A Torre do Amor
Capítulo 21
Quando a porta se abriu, Edie ficou paralisada. Fechou as pernas por instinto. Gowan se encontrava na soleira, a luz contornando seus ombros, conversando com alguém fora de vista.
Edie sentou-se na cama.
– Gowan.
– Sim?
Ele se virou e ela sentiu o calor voltar a pulsar. O marido era muito belo.
Uma mecha de cabelo caía sobre a testa dele e as maçãs do rosto lhe davam um ar de amante latino.
– Estou dormindo, ou melhor, estava.
Ele franziu as sobrancelhas, e ela conseguia entender que ele estava informando uma nova regra. Não despertar minha esposa.
– Não me importo que entre no quarto, mas preferia que tivesse concluído a conversa antes.
Ele concordou com a assertividade costumeira. Edie voltou para debaixo das cobertas, enquanto Gowan recuou para o corredor. Percebia aquela sensação ardente de novo, mas estava pior do que na noite anterior.
Gowan entrou novamente e fechou a porta.
– Lamento muito tê-la acordado.
– Não é isso… Com quem estava conversando?
– Bardolph. Ele queria…
– Então Bardolph sabe que você veio para o meu quarto em vez de se dirigir ao seu?
– Sabe.
– Não gosto disso – disse Edie.
Gowan tirou o camisolão de dormir e jogou-o sobre uma cadeira. Com aquele gesto, fez evaporar sua frase seguinte. Estava nu, e aquelas pernas musculosas reluziam como mel escuro.
Ele se pôs sobre Edie, apoiando-se nos braços, os cotovelos na altura dos ombros dela.
– Sim, esposa?
– Não acho que os criados devam saber o que estamos fazendo – afirmou ela, alarmada diante da fraqueza de sua voz.
– Não saberão de tudo. – Deu um beijo na testa dela. – Não sabem que pretendo beijá-la até deixá-la indefesa. – Um beijo no nariz. – Não sabem que pretendo fazer amor até que não lhe sobre mais que um sopro em seu corpo. – Um beijo nos lábios, demorado, cheio de promessas, mas ainda sem cumpri-las. – Bardolph acha que passei a tarde ouvindo o que ele falava.
– Mas passou – falou ela, sentindo-se um pouco sem fôlego. – Também ouvi, pelo menos uma parte.
Ele balançou a cabeça.
– Não?
– Pensei em você o dia inteiro. Sei que a noite passada foi dolorosa, mas quero compensar…
Edie abriu um sorriso.
– Tomou banho? – perguntou ela, passando as mãos nos ombros dele.
Gowan estava nu e cheirava a amêndoas. Ela estava vestida. Havia algo bastante sedutor naquela situação.
– Claro – respondeu ele, baixando o corpo, mas equilibrando o peso nos braços.
Edie bem que gostara do cheiro anterior, de suor masculino e couro.
– Eu não me incomodaria se não tivesse – murmurou.
– Nunca procuraria minha dama sem tomar banho.
Bom, então estava resolvido.
Ela descobriu que Gowan tinha tantos músculos abaixo da base da coluna quanto no resto do corpo.
– Minhas ancas são macias demais – comentou ela. – As suas não.
– Sou um bruto musculoso.
Ele se virou de lado, enquanto apanhava um dos seios dela com uma das mãos.
– Se é um bruto, eu sou o quê? – provocou Edie, divertindo-se.
– Perfeita.
O beijo teve o efeito de um redemoinho: fez a cabeça de Edie girar até que ela se agarrou a ele, a respiração entrecortada, urgente. Parte dela se sentia pouco à vontade com o modo como as línguas se tocavam, mas outra parte apreciava. Ele ainda mantinha a mão no seu seio e a acariciava de tal forma – ao mesmo tempo rude e gentil – que ela não parava de emitir gritinhos. Gritinhos constrangedores.
Então Gowan voltou para cima dela e começou a lhe beijar o pescoço, descendo em seguida. Deslizou para baixo e sua boca encontrou um mamilo, sugando-o junto com o fino tecido da camisola. As unhas de Edie cravaram com força nos ombros dele e ela soluçou, porque estava muito bom. Chegou a tentar puxá-lo para cima, para que sentisse seu peso sobre ela, para que ele se esfregasse naquela parte dela, para que os joelhos dela pudessem abrigá-lo…
Sua mente era uma tempestade incoerente. Quando Gowan fez uma breve pausa, para passar ao outro seio, Edie teve um breve momento de clareza. Era estranho perceber que a camisola estava molhada. Não gostaria de ter algodão na própria boca, por mais limpo que estivesse.
– Gostaria que eu tirasse a camisola? – perguntou ela, olhando para a cabeça dele e sentindo uma pulsação de calor tão profunda que quase gemeu alto.
Gowan fitou-a com olhos tão escuros quanto os de um corvo. Momentos depois, ela estava despida, a camisola jogada perto da cama, e os dois, deitados lado a lado.
O calor subiu até as faces de Edie. Tinham ficado nus na noite anterior, então não deveria ser tão constrangedor posicionar seu corpo ao lado do dele. Porém, ela se sentia assim. Então ele tornou a beijá-la.
– Eu realmente… – começou ela, adorando o brilho nos olhos de Gowan.
Não estava bem certa do que queria dizer. Ela o amava? Soaria como um insulto dizer que gostava dele? Gostava dele. Começava a achar que ele nunca refletia sobre si mesmo, o que era um problema. Mas era como dizer que chocolate quente era marrom demais. Era delicioso, do início ao fim.
– Quero você – disse, ofegante.
Os olhos de Gowan se iluminaram como se fossem consumidos por chamas. Ele a fez deitar-se de costas, passou as mãos pelo corpo dela e a observou com tanta atenção que Edie não conseguia ver além de seus cílios espessos.
– Como estou? – sussurrou.
– Estava pensando que você se parece com aquele violoncelo que tanto ama. Vê as curvas aqui e aqui?
As mãos dele moldaram as colinas de seus seios, o ponto mais estreito da cintura e a generosa curva dos quadris.
– Eu nunca tinha pensado nisso – falou Edie, sentindo-se mais satisfeita com seu corpo.
– Você faz amor com aquele violoncelo, mas eu faço amor com você.
Ela ainda sorria quando os dedos dele se afundaram entre suas pernas. Percebeu que tinha ficado mais molhada, mais intumescida, do que quando se tocara. Era diferente quando ele a tocava. Seus próprios dedos tinham sido delicados, persuasivos, exploradores. Só que não havia nada de explorador na forma como ele a esfregava. Seu toque era uma ordem, à beira do doloroso, como se ela estivesse prestes a ser escaldada.
Edie contorceu-se, aquela mão transformando seu corpo em chamas.
– É tão bom… – murmurou ela, ofegante, e então arqueou-se novamente, perseguindo a sensação estonteante que fazia seus membros parecerem líquidos.
– Ainda vai ficar melhor – garantiu Gowan, a voz grossa, descendo sobre ela.
Não ficou.
Quando Gowan penetrou fundo, Edie ficou rígida de susto. Doía como o diabo. Talvez estivesse pior do que na véspera, pois ela se sentia em carne viva, como se…
Ela não sabia explicar. Escondeu o rosto no ombro dele e respirou fundo quando ele saiu, e então soltou um gemido quando ele voltou.
– É isso, Edie – disse ele, com a voz baixa e enérgica. – Deixe chegar.
No momento em que ela percebeu que ele tomara seu gemido como um sinal de prazer, já era tarde demais. Estava por cima dela, dando estocadas e mais estocadas.
– Você consegue, Edie – sussurrou ele. – Posso ficar assim a noite inteira se fizer diferença.
Edie não tinha percebido que se tratava de uma competição, embora a palavra não fosse apropriada, pois não havia ninguém com quem competir. Mesmo assim, ela entendeu que supostamente deveria se perder numa explosão de prazer, a petite mort. E aquilo estava tão perto de acontecer quanto a estalagem despencar em volta deles.
De qualquer forma, Edie tentou. Odiava a ideia de decepcionar Gowan. Tentou dobrar os joelhos, tentou arquear as costas. Percebeu que, quando descia um pouco, sentia menos pressão, mas a verdade era que o marido não cabia dentro dela.
Seu corpo tinha perdido toda a vibração daquele doce calor que sentira antes. Para ser sincera, ela estava à beira das lágrimas, o que não era bom. A respiração de Gowan ficou mais entrecortada. Uma gota de suor pingou no braço dela, que se encolheu, por reflexo.
Gowan acariciava seu seio e de vez em quando a beijava, mas tudo que ela sentia era uma vontade frenética de afastá-lo. Faria qualquer coisa para interromper a dor e a terrível sensação de estar sendo sufocada. Quando ele aumentou o ritmo, um grito escapou de seus lábios.
– É isso – sussurrou Gowan, dando-lhe um beijo que a fez sentir como se ele estivesse parabenizando uma parva que acabara de pronunciar sua primeira palavra.
Não ia conseguir continuar por muito tempo. Na verdade, por nem mais um minuto.
Se era uma competição, estava disposta a perder. Gowan poderia ser o vencedor. Ela precisava fazer com que ele saísse de dentro dela naquele instante. Havia uma ferocidade em seu olhar que prometia que ele seria capaz de prosseguir a noite inteira até lhe proporcionar o devido prazer.
Edie preferia morrer.
Layla contara que o orgasmo era barulhento, o que certamente não estava ocorrendo de sua parte, a não ser que ela começasse a gritar.
– Ah! – exclamou, mas aquilo não soou direito.
Parecia desconcertada, como uma matrona que encontra um vaso de flores quebrado no chão. Não tinha acertado o tom.
– Ahh… – tentou ela, um pouco mais alto.
Nunca se sentira tão ridícula na vida. Gowan havia abaixado o rosto e beijava o pescoço dela, então ela não teve como saber se ele acreditara nela. A mão dele ainda estava sobre seu seio. O polegar esfregava o mamilo, o que deveria ser bom, só que naquele momento nada era bom.
O coração dele batia com tanta força que provava que ele estava sentindo prazer, ainda que ela não. Edie jogou o corpo contra o dele, porque aquilo parecia diminuir a pressão e machucar menos. Então, lançou a cabeça para trás, exatamente como Layla havia feito, e se soltou.
Ela garantira que não dispunha de absolutamente nenhum talento para representar. Ao que parecia, no entanto, era boa o bastante.
Gowan balbuciou algo que parecia uma blasfêmia agradecida, respirou fundo e começou a se movimentar mais rápido. Depois de um tempo que pareceu durar um século, ela sentiu tremores tomarem conta do corpo dele. Um grunhido irrompeu de seus lábios, e então um emaranhado de palavras incoerentes.
Ela gostava desta parte.
Era maravilhoso ter a capacidade de fazer um sujeito tão poderoso e controlado se desmanchar em seus braços. O rosto se contorcia conforme ele se liberava, sem qualquer sinal do homem civilizado que era. Ela era a única mulher do mundo que presenciava aquilo.
Enquanto os outros viam apenas o duque, ela via um homem primitivo que se perdia em seu corpo. Na verdade ainda estava lá, dentro dela. Pensar em seu rosto fez com os músculos de suas partes se fechassem em torno dele, de súbito. A dor deixou de ser tão ardente por um momento e ela sentiu uma deliciosa sensação de plenitude.
Gowan se apoiou nos cotovelos.
– Meu Deus, isso foi bom, Edie. Preciso apenas de um momento – disse ele, ofegante.
Ao ouvir as palavras, Edie entrou em pânico. Suas partes internas já haviam sofrido muito. Ela o afastou com delicadeza e ele rolou para seu lado. Com certeza, a ferramenta dele já estava pronta para ser usada de novo.
Quando ela se olhou, desajeitada, percebeu que não tinha sangrado de novo, o que devia ser um milagre.
Gowan tomou-a, puxando-a contra seu corpo suado.
– Não preciso perguntar se foi bom para você. É tão apertada, tão quente…
– Ainda doeu um pouco – sussurrou ela.
Ele a banhou com tanta delicadeza que ela quase voltou a chorar.
Odiava mentiras. E a petite mort que nunca acontecera lhe parecia uma mentira enorme. Mas era só uma questão de tempo. Amanhã seria outro dia. Seria melhor. Gowan jogava água fria nela com delicadeza, deixando-a de novo agitada, ansiosa.
– Está bom – falou ela, sentando-se, para não correr o risco de que ele considerasse o movimento dos quadris dela sob seu toque uma forma de incentivo.
Gowan a beijou.
– Você se incomodaria se eu dormisse aqui?
Ela sentiu um rubor surgindo em sua face.
– É claro que não.
Foi difícil não sentir remorso na manhã seguinte. Os olhos de Gowan reluziam quando ele disse que a noite havia sido melhor do que seus sonhos mais loucos. Edie odiava o fato de ter mentido. Odiava.
Respirou fundo, pronta para confessar, quando houve uma batida leve à porta. Gowan exclamou “Entrem!” e lá veio Mary seguida, para seu horror, pelo valete de Gowan. E atrás deles criadas com bandejas de desjejum.
A chance havia passado. Edie mordiscou uma torrada enquanto Trundle arrumava o camisolão de Gowan e Mary preparava a toalete de Edie. Quando Gowan terminou de comer, saiu da cama e foi para seu quarto, onde poderia ouvir algum relatório sobre cercados para cavalo enquanto se vestia.
Edie argumentou consigo mesma que o casamento envolvia acordos.
Se não tivesse mentido… Sentia um aperto no estômago toda vez que pensava naquilo. Caso confessasse, ele poderia achar que ela era incapaz. E havia aquela palavra terrível: frígida. Fazia uma mulher parecer uma geladeira. E se ela fosse assim? E se não conseguisse produzir todo aquele barulho que Layla havia descrito?
Em condições normais, não era uma pessoa de fazer muito barulho.
Por outro lado, se contasse a verdade, Gowan a faria consultar um médico para entender por que tanta dor? Edie não conseguia se imaginar falando sobre o assunto com ninguém. Bem, ela poderia conversar com Layla, se ainda estivessem em Londres.
Era uma grande confusão.