Cenas Contemporâneas

Camilo Castelo Branco · Capítulo 61 de 86

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Cenas Contemporâneas

Scena VIII.

A .—Não temos semelhança nenhuma... Eu não posso brincar

com as paixões...

E (áparte, a Leocadia).—É da força de trinta Paulos; mas a Virginia que o escuta, só com os olhos, d'aqui a pouco remette-o ao catalogo dos Othellos em quarta mão. (Alvaro e Julia retiram-se). Espero que não se baterá comigo, snr. Alvaro... Não respondeu!... Aquelle silencio não quer dizer nada; mas, quem não conhecer o homem, ha-de suppor que a cratera vai rebentar... Quer sentar-se, minha senhora?...

L .—Sim... um momento... Ahi vem Jorge.

E a .—Ah!... V. exc. estremece!... Muito me ama! (rindo). É d'uma ingenuidade mythologica!

 

SCENA VIII.

 

L , E e J .

 

J .—Eduardo, preciso roubar-te um instante a essa senhora...

tens a bondade!

E .—Ah! sim... esta senhora não vai de certo queixar-se á

policia pelo roubo...

J (a sós).—Fazes um sacrificio deixando-me cinco minutos com ella?

E .—Sacrificio... nenhum; mas a decencia pede que eu não

esteja aqui servindo de sentinella á vista a um teu namoro... Ai!... espera... eu dirijo-me a estas duas almas penadas, que ahi vem... Vou comprimental-as, e tu, como penetrante abutre, desce o vôo sobre a presa... (Comprimenta duas damas, vestidas de branco, em quanto Jorge vai sentar-se ao lado de Leocadia). Parecem-me dous anjos, minhas senhoras. São duas virgens de Taurida, que fazem lembrar as alvissimas virtudes de Ephigenia... (As damas, que elle acompanha, com gaifonas cortezãs, retiram-se sorrindo).