Cenas Contemporâneas
Scena IV.
L .—Dispenso a comparação...
E .—E faz bem, minha senhora!... Ella por fim, cahiu do
ministerio a que eu a levantei, e tornou-se uma gorda matrona casada com um gordo bate-folha, que é a minha vergonha porque teve a petulancia de luctar comigo, e vencer-me...
L a .—E foi esse que teve o duello com v. s.?
E .—Nada... foi uma segunda victima, que ainda hoje faz
quadras a uma certa visão que lhe appareceu no amanhecer da vida... E esta visão é a sobredita filha do meu sapateiro...
L .—A sua vida é um poema epico... E o terceiro capitulo?
E .—É verdade, o terceiro capitulo... O terceiro capitulo... é
isto... É este riso, esta zombaria, esta conscienciosa abnegação de mim mesmo... é a resignada docilidade com que me prestei a ser o instrumento de v. exc.a para ferir a vaidade de seu marido... Queira desculpar-me... Entristeci-a? O passado, passado... Quer v. exc. a que eu lhe escolha duas conchinhas? (Procurando na areia). Aqui está uma bem bonita... (Reparando). Ahi vem a sua amiga Julia...
L (sobresaltada).—Ai!... vem?...
E .—Como se dá ella com o marido, sabe dizer-me?
L .—Não sei.. penso que não é feliz...
SCENA IV.
L , J , e E .