A Torre do Amor

Eloisa James · Capítulo 20 de 47

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A Torre do Amor

Capítulo 18

 

Nerot’s Hotel

Londres

– Nunca entrei num hotel – disse Edie, analisando tudo com curiosidade. – Ainda não entendo por que não podemos simplesmente passar a noite na sua casa, Gowan.

– Minha casa não é aceitável para uma duquesa – respondeu ele.

A simples ideia de levar Edie para um quarto todo decorado com chacais o ofendia. O Nerot’s, por outro lado, oferecia um nível adequado de luxuosa privacidade. Se não podiam passar a noite de núpcias em seu castelo, o Nerot’s era a segunda melhor opção.

O Sr. Bindle, mordomo de Gowan, aproximou-se deles enquanto cruzavam o hall de entrada, seguido por um homem baixo com uma notável cabeleira, lembrando um dente-de-leão ao vento. O homem-flor era o Sr. Parnell, gerente do estabelecimento.

Gowan não viu nenhum motivo para perder tempo com o sujeito – com toda a certeza Bindle cuidara de todos os detalhes –, mas ouviu tudo com controlada civilidade, enquanto Parnell balbuciava sobre diversos arranjos feitos para acomodar sua entourage, incluindo Bindle, o cozinheiro e seus criados pessoais.

Sim, ele havia levado seis lacaios, seu cozinheiro, o criado pessoal e vários outros servos, sem falar dos baús e da carruagem com o violoncelo de Edie. Mas a comitiva poderia ser abrigada sem sua ajuda.

Gowan olhou para Bindle, que tomou o braço de Parnell e o conduziu, apressando o passo. Subiram um lance de escada de mármore, onde, ao final do corredor, chegaram a uma entrada com portas duplas, altas e extravagantemente douradas.

– Que beleza! – exclamou Edie.

O Sr. Parnell secou a testa.

– A suíte real. As portas vieram da França, onde costumavam fazer parte do Palais Royal, em Paris, Vossas Graças.

O gerente virou a chave na fechadura e eles entraram no grande salão do aposento. Bindle anunciou que uma refeição, que estava sendo preparada pelo chef do duque, seria servida em cinco minutos.

Edie vagou pelo quarto examinando a decoração. Olhou de relance para Gowan, que sentiu como se tivesse sido atingido por um raio. Esperava que ele recusasse a refeição. Gowan percebeu isso naquele olhar cheio de travessura borbulhante.

Omitir uma refeição, porém, não fazia parte dos planos. A última coisa que ele queria era que ela enfraquecesse por falta de alimentação. O duque assentiu para Bindle, indicando que ele e Parnell saíssem. Então começou a rondar Edie, desfrutando dela, que mais parecia uma coluna de luz dourada parada diante das grandes janelas. O vestido que usava tinha sido criado para enlouquecer um homem até que ele perdesse os sentidos. Parecia um simples tecido enrolado em seu corpo, de modo que um sujeito poderia apenas puxar um alfinete aqui e ali, e ficaria diante de uma mulher deliciosamente nua.

A porta voltou a abrir e Mary, a criada de Edie, avançou, seguida do valete de Gowan, Trundel.

Gowan os encarou por cima do ombro.

– Não entrarão nesta suíte a menos que tenham sido expressamente convocados.

Mary se curvou tanto ao fazer uma reverência que quase perdeu o equilíbrio. Ela e Trundle fugiram.

– Isso era realmente necessário? – perguntou Edie.

– Meus criados não estão acostumados a me conceder privacidade – explicou ele, acompanhando o traçado da sobrancelha dela com um dedo –, pois nunca a exigi. Terão que adotar um novo comportamento.

– Nunca pediu privacidade?

– No banheiro, claro.

– Os criados entram e saem à vontade? – A voz dela era vagamente descrente.

– Só se tiverem motivo para entrar no aposento, claro.

– Quase sempre fico sozinha. E ninguém entra no meu quarto sem avisar, a não ser Layla.

– Quando estava tocando, na noite em que seu pai foi acompanhá-la, você pareceu furiosa até perceber que era ele que entrava no seu quarto.

– Não foi por saber quem era ele, foi porque ele carregava um instrumento. Não gosto de ser interrompida quando estou tocando ou que me peçam para parar antes que eu tenha terminado de praticar.

– Informarei meus empregados. Não a incomodarão. – Ele se deslocou até ficar parado bem na frente dela e deixou que o dedo deslizasse por sua face, percorresse seu queixo e refizesse o percurso. – É tão linda, Edie… Estou espantado.

– Pois bem, não entendo como fica – disse ela daquele jeito adoravelmente prático. – Espanto é o que sinto quando o olho.

Porém, não encontrou nada parecido com espanto no olhar dela. Em vez disso, viu uma mistura de malícia e desejo. Aquilo deixou sua mente turva e ele quase se lançou sobre ela como um lobo faminto, mas obrigou-se a seguir o plano.

Ele baixou a cabeça e a beijou com delicadeza. Da mesma forma como um cavalheiro beija a esposa, com respeito.

Edie envolveu o pescoço dele com os braços e retribuiu o beijo. Parecia não ligar para o respeito, pois seus lábios estavam famintos e ela exigia um beijo de natureza bem distinta. A forma desastrada como ela colocou a língua entre os lábios dele acendeu um fogo brando em sua virilha.

Logo beijavam-se de forma tão efusiva que ele só voltou a si quando percebeu que ela estava puxando sua gravata. Ergueu a mão para impedi-la.

– Nosso jantar chegará em breve.

Aliás, achava estranho que não tivesse chegado.

Bindle dissera cinco minutos e Gowan poderia acertar o relógio pelos informes de Bindle.

– Quem se importa? – sussurrou Edie.

Ela aproximou-se dele e beijou seu pescoço. Gowan sentiu uma pulsão de desejo tão poderosa que quase perdeu o controle.

Por isso, fez a única coisa possível: recuou. Quando Edie baixou as mãos, a gravata caiu no chão.

– Minha nossa – disse ela, balançando a cabeça. – Não é hora de fazer cena, Gowan.

A porta voltou a se abrir e Bindle entrou com sua costumeira eficiência silenciosa, seguido pelo sommelier, Sr. Rillings, e quatro lacaios com uma mesa cheia. Os lacaios pousaram a mesa no meio do aposento e arrumaram as cadeiras nas cabeceiras.

Gowan apresentou à esposa os criados que ela ainda não conhecia. Os modos de Edie eram refinados, como condizia com uma dama de seu calibre. Era respeitosa e cortês com todos, e dispensou uma atenção ligeiramente mais calorosa ao Sr. Bindle.

Assumiram os lugares à mesa, disposta com travessas, talheres de prata e porcelanas estampadas com o selo ducal. Edie examinou seu prato em silêncio, enquanto o Sr. Rillings explicava por que escolhera aqueles vinhos para a refeição.

Então Bindle entrou em ação e começou a descrever as iguarias ocultas sob as cloches de prata. Gowan notou, distraído, que os criados vinham sendo bem-sucedidos na tarefa de organizar jantares em Craigievar, mesmo no ambiente impessoal de um hotel.

Não era novidade que seu mordomo era um tanto prolixo. Mas o duque havia herdado Bindle, da mesma forma que herdara Bardolph, e nunca achou que valeria a pena treiná-lo para ser mais sucinto.

Naquele momento, entretanto, em algum ponto da recitação – justo quando Bindle começara a descrever o bouef en daube –, Edie ergueu a mão. Ele parou.

– Sr. Bindle – disse ela, com delicadeza –, acho que eu preferia ter o prazer da descoberta esta noite.

O mordomo ficou boquiaberto. Não era um homem acostumado a ser interrompido. A casa do duque se movimentava num ritmo contínuo, tão regular quanto as marés. Tudo acontecia em seu momento devido, durante o período exato.

Edie sorriu e finalmente o homem entendeu que era hora de partir. Juntou os lacaios, Rillings e todos saíram.

– Foi magistral – falou Gowan, erguendo a taça e abrindo um sorriso torto.

Era uma boa sensação reconhecer que ele não seria mais o único detentor do poder naquele mundo particular. Ela também estaria lá. Ao lado dele.

– Estou menos interessada no preparo e nos ingredientes da comida do que você. Tem a aparência e o cheiro de um bom ensopado de carne, e é tudo que preciso saber.

– Nunca presto muita atenção quando Bindle explica o menu.

– Então por que raios ele lhe fornece uma descrição tão prolongada?

– Sempre foi assim.

Edie franziu a testa.

– Não me parece uma explicação razoável, Gowan.

– Acho que isso o faz feliz – observou ele.

Ela parou o garfo a caminho da boca. Seus olhos verdes o avaliaram de tal forma que ele voltou a sentir uma onda de calor na virilha.

Então ela colocou o talher entre os lábios e ele desejou desesperadamente jogar a mesa para o lado e nem ligar se o barulho perturbasse Londres inteira. Ele a levaria para cama e…

Respirou fundo.

Não poderia perder o controle e possuir a esposa em seguida. Não seria digno.

– É muito sensível de sua parte considerar a satisfação de seu mordomo, Gowan – observou Edie, engolindo a comida.

Seus lábios reluziam e ele sentia vontade de jogar a cabeça para trás e uivar. Não queria comer aquela maldita comida.

Em vez disso, bebericou o vinho e experimentou voltar a atenção à sua complexidade, produzido com uvas que cresciam apenas nas montanhas, de uma doçura madura, de cor dourada… como havia sido relatado por Rillings.

Mas fracassou.

Edie deu mais duas garfadas enquanto ele observava seus lábios com os olhos semicerrados e examinava sua lista de coisas a fazer.

– Lamento que suas tias tenham perdido o casamento. Será que vão ficar chateadas? O que acha?

– Duvido muito. Vão ficar felizes em conhecê-la, mas considerariam uma traição ao temperamento científico agitar-se por causa de um casamento. Ainda não foram a Craigievar nem para conhecer Susannah, por exemplo. Seria uma interrupção do programa de treinamento do momento.

– Quanto devo comer? – perguntou ela, dando outra garfada.

– O que quer dizer?

– Deduzo que tenha decidido que preciso me fortalecer para os exercícios extenuantes que virão a seguir. E devo ser a única a precisar de alimento, pois até agora você não tocou no seu prato.

– É minha esposa – disse ele, quase como se pedisse desculpas. – Sou responsável por garantir que esteja vestida e bem alimentada. – Enquanto pronunciava essas palavras, Gowan se perguntava se pareciam tão estúpidas para ela quanto eram para ele.

Em caso positivo, Edie teve o tato de não demonstrar. Ela ergueu-se com a graça inerente a todos os seus movimentos, desde o deslizar de sua reverência até o jeito de andar. Talvez fizesse tudo no ritmo de uma canção que só ela ouvia. Ele também se levantou e observou, voraz, como ela caminhava da mesa em direção à porta do quarto.

Ficou ali paralisado, absorvendo a generosa curva dos quadris dela.

Edie retribuiu o olhar e sorriu.

– Gowan.

No momento seguinte, ele estava a seu lado. Era uma bruxa, aquela sua noiva. Bastava sorrir e ele saía correndo atrás dela. Provavelmente faria isso sempre que ela o olhasse com aquela vontade.

Então ele a jogou nos braços, e inebriou-se de forma profunda, intensa, por saber que ela era sua, finalmente sua. Sua esposa. Sua amante. Sua Edie.

Suas mãos desceram pelas costas dela, apertando-a contra seu corpo. Podiam fazer aquilo, encaixar os corpos como se fossem peças de quebra-cabeça. Encaixavam-se perfeitamente. A dureza dele acolhida pela suavidade dela.

– Agora, Gowan – sussurrou.

E ele a pegou no colo e a carregou até o quarto. Nerot – ou quem quer que tivesse projetado aquele hotel – equipara o quarto com uma cama do tamanho de um pequeno celeiro. Era tão comprida quanto larga sob um baldaquim de seda rosa-clara bordada com fios de prata e pérolas.

Uma cama digna de uma duquesa.

O duque afastou as cobertas e pousou Edie sobre os lençóis. Ela sorriu, o cabelo desarrumado para o lado.

– Minha esposa – murmurou Gowan, dando um beijo em sua testa, outro no nariz e outro nos lábios – é maravilhosa. Posso tirar seu vestido?

Edie virou-se, mostrando a ele uma fileira aparentemente infinita de minúsculos botões que desciam por suas costas.

Assim, ele se concentrou nos botões, tentando ignorar o fato de que terminavam pouco acima daquele traseiro deliciosamente arredondado.

O último botão se abriu e revelou um espartilho por baixo. Edie observou enquanto ele desamarrava a peça, sem dizer nada. Sob o espartilho havia uma combinação feita com um tecido tão diáfano que ele poderia ver a protuberância de seus mamilos.

– Vai tirar sua roupa? – perguntou ela.

Ele deu um passo para trás, pensando que Edie talvez estivesse tímida por estar quase nua enquanto ele se mantinha vestido.

– Vou, não precisa se sentir constrangida, Edie.

– Não estou me sentindo constrangida – disse ela, sorrindo para ele.

Ele acreditou. Havia algo no jeito direto de Edie que o fazia achar que podia confiar em qualquer coisa que ela dissesse.

– São as cores do seu clã? – indagou ela.

– Sim. – Ele se abaixou, descalçou os sapatos, jogou-os para o lado. – Estou usando o que chamamos em gaélico de fèileadh beag.

Ele tirou as meias e abriu a fivela da bolsa que carregava.

Edie parecia fascinada.

– Para que serve essa bolsinha?

– Para guardar algumas moedas.

O kilt devia ser desenrolado com velocidade – mas, de repente, Gowan percebeu que Edie examinava cada centímetro seu. Teve a sensação de que ela gostava do que via, que não lamentava nem um pouco o fato de ele não ser um inglês magricela do tipo que ele vira nos salões de boxe.

Tirou a casaca e despiu a camisa bem mais devagar do que faria normalmente, suprimindo o sorriso malicioso diante da situação. Os músculos do braço flexionaram quando ele passou a camisa pela cabeça e a jogou em um canto. Ele logo concluiu que ela já conseguia ver o resto. Se Edie tivesse ficado decepcionada, não estaria com aquele olhar.

Um olhar de desejo. O mesmo tipo de fome torturante que o devorava vivo.

Certo. Hora de voltar ao plano. Gowan se assegurou de que tinha decorado todos os itens.

Na cama, Edie o imitava, brincalhona, tirando a combinação pela cabeça. Gowan esqueceu o que estava pensando. A generosa ondulação dos seios da esposa ergueu-se no ar, emoldurada pelo gracioso arco de seus braços, e então ele olhou mais para baixo e viu a curva da parte interna de suas coxas, que escondiam um pequeno triângulo de cachos louros.

Aquela visão ameaçou lançá-lo num lugar sombrio, onde não teria qualquer controle. Recusava-se a sucumbir. Em vez disso, juntou-se à esposa na cama, acomodou suavemente o corpo dela junto ao dele até que Edie se encontrasse na posição certa, e começou a fazer amor com ela.

Primeiro, beijou-a até que os lábios dela ficassem inchados, escuros e ela emitisse pequenos sons guturais. Só então deixou que a mão vagasse por sua clavícula. Enquanto metade do cérebro se rejubilava diante do peso de seus seios verdadeiramente magníficos, a outra metade catalogava a forma como ela se retorcia ao seu toque, como os braços apertavam seu pescoço e a respiração se tornava mais rasa e rápida. Ele lhe deu uma mordidinha, uma mordidinha minúscula. Aquilo a fez gritar, e ele eliminou um dos itens da lista.

Ouvira, aprendera e compreendera.

Depois de algum tempo, ele deslizou a mão pelo corpo dela, fazendo a curva na parte interna da coxa. Meu Deus, pensou ele, aquilo o faria perder a cabeça, a curva suave de suas pernas. Queria apenas enterrar a cabeça ali e deixá-la com marcas de mordida, depois subir alguns centímetros e brincar.

Mas não. Precisava manter a cabeça fria na tarefa em questão. Por isso, passou as mãos nas coxas e tocou no seu lugar mais íntimo. Era mais rosada do que ele imaginava: mais bela, mais macia, mais úmida, uma flor. E tremia toda, as mãos deslizando pelos ombros dele, acariciando onde conseguia alcançar.

Ele não podia se permitir pensar naquilo, por isso bloqueou todos os sinais vindos de suas carícias.

Edie estava molhada, pronta, mas, quando ele deslizou um dedo dentro dela, sentiu-a tão apertada que ficou paralisado.

– Gowan!

Ele ouviu a voz de Edie, como se envolta em névoa.

A mente lutava tentando imaginar como aquilo poderia funcionar entre os dois, sendo ele daquele tamanho, e ela…

Aparentemente, as inglesas tinham aquela parte do corpo menor, da mesma forma que os bíceps dos ingleses eram menores que os dos escoceses.

Maldição.