Memorial de Maria Moura
Dedicatória
A. S. M. ELISABETH I, Rainha da Inglaterra (1533-1603), pela inspiração
À ISINHA,
pela cumplicidade comigo e com a Moura
A OSVALDO LAMARTINE,
pela inestimável ajuda
Sobre a autora
RACHEL DE QUEIROZ nasceu em 17 de novembro de 1910, em Fortaleza, Ceará. Ainda não havia completado 20 anos, em 1930, quando publicou O Quinze, seu primeiro romance. Mas tal era a força de seu talento, que o livro despertou imediata atenção da crítica. Dez anos depois, publicou João Miguel, ao qual se seguiram: Caminho de pedras (1937), As três Marias (1939), Dôra, Doralina (1975) e não parou mais. Em 1992, publicou o romance Memorial de Maria Moura, um grande sucesso editorial.
Rachel dedicou-se ao jornalismo, atividade que sempre exerceu paralelamente à sua produção literária.
Cronista primorosa, tem vários livros publicados. No teatro escreveu Lampião e A beata Maria do Egito e, na literatura infantil, lançou O menino mágico (ilustrado por Gian Calvi), Cafute e Pena-de-prata (ilustrado por Ziraldo), Xerimbabo (ilustrado por Graça Lima) e Memórias de menina (ilustrado por Mariana Massarani), que encantaram a imaginação de nossas crianças.
Em 1931, mudou-se para o Rio de Janeiro, mas nunca deixou de passar parte do ano em sua fazenda “Não me deixes”, no Quixadá, agreste sertão cearense, que ela tanto exalta e que está tão presente em toda sua obra.
Uma obra que gira em torno de temas e problemas nordestinos, figuras humanas, dramas sociais, episódios ou aspectos do cotidiano carioca. Entre o Nordeste e o Rio, construiu seu universo ficcional ao longo de mais de meio século de fidelidade à sua vocação.
O que caracteriza a criação de Rachel na crônica ou no romance — sempre — é a agudeza da observação psicológica e a perspectiva social. Nasceu narradora. Nasceu para contar histórias. E que são as suas crônicas a não ser pequenas histórias, narrativas, núcleos ou embriões de romances?
Seu estilo flui com a naturalidade do essencial. Rachel se integra na vertente do verismo realista, que se alimenta de realidades concretas, nítidas. O sertão nordestino, com a seca, o cangaço, o fanatismo e o beato, mais o Rio da pequena burguesia, eis o mundo de nossa Rachel. Um estilo despojado, depurado, de inesquecível força dramática.
Primeira escritora a integrar a Academia Brasileira de Letras (1977), Rachel de Queiroz faleceu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 4 de novembro de 2003.