A Torre do Amor

Eloisa James · Capítulo 42 de 47

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A Torre do Amor

Capítulo 40

 

Gowan talvez tivesse desmaiado por um momento, mas recobrou a consciência e descobriu que estava ajoelhado no chão, com Edie em seus braços, soluçando, apoiada em seu ombro.

– Não – sussurrou ele. – Não chore, mo chrìdih. Sinto muito – disse, abruptamente, a autorrecriminação tornando sua voz ainda mais rouca. – Eu não tinha a intenção de magoá-la.

Edie ergueu o rosto, e o coração dele se desarmou sob o olhar da esposa. O corpo ainda doía demais para permitir que ele se levantasse.

– Está ensopado!

Ela se afastou e voltou com uma toalha morna, que antes pendia diante do fogo.

Então começou a tirar as roupas encharcadas dele até ver o curativo nas costelas e ficar paralisada de horror.

– Fiz amizade com uma vala – explicou ele, levantando-se e terminando de se despir.

– Está doendo?

Ele fez que sim com a cabeça, pegando a toalha das mãos dela. Edie observou-o calada enquanto ele secava as pernas, o peito e os braços e esfregava bruscamente o cabelo antes de enrolar a toalha na cintura. Tinha uma ereção, claro. Nem prestava mais atenção nisso, não quando estava com ela.

No entanto, Edie recuou quando ele deu um passo em sua direção. Gowan parou.

– Não quis dizer que você não seria uma boa mãe, Edie. Você será uma mãe maravilhosa. Basta eu pensar em você com nosso filho nos braços e meu coração já se derrete.

Os olhos dela estavam fechados. Não era possível saber o que pensava.

– Eu nunca deveria ter combinado nada em relação a Susannah sem consultá-la antes, mas é que me pareceu uma solução inevitável. Mesmo assim, nunca mais farei nada parecido. Sempre lhe perguntarei sobre as mínimas coisas que possam ser do seu interesse.

Era um juramento.

– Susannah e Layla, e agora meu pai também, estão felizes – disse Edie. O som de sua voz musical atravessou-o como um ronronar alegre.

– Por favor, perdoe-me – pediu ele, dando mais um passo na direção dela, pois não conseguia se conter. – Sou um tolo de cabeça quente. Fui tomado pelo sentimento de fracasso. Eu me odeio por ter sido tão cruel.

– Você me falou apenas o que acreditava ser verdade. Ainda que esteja enganado quanto à minha capacidade para a maternidade. – Um pequeno sorriso iluminou seus olhos. – Susannah e eu passamos a nos entender muito melhor nas últimas duas semanas.

Era como uma adaga perfurando seu coração. Por que ele não ficara ali? Aquela era a sua família. Tinha sido um tolo por decidir ir para as Terras Altas enquanto seu coração, sua razão de viver, se encontrava ali.

Pigarreou, achando difícil formar palavras.

– Não houve nada de revoltante sobre a forma como descobriu o prazer, Edie. Foi a coisa mais linda que eu já vi. O único problema foi que descobri no mesmo instante que tinha falhado em lhe dar prazer antes. Sinto tanto em relação a isso…

Edie manteve os olhos cerrados.

– Realmente não quero falar sobre esse assunto, Gowan.

– Precisamos conversar – disse ele, desesperado. – Não posso permitir que vá embora, Edie. Não posso.

– Eu sei – concordou ela, inesperadamente.

– Sabe?

Edie assentiu.

– Você é bem-sucedido em tudo o que faz, Gowan. Agora precisa ser bem-sucedido na cama comigo, pois não suporta a ideia de fracassar. Ou – complementou ela, com um olhar mais sombrio – não pode permitir que lhe escape algo que você adquiriu.

– Eu estava louco quando falei isso. Deveria estar a seus pés, agradecendo-lhe por ter me aceitado. Em vez disso, fiquei me envaidecendo por tê-la comprado como se fosse apenas mais uma pluma do meu chapéu.

A expressão no rosto de Edie não se modificou, mas ele percebeu a dor no olhar dela.

– Não mereço você. – As palavras vieram do fundo do coração dele. – Fracassei na cama e depois a culpei porque eu estava envergonhado.

Finalmente, ela deu um passo na direção dele e pôs a mão em seu rosto.

– Não fracassou, Gowan. Não pode pensar assim. Simplesmente não somos compatíveis.

– Somos, sim – insistiu ele teimosamente.

– Você deve aceitar que às vezes o mundo não funciona do jeito que você deseja – disse ela com delicadeza.

Ele queria uivar ao ouvir aquilo. Do jeito que eu desejo? Com os pais que ele tivera… a cadela que ele não esquecia… o trabalho que nunca terminava. Sem Edie, enfrentaria dia após dia de trabalho duro e árido. O que nunca o perturbara antes parecia ter se tornado uma sentença para dez mil anos de solidão. Depois de conhecê-la e de amá-la.

– Por favor – implorou ele, rouco. – Dê uma nova chance para o nosso casamento, Edie. Por favor.

Houve um longo momento de silêncio, e então ela perguntou:

– Por que escalou a torre?

– Você não ia me deixar entrar e eu precisava estar com você. Simples assim.

Um sorriso estremeceu os lábios dela. Ele conseguia enxergar aquele beijo no canto da boca, aquele que ela nunca entregava, aquele que a tornava tão beijável.

– Se partir numa carruagem, irei atrás de você – prometeu ele, a voz baixa e tensa. – E, quando chegar em casa, se seu pai trancar a porta, escalarei as paredes até seu quarto. Não tem nada a ver com o que se passa na cama, Edie. Você é tudo o que existe para mim. Desde o momento que entrei no salão de baile e a vi, eu soube. – Gowan tomou as mãos dela e virou as palmas para beijá-las. – Não consigo viver sem você. É meu ímã, minha Estrela do Norte.

Com muita delicadeza, ele deu um beijo em uma das palmas dela e depois na outra.

Edie sentiu como se o tornado que era Gowan estivesse rodopiando em volta dela, aprisionando-a no coração silencioso da sua tempestade. Que mulher poderia resistir? Ela procurou lembrar as coisas que ele lhe falara e que partiram seu coração. Não se recordava de nada… com uma exceção.

Baixou os olhos enquanto procurava uma forma de dizer o indizível.

– Não – sussurrou ele.

Colocou as mãos nas costas dela, trazendo-a para perto de si.

– Não me afaste.

– Precisa ser dito.

A voz dele estava infinitamente carinhosa.

– O quê, mo chrìdh?

– Acho que não conseguirei ser o que deseja na cama – afirmou ela, sendo sincera. – Talvez se estiver bêbada. Mas realmente… não quero beber tanto vinho. Fiquei doente depois que partiu, estava péssima no dia seguinte e não consigo tocar quando me sinto assim.

– Descobri que minha relação com a bebida é complicada – disse ele, envolvendo-a com seus braços. – Quando você ficou meio alegre… eu me zanguei por causa das lembranças de minha mãe.

Era bom estar nos braços de Gowan. Quando Edie olhara para baixo e o vira escalando a torre, seu coração quase havia parado. A simples ideia a fez se aproximar mais dele, envolvendo sua cintura, descansando o rosto em seu ombro, aconchegando-se. Com os braços de Gowan em torno dela, parecia que o mundo tinha voltado ao normal.

– Não gosto do excesso de bebida e se essa é a única forma de apreciar nossas atividades na cama… não posso fazê-lo. Sinto muito.

– Se nunca mais quiser ir para a cama comigo, eu aceito – murmurou ele, beijando o alto da cabeça de Edie. – Machuquei-a e fracassei em lhe dar prazer. A única coisa que não posso admitir é sua partida.

Naquele momento, ele provavelmente acreditava no que dizia, mas estava errado. Edie conhecia seu escocês. Gowan passaria o resto da vida tentando lhe dar prazer. Pensou nisso e sentiu seus lábios se curvarem. Não era algo que faria muitas mulheres reclamarem.

E ela estava inteiramente consciente de que abraçava um corpo masculino forte e nu. Ele não indicava que havia alguma parte minimamente rígida, mas Edie conseguia perceber sob a toalha.

Suas mãos apertaram a cintura dele. Porém, ela permaneceu paralisada, com medo de agir, de prometer algo que não poderia cumprir. Gowan esperaria que ela tivesse aquele ápice de prazer. A simples ideia fazia a tensão em seu peito aumentar.

– Shhhh – sussurrou ele, a mão grande fazendo círculos carinhosos em suas costas. – Não temos que fazer nada, Edie. Provavelmente nem devemos. Meu pulso está machucado.

– Não é apenas o pulso. Também tem as costelas rachadas.

– Não doem tanto. Bardolph avisou que você ia me deixar. Eu precisava vir. – Ele levantou o queixo dela para que seus olhares se encontrassem. – Eu escalaria essa torre de novo, Edie. Na mesma hora.

Uma sensação de paz tomou conta dela. Gowan estava vivo, não morto numa vala nem caído aos pés da torre. O que Edie teria feito se ele tivesse despencado? A ideia era tão aterrorizante que seu coração deu um salto e ela virou os lábios na direção do pescoço dele.

– Edie, minha querida – murmurou ele, com a voz um pouco estrangulada.

– Lembra-se da última vez que fomos para a cama e você disse que o problema era meu?

Ele assentiu.

– E então, depois falou que eu ficava ali deitada como uma panqueca… Mas sejamos justos, Gowan, você me mandou ficar deitada.

Ele pigarreou.

– Eu devia dar um tiro em mim mesmo por causa desse comentário. Meu pai falava essas coisas sobre as mulheres. Eu estava tão furioso que me transformei nele por um momento.

Seus olhos ficaram escuros de remorso.

– Não quero que você se concentre em mim. Não quero ter que me preocupar se vou ou não conseguir chegar à petite mort.

– O que gostaria?

– Gostaria de explorá-lo. E não quero que toque em mim, não desse jeito. Só esta noite? – perguntou ela. – Por favor? É muita pressão.

– Nunca quis que sentisse nada além de prazer.

Linhas austeras formaram-se perto da boca dele.

– Então deixe que eu decida o que vamos fazer. Posso não me preocupar em ter sucesso, apenas desta vez?

Gowan segurou o rosto dela entre as mãos.

– Não existe sucesso ou fracasso entre nós, Edie. Eu amaria você mesmo se nunca mais fôssemos para a cama.

O sorriso dela vacilou.

– E se eu nunca for boa na cama? Você não vai…

Ele balançou a cabeça, sem tirar os olhos dela.

– Não é uma questão de sucesso ou fracasso. O amor não mede essas coisas, e sim a gentileza. E eu fracassei com você nesse aspecto.

– Não, não fracassou – disse ela, arfante. – Amo você.

A alegria que encheu os olhos dele foi tão sensual que ela tomou a cabeça de Gowan em suas mãos e trouxe os lábios dele para junto dos seus. Quando se afastaram, a respiração de Edie estava entrecortada e ela percebia que o peito dele também se erguia e se abaixava com rapidez.

– Devo me banhar primeiro – falou ele, rouco. – Vou ao castelo e…

– Você está cheirando a chuva, couro e um pouco de suor – declarou ela, lançando-lhe um olhar lânguido e lascivo. – Gosto disso. Mais do que de sabonete de amêndoas. Você cheira a… homem. Isso me dá vontade de lambê-lo. Inteiro.

Gowan praguejou, mas conseguiu se conter e não se jogar sobre ela. A alegria era como ferro em brasa. Queria uivar para o céu, ajoelhar-se, jogar-se…

Não.

– Farei o que você quiser.

– Se vai haver lambidas – continuou Edie –, será por minha conta. Não pode me tocar dessa forma até amanhã à noite.

Um olhar de quase agonia tomou conta de Gowan.

– Não posso tocá-la durante toda a noite e o dia?

– Não, a menos que eu lhe dê permissão.

Ele cerrou seus longos cílios, mas Edie percebeu um brilho de satisfação.

– E não permitirei – declarou ela. – Prometo que tentaremos de novo amanhã à noite. Prometo, Gowan. Por agora, quero esquecer tudo isso.

– Como quiser – concordou ele, com uma levíssima relutância ao pronunciar as palavras.

No entanto, ela não se preocupava em confiar que ele mantivesse sua promessa. Poderia voltar a perder a cabeça algum dia – e ela ainda precisava deixar claro como isso seria desagradável –, mas nunca seria infiel, nunca seria desleal.

Com o sorriso mais feliz que ela vira, ele disse:

– Faça o que quiser comigo.

Edie sentiu uma onda de excitação. Era como nos sonhos que tinha, em que Gowan não fazia amor com ela, mas, ao contrário, ela é que tomava a iniciativa. Naquele momento ele estava absolutamente quieto, com as mãos nos quadris e um sorriso no canto dos lábios. Os ombros suaves, um deles marcado por uma mancha escura, levavam a músculos fortes que cruzavam seu peito, pontuado por mamilos pequenos e achatados. Logo abaixo, encontrava-se o curativo envolvendo firmemente as costelas. Os músculos do abdômen encontravam-se perfeitamente alinhados. Uma fina linha de pelos descia do meio da barriga e desaparecia sob a toalha. E por toda a parte havia arranhões e hematomas.

Embora seus olhos estivessem acesos de desejo, Edie sabia que ele não se moveria até que ela lhe desse permissão. E ela estava se divertindo. Devagar, recuou, com os olhos vagando para cima e para baixo por todo o corpo dele, até alcançar a cama. Gowan não disse nada, só esperou. Era a experiência mais erótica que Edie já vivera, saber que aquele homem poderoso e magnífico estava inteiramente à sua disposição.

Se ela o mandasse ajoelhar, ele se ajoelharia. Não que ela quisesse isso, mas o poder que tinha sobre ele era atordoante. Lambeu os lábios, e os olhos dele acompanharam o gesto. Uma onda de fogo desceu por suas pernas. Juntou os joelhos com força, pensando no que viria a seguir.

– O que deseja que eu faça? – A voz grave dele interrompeu os pensamentos dela. Os dedos dele estavam na toalha. – Gostaria que eu tirasse?

Edie respirou vacilante e assentiu lentamente.

Gowan jogou a toalha longe e era melhor do que ela se lembrava. Sua parte íntima era longa e grossa. Ela queria…

O que ela queria?

– Faça o que quiser, minha dama. Qualquer coisa mesmo.

A voz dele a envolvia como se fosse veludo.

Ao mesmo tempo, Edie sentia que sua mente começava a interferir no seu prazer. O que deveria fazer?

Gowan devia ter percebido a incerteza em seus olhos, pois deu a volta até o outro lado da cama e se esticou.

– Está vendo. Não toquei em você.

Ela assentiu.

– Mas será que gostaria de tirar seu robe?

Edie não tinha certeza disso.

– Não tocarei em você – disse ele, acrescentando a seguir: – A menos que me peça, é claro.

Ela conseguiu se recompor. Podia tirar o robe, pois era esquisito ficar vestida ao lado de um homem nu, especialmente quando o homem nu, no caso, era seu marido. Parecia errado. Então ela tirou o robe e ficou apenas de camisola. Em seguida, antes de pensar de novo, ela tirou a camisola e jogou-a num canto.

Para seu completo terror, o desejo nos olhos dele desapareceu imediatamente e seus lábios soltaram uma praga.

Edie olhou para si mesma.

– Qual é o problema?

– Posso ver suas costelas! – Ele saltou da cama e as mãos passaram pelo corpo dela logo abaixo dos seios. Então a puxou contra si, envolvendo-a em seus braços. – Nunca mais vou deixá-la.

Era um juramento.

– O que quer dizer?

O coração de Edie batia com força e não era por causa de uma expectativa agradável. Ela se inclinou para trás para ver melhor o rosto dele.

– Layla me contou que você estava sem comer.

Gowan ficara pálido como um fantasma, a voz rouca.

– Eu…

Um olhar de puro pânico apareceu no rosto dele.

– Preciso alimentá-la.

Naquele momento, Edie começou a se divertir. Não tinha prestado muita atenção no fato de ter perdido peso, embora houvesse percebido que seu busto diminuíra um tanto. Os vestidos de Layla definitivamente não serviriam mais nela.

– Tem comida lá embaixo?

Ela assentiu.

– Bardolph sempre deixa comida para o caso de uma enchente ou de os lacaios não conseguirem me alcançar por algum tempo.

Gowan deixou-a e desapareceu nu em pelo, escada abaixo.

– Que bom que não permito que os lacaios fiquem na torre – balbuciou Edie para si mesma.

Dirigiu-se a uma poltrona perto do fogo, cruzando as pernas recém-esguias e pensando no que aconteceria em seguida.

Não pensou por muito tempo, pois Gowan logo voltou ao aposento com um prato. Segurou Edie e colocou-a em seu colo. Estava nua, a não ser pelos chinelos, extremamente elegantes, decorados com finas fitas cor-de-rosa. Ela estendeu a perna e mexeu com os dedos do pé.

– O que acha dos meus novos chinelos, Vossa Graça? Foi um presente de Layla.

Gowan nem olhou.

– Abra a boca.

Contra todas as expectativas, ela estava se divertindo mais do que em qualquer outro momento de sua vida.

– Que tipo de alimento está me dando?

– Não sei. Encontrei na mesa da cozinha.

– Bolinhos de maçã! – exclamou Edie. Tinham o formato de uma florzinha no topo. – Não são lindos?

– Abra – repetiu ele.

Edie abriu a boca, obediente, e ele colocou o bolinho lá dentro. Baixou o prato e abraçou-a, apertou-a com força contra si. Layla tinha razão: Edie perdera o interesse pela comida nas semanas em que Gowan ficara longe, mas naquele momento o sabor do açúcar com canela estava maravilhoso. Seu apetite voltara.

– Prometeu não me tocar a não ser que eu pedisse – observou ela, depois de engolir. – Descumpriu sua palavra. Há alguma penalidade?

– Não estávamos fazendo amor naquele momento – argumentou Gowan.

Ele pegou mais um bolinho, respirando com dificuldade, por estar forçando as costelas.

– Não permitirei que passe fome.

O tom de voz dele era feroz e Gowan voltava a ser possessivo, mas de algum modo aquilo parecia certo.

Depois de três bolinhos, ela estava satisfeita. Levantou-se do colo dele e apontou para a cama. Ele ficou de pé, enorme diante dela.

Edie olhou e gostou do que viu. Gowan ficara alarmado por sua drástica perda de peso. O rosto permanecia tenso, a boca era uma linha firme. Descobrira algo a respeito do duque de Kinross. Quando estava com medo, explodia de raiva.

Mas, zangado ou assustado, ele ainda a amava.

Ela poderia pensar sobre isso mais tarde, porém, porque os olhos dele fitavam algum lugar abaixo de seu rosto. A boca ficou tensa quando olhou para as costelas. Então as mãos desceram até o tufo louro de pelos entre as pernas dela, a curva das coxas e, por fim, os delicados chinelos.

Quando voltou a encará-la, seus olhos pareciam famintos de novo.

– Gosto de seus chinelos. E você tem os tornozelos mais lindos que já vi. – Ela notou um movimento na garganta dele, enquanto engolia em seco. – Posso beijá-la, Edie?

Ela fez que não com a cabeça, divertindo-se bastante.

– Suas pernas?

A voz dele parecia um pouco desesperada.

– De maneira nenhuma – respondeu ela.

E apontou de novo para a cama. Dessa vez, foi ela que o comeu com os olhos, porque o coração dela bateu acelerado quando ela olhou para o dorso musculoso do marido. Para aquelas pernas compridas.

Gowan deitou-se na cama como um homem acostumado a se oferecer para as mulheres. Edie tirava forças da lembrança de que, apesar de clamar posse, ele também era dela, e apenas dela. Nunca havia tocado outra mulher. Mulher alguma o tocara.

Edie subiu na cama e ajoelhou-se ao lado dele, beijando-lhe a testa, as faces, o nariz, os lábios. Investigou os pelos da barba dele com a língua, voltou para a boca e vagou até a clavícula.

Então afastou-se e começou a passar as mãos em áreas que lhe despertavam a curiosidade. Derramou beijos em todo o seu peito de guerreiro ferido. Viajou dos punhos até os ombros e depois para a barriga, explorando a pele macia que abrigava força pura, e a forma como ele gemia, como começava a tremer.

Gowan não se mexeu. Deixou que ela o explorasse como se fosse um novo instrumento, acariciando, inspecionando, experimentando.

Palavras escaparam da garganta de Gowan, a princípio sons ininteligíveis e, por fim, juramentos. Edie abaixou a cabeça para que ele não pudesse perceber que ela estava sorrindo. Era a experiência mais excitante que já vivenciara, ver um homem maravilhoso, enorme, ofegante de desejo, porém sem ousar tocá-la. Nem quando ela passou os lábios nos pelos das coxas dele.

As mãos dele saíram de trás da cabeça e se enfiaram no lençol, mas ele não a tocou.

Todos os gemidos e palavras emitiam um pulso de energia que a atravessava e terminava entre suas pernas. E cada um de seus toques, de seus beijos e até – uma vez ela ousou ser audaciosa – suas lambidas e mordiscadas aqueciam o próprio corpo até seu coração bater quase tão rápido quanto o dele e o ar ficar preso em sua garganta.

Ela envolveu-o com a mão e experimentou aquela dureza aveludada.

– Sonhei com isso – disse Gowan, rouco.

Edie o olhou. Pensou que poderia beijá-lo como ele fizera com ela e que ele gostaria daquilo.

Ela o agarrou com mais força e os quadris dele se ergueram.

– Maldição – falou, ofegante. – É muito bom.

Tinha sonhado com ela. Edie estava começando a sentir que a simples visão dele era um ataque sensual. Sentiu-se indócil e faminta, como se seu corpo estivesse pulsando em um ritmo que ela mal compreendia.

– Embora eu não possa tocá-la, você pode se tocar, Edie.

A voz dele era hipnótica.

Edie franziu a testa. Ele estava tentando virar a mesa. Antes que Gowan pudesse voltar a falar, ela se curvou e envolveu aquela parte dele com os lábios e retomou o controle.

Um grito saiu da boca dele. Ela teria sorrido, mas estava ocupada demais passando a língua nele. Durante todo o tempo suas mãos se moviam nas pernas dele, acariciando-lhe as coxas. Edie descobria que podia fazê-lo rugir, e os rugidos dele a deixavam úmida e ainda mais indócil.

– Precisa parar – gemeu ele, um momento depois, a voz transtornada pelo desejo. – Edie.

Ela ergueu a cabeça. Sentia que seus lábios estavam um pouco inchados, então fez um biquinho, e os olhos deles ficaram mais escuros.

– Não consigo mais fazer isso – confessou ele com dificuldade.

Cada músculo de seus braços e de seu peito estava rígido.

– Adoro saber que posso fazer você implorar. Está implorando?

– Estou. Preciso tocá-la – pediu ele sem sorrir, as palavras explodindo na boca. – Não é assim que deve ser. Por favor, Edie, por favor.

Edie desejava tanto o toque dele que percebia quanto a própria mente estava confusa e nem conseguia mais se lembrar do que havia exigido. A mão dela passava sobre os músculos do abdômen, mas talvez…

– Edie!

Ela sentia como se tivesse bebido uma garrafa inteira de champanhe. Baixou a cabeça e lambeu o mamilo dele.

– Humm…

– Por favor, Edie.

Ele estava implorando. Aquele homem a quem ela amava mais do que qualquer outro no mundo.

Claro, ela sempre faria o que ele quisesse.

– Como queira – disse ela, dando uma mordidinha no mamilo dele, só porque lembrou que ele…

Ele virou-a tão depressa que o cabelo se enrolou em volta dos ombros e desceu como uma nuvem.

– Você é tão bonita, Edie, maldição… – balbuciou ele.

Uma das mãos desceu por seus seios, sobre seu mamilo enrijecido, até sua barriga chata, e então mergulhou entre suas pernas. Edie abriu os olhos e ficou boquiaberta.

Quando passou um dedo entre as pernas dela, os dois sentiram como ela estava molhada, intumescida e apertada.

Gowan gemeu. Ela não emitiu nenhuma palavra, porque um calafrio que percorria seu corpo inteiro diante do simples toque dos dedos dele atravessava-a de novo e de novo. Ele mexeu os dedos e voltou, onda após onda, até que ela começou a se sacudir. Uniu os joelhos, apertando-os, e gemeu, pedindo sem nada falar, mais dele, mais daquilo.

– Tentei aprender como fazer as mulheres gozarem – sussurrou ele perto da boca de Edie. – Lá nas Terras Altas.

Todo o ser de Edie se concentrava no que ele fazia com a mão. Sentia-se como se… Escondeu o rosto no ombro dele. Parecia que ia perder o controle, que seu rosto ia se contorcer ou que ela ia soltar algum grito ou coisa parecida.

– Edie!

A mão de Gowan ficou paralisada e depois de um segundo ela o encarou.

– Hummmm?

– Fui a um pub, o Devil’s Punchbowl.

Ela olhou para ele. O rosto era tão belo que ela se inclinou para capturar sua boca.

No entanto, Gowan era acima de tudo teimoso.

– Preciso contar. Fui ao pub para procurar uma garçonete que pudesse me ensinar sobre o corpo de uma mulher, sobre o que faz uma mulher ser feliz na cama.

Demorou um momento, mas então as palavras ganharam sentido. E, ainda que Edie não fosse do tipo de pessoa que costumava gritar, ela gritou:

– O quê?

– Uma garçonete me levou até o andar de cima.

Edie saiu da cama em um segundo.

– Não fez isso!

– Fiz.

Gowan não demonstrava estar particularmente arrependido. Rolou na cama e ficou de pé diante dela. Edie respirava depressa, os punhos cerrados, tentando entender.

– Você queria resolver um problema – disse ela, o peito doendo com a verdade, embora compreendesse.

Gowan, por natureza, gostava de resolver problemas.

Ele assentiu e então deslizou as mãos em volta dela. Ficaram juntos, nus, o rosto dele mergulhado no cabelo dela.

– Não consegui. Nunca tive a intenção de me deitar com ela, mas pensei que poderia perguntar do que ela gostava… talvez até lhe pedir que fizesse… uma demonstração.

Um calafrio involuntário de desgosto percorreu o corpo de Edie, mas ela não falou nada.

– Não consegui – sussurrou ele, puxando-a para junto de si com força. – Depois de um momento naquele quarto, percebi que não ligava a mínima para o que excitava aquela moça. E com certeza não queria que ela me demonstrasse nada. Antes que pudesse impedir, ela abriu o corpete.

– O que você fez?

– Olhei para o outro lado.

Edie sentiu-se como se tivesse entrado num aposento quente depois de ficar na chuva gelada. O calor cobriu sua pele.

– A jovem ficou surpresa?

– Ela concluiu que eu sentia atração por homens – relatou Gowan, soando um tanto magoado. – E me passou um sermão sobre como não havia nada que ela pudesse fazer por mim. Ofereci-lhe dinheiro, mas ela argumentou que sentia pena demais de mim para aceitar.

Edie deslizou os braços em torno da cintura dele e tentou conter o riso por um momento, sem nenhum sucesso.

– O que estou dizendo é que sou um parvo, Edie, mas sou o seu parvo. Ainda não entendi o que fiz de errado, mas estou implorando por mais uma chance. Você… – Ele parou por um momento e então continuou. – Você é a única para mim, Edie, e sempre será. Não quero pensar no prazer de outra mulher, nem ouvir, só quero saber do seu. Se me permitir, passarei a vida inteira tentando fazê-la feliz.

Era assombroso como as lágrimas podiam substituir o riso tão rapidamente.

– Ah! – sussurrou Edie. – Ah, Gowan, eu amo tanto você!

As mãos grandes dele desceram-lhe pelas costas.

– Mesmo eu sendo um idiota?

Edie se afastou apenas o suficiente para encará-lo.

– Somos dois idiotas – disse ela com firmeza. – Quando ficou zangado… com motivos… porque eu menti, desmoronei. Preciso ter mais força. Deveria ter sido honesta desde o início, mas tenho um impulso, um costume, de apaziguar tudo. Foi uma estupidez.

Ele segurou o rosto dela junto ao dele e lhe deu um beijo muito doce.

– Tenho certa noção de como deve ser tempestuoso o casamento de seu pai.

– Não sei administrar bem a raiva – admitiu Edie, na ponta dos pés para devolver-lhe o beijo. – Acho que jamais saberei.

Com os olhos fixos nos dela, Gowan se ajoelhou como havia feito na sala de visitas de Fensmore. Levou a palma da mão dela a seus lábios.

– Juro nunca mais gritar com você. Eu juro.

A alegria era mais poderosa do que o vinho no corpo de Edie, mais quente do que o sol. Ela também se ajoelhou.

– Prometo nunca mais mentir para você. É meu juramento. E nunca amarei ninguém como eu o amo. Acho que nossos destinos estavam traçados desde a infância.

Gowan soltou um som incompreensível.

Edie inclinou-se para a frente.

– Amo você, Gowan. Do jeito que é: com mania de resolver problemas, brilhante, controlador, belo, poético. É um poeta quando não está dando ordem aos meirinhos.

– E eu a amo, moça. – O sotaque ficou mais marcado. – Você é meu coração, Edie. Meu tudo.

Lágrimas rolavam pelo rosto de Edie e Gowan as beijava. Então, de algum modo, acabaram na cama.

– Não mereço você – declarou ele, rouco. – Não mereço o amor que me dedica apesar de eu ser um…

Edie o interrompeu com um beijo.

– Você sobreviveu – falou ela. – Amo você do jeito que é porque não apenas sobreviveu, mas triunfou. Todas essas pessoas dependem de você, Gowan. Você poderia ter sido igual a seu pai, mas não foi. E nunca será.

Gowan não escutava nada, mas ela poderia repetir tudo duzentas, trezentas vezes pelos próximos cinquenta ou sessenta anos, até que um dia ele compreendesse.

– Posso tocá-la, Edie? – perguntou ele, com os olhos cheios de desejo.

O coração dela estava tão aberto, tão grande, que ela não hesitou.

– Nós dois – permitiu ela, procurando por ele.

Eram lenha para a fogueira. Ele desceu beijando o corpo dela, pôs a boca nos pontos mais delicados e lambeu-a até que ela sentisse o sangue latejar. Até fazê-la gemer e gritar. Até que os dedos dele a explorassem de tal forma que ela gritasse, arqueando o corpo na cama.

Só que ele não parou, não até que os dois descobrissem que Edie podia gozar de novo e de novo… mas, àquela altura, ela estava enlouquecida de desejo e seus pedidos fizeram Gowan perder a cabeça.

– Podemos? – perguntou ele com a voz grave e baixa, quando se encontrava tão dominado pelo desejo de estar com ela da forma mais profunda possível que mal conseguia se conter.

Edie soluçou sem palavras, puxando-o para junto de si. Gowan afastou suas pernas, apoiou-se e entrou.

Não doeu. Nem um pouquinho. Havia apenas a inebriante sensação de plenitude… e era Gowan dentro dela.

Ele não se mexeu, esperando.

– Está doendo? – indagou.

Naquele momento, Edie soube que, se ela sentisse a menor pontada, ele recuaria. A ideia – sua preocupação, seu controle – a fez se sentir consumida em chamas.

Fez que não com a cabeça, agarrou os braços dele e abriu a boca, mas, naquele exato momento, ele saiu e voltou a entrar. Beijou-a com tanta força que o grito dela foi silenciado. Então, de repente, aqueles sentimentos – aquela explosão incontrolável de calor e emoção – tornaram a agitar seu corpo.

Gowan afastou a boca e olhou para a esposa, assombrado. Edie arqueava-se contra ele, o corpo trêmulo, os olhos bem fechados. O cabelo estava mais escuro por causa do suor, como a palha da seda na chuva.

Ele sentiu uma alegria atravessar seu corpo, uma alegria que nunca acabaria. Então se posicionou e começou uma série de estocadas, sem parar. Os olhos dela se abriram de súbito e ela arquejou:

– Você consegue sentir se eu fizer isso?

– Diabos – gemeu ele, pois conseguia sentir exatamente o que ela fazia. – Se fizer isso, Edie… não faça! Vou perder o controle.

Ela riu e não obedeceu. A cada pressão de seus quadris ela se erguia para encontrá-lo, as coxas presas no corpo dele. Ela o agarrava por dentro, repetidas vezes. Gowan não conseguia deixar de investir com mais força, batendo, lançando-se mais próximo de algo que era quase assustador em sua intensidade.

Então Edie abriu os olhos de novo, aqueles belos olhos verdes, e balbuciou:

– Gowan.

A voz dela parecia desesperada e o desejo ardia dentro dele.

– Você…

Ele se apoiou nos braços, abaixando-se para dar um beijo nos lábios dela.

– Diga – conseguiu pronunciar.

As mãos de Edie deslizaram pelas costas dele até o traseiro, puxando-o com mais força. Ele jogou a cabeça para trás. Mal conseguiu ouvir Edie dizer seu nome e então ela o prendeu de novo, de um jeito mais forte e mais doce do que ele poderia imaginar. Seu corpo inteiro tremia debaixo do dele e ela gritava…

Algo em Gowan se libertou. O corpo dele se consumiu em chamas enquanto ele a penetrava.

Ela é todos os estados, e todos os príncipes. Nada mais é assim.

Edie soluçou. Gowan jogou a cabeça para trás, rugiu e se deixou levar, dando a ela tudo o que tinha.

Ela devolveu, e devolveu outra vez.

Brilhe para nós, pois estás em toda parte.

Este leito é teu centro, as paredes sua esfera.