A Torre do Amor

Eloisa James · Capítulo 33 de 47

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A Torre do Amor

Capítulo 31

 

Edie tocava algo baixo e lamentoso. Enquanto subia a escada, ele podia ouvir as notas se derramando pelo corredor.

Gowan acelerou o passo, instigado pela culpa. Ela o esperava havia pelo menos duas horas. Talvez três. Não conseguia se lembrar da primeira vez que Bardolph lhe perguntara se já estava pronto para parar de trabalhar naquele dia.

Aquela era a vida de um nobre. Ela simplesmente precisaria suportá-la, como ele o fazia. A alternativa – ser um duque falsificado como seu pai – era impensável.

Entretanto, era provável que ela estivesse zangada. As senhoras não ficavam felizes quando seus arranjos sofriam contratempos. Entrou no quarto e parou. O aposento tinha sido transformado. As paredes azuis estavam cobertas por seda cor de açafrão cujo tom esmaecia trêmulo sob a luz das velas. E havia velas em todas as superfícies – sobre as mesas, sobre a lareira. A iluminação não era necessária, porque Edie não estava lendo uma partitura.

Pelo contrário, seus olhos estavam fechados e ela tocava algo tão baixo e tão suave que mais parecia que cantarolava. Ele ouviu sem se mexer, de costas para a porta, à medida que as notas se erguiam e cediam, como se um gigante as soprasse com suavidade, como se cada nota fosse uma gota d’água descendo um riacho pedregoso.

Então ele entrou. Tirou o livro de poesia do bolso, colocou-o a seu lado e largou-se numa cadeira. Edie não abriu os olhos, mas sem dúvida sabia que ele estava ali.

A tensão do dia parecia se desmanchar com a música. Gowan foi levado para outro mundo, longe dos números, dos relatórios e das ações, desfrutando da sensação que experimentara apenas ocasionalmente quando estava nas profundezas do lago nas Terras Altas, numa pescaria. Eram seus momentos mais felizes…

Agora também sentia-se muito feliz.

Mesmo com todos os problemas na cama, ele e Edie tinham uma ligação profunda, intensa, uma tensão tão tangível que tomou conta da música. O arco acelerou seu movimento, e ele achou que Edie havia passado direto para outra composição, algo menos melancólico.

Quando ergueu o arco, Gowan perguntou:

– Era um allegro o que acabou de tocar?

– Era, sim.

– E o primeiro foi largo. A última peça foi composta por Vivaldi? – indagou ele, tentando os novos nomes que ele acabara de arquivar na memória.

Ela abriu um sorriso.

– Exatamente! A obra de Vivaldi foi uma das primeiras que aprendi quando criança.

– Parece que foram escritas pela mesma pessoa – comentou ele. – Como se estivesse tentando captar o canto de um pássaro.

– Que pensamento lindo…

Edie descansou o arco e ergueu o violoncelo.

No mesmo instante, Gowan se levantou, estendendo o braço para segurar o instrumento.

– Cuidado! – exclamou ela.

E manteve um sorriso envergonhado no rosto enquanto ele guardava o instrumento no estojo almofadado.

– Eu amo meu violoncelo. Não sei o que faria se ele se machucasse.

Machucasse, reparou Gowan. Como se fosse um ser vivo.

– Existem diferenças entre um violoncelo e outro?

– Com certeza. O meu foi feito por Ruggieri. Meu pai e eu achamos que ele é o melhor luthier de violoncelos do mundo.

– Custou caro?

Ela revelou uma soma que fez seu queixo cair.

– Seria possível comprar uma casa em um excelente bairro de Londres por esse valor.

– É por isso que sou tão exigente e que o violoncelo viaja em um estojo almofadado.

– Eu deveria ter suspeitado quando Bardolph me informou que o violoncelo exigia uma carruagem própria.

– E um lacaio para segurá-lo firmemente durante a viagem – disse ela, assentindo. – É muito caro ser instrumentista. Mas imagino que não vamos viajar por algum tempo. – Ela olhou para ele com um sorriso cintilante no olhar. – Preciso avisá-lo, Gowan, que posso passar o resto da minha vida tocando ao ar livre, no pomar. É muito tranquilo e, a não ser perto da área do rio, a acústica é maravilhosa. É tudo que eu sempre quis.

Tudo que ela sempre quis?

Edie ergueu uma taça de champanhe e deu um gole.

– Posso lhe servir uma taça? Achei que poderíamos celebrar nossa… bem, nossa chegada em casa.

Ela serviu. Gowan aceitou, mas deixou a bebida sobre a mesa sem provar e fechou a mão em torno do pescoço dela. Beijou-a com a boca aberta, e o gosto dela mexeu com as profundezas do seu corpo. Já estava com uma ereção. Naqueles dias, vivia em um constante estado de prontidão. Ao começar a se afastar, precisando de ar, ela tremia nos braços dele emitindo ruídos abafados na garganta.

– Deve comer – sussurrou ele, passando os dentes pela estreita coluna de seu pescoço.

Ela se afastou.

– Não.

– Não?

Edie estava rejeitando a comida fria ou qualquer jantar? Ela tinha um encantador brilho de insegurança no olhar e ele a abraçou para eliminá-lo.

– Não quero seguir um plano – argumentou ela.

– Ah – disse ele, lembrando-se da noite de núpcias.

Apertou-a ainda mais nos braços, deslizando uma das mãos por seu traseiro arredondado.

– Nesse caso, minha senhora, você se importaria se fizéssemos um desvio do jantar, passando primeiro pela nossa cama?

– Acho que você deveria beber champanhe – sugeriu ela, um pouco agitada.

Virou-se e tateou em busca de sua taça. Encontrou-a e sorveu todo o conteúdo.

Gowan não gostava de champanhe. Era o tipo de bebida que ficava na garganta. Não conseguia imaginar por que alguém gostava de champanhe, mas sentia-se assim em relação à maior parte das bebidas alcoólicas. Tomou um gole.

Edie ergueu a garrafa e voltou a encher a taça. Ele a observou, pensativo. Parecia que não era o único a ter um plano para a parte íntima do casamento. Então, resolveu não se importar. Com sorte, o plano dela poderia funcionar melhor do que o dele.

Quando ela se virou, os olhos brilhavam por causa da bebida.

– Achei que poderia tocar para você. Quer dizer, só para você, já que não pôde se juntar a nós nesta tarde.

– Eu adoraria.

– Só que esqueci, e agora já guardei o violoncelo.

– Eu ficaria feliz em trazê-lo de novo.

– Obrigada – disse ela, sorrindo, enquanto terminava a segunda taça.

Ou talvez fosse a terceira. Ele olhou de relance para a garrafa, mas o vidro era escuro demais para revelar se já estava pela metade. O mordomo devia ter aberto a garrafa para ela umas três horas antes.

Edie lutou para se acomodar numa cadeira enquanto ele trazia o violoncelo, deixando-o diretamente diante do assento.

– Você se senta aí – ordenou ela, apontando para a cadeira.

Ele se sentou.

– Esqueceu o champanhe! – exclamou ela.

Entregou-lhe a taça e então notou que a sua estava vazia.

Gowan ficou de pé antes que percebesse o que estava fazendo, tomando-lhe o braço enquanto ela buscava a bebida.

– Não. Por favor.

Ele praguejou baixinho, ao observar que parecia implorar.

O casamento o transformara em um maldito bebê, mendigando pelo que não podia ter.

– Ah – disse Edie, acrescentando: – Acha que já estou alterada?

– Com toda a certeza.

Ela se sentou e procurou o violoncelo.

– Bom. Upa. – Ela voltou a se ajeitar, apoiando o instrumento perto do pescoço. – Pode segurar isso aqui por um momento?

Gowan já estava de pé. A ordem para se levantar diante de uma dama estava tão internalizada que ele se sentia como aqueles bonecos que saem rápido de uma caixinha assim que ela é aberta. A madeira do violoncelo era suave como cetim sob seus dedos, como se fosse a própria pele de Edie.

Enquanto olhava, ela desamarrou o que parecia ser uma espécie de robe e o jogou longe. Por baixo, usava uma camisola fina, enfeitada com rendas no corpete, no cotovelo e na bainha e… quando ela se sentou, uma fenda se abriu, e lá estava a maravilhosa perna de Edie. A renda caía dos dois lados da coxa, como uma fita sobre o melhor bolo do mundo. A coxa era rechonchuda, deliciosa e…

– Pode me devolver o violoncelo? – A voz dela rompeu o transe.

Ele o devolveu.

Edie abriu mais as pernas e ele quase pediu que o recital fosse adiado. Em vez disso, Gowan afundou lentamente no sofá, enquanto ela ajeitava o instrumento, posicionando-o da forma correta.

Então olhou para ele com certa timidez.

– Nunca toquei para ninguém assim.

– Espero que não mesmo!

O sorriso dela se alargou.

– O que gostaria que eu tocasse?

– Algo breve.

Ele não conseguia deixar de observar como aquele instrumento enorme se equilibrava entre as pernas dela.

Era a coisa mais erótica que ele já vira.

Edie sempre parecia se transformar ao tocar. No entanto, a transformação dessa vez era diferente: embora relacionada à música, também se relacionava a ele. Ela não parava de lhe lançar olhares, sob os cílios, mesmo ao tocar algo que se debulhava em ondas e que fazia seus dedos correrem pelas cordas.

Ao ouvir, Gowan teve uma ideia. Havia se livrado do paletó e da gravata ainda no escritório. Naquele momento, levantou-se e começou a desabotoar o colete.

Os olhos dela se arregalaram um pouco, mas Edie continuou tocando até mesmo quando ele tirou a camisa. Cometeu um erro quando Gowan se abaixou para tirar uma das botas. Ele havia notado como uma cascata de notas desabava formando uma escala e uma das notas soara estranha.

Tinha a distinta impressão de que sua esposa gostava de seus músculos. Por isso, ele se abaixou, devagar, contorcendo-se como se fosse uma espécie de escultura romana para tirar a outra bota e as meias. Ela observava… O tempo da peça já não era mais o de um allegro.

O quarto estava na penumbra, como se algumas velas tivessem se apagado e o restinho da luz do verão tivesse partido para dar lugar a mais uma noite. Ele pôs as mãos na faixa de sua cintura.

Edie ergueu o arco e a última nota foi interrompida. No silêncio, ele percebeu que gotas de chuva batiam contra o vidro da janela.

– Minha nossa – disse ele, desabotoando o primeiro botão das calças e encontrando o olhar de Edie. – Aquela nota deveria der durado mais tempo, não é?

– Como sabia?

Ela não parecia surpresa, e os olhos vagavam para as mãos dele.

Gowan abriu mais um botão e foi tirando as calças devagar, deixando à mostra seu abdômen musculoso.

– É a peça que você tocou com seu pai.

As notas estavam armazenadas em sua mente, como tudo o mais.

– Lembra-se da música tão bem, mesmo a tendo escutado apenas uma vez?

Ele precisou se esforçar para tirar as calças por causa daquela parte que mal cabia em sua roupa de baixo. Resolveu arrancar tudo de uma vez. Havia uma estranha sensação de libertação em ficar nu diante de sua esposa. Nenhum criado. Apenas os dois.

Edie se levantou e empurrou o violoncelo na direção dele. Gowan guardou-o dentro do estojo. Ela se virou para o espelho e começou a tirar os grampos do cabelo. Ele veio por trás e passou as mãos por seu corpo, segurando seus seios.

Aquele cabelo brilhante despencou sobre seus braços.

– Meu Deus, você tem um cabelo lindo… – sussurrou ele.

Edie desprendeu os grampos. Houve um ligeiro tilintar enquanto se espalhavam sobre a madeira antiga do piso. Então suas mãos aqueceram as dele, ela se recostou e ergueu a cabeça para olhá-lo.

– Já pensei em cortá-lo algumas vezes.

– Nunca corte – pediu ele. – Prometa, Edie.

Ela hesitou e franziu as sobrancelhas.

– E se eu quiser?

Gowan a apertou com mais força. Não podia ser o dono dela. Ela era sua própria senhora. Ele não podia…

– Esqueça o que eu falei.

Ele abaixou a cabeça e lambeu o rosto dela, uma carícia sexual assumida.

As mãos se abriram sobre seus seios.

– Posso levá-la para a cama, senhora esposa?

Edie sorriu, encontrando o olhar dele no reflexo do espelho.

– Sim, por favor.

Desde que ela dissesse sim nos momentos corretos…

Durante seu curto casamento, tinham feito amor quatro vezes. Gowan deitou Edie na cama, pensando naquela vez, na quinta vez. Precisava ser diferente.

Melhor.

Ela foi logo se contorcendo, porém, afastando-lhe as mãos.

– Quero meu champanhe – anunciou.

E então, sentada outra vez, virando mais uma taça, ela o olhou com os olhos semicerrados por aqueles cílios espessos e disse:

– Quero que você fique deitado.

– O quê?

Edie apontou.

– Na cama. Com a barriga para cima. É meu marido, portanto…

Edie teria rido da reação que ele teve, mas aquele momento era sério demais. Voltou a bebericar champanhe, esperando que Layla estivesse certa. Aquilo fazia sua cabeça girar, o que devia ser bom. Apenas relaxe, disse a si mesma mais uma vez. Relaxe.

Mas primeiro… Por um momento, ela pensou que Gowan não lhe obedeceria. Era o homem mais dominador que já encontrara na vida, afinal de contas. Acabou se deitando, mas seu rosto estava inexpressivo.

Engatinhou até ele e beijou-lhe os lábios.

– Não gosto da cara que está fazendo – informou.

Sim, o champanhe com certeza ajudava.

– Como assim?

– Às vezes seu olhar fica tão vazio… Tem certeza de que não quer champanhe? É muito bom.

Gowan estreitou os olhos.

– Não. – A palavra saiu com agressividade e a fez recordar que os pais dele, beberrões, complicavam tudo.

– Tudo bem – concordou ela, afastando sua taça. – Agora vou aprender o que lhe agrada.

– O que me agrada? – Ele se apoiou nos cotovelos, fitando-a com ar de incredulidade. – Tudo me agrada. Se me deixa tocá-la, chego perto do paraíso.

Edie quase desejou não ter tomado aquela quinta taça porque seu cérebro não estava funcionando direito.

– Pois bem – disse ela. – Tudo bem, então.

Ele deu uma cutucada nela.

– E se fizéssemos ao contrário?

– De que jeito?

O tórax dele estava diante dela, e ela passou os dedos sobre seus músculos.

– O que lhe agrada?

De repente ela se viu deitada, com os dois punhos levemente presos sobre a cabeça.

Edie franziu a testa.

– Não gosto de me sentir presa.

– Maldição.

Ele a soltou.

– A menos que você queira – disse ela, sentindo uma súbita onda de excitação.

Ele se inclinou.

– Isso não tem a ver com o que eu quero fazer. Dessa vez, vamos fazer o que você quiser.

– Está certo – assentiu Edie. – Preciso lhe dar um roteiro.

Gowan apoiou-se nos joelhos, olhando para o corpo deslumbrante e delicado da esposa. Foi preciso reunir todo o seu autocontrole para não desabar sobre ela e começar a mordê-la inteira.

– Diga-me o que devo fazer, meu doce.

Para horror de Gowan, os olhos dela se encheram de lágrimas.

– Não sei. Esqueci de perguntar. – Então as sobrancelhas se uniram. – Você foi o primeiro, sabe.

Ele envolveu o rosto dela com as mãos e beijou-a, pois simplesmente não conseguia não fazer aquilo.

– Eu sei – sussurrou ele. – Eu sei.

A consumação do casamento fora um dos momentos mais intensos de sua vida. Mas teria sido melhor se não a tivesse machucado tanto.

Ela mostrou o lábio inferior de uma forma tão encantadora e sensual que ele sentiu o impulso de voltar a beijá-la. Esqueceram-se do roteiro por algum tempo, mas então voltou ao assunto.

– Não sei – confessou ela.

Um sorriso malicioso formou-se nos lábios dele.

– Experimentação – murmurou ele – é um dos meus passatempos favoritos. E já sei algumas coisas sobre você.

– Sabe?

Ele assentiu.

– Gosta disso.

Ele esfregou os polegares sobre os mamilos dela.

Ela gemeu.

– Não gosta? – atiçou ele.

Edie não parecia disposta a responder enquanto ele continuasse com aquilo, por isso ele parou o movimento.

– Edie.

– Sim – respondeu ela, a voz um pouco ofegante. – Gosto disso.

Ele se abaixou e… disso ela também gostava. Ela gostava de quase tudo, para falar a verdade, exceto quando ele lambia debaixo de seu queixo. E chegou a ralhar quando ele lambeu sua axila.

– Adoro – disse ele, com a voz grave. – Cheira muito bem, como a essência de Edie, meu perfume preferido no mundo.

– Argh! – exclamou ela, afastando-o. – Pare com isso!

Mas uma experiência precisa ser minuciosa, por isso ele simplesmente continuou a lamber, a beijar, a mordiscar, descendo até a barriga. Então afastou-lhe as pernas, dedicando um minuto latejante à lembrança das coxas acomodando o violoncelo antes de descer a boca até a carne macia e rechonchuda.

Já a beijara ali antes. Fizera aquilo para ter certeza de que ela estava pronta para recebê-lo. O roteiro não tratava dele.

Era sobre ela.

Todas as vezes que Edie sentia aquele pequeno pulso de constrangimento, quando surgia a ameaça de pensar demais, ela deixava que o champanhe a arrastasse de volta para um lugar flutuante. O que Gowan fazia era tão bom que sua respiração saía do peito sob a forma de soluços. Então ele afastou os joelhos dela, o que a deixou tão vulnerável e, meu Deus, ele podia ver tudo, mas não parecia…

Gowan emitia sons guturais e, ao olhar de relance, Edie pôde notar que seu membro estava ereto. Então ele a desejava, apesar das divergências. Pela primeira vez, sentiu-se vazia, como se precisasse que ele a preenchesse. Empurrou seus ombros, mas ele não lhe deu atenção.

E durante todo o tempo uma sensação tomou conta de suas pernas até que ela começou a movimentá-las sem parar, como se uma febre a consumisse. Gowan passou a mão sobre a barriga, mais embaixo… introduziu um dedo grosso dentro dela.

Edie gritou e arqueou as costas. Não foi suficiente, então ela soluçou e implorou. Ele introduziu mais um dedo e fez algo com a língua que fez as mãos dela largarem os ombros dele completamente.

Um momento depois, uma onda de calor passou por debaixo dela, como se tivesse sido capturada por um maremoto, completamente envolvente, mágico, aterrorizante, tudo ao mesmo tempo. Ouviu os próprios gritos, sua voz gutural e rouca, e até isso a assustou um pouco.

Mas não havia como evitar, como interromper. A sensação subiu da ponta dos dedos dos pés e arrastou-a em uma tempestade de doce dor bem recebida pelo corpo. Quando se libertou, ofegava, o rosto molhado pelas lágrimas.

Os dedos de Gowan escapuliram de dentro dela e ela voltou a estremecer. Queria mais daquilo. Sem pensar, sentou-se e buscou-o. Uma canção corria em suas veias e ela queria que ele sentisse o mesmo.

Então, Edie viu o rosto dele.