Cenas Contemporâneas

Camilo Castelo Branco · Capítulo 81 de 86

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Cenas Contemporâneas

Scena VI.

V .—Não, não... deixa-o... são necessidades organicas...

Eu tambem tenho d'estas tempestades moraes...

V .—Pois sim... pois sim... (Sahem).

 

SCENA VI.

E , e depois J .

 

E .—A gargalhada de Alvaro quer dizer muito... ( Ouve-se a aria da Norma).

O maldito veria alguma cousa? Se viu, lá vai a terra todo o meu edificio de virtude... Dizem que ella é facil, eu vejo-me illaqueado n'uma rede tal, que se me descobrem não sei por onde hei-de evadir-me... Que pena se me não deixam ser honrado!... Tenho, só n'um mez, colhido tantas palmas de virtude, que, passados tres, n'este andar, eu todo seria um palmito...

J (agitada).—Eduardo...

E .—Julia...

J .—Pelo amor de Deus, desvanece-me d'uma suspeita que me

despedaça...

E .—Que é?!

J .—Tu amas Leocadia.

E .—É falso...

J .—Mas ella adora-te com delirio...

E .—Que culpa tenho eu?

J (tomando-lhe a mão com frenesi...)—Não me sacrifiques a ella... a nenhuma... porque nenhuma te amará tanto...

J (ao fundo).—Isto é espantoso!...

E .—Não vês que represento um papel hypocrita, tão contra

o meu caracter, para te não perder?