Cenas Contemporâneas
Scena II.
L .—Perguntasm'o a mim!? Eu não sei...
J .—Terá tido a mesma linguagem para ambas?
L .—Disse que te amava?... A mim... não me disse nada...
J .—Então és tu que o amas?
L .—Não... Olha, minha amiga, faz de conta que eu ouvi
com perfeita indifferença a tua revelação... Até logo... Ai!... diz-me cá... O teu namoro é antigo... ou começou aqui?
J .—Com Jorge? É muito moderno... Tem um mez... É uma
creança, mas já foi baptisado com lagrimas...
L .—Já? Pois afaga-o muito na alma... Sê muito feliz.... que
eu, se te não felicitei mais cedo, é porque o não sabia... Vou lá dentro... Minha mãi deve reparar n'esta ausencia...
J .—Não me deixes agora que ahi vem Alvaro... É insupportavel!
L .—Ora!... que mal te faz o homem?!... Eu volto já... Olha...
diz-lhe que amas Jorge... é impossivel que elle queira sustentar a competencia... (Sahe).
SCENA II.
J e A .
A a .—Está incommodada, snr. D. Julia?
J .—Não, senhor.
A .—Então está aborrecida...
J .—De certo...
A .—Menos, quando ao seu lado um certo cavalheiro de
luneta...
J .—Ah! o senhor vem pedir-me satisfações? É engraçada a
liberdade!...
A .—Não lhe peço satisfações... Se as minhas palavras foram
indiscretas, seja generosa, perdoando-m'as.
J .—Muitos perdões me tem pedido, snr. Alvaro!... A minha
generosidade com v. s.a chega já a parecer-se...
A .—Com a virtude d'uma santa?
J .—Não queria dizer isso...
A .—Queria dizer que chega a parecer-se...
J .—Com um excesso de imbecil paciencia.
A .—Isso é muito forte!... Eu não lhe mereço tanto! Nunca lhe
disse affrontas...
J .—Com que direito ha-de dizerm'as?
A .—Não tenho nenhum? absolutamente nenhum?
J .—De certo, nenhum...
A .—A paixão cega o entendimento...
J .—Não é minha a culpa...