A Torre do Amor
Capítulo 1
2 de maio de 1824
Curzon Street, 20, Londres
Residência do conde de Gilchrist
Sempre que possível, Gowan Stoughton de Craigievar, duque de Kinross, chefe do clã dos MacAulays, evitava ambientes lotados de ingleses. Eles só sabiam fazer mexericos e tinham mais cera no ouvido do que miolos na cabeça, como o pai teria dito.
Embora Shakespeare tivesse dito algo do tipo antes.
No entanto, lá estava ele, prestes a entrar em um salão de baile no coração de Londres, em vez de lançar o anzol em algum riacho das Terras Altas, como preferiria. Era um fato desagradável, mas inevitável da vida – ou, pelo menos, da vida dele: a pesca de uma esposa prevalecera sobre a pesca de salmão.
No momento em que seu nome foi anunciado, um grupo de moças virou em sua direção, cada rosto exibindo dentes reluzentes. Para Gowan, todas pareciam constipadas, embora aqueles sorrisos provavelmente fossem uma reação automática ao seu título. Ele era, afinal de contas, um nobre solteiro de posse de todos os membros. Também tinha cabelo, em mais quantidade do que a maioria dos ingleses. Isso sem falar de um castelo.
Os anfitriões, o conde de Gilchrist e a esposa, esperavam ao pé da escada para evitar que as jovens dessem o bote no mesmo instante. Gowan gostava de Gilchrist – ele era austero, mas justo, dono de um olhar melancólico, quase escocês. Os dois se interessavam por negócios, ao contrário da maior parte dos cavalheiros, e o conde era um investidor excelente. Como Gowan era dirigente do Banco da Escócia e Gilchrist ocupava o mesmo posto no Banco da Inglaterra, eles se corresponderam bastante durante os dois anos anteriores, embora raramente tivessem se encontrado.
– Vossa Graça, eu poderia ter a honra de lhe apresentar minha condessa? – perguntou Gilchrist, conduzindo a dama para a sua frente.
Para a surpresa de Gowan, a condessa era visivelmente mais jovem do que o marido, talvez ainda se aproximando da casa dos 30 anos. E mais: tinha lábios carnudos e seios exuberantes, emoldurados por um corpete feito de seda rosa-clara. Parecia uma daquelas aristocratas que tentavam imitar os trajes e os modos de uma bailarina.
Gilchrist, por sua vez, lembrava um clérigo rigoroso. Não havia como ser uma combinação harmoniosa. Marido e mulher deveriam ter idades e interesses compatíveis.
A condessa ficou falando de Edith, sua enteada, por isso Gowan fez um meneio de cabeça e expressou seu prazer inenarrável diante da ideia de ser apresentado à jovem.
Edith. Que nome horrível.
Parecia o nome de uma mulher linguaruda. Uma desmiolada, uma orelhuda… uma inglesa.
Sem avisar, lady Gilchrist o tomou pelo braço para que ele pudesse acompanhá-la ao cômodo adjacente. Por pouco Gowan não deu um pulo. Na juventude, os criados costumavam orbitar à sua volta, ajustando-lhe a roupa, arrumando o colarinho, limpando sua boca. Desde que completara 14 anos, ele não se submetia mais àquelas intimidades, a não ser quando eram absolutamente requisitadas.
Como passava poucos momentos sozinho, Gowan preferiu erguer um muro entre ele e o mundo. Não lamentava a falta de privacidade. Achava que seria um desperdício de tempo vestir-se sem ouvir simultaneamente o relatório de seu secretário, por exemplo. E se havia algo que Gowan detestava era perder tempo.
O tempo se perdia sozinho, na sua opinião. Passava depressa demais, e de repente a pessoa caía dura, morta, e tudo o que ela vivera simplesmente desaparecia.
Seria tolice fingir que os momentos vividos eram infinitos e eternos, e era justamente isso que, para ele, as pessoas faziam quando se demoravam na banheira. Ou quando ficavam horas sem realizar nada, apenas lendo poesia. Gowan estava acostumado a fazer o maior número possível de coisas ao mesmo tempo.
Na verdade, o baile era um bom exemplo disso: antes de viajar para encontrar um grupo de banqueiros em Brighton, no dia seguinte, ele quisera saber a opinião de Gilchrist sobre um problema espinhoso relacionado à emissão da nota de 1 libra. Gilchrist ia oferecer um baile que contaria com a presença de jovens damas. E Gowan sentia uma necessidade intensa – não desesperada, mas intensa – de encontrar uma esposa.
E lá estava ele: matando dois coelhos com uma cajadada só. Preferia matar três ou quatro, mas às vezes era obrigado a se contentar com pouco.
O único problema era que o lugar estava repleto de damas inglesas, e ele concluíra que não seria uma boa ideia se casar com nenhuma delas.
Era verdade que um nobre escocês sempre tinha bons motivos para se associar a uma das grandes casas da Inglaterra.
Mas também era verdade que uma garota inglesa era, necessariamente, inglesa.
Era uma raça indolente, todos sabiam. As damas passavam o tempo todo sem fazer nada além de sorver xícaras de chá e ler romances, enquanto as escocesas, por outro lado, não viam problema em cuidar de uma propriedade com mil ovelhas e ao mesmo tempo criar quatro filhos.
Sua avó trabalhava do alvorecer até o crepúsculo sem se queixar. A leitura, dizia ela, devia existir apenas para o aprimoramento da mente. A Bíblia e Shakespeare, além de alguns ensaios de Montaigne, se houvesse a necessidade de alguma leveza. A falecida noiva dele seguia o mesmo molde, o que fazia sentido, pois sua avó arranjara pessoalmente o casamento. A Srta. Rosaline Partridge morrera de uma febre contraída durante visitas aos pobres… A virtude, no caso dela, em nada lhe compensara.
Gowan considerava a diligência um dos principais requisitos para uma noiva (além dos óbvios: beleza, pureza e boa educação). A futura duquesa de Kinross não poderia perder tempo.
Lady Gilchrist o arrastara pelo salão de baile até um aposento menor. Depois de uma rápida análise, Gowan concluiu que, em matéria de riqueza e título, nenhum solteiro presente era páreo para ele. Aliás, era provável que houvesse apenas três outros no seu nível em toda Londres.
Assim, ele não precisava desperdiçar tempo cortejando uma dama depois de já ter feito sua escolha. O casamento era um mercado como outro qualquer. A partir do momento que encontrasse a mulher certa, ele simplesmente daria lances superiores aos de seus rivais.
A condessa levou-o para um canto do aposento e parou diante de uma moça que apresentou como sua enteada.
Foi o tipo de momento que separa o passado do presente e que transforma o futuro para sempre.
Lady Edith não se encaixava naquele abafado salão de baile inglês. Havia algo de etéreo nela, como se sonhasse em construir seu lar ao pé de uma colina habitada por fadas. Tinha os olhos verdes, profundos e escuros como um lago num dia de tempestade.
Era deliciosamente curvilínea e seus cabelos reluziam como pomos de ouro ao sol. Os fios estavam presos em cachos no alto da cabeça e tudo o que Gowan queria era desmanchar o penteado e fazer amor com ela em uma cama de flores.
Mas foram os olhos dela que o enfeitiçaram: encontraram os dele deixando transparecer um desinteresse cordial, uma paz sonhadora, sem qualquer sinal do entusiasmo febril com que ele estava acostumado a ser encarado por outras jovens solteiras.
Gowan não se considerava um homem propenso aos prazeres carnais. Um duque não tinha o direito de sucumbir ao desejo.
Observara com perplexidade conhecidos seus caírem aos pés de mulheres com sorrisos atrevidos e traseiros arredondados. Sentira pena, assim como sentia do conde e de sua esposa exuberante.
No entanto, ao olhar para lady Edith, o amor e a poesia passaram a fazer sentido. Uma frase lhe veio à mente como se tivesse sido escrita para descrever aquele momento: nunca vi verdadeira beleza até esta noite…
Talvez Shakespeare servisse para alguma coisa, afinal.
Os lábios rosados de lady Edith se curvaram para cima num sorriso. Ela fez uma profunda reverência, inclinando a cabeça.
– É um prazer conhecê-lo, Vossa Graça.
Para Gowan, foi como se a condessa tivesse deixado de existir. De fato, todos no cômodo de repente desapareceram.
– O prazer é todo meu – disse ele, pronunciando cada palavra com sinceridade. – Me daria a honra de acompanhá-la nesta dança?
Ele estendeu a mão.
Seu gesto não foi recebido com agitação ansiosa, e sim com uma compostura que o atraiu tanto quanto a ansiedade o repeliria. Desejava apenas que aqueles olhos serenos se iluminassem para ele; queria encontrar admiração e até mesmo adoração naquele olhar.
Ela voltou a menear a cabeça e tomou a mão dele. Gowan sentiu a pele arder sob as luvas, como se tivesse aquecido uma parte de si que até então permanecera fria. Seu impulso era não de se afastar, mas sim de trazê-la mais para perto.
No salão de baile, nos braços dele, Edith dançou tão graciosamente quanto uma onda no mar. E ficou em silêncio.
A dança os unia e os separava o tempo todo. Já estavam quase no fim quando Gowan percebeu que não haviam trocado uma palavra. Não se lembrava de nenhuma mulher que tivesse ficado assim tão silenciosa em sua presença. Entretanto, ela parecia não sentir necessidade – nem vontade – de falar com ele. Ao mesmo tempo, aquele estava sendo o silêncio mais confortável de sua vida.
Tinha consciência de que havia se surpreendido profundamente.
Eles se viraram e começaram a atravessar o cômodo mais uma vez. Gowan tentou pensar em algo para dizer, mas nada lhe ocorreu. Dominava a arte da conversação educada. Todo um salão cheio de gente desestabilizada por sua nobre presença podia ficar à vontade com algumas palavras bem escolhidas.
Mas, na sua experiência, as jovens não precisavam ser estimuladas a falar. Em geral, sorriam febris, enviando pelos olhos mensagens cintilantes, enquanto transbordavam bobagens de seus lábios.
Gowan não era tolo. Reconhecia que a vida lhe entregara um fato consumado. Tudo em Edith era requintado: o silêncio tranquilo, a serenidade, o rosto encantador, o jeito de dançar como se os pés mal tocassem o chão.
Ela daria uma perfeita duquesa de Kinross. Ele já conseguia imaginar os retratos que encomendaria – um da duquesa sozinha e, mais tarde, outro com os quatro ou cinco novos membros da família – permitiria que ela decidisse quantos filhos queria ter – para pendurar acima da lareira no grande salão.
A dança acabou e soaram os acordes de uma valsa.
Lady Edith fez uma saudação.
– Poderia dançar comigo outra vez? – perguntou ele, as palavras saindo aos borbotões, sem os tons comedidos habituais.
Ela o encarou e falou pela primeira vez desde que começaram a dançar:
– Temo que esta dança esteja prometida a lorde Beckwith…
– Não – declarou Gowan, embora nunca tivesse sido tão pouco educado na vida.
– Não? – ecoou Edith, os olhos se arregalando ligeiramente.
– Dance comigo.
Ele estendeu a mão. Edith hesitou por um instante e, mais uma vez, lhe deu a sua. Com cuidado, como se estivesse tranquilizando um passarinho, Gowan pousou a outra mão na cintura dela.
Quem diria que eram verdadeiras todas aquelas bobagens românticas sobre o ardor que provoca o toque da pessoa amada?
Enquanto dançavam, Gowan teve a vaga consciência de que estavam sendo observados por todos os presentes. O duque de Kinross bailava pela segunda vez consecutiva com a filha de Gilchrist. A notícia se espalharia por toda a cidade na manhã seguinte.
Ele não se importava. O coração batia com força, no ritmo da música, enquanto ele a examinava com atenção, traço a traço. Era absolutamente deliciosa. Os lábios faziam uma curva natural, como se ela estivesse escondendo um beijo ou um sorriso, algo que nunca entregara antes a ninguém.
Os pés dela e os dele se movimentavam em perfeita harmonia com a música. Gowan nunca havia dançado tão bem. Os dois rodopiavam pelo salão como se fossem centelhas escapulindo de uma fogueira, sem pronunciar uma palavra.
Ocorreu a ele que palavras eram desnecessárias. Eles se comunicavam por meio da dança.
Outro pensamento lhe ocorreu: nunca havia percebido quanto era solitário. Até aquele momento.
Quando os últimos acordes da valsa silenciaram, ele cumprimentou sua parceira, endireitou-se e encontrou lorde Beck bem ali, à espera.
– Duque – disse Beck com perceptível frieza na voz. – Acredito que confundiu minha dança com a sua.
O lorde ofereceu o cotovelo a lady Edith com a expressão de um homem injustiçado.
Ela virou-se para Gowan com um sorriso educado de despedida e deu o braço a Beck.
Gowan ardeu de impaciência. Era escocês: não engolia regras de bom comportamento, não entre um homem e uma mulher. Queria mostrar a Edith o que sentia, arrastá-la para trás de uma coluna, envolvê-la em seus braços e beijá-la.
Só que Edith não era sua… ainda. Até que isso se tornasse realidade, ele teria que seguir as regras. Observou sua futura esposa dirigir-se para a dança seguinte de braço dado com o visconde.
Gowan era mais rico do que Beckwith. E mais atraente também. A menos que Edith preferisse homens magros como um graveto. Ele não poderia confirmar se ela o olhara com desejo.
Naturalmente, ninguém desejaria uma esposa libidinosa. Seu avô conhecera a avó em um jantar formal e soubera no mesmo instante que aquela seria a futura duquesa, apesar de ela ter apenas 15 anos na época e ser muito tímida para a idade. Ninguém desejaria que uma futura duquesa ou mesmo uma duquesa que já ocupasse esse posto demonstrasse atração por desconhecidos.
Gowan decidiu que voltaria na manhã seguinte para fazer uma visita. Era parte dos rituais de cortejo na Inglaterra: visitar a casa da mulher escolhida três ou quatro vezes, levá-la para um passeio de charrete e depois pedir sua mão ao pai.
Assim que tinha tudo planejado, Gowan procurou o conde e abordou o assunto das notas de 1 libra. Concluído o trabalho, disse:
– Amanhã, antes de seguir para Brighton a fim de discutir nossas conclusões com o Banco de Pomfrey, farei uma visita à sua filha.
Viu aprovação nos olhos do conde. Era óbvio que o sujeito o convidara para o baile por razões que não tinham nenhuma relação com o fato de o governo reembolsar notas bancárias com moedas de ouro.
Gowan não dançou com mais ninguém naquela noite. Não sentiu vontade e não queria ficar sentado do outro lado do aposento observando Edith dançar com outros homens. Aquela simples ideia o fazia cerrar as mandíbulas.
O ciúme era a ruína de seus conterrâneos. Era o lado sombrio da sua maior virtude: a lealdade. Um escocês é leal até a morte. Ao contrário dos inconstantes maridos ingleses, um escocês nunca deixaria que sua escolhida procurasse conforto em outras camas.
Mesmo assim, Gowan sabia muito bem que era um desgraçado possessivo que colocava a lealdade acima de tudo. Parecia que seria devorado vivo toda vez que Edith passasse de um parceiro para outro antes que lhe desse um anel informando ao mundo que ela lhe pertencia.
Por outro lado, deixar uma marca em seu coração lhe parecia uma opção ainda melhor.
Seria perda de tempo ficar por ali fazendo cara feia para os pretendentes de Edith, e Gowan, como se sabe, não perdia tempo. Em vez disso, foi para casa e escreveu uma mensagem para seu advogado londrino, Jelves. Informou que pretendia se casar em breve e solicitou que preparasse uma proposta de acordo matrimonial a ser entregue em sua casa na primeira hora da manhã.
A tarefa provavelmente obrigaria o homem a virar a noite. Gowan fez uma anotação mental para lhe dar um bônus.
Acordou ao alvorecer e passou horas trabalhando. Uma noite de sono não havia alterado seus planos em relação a lady Edith – não que ele se lembrasse de já ter alguma vez mudado de ideia sobre algo importante depois de já ter tomado a decisão. Quando Jelves chegou, parecendo esgotado, Gowan dedicou uma hora às questões relativas ao acordo matrimonial. Junto com o advogado, esboçou os termos de um documento que Jelves, um tanto nervoso, observou que talvez fosse excessivamente generoso.
– Lady Edith será a duquesa – informou Gowan, notando que os olhos do advogado ficaram glaciais. – Ela será minha cara-metade. Por que eu deveria criar restrições para ela herdar minha fortuna quando eu morrer ou para que possa desfrutar dela durante minha vida? Nós, os escoceses, não tratamos as mulheres com desrespeito, como acontece no seu país. Mesmo se tivermos apenas uma filha, essa única filha herdará a maior parte dos meus bens.
Gowan devia estar quase rosnando, porque Jelves engoliu em seco e assentiu.
A essa altura, Gowan estava atrasado. Maldição. Em duas horas, no máximo, precisava pegar a estrada que saía de Londres, pois uma mesa cheia de banqueiros esperava por ele em Brighton. Instruiu sua comitiva a seguir em uma segunda carruagem e determinou ao seu cocheiro que voltasse à casa de Gilchrist, na Curzon Street.
O mordomo de Gilchrist tomou-lhe a capa, informou-lhe que a condessa e lady Edith o receberiam em breve e abriu a porta de um salão grande e gracioso que, naquele momento, mais parecia um clube de cavalheiros.
Havia homens por toda parte, portando buquês de flores, dando risadas. Por mais incrível que pudesse parecer, um discreto jogo de cartas se desenrolava em um canto. Reconheceu apenas a metade dos presentes. Lá estava Beckwith, enfiado em um casaco laranja com botões chamativos. Lorde Pimrose-Finsbury também se encontrava no recinto. Pimrose-Finsbury contava apenas com um título vitalício, mas era dono de boa parte de Marylebone. Segurava um delicado ramalhete de violetas. Gowan sentiu uma pontada de aflição. Não passara pela sua cabeça mandar alguém a Covent Garden para providenciar flores ou algo do gênero.
– Se puder se juntar aos visitantes da manhã, Vossa Graça. Em breve servirei bebidas para todos.
Em vez disso, Gowan deu meia-volta e caminhou em direção à entrada.
– Vossa Graça prefere deixar o seu cartão? – perguntou o mordomo, seguindo-o.
– Prefiro falar com lorde Gilchrist. Quando foi a apresentação de lady Edith à sociedade? – indagou, sem rodeios.
A sobrancelha do mordomo estremeceu, mas ele não perdeu o controle.
– Ontem à noite – respondeu.
Gowan não fora o único homem a olhar Edith e imaginá-la ao seu lado.
Mas naquele momento ele sabia exatamente por que Gilchrist o convidara para o baile. O convite incluíra a mão da sua filha como presente. Não haveria competição se ele escolhesse aceitar a oferta silenciosa do conde.
– Gostaria de falar com lorde Gilchrist, se ele estiver disponível.
Não foi uma pergunta. Gowan nunca fazia perguntas. Fazia afirmações. Não importava, porque sempre conseguia o que queria. E havia algo muito pouco digno no ato de pedir.
Para ele, os duques não faziam pedidos.
Faziam afirmações.
E tinha o pressentimento de que não haveria um pedido em relação à mão de lady Edith.