A Torre do Amor

Eloisa James · Capítulo 38 de 47

Páginas do PDF

A Torre do Amor

Capítulo 36

 

Gowan demorou dois dias até conseguir designar um homem decente para ser juiz de paz. Tudo nele desejava voltar para Edie. Só que chegara à conclusão de que não podia. Ainda não.

Ele a encontrara quando estava gelado como neve, mas vinha aprendendo a ser o homem que ela merecia. Estava reservando tempo para ela, para o casamento deles. Além do juiz de paz, ele também nomeou um novo meirinho para substituir o que ele dispensara. Era um homem mais jovem – quase da sua idade, na verdade. Ele cometeria erros, mas aprenderia com eles.

Havia apenas mais uma coisa que Gowan precisava dominar.

Naquela noite, ele se banhou com uma disposição sombria, tratando do seu corpo com o mesmo desgosto meticuloso que sentia desde que deixara o castelo. Pediu uma carruagem e pouco depois estava acomodado na escuridão morna do Devil’s Punchbowl.

Ninguém no pub fazia ideia de quem era ele. Deixara as roupas refinadas no castelo. Usava vestes de lã escocesa espessa, resistentes à chuva e ao gelo, mas que raramente vestiam um cavalheiro de Londres. E fora sem criados, mandando o cocheiro de volta ao estábulo, onde poderia ficar aquecido assim como os animais.

– O que vamos beber? – perguntou o bartender, com um olhar indiferente.

– Uísque – disse Gowan, lembrando-se do jeito como o cabelo de Edie assumia o tom polido da bebida, sob a luz das velas.

Afastou as lembranças. Aquele lugar enfumaçado não tinha nada a ver com Edie. Era como se ele estivesse em uma das margens de um gigantesco lago e Edie, escondida do outro lado.

Depois da segunda dose de uísque, ele começou a se sentir mais aquecido. É mais fácil suportar a solidão quando a visão está turva.

– Sei quem é – falou o camponês ao lado dele, de repente. – É o duque! – Ele grunhiu. – É igual ao seu pai.

Gowan se virou. Havia garçonetes, claro. Algumas bonitas. Moças atraentes com bochechas rosadas e doces risadas. Sob a luz das lamparinas, os seios reluziam como manteiga.

Sorriu para a mais bela. Devia ter 20 anos, talvez, e nenhuma aliança no dedo. Não que ele se importasse se ela fosse casada. Ocorreu-lhe que estava apenas punindo a si mesmo, mas afastou aquele pensamento.

Estava farto de cometer erros. Não voltaria para a esposa antes de conhecer o corpo de uma mulher tão bem quanto conhecia o lago.

A garçonete se aproximou dele com a mesma facilidade de um peixe fisgado, esgueirando-se pela multidão até estar diante das pernas afastadas dele, cheirando a cerveja derramada e a mulher calorosa. Seu sorriso tinha uma alegre nota de desejo.

Ela passou a mão na coxa dele. Ele sempre dissera a si mesmo que nenhuma mulher resistiria à sua posição, por isso não poderia se aproveitar de uma proposta. Percebeu naquele instante que seu raciocínio era equivocado. Aquela mulher nada sabia sobre sua posição social. O que ela desejava eram os músculos que ela acariciava. O sorriso da moça se intensificou.

– Meu nome é Elsa – informou ela, os dedos deslizando para a parte interna.

– Gowan.

Ele se recostou no balcão e deixou que ela fizesse o que queria.

– É do tipo melancólico, não é? Gosto disso. Grande e melancólico – arfou ela.

Os dedos alcançaram sua virilha e a mão dele agiu instintivamente, interrompendo a carícia.

– Aqui é um pouco público – disse ela, aumentando o sorriso.

Aquele sorriso não tinha nenhuma relação com a posição social, reparou ele, com indiferença.

– Gostaria de subir para brincar um pouquinho? – perguntou a moça, aproximando-se dele e mordiscando-lhe a orelha.

Os seios fartos esbarraram no peito dele.

– Posso ficar um tempinho fora daqui.

Ela virou a cabeça para beijá-lo e ele se afastou bruscamente.

– Sem beijos.

– Talvez eu faça você mudar de ideia – sugeriu Elsa, com uma risada.

Ele se levantou e tomou-lhe a mão.

– Tal pai, tal filho – balbuciou o homem ao lado dele, quando a moça puxou Gowan do assento.

Gowan olhou-o. O homem bufou.

– É. E ele tinha um olhar desvairado assim como o seu.

Ele curvou-se sobre seu copo enquanto Gowan seguia o traseiro redondo da garçonete no meio da multidão.