A Torre do Amor
Capítulo 41
Edie acordou confusa com o barulho de água corrente. Percebeu que não estava sozinha. Deitada de lado, olhava para o homem cujo braço a envolvia pela cintura. Sabia instintivamente que ele acordaria se ela se mexesse.
– Nem pense nisso – rosnou a voz sonolenta de Gowan, e na mesma hora o braço mudou de posição e uma de suas mãos englobou um dos seios de Edie. – Mmmm. Acredito que esta é minha parte favorita do seu corpo.
Ela riu.
A mão dele deslizou para baixo.
– Claro que gosto disto aqui também. – Ele passou a mão quente e afetuosa entre as pernas dela. – Este é meu jeito preferido de acordar.
– As damas e os cavalheiros da boa sociedade não dormem juntos – destacou ela, com um tom divertido na voz. – Isso é coisa de camponeses, que precisam se aquecer.
A mão voltou para o seio.
– Adoro o calor do seu corpo. – Então, inesperadamente, como se lesse os pensamentos de Edie, ele comentou: – Não acho que algum dia eu vá querer dormir sem você, Edie. Durante as horas infindáveis quando cavalgava vindo das Terras Altas na chuva, quando aterrissei na vala, quando encontrei outro cavalo…
– Quando escalou a torre no escuro e na chuva – completou ela, rolando para encará-lo. Sentiu uma pontada de medo ao lembrar. – Quase perdi você.
Ela deu outro beijo no maior dos hematomas, o que se estendia por cima do ombro direito.
– Achei que eu é que tinha perdido você – disse ele, puxando-a para perto. – Fiquei muito aterrorizado. Tão apavorado quanto se a lua despencasse do céu ou se o sol não voltasse a nascer.
Edie deixou uma das pernas escorregar entre as dele, adorando a forma como a respiração de Gowan se agitava ao menor toque.
– Sem escalar torres.
Ele sorriu e o coração dela se emocionou diante do brilho de humor selvagem em seus olhos, o Gowan sorridente, que quase ninguém vislumbrava, talvez só ela.
– Sabe qual é o lema do clã MacAulay? É Dulce periculum, o perigo é doce. Vá em frente e se tranque em outra torre, Edie. O perigo é doce, mas você é ainda mais doce.
Gowan inclinou-se e a beijou.
Ela se afastou um pouco depois, os dedos trêmulos.
– Amo você – sussurrou ela.
Ele tornou a beijá-la.
– Precisará se acostumar a dormir sozinho – comentou ela um pouco depois, provocativa, mas também um pouco séria. – Não posso ficar viajando com você para todo lado, Gowan, de propriedade em propriedade.
Ele deu de ombros.
– E se eu não viajar mais?
– Pensei que precisasse viajar.
– Refleti muito sobre isso enquanto estive longe. Há algumas decisões que só eu posso tomar. Mas o mundo está cheio de homens inteligentes. Tenho Bardolph para supervisioná-los. Tenho você para me supervisionar.
Edie começou a abrir um sorriso devagar.
– Por acaso Vossa Graça está dizendo que pretende trabalhar menos? Que talvez encontre espaço em sua programação para sua esposa, além do horário das refeições?
– Quero ficar com você – afirmou ele, dando um beijo carinhoso na ponta do nariz dela. – Quero vê-la tocar violoncelo. Quero que toque para mim, nua.
Edie soltou uma gargalhada.
– Eu não conseguiria.
Ele discordou e ela acabou deitada de costas, beijando-o ferozmente. Depois de um tempo, Gowan rolou, colocando-a sentada sobre ele, pois estava na hora de experimentar tudo aquilo com que havia sonhado, e como tinha uma esposa com tanta confiança na própria sensualidade quanto no seu amor por ele…
Mais tarde, Edie vagou até a janela, seguida por Gowan. Ele afastou o cabelo dela do rosto e lambeu seu pescoço.
– Essência de Edie – murmurou – e suor.
Edie fez uma careta e então exclamou:
– Gowan!
– Hummmm?
– O rio – balbuciou.
Da noite para o dia, o Glaschorrie tinha aumentado de volume até se transformar em uma torrente e romper os limites de suas margens. Agora ele os cercava. O rio se dividia em dois na altura da torre, fluindo em volta e se juntando do outro lado, continuando a corrida para o oceano.
Mas a chuva havia parado, pelo menos por enquanto.
– Veja só – surpreendeu-se Gowan, escancarando a janela.
O sol aparecia entre as nuvens e a água lá embaixo reluzia como se milhares de moedas de ouro estivessem escondidas logo abaixo da superfície.
– Não conseguiremos deixar a torre por pelo menos um dia.
Edie arregalou os olhos.
– Estamos presos?
Gowan se recostou no parapeito, mais feliz do que nunca.
– Ainda bem que Bardolph deixou um presunto, um prato de bolinhos e torta de galinha.
Estava mais interessado na visão diante dele. A pele de Edie mostrava-se coberta por uma série de marquinhas – um roteiro. Ele não precisava mais de mapa, embora não se desse ao trabalho de contar para ela. Vinha aprendendo pelo som e pelo toque: a mudança na respiração, o soluço preso na garganta, a forma como os dedos dela apertavam seus ombros e como o corpo de Edie se sacudia em seus braços.
Edie debruçou-se, mais uma vez, fascinada pela enchente, que já alcançava as janelas mais baixas da torre.
– Não faça isso – disse ele. – Esse parapeito é muito baixo. Você pode cair.
– Olha só quem está falando – retorquiu Edie, rindo.
Gowan não discutiu, mas cerrou seus braços em torno da cintura dela, por trás, e a afastou da janela.
– Vai ter que parar com isso – falou ela, lançando um olhar travesso para trás.
– Com o quê?
– Parar de tentar fazer as coisas do seu jeito.
As mãos dele tinham voltado a seus seios.
– Tenho uma ideia – afirmou ele, afastando o cabelo de um dos ombros dela, para poder beijá-lo.
– É sobre se tornar um homem que ouve a esposa e que sempre segue seus conselhos e nunca a atrapalha de jeito algum?
O duque de Kinross sabia que era melhor não fazer promessas que não conseguiria cumprir.
– Uma ideia melhor – disse ele suavemente, acolhendo o belo traseiro da esposa junto à curva do seu abdômen.
– Gowan!
Era impressionante como uma mulher podia parecer escandalizada, intrigada, excitada… tudo ao mesmo tempo.