia o que a peça queria dizer.
O cansaço tomara conta da voz dele.
Tranquilizada ao perceber que o pai ignorava a presença de Gowan no balcão, Edie relaxou um pouco e permitiu-se encarar o duque de novo. Ainda estava ali, silencioso, uma silhueta desenhada contra o céu. O sentimento que ela nutria por ele era bem estranho.
Encontrar seu olhar, perceber o brilho malicioso… ela sentiu algo tão forte tomar-lhe o corpo e o coração que só podia ser comparado à ocasião em que ouviu um violoncelo pela primeira vez.
O pai abaixou a cabeça e reposicionou o arco. Edie fez movimentos longos e lentos, na primeira seção, e mergulhou na música.
Queria que Gowan compreendesse sua paixão, que percebesse que não se tratava de um simples passatempo. Assim, ela o tirou da cabeça e voltou-se para a música, carregando o peso dos anos de experiência. Naquele momento o arco executava uma elegante sequência de notas que se faziam ouvir sobre a melodia do pai, fornecendo um contraponto grandioso.
Devagar, a melodia os envolveu, assumindo o ar e destilando sons tão doces que mais pareciam emoções audíveis. O corpo de Edie acompanhava a movimentação do arco. Aproximavam-se da parte mais difícil da peça. Edie abaixou a cabeça, garantindo que seus dedos saltassem perfeitamente de uma nota à outra.
Ela não errou. Nunca tinha trabalhado tão bem com o arco. O pai não a fitou, mas a percepção de instrumentista de Edie lhe dizia que uma profunda alegria atravessava a mente dele. A tensão tinha desaparecido, e ele respirava música, criava música. Os últimos compassos foram inspirações profundas, música e ar rodopiando juntos.
Quando a última nota flutuou pelo ar da noite, o pai finalmente ergueu a cabeça. Edie ajeitou a camisola para cobrir a outra perna, enquanto se esforçava para não desviar o olhar para a varanda atrás dele.
– Você estava certa – disse ele, levantando-se. – Aprendeu mesmo esta obra.
Foi um grande elogio.
Edie sorriu para ele. Costumavam ter atritos, mas ela o amava profundamente. E sob toda a rigidez dele, sabia que o pai a amava.
– Obrigada – falou ela, com suavidade. – Boa noite, papai.
Ele meneou a cabeça, um instrumentista saudando outro.
– Boa noite, filha.
Gilchrist pegou o instrumento, atravessou o aposento e saiu sem dizer mais nenhuma palavra.
Edie fechou a porta do quarto e se virou. Gowan tinha se dissolvido na escuridão. Conseguia ver apenas a silhueta desenhada contra o céu estrelado. Em vez de se dirigir a ele, recostou-se na porta e, como uma cortesã, deixou que uma perna aparecesse sob a fenda da camisola.
– Vossa Graça – cumprimentou ela. – Estou surpresa por ter um visitante a esta hora da noite.
Gowan entrou no aposento.
– Eu também estou surpreso.
– O que o surpreende?
Ela permaneceu no lugar, encorajando-o a se aproximar.
A música inebriava Edie, ela sempre soubera. Só que nunca tinha percebido que poderia levar a uma intoxicação, fazendo suas veias cantarem. Esse sentimento novo, mais profundo, lhe dava vontade de tocar o homem como se ele fosse um instrumento. Ou deixar que ele a tocasse… Não estava muito certa. Era um tipo desconhecido de loucura, mas que a preenchia.
Como o sangue em seu corpo, como a música em sua alma.
Loucura.
– Seu pai me contou que seu talento se equipara ao do maior instrumentista da Inglaterra.
– É meu pai. Ele exagera.
– Pelo que concluí depois de tudo o que ouvi esta noite, ele também é um dos maiores violoncelistas.
Gowan percorrera a metade da distância que os separava.
– É verdade.
Uma empolgante sensação de poder corria pelas veias de Edie. Era o poder que uma mulher podia exercer, algo que ela nunca tinha se dado ao trabalho de compreender. Não era para menos que Layla flertasse com outros homens…
Gowan franziu a testa.
– Não existe ninguém que toque violoncelo na Escócia, acredito eu.
– Hummm.
Edie não se importava.
Ela gostava de tocar com o pai, mas também gostava de tocar sozinha, e assim passava horas felizes.
– Como conseguiu chegar à minha varanda?
– Escalei. Pensei em interpretar Romeu para sua Julieta e chamá-la para fora, mas, quando a ouvi tocar, fiquei paralisado, como se a música estivesse sendo entoada por fadas numa colina.
– Fadas numa colina? Como assim?
– Na Escócia, por vezes a música escapa da terra das fadas, que fica sob um monte relvado.
Ele deu mais alguns passos adiante.
Edie sorriu para ele, mas não se mexeu.
– Então eu o seduzi como se fizesse mágica com as cordas?
– Sim.
– Estávamos tocando um concerto de Vivaldi.
Gowan ficou em silêncio por um momento.
– Sei muito pouco sobre música, senhorita.
– Percebi, pois nunca havia ouvido falar de violoncelo.
– Na verdade, nunca ouvira falar de uma mulher instrumentista. Já vi cantoras, sim. E algumas senhoras ao piano.
Edie assentiu com tranquilidade. Nunca sonhara em fazer apresentações em público.
– Não desejo tocar para uma plateia. Embora eu certamente tenha gostado da plateia dessa noite.
– Tocará para mim outra vez?
– Claro.
Ele se aproximou mais, chegando perto o bastante para que sua respiração agitasse minúsculos fios de cabelo na testa de Edie.
– Estou aqui desde antes de seu pai entrar no quarto.
Aquele jeito de olhar… O rubor invadiu o rosto de Edie.
– Vê-la tocando violoncelo foi a coisa mais sensual que já presenciei na vida – sussurrou ele.
Então sua boca fechou-se sobre a dela.
O primeiro beijo dela.
Os lábios dele eram doces, até carinhosos, ainda que mal se conhecessem. No entanto, talvez ninguém a conhecesse tão bem quanto ele.
O primeiro beijo dela.
Os lábios dela eram doces como o botão de uma madressilva. Por um segundo, Gowan não conseguiu acreditar que a estava beijando. Os lábios se encontraram uma, duas vezes… A língua dele mergulhou em sua boca.
Edie afastou os lábios para acolhê-lo, soltando um pequeno grunhido de surpresa. Ele se aproximou mais, apoiando os antebraços na porta. As línguas brincaram por um momento e então Gowan beijou os olhos dela, seu rosto e, sem conseguir resistir, voltou para a boca. Beijaram-se até que Gowan imaginasse as pernas claras de Edie entrelaçadas às suas, o corpo arqueado na cama, um grito saindo de sua garganta…
Não.
Ele não desonraria sua futura esposa, por mais que ela envolvesse seu pescoço com os braços e que os beijos dela fossem tão febris, e sua língua, tão ousada e sensual quanto a dele.
Por mais que os dedos finos brincassem no cabelo dele, deixando um formigamento por onde passava.
Por mais que seu coração batesse com a mesma força que o dela. Gowan percebia isso através do tecido fino da camisola, assim como podia sentir os seios, macios e trêmulos, junto a seu peito. Ele se afastou um pouco, ouvindo a aspereza do ar ao sair de seus pulmões. Edie murmurou algo e deslizou os lábios pelo queixo dele. Ele sentiu a boca da jovem lhe tocar a orelha. Um gemido escapou da garganta dele.
– Não podemos fazer isso – sussurrou ele, pousando a testa na madeira fresca da porta. – Não devemos.
– Gowan – suspirou Edie, e suas mãos soltaram o pescoço dele e desceram pelo peito.
– Edie, não vou desonrá-la. Minha noiva. Minha duquesa.
Os olhos de Edie estavam ligeiramente vidrados, a boca dolorida pelos beijos, mas ela inclinou a cabeça, seu cérebro formidável trabalhando de forma quase audível.
– Que honrado da sua parte.
Os dois se encararam. Edie era um soneto que ganhara vida plena, mas não importava.
O sorrisinho torto que estampava o rosto dela, junto com o beijo que ela nunca dera em ninguém, aquilo capturou o coração de Gowan e fez brotar o gemido.
– Preciso descer pela escada – disse ele, rouco.
O sorriso dela aumentou.
– Estou muito feliz em me casar com o senhor, duque.
– Estou muito feliz em ouvir isso, senhorita. Nessas circunstâncias.
Gowan não conseguia deixar de tocá-la, de contornar seu pescoço com as mãos e de procurar de novo sua boca.
– Acredito que isso não seja comum entre… entre a nobreza – disse ela, com um pequeno soluço, pouco depois.
Gowan balançou a cabeça. Não conseguia se lembrar de outro casal que tivesse surgido de uma erupção, das chamas, como eles. Segurou o rosto dela entre as mãos.
– Precisamos ter certeza – comentou ele, as palavras saindo como um juramento – de que não somos tudo o que brilha e que em ruína acaba.
As mãos de Edie seguraram as dele.
– Tenho a sensação de que deveria contratar uma preceptora e levá-la comigo para a Escócia. Foi Shakespeare de novo?
Ele assentiu.
– Nunca gostei tanto assim de poesia – admitiu ela, voltando o rosto para beijar a mão dele. – Acho que talvez o senhor me faça mudar de ideia.
– Gosto de versos.
– Qualquer mulher lhe diria que você se excede em seus talentos para a sedução.
Ele recuou um passo e soltou uma risada.
– Eu me excedo? Eu me excedo?
Edie já estava corada, mas conseguiu ficar ainda mais ruborizada.
– Sabe o que quero dizer – ralhou ela. – Você… sabe tudo e eu não sei.
Será que ele deveria ser honesto?
Ela pôs as mãos nos quadris – e tinha quadris deslumbrantes, perfeitos. O gesto deixou a camisola muito justa sobre seus seios igualmente perfeitos. O olhar dela era tão sincero e direto que ele acabou confessando a verdade.
– Também não sei nada, Edie.
– Não estou falando de casamento – falou ela no mesmo instante, ainda mais vermelha.
– Então está falando de quê? – perguntou ele, divertido.
– Da hora de ir para a cama! – exclamou ela. – Aquela parte. Você sabe e eu não. – Ela estreitou os olhos. – Se rir de mim novamente, talvez eu tente ganhar um pouco de experiência nos próximos meses, antes do casamento.
Gowan apertou-a contra a porta no mesmo segundo, prendeu-lhe os braços sobre a cabeça e sentiu o corpo dela, quente, junto ao dele.
– De forma alguma.
Os olhos dela estavam risonhos e ela lhe deu uma piscadela.
– O senhor ficaria grato em não passar a noite de núpcias com alguém tão ignorante quanto eu.
– Não.
Ele abaixou a cabeça e beijou-a profunda e intensamente.
Quando afastou seus lábios mais uma vez, Edie sussurrou com a voz fraca:
– Todos esses poemas de amor, versos de Shakespeare e tudo o mais. Não tenho nada disso, Gowan. Não conseguiria ler uma peça se minha vida dependesse disso. Tentei e achei que não tinha pé nem cabeça.
– Não me importo. Vou ensiná-la a amar poesia. – Ele passou o dedo pelo contorno do lábio inferior dela. – Você é minha, Edie.
– Não é esse o problema – disse ela, com a voz sombria. – Eu sou… e você…
– Sou tão imaculado quanto você – completou ele, fascinado pela forma com que os cílios espessos emolduravam os olhos dela.
Edie franziu a testa.
– Virgem – esclareceu ele, rosnando, porque, afinal de contas, homens não devem ser virgens. Nunca.
Ele soltou a mão dela e a pegou no colo. Edie era leve, um peso feminino macio que acendia um fogo que descia por seus membros. Gowan se obrigou a ir até uma cadeira, em vez de jogá-la na cama.
– Você? – indagou ela, atordoada.
– Sim. – Ele se sentou, desfrutando da forma como o traseiro dela se acomodou no seu colo. – Fiquei comprometido quando ainda era muito jovem, por isso não podia me deitar com uma mulher que pudesse ter expectativas ou sonhos de se tornar duquesa. E seria de mau gosto pagar tal ato com moedas. Além disso, eu teria desonrado minha noiva e a mim mesmo.
Edie permaneceu quieta. Ele a abraçou com mais força. Os olhos dela vasculhavam os dele, arregalados e surpresos.
– Portanto, é bem seguro afirmar que eu não tenho uma “doença de natureza íntima” – comentou ele.
– Ah, minha carta. – Ela reconheceu as próprias palavras. – Não, suponho que não.
Ele lhe deu outro beijo intenso e demorado. Os dois se afastaram com uma nova sensação selvagem, quase visível no ar. E, quando os olhares se reencontraram, aquilo ainda pairava entre eles, como uma possibilida-de cintilante.
– Juntos – sussurrou ela, assombrada. – Não é nada como eu esperava. Sempre pensei que a mulher chegasse assim ao casamento, mas o homem…
– O homem deveria dormir antes com uma camareira ou uma garçonete – completou Gowan. – Seria uma forma de rebaixar a mim e a mulher a meu serviço.
Um riso engasgado escapou da boca de Edie.
– O senhor é um homem de princípios, Vossa Graça.
– E isso não é uma coisa boa?