Cenas Contemporâneas
Scena VII.
L , E , J e A .
E (para Alvaro, sorrindo).—Os reis da noite somos nós, snr. Alvaro... Logo despimos a purpura de reis de comedia, e fumamos um pessimo cigarro do contracto...
A .—Não entendo a finura do epigramma.
E .—Então, é mais feliz do que eu suppunha... Póde contar
com o reino do céo... Deveras não entende?
A .—Não, e dispenso as explicações officiosas do meu
amigo...
E (rindo).—Espero que á solemnidade do estilo, se não siga um cartel de desafio...
L .—Que linguagem!... É bem galhofeiro o seu caracter, snr.
Eduardo!
E .—Muito galhofeiro, minha rica senhora... E alli o do meu
amigo é sombrio como o d'um encapotado de drama em cinco actos.
A .—A verdade é que nos não parecemos...
E .—Felizmente para o senhor ou para mim... Mas na
singelesa do coração, na temperatura do amor, ha-de permittir que sejamos parecidos como Pylades com Orestes...