Cenas Contemporâneas
Scena VIII.
J (cumpre).—Que hei-de eu dizer-lhe?!...
E (sorrindo).—Vê se ella comprehende o o teu nobre sentimento...
J .—Ella não pára a ouvir-me... tu verás...
E .—Se não parar, anda tu com ella... (Retira-se).
SCENA VIII.
J e J .
J .—Não tenho animo... Sou um imbecil...
J (sem o vêr, sentando-se em cadeira).—A minha querida vingança!... Não vim só para soffrer... Alguem ha-de soffrer comigo...
J (dirigindo-se com irresolução).—Animo!
J (voltando-se de repente, e erguendo-se).—O senhor!... (Quer retirar-se).
J (sustendo-a).—Não me fuja...
J .—Retire essa mão, senhor!
J .—Esse enfado é muito pouco senhoril... Esta mão não
mancha a sua pureza...
J .—Para mim tem o horror de mão que me feriu com um
punhal... O senhor não tem dignidade nenhuma... Retire-se, que meu marido póde vêl-o.
J .—Que veja... Eu não temo seu marido...
J .—Pois não o tema a elle, mas respeite-me a mim, para que a
sua posição de marido seja respeitada... (Eduardo tem vindo por entre as barracas esconder-se atraz da mais proxima do dialogo).
J .—Eu já me não respeito na minha posição... Seu marido que
tire represalias, que eu sou indifferente a todos os ultrajes d'essa ordem.
E (á parte).—Eu é que sou o cynico...
J .—Então devo acreditar que o senhor requintou em
immoralidade...
J .—Acredite o que quizer... Saiba que foi uma paixão que me
perverteu... Hei-de cuspir na sociedade, visto que a não posso calcar aos pés... Despreso todas as formalidades... Para a desesperação não ha conveniencias a guardar...
E (á parte).—Eu é que sou o cynico!...
J .—Pois, senhor, eu entendo que as devo guardar todas... Snr.
Jorge, tenha vergonha diante da sua propria consciencia. (Vai retirar-se).
J (segurando-a).—Ha-de ouvir-me... Que destino deu ás minhas cartas?
J .—Entreguei-as a sua senhora.
J .—Isso foi um vil procedimento...
J .—Deveria antes entregal-as a meu marido?
J .—Não tenho nada com seu marido, Julia... Não me cite tantas vezes o nome de seu marido, que é de nenhuma importancia n'este objecto...