A Torre do Amor

Eloisa James · Capítulo 18 de 47

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A Torre do Amor

Capítulo 16

 

Gowan retornou para a carruagem, subiu e sentou-se de braços cruzados durante o curto percurso até a própria casa.

Assim que chegou, saudou o mordomo, desfez-se da casaca e subiu para o quarto. Durante todo o tempo, uma espécie de ímpeto desesperado o provocava com as lembranças dos deliciosos seios de Edie, da forma como havia perdido o fôlego quando a beijara.

Seu criado entrou no quarto e perguntou se Sua Graça, enquanto se despia, estaria interessado em examinar o relatório do mordomo sobre as despesas da casa, como de costume. Gowan informou que preferia tomar um banho e dispensou o criado. Não desejava exibir uma ereção que não dava sinais de ceder.

Que inferno, provavelmente nunca cederia. Ele ficaria excitado daquele jeito diante do altar. E o que viria a seguir? O que faria então?

Jogaria a duquesa numa carruagem e a possuiria no assento, como uma espécie de animal selvagem? Sua mente notou devidamente que Edie não se oporia. De fato, ele achava possível ter tido a sorte de encontrar, de alguma forma, uma mulher que apreciaria tudo o que ele pudesse conceber.

E Gowan poderia conceber muitas coisas. Não era apenas a imaginação dele. Seus antepassados também possuíam uma imaginação bem travessa e haviam abastecido a biblioteca com obras que abordavam essa temática. Por mais estranho que parecesse, todas as imagens estampadas naqueles livros pareciam vulgares depois que ele beijara Edie e ouvira seu gritinho. Vira também a deliciosa curva do pescoço quando ela perdeu a respiração.

Desejou poder possuí-la em Craigievar e casar-se com ela por lá, de modo que pudesse deixar a igreja e transportá-la diretamente para o canto deles. Mas não… Edie afirmava que seria um escândalo incontornável se partissem para a Escócia. Com toda a franqueza, ele não conseguia enxergar a diferença entre se casar às pressas em Londres e se casar às pressas em Gretna Green. Afinal de contas, qualquer homem na capital inglesa que dispusesse de algumas libras poderia pôr as mãos numa licença especial, enquanto uma viagem para a Escócia, dada a necessidade de troca de cavalos, as hospedarias e o inevitável eixo quebrado, sairia bem mais caro.

Por que isso provocaria tamanho escândalo?

Olhou à sua volta com algum desprazer. Uma vez que se recusava a usar o assento da carruagem como substituição para o leito conjugal, Gowan precisava encontrar uma acomodação em Londres que fosse digna de sua noite de núpcias. Sua casa não era uma opção. Localizava-se na melhor área de Londres, a apenas três ou quatro ruas da residência do conde. No entanto, ele nunca se dera ao trabalho de trocar a decoração depois de adquiri-la. E o dono anterior tinha verdadeira adoração por adornos egípcios.

Dormira todas as noites sob um friso de cabeças de chacal. Não que ele desgostasse de chacais. Pelo que observara no Museu Britânico, os chacais egípcios tinham grandes focinhos e pareciam fazer parte da realeza. Os chacais de seu quarto mais pareciam beagles. Ele gostava da raça, mas não queria deitar sua noiva numa cama cercada por cães ofegantes.

Teria que ser no Nerot’s Hotel. Tocou a sineta e Trundle, seu criado, reapareceu com rapidez satisfatória.

– Informe a Bardolph que desejo que visite o Nerot’s e reserve sua melhor suíte.

Trundle fez uma reverência.

– Por quanto tempo, Vossa Graça?

Tinha vindo acompanhado de lacaios que levavam água quente para o quarto de banho enquanto Gowan pensava no assunto.

O conde de Gilchrist viraria um tomate se Gowan sugerisse se casar no dia seguinte. Por outro lado, ele não queria – não podia – esperar muito tempo.

– A partir de amanhã, até que outra comunicação seja feita – respondeu ele. – Se a melhor suíte estiver ocupada no momento, pague o dobro ao hotel para que se torne disponível.

Nem parecia que ele era o duque mais prudente com as finanças que o ducado conhecera em décadas.

– Posso ajudá-lo a se despir, Vossa Graça?

– Não.

– Para que possa tomar um banho enquanto a água ainda está quente?

Havia um pouco de desespero em sua voz.

– Não. Pode sair. Deixe a mensagem com Bardolph. Posso me despir sozinho.

Trundle franziu a testa e abriu a boca.

Gowan ergueu uma sobrancelha e o homem desapareceu porta afora.

Ele foi ao quarto de banhos e contemplou a banheira fumegante durante algum tempo, até recuperar os sentidos. Era perturbador se lembrar da boca de Edie. Mais do que perturbador. Era pura loucura.

Ficou nu, virou-se e viu sua imagem refletida no espelho. Conseguiria agradar a Edie?

Gowan havia parado de crescer aos 20 anos. Em vez disso, nos últimos dois anos, passara a ganhar corpo. As pernas eram musculosas, provavelmente resultado do pesado trabalho físico. Quando estava em Craigievar, Gowan costumava acordar às cinco e ir para o escritório, depois partir para os campos à tarde a fim de trabalhar ao lado de seus arrendatários.

Um nobre inglês não faria aquilo, mas os homens de seu clã esperavam que ele ajudasse, quando possível. Entregavam-lhe uma foice e apontavam-lhe uma fileira de plantas com considerável menos assombro do que se ele pagasse uma rodada a todos, na taverna. Não importava se estavam transportando lenha ou arrumando feixes de cevada. Ele trabalhava ao lado deles.

A atividade física, junto com anos de natação, lhe dera também ombros largos, o que o tornava bem diferente dos cavalheiros ingleses e seus corpinhos magros. Não se enganava ao pensar que eram todos flácidos e indefesos, pois sabia que não eram. Já havia visitado o Gentleman Jackson’s Saloon em Londres, e vira lutas de boxe que se desenrolavam com ferocidade calculada. No entanto, o físico dos ingleses tendia a ser esguio.

Os escoceses, por sua vez, eram massas de músculos.

Sob seu amplo torso, Gowan era maior do que a média. Tinha conhecimento empírico, a partir de inevitáveis observações. Depois de um dia de trabalho pesado nos campos, os homens ficavam nus e mergulhavam no lago geladíssimo, e o duque os acompanhava. Mesmo aos 18 anos, percebia que os ancestrais haviam lhe deixado de herança algo mais do que um castelo. E se Edie não gostasse daquela parte de seu corpo?

Gowan baixou o braço e segurou as bolas. Estavam no seu maior tamanho possível, e assim tinham permanecido desde o momento em que vira Edie naquela noite. Não era particularmente agradável se sentir como um barril de pólvora a ponto de explodir.

Admirando-se no espelho, ele envolveu sua ferramenta com a mão. Foi como ter uma visão. Era como se Edie estivesse a seu lado e seus dedos longos e delicados o acariciassem.

Ela era uma dama quase perfeita, pois as pontas dos dedos de sua mão esquerda tinham calos provocados pelas infindáveis horas de estudo. Ele ainda tentava absorver a ideia de que ia se casar com uma musicista. Presenciar o dueto tocado por ela e o pai fora uma revelação. O corpo dela se dobrava com a música, como um salgueiro diante de uma ventania, o rosto cheio de vida e de alegria.

Queria que ela também se sentisse assim em relação a ele. E queria que ela o acariciasse com suas mãos musicais.

O pensamento levou a uma imagem de Edie ajoelhada a seus pés, os cabelos longos e louros jogados sobre um ombro, os lábios se abrindo enquanto ela…

Um som áspero saiu de sua garganta; apertou a mão.

Minutos depois, ele entrou na banheira. A água parecia uma carícia, e seu corpo tornou a se manifestar e a enrijecer. No entanto, pensamentos sobre a rapidez com que ele perdera o controle circulavam sem parar em seu cérebro, e não de um modo feliz. Era inaceitável.

Ele não podia arder como conhaque lançado nas chamas. Tinha uma responsabilidade para com Edie. Era mais do que uma responsabilidade em relação à consumação de seu casamento. Acreditava que a primeira noite de um casal determinava o padrão de suas relações conjugais nos anos seguintes.

Como herdara o ducado ainda muito jovem, ele havia muito aprendera a planejar e a ensaiar qualquer novo ato. Um menino encarregado da tarefa de comandar uma casa só pode praticar o que precisa ser feito na privacidade de seu quarto de banho, pois é um dos raros lugares onde consegue ficar sozinho.

Em um dia, ele pode ensaiar o discurso que fará ao recuperar o controle da banca local. E ao entrar para o quadro de conselheiros. Com o tempo, pode se tornar tão bom em imaginar as diversas consequências possíveis de seus atos que passa a cometer erros com raridade – porque ele pensa com antecedência em todas as fraquezas concebíveis.

O casamento e a intimidade eram apenas novos desafios. Como nunca tivera relações sexuais, havia o perigo de perder o controle e agir como um garoto de 14 anos. Seria algo inaceitável, mas que não o preocupava. Não gostara de se afastar de Edie, muito menos de devolver aqueles seios deliciosos para dentro do espartilho, mas nunca chegara perto de perder o controle.

O segredo era fazer uma anotação mental do que era preciso ser feito para assegurar que Edie apreciasse sua primeira experiência sexual, levando em conta particularmente a dor que as mulheres pareciam sentir. Essa era a eventualidade para a qual não podia se planejar, pois, segundo todos os relatos, a intensidade da dor variava. Algumas sentiam uma dor aguda, enquanto outras, apenas um desconforto. Muitas, pelo que lhe havia sido sugerido, não sentiam dor nenhuma.

Esperava que Edie fosse uma dessas mulheres, mas, de qualquer forma, ele era responsável pelo prazer dela, ou mesmo por seu êxtase, durante o resto da noite. Ela estava visivelmente interessada, de forma que ele não precisava se preocupar com frigidez. Não demorou muito para que ele preparasse um passo a passo para a noite do casamento. Em sua cabeça, brotaram imagens, graças aos livros ilustrados encontrados na biblioteca.

Sua mente se nublava diante da lembrança da forma com que a respiração de Edie ficou entrecortada e de como soltava gritinhos cada vez que ele sugava seus seios. A simples ideia de mergulhar na quentura das profundezas dela, de ver seus olhos se arregalarem com êxtase, de senti-la tensa em volta dele…

Gowan acabou jogando a cabeça para trás na banheira. Maldição. Estava viciado naquilo. Assim que se casasse, não quereria se tocar nunca mais. Nunca mais.

Seria tocado apenas por Edie. Por suas mãos…

Por seu corpo…