Modernidade Líquida
Depois do Estadonação
focos do terror e da ansiedade gerados pela consciência da mortalidade.
Eles não dividem mais a carga com outros focos (exceto, talvez, a
“comunidade”).
A nova primazia do corpo se reflete na tendência a formar a imagem da
comunidade (a comunidade dos sonhos de certeza com segurança, a
comunidade como viveiro da segurança) no padrão do corpo idealmente
protegido: a visualizá-la como uma entidade internamente homogênea e
harmoniosa, inteiramente limpa de toda substância estranha, com todos os
pontos de entrada cuidadosamente vigiados, controlados e protegidos, mas
fortemente armada e envolta por armadura impenetrável. As fronteiras da
comunidade postulada, como os limites exteriores do corpo, são para
separar o domínio da confiança e do cuidado amoroso da selva do risco, da
suspeição e da perpétua vigilância. O corpo e também a comunidade
postulada são aveludados por dentro e ásperos e espinhosos por fora.
Corpo e comunidade são os últimos postos de defesa no campo de
batalha cada vez mais deserto em que a guerra pela certeza, pela segurança
e pelas garantias é travada, diariamente e sem tréguas. Corpo e comunidade
devem de agora em diante realizar as tarefas no passado divididas entre
muitos bastiões e barricadas. O que depende deles agora é mais do que
podem suportar, de tal forma que provavelmente aprofundarão, em vez de
aliviar, os temores que levaram aqueles que andavam à procura de
segurança a voltar-se para eles em busca de proteção.
A nova solidão de corpo e comunidade é o resultado de um amplo
conjunto de mudanças importantes subsumidas na rubrica modernidade
líquida. Uma mudança no conjunto é, contudo, de particular importância: a
renúncia, adiamento ou abandono, pelo Estado, de todas as suas principais
responsabilidades em seu papel como maior provedor (talvez mesmo
monopolístico) de certeza, segurança e garantias, seguido de sua recusa em
endossar as aspirações de certeza, segurança e garantia de seus cidadãos.
Depois do Estado-nação
Nos tempos modernos, a nação era a “outra face” do Estado e a arma
principal em sua luta pela soberania sobre o território e sua população. Boa
parte da credibilidade da nação e de seu atrativo como garantia de segurança e de durabilidade deriva de sua associação íntima com o Estado e
— através dele — com as ações que buscam construir a certeza e a
segurança dos cidadãos sobre um fundamento durável e confiável, porque
coletivamente assegurado. Sob as novas condições, a nação tem pouco a
ganhar com sua proximidade do Estado. O Estado pode não esperar muito
do potencial mobilizador da nação de que ele precisa cada vez menos, à
medida que os massivos exércitos de conscritos, reunidos pelo frenesi
patriótico febrilmente estimulado, são substituídos pelas unidades high-tech
elitistas, secas e profissionais, enquanto a riqueza do país é medida, não
tanto pela qualidade, quantidade e moral de sua força de trabalho, quanto
pela atração que o país exerce sobre as forças friamente mercenárias do
capital global.
Em um Estado que não é mais a ponte segura além do confinamento da
mortalidade individual, um chamado ao sacrifício do bem-estar individual,
para não falar da vida individual, em nome da preservação ou da glória
imorredoura do Estado soa vazio e cada vez mais bizarro, se não engraçado.
O romance secular da nação com o Estado está chegando ao fim; não
exatamente um divórcio, mas um arranjo de “viver juntos” está substituindo
a consagrada união conjugal fundada na lealdade incondicional. Os
parceiros estão agora livres para procurar e entrar em outras alianças; sua
parceria não é mais o padrão obrigatório de uma conduta própria e
aceitável. Podemos dizer que a nação, que costumava ser o substituto da
comunidade ausente na era da Gesellschaft, se volta em direção da
Gemeinschaft deixada para trás em busca de um padrão a emular e que lhe
sirva de modelo. O andaime institucional capaz de manter a nação unida é
pensável cada vez mais como um trabalho do tipo faça-você-mesmo. São os
sonhos de certeza e segurança, e não suas disposições factuais e rotinizadas,
que devem levar os indivíduos órfãos a abrigar-se sob as asas da nação,
enquanto buscam a segurança teimosamente fugidia.
Parece haver pouca esperança de resgatar os serviços de certeza,
segurança e garantias do Estado. A liberdade da política do Estado é
incansavelmente erodida pelos novos poderes globais providos das terríveis
armas da extraterritorialidade, velocidade de movimento e capacidade de
evasão e fuga; a retribuição pela violação do novo estatuto global é rápida e
impiedosa. De fato, a recusa a participar do jogo nas novas regras globais é
o crime a ser mais impiedosamente punido, crime que o poder do Estado, preso ao solo por sua própria soberania territorialmente definida, deve
impedir-se de cometer e evitar a qualquer custo.
Muitas vezes a punição é econômica. Governos insubordinados,
culpados de políticas protecionistas ou provisões públicas generosas para os
setores “economicamente dispensáveis” de suas populações e de não deixar
o país à mercê dos “mercados financeiros globais” e do “livre comércio
global”, têm seus empréstimos recusados e negada a redução de suas
dívidas; as moedas locais são transformadas em leprosas globais,
pressionadas à desvalorização e sofrem ataques especulativos; as ações
locais caem nas bolsas globais; o país é isolado por sanções econômicas e
passa a ser tratado por parceiros comerciais passados e futuros como um
pária global; os investidores globais cortam suas perdas antecipadas,
embalam seus pertences e retiram seus ativos, deixando que as autoridades
locais limpem os resíduos e resgatem as vítimas.
Ocasionalmente, no entanto, a punição não se confina a “medidas
econômicas”. Governos particularmente obstinados (mas não fortes o
bastante para resistir por muito tempo) recebem uma lição exemplar que
tem por objetivo advertir e atemorizar seus imitadores potenciais. Se a
demonstração diária e rotineira da superioridade das forças globais não for
suficiente para forçar o Estado a ver a razão e cooperar com a nova “ordem
mundial”, a força militar é exercida: a superioridade da velocidade sobre a
lentidão, da capacidade de escapar sobre a necessidade de engajar-se no
combate, da extraterritorialidade sobre a localidade, tudo isso se manifesta
espetacularmente com a ajuda, desta vez, de forças armadas especializadas
em táticas de atacar e correr e a estrita separação entre “vidas a serem
salvas” e vidas que não merecem socorro.
Uma questão a ser discutida é se o modo como se conduziu a guerra
contra a Iugoslávia foi, em termos éticos, correto e apropriado. Essa guerra
fez sentido, porém, como “promoção da ordem econômica global por outros
meios que não os políticos”. A estratégia escolhida pelos atacantes
funcionou bem como exibição espetacular da nova hierarquia global e das
novas regras do jogo que a sustentam. Se não fosse por suas milhares de
“baixas” muito reais e por um país arruinado e privado da sobrevivência e
da capacidade de auto-regeneração por muitos anos ainda, seríamos
tentados a descrevê-la como uma “guerra simbólica” sui generis; a guerra
em si, suas estratégias e táticas, foi um símbolo (consciente ou subconscientemente) da emergente relação de poder. O meio foi de fato a
mensagem.
Como professor de sociologia, repeti a meus alunos, ano após ano, a
versão padronizada da “história da civilização” com a marca da ascensão
gradual mas incessante da sedentariedade e da vitória, por fim, dos
sedentários sobre os nômades; não havia dúvida de que os derrotados
nômades eram, essencialmente, a força regressiva e anticivilizacional. Jim
MacLoughlin recentemente desvendou o significado dessa vitória,
esboçando uma breve história do tratamento dispensado aos “nômades”
pelas populações sedentárias dentro da órbita da civilização moderna.14 O
nomadismo, observa, era visto e tratado como “característica de sociedades
‘bárbaras’ e subdesenvolvidas”. Os nômades eram definidos como
primitivos, e, de Hugo Grotius em diante, traçava-se um paralelo entre
“primitivo” e “natural” (isto é, inculto, cru, pré-cultural e incivilizado): “O
desenvolvimento das leis, o progresso cultural e o avanço da civilização
estavam intimamente ligados à evolução e ao aperfeiçoamento das relações
homem-terra ao longo do tempo e do espaço.” Para resumir: o progresso era
identificado com o abandono do nomadismo em favor de um modo de vida
sedentário. Tudo isso aconteceu no tempo da modernidade pesada, quando a
dominação implicava envolvimento direto e estreito e significava conquista,
anexação e colonização territorial. O fundador e principal teórico do
“difusionismo” (visão da história outrora muito popular nas capitais dos
impérios), Friedrich Ratzel, pregador dos “direitos do mais forte”, que ele
concebia como eticamente superior e inescapável em vista da raridade do
gênio civilizador e da existência da imitação passiva, captou precisamente o
espírito da época quando escreveu, no limiar do século colonialista, que
a luta pela existência significa uma luta pelo espaço … Um povo
superior, invadindo o território de seus vizinhos selvagens mais fracos,
rouba-lhes a terra, encurrala-os em cantos pequenos demais para seu
sustento e continua a usurpar mesmo suas minguadas posses, até que os
mais fracos finalmente perdem os últimos resíduos de seu domínio, e
são expulsos da terra … A superioridade dessa expansão consiste
principalmente em sua maior capacidade de apropriar, utilizar
plenamente e povoar o território.
Claramente, não mais. O jogo da dominação na era da modernidade
líquida não é mais jogado entre o “maior” e o “menor”, mas entre o mais
rápido e o mais lento. Dominam os que são capazes de acelerar além da
velocidade de seus opositores. Quando a velocidade significa dominação, a
“apropriação, utilização e povoamento” do território se torna uma
desvantagem — um risco e não um recurso. Assumir algo sob nossa própria
jurisdição e anexar a terra alheia implicam as tarefas caras, embaraçosas e
não-lucrativas de administração e policiamento, responsabilidades e
compromissos — e acima de tudo limitações consideráveis à nossa futura
liberdade de movimento.
Está longe de ser claro se outras guerras no estilo atacar e fugir serão
empreendidas, em vista do fato de que a primeira tentativa terminou por
imobilizar os vencedores — sobrecarregando-os com a atividade de
ocupação da terra, envolvimentos locais e responsabilidades administrativas
e gerenciais inadequadas às técnicas de poder da modernidade líquida. O
poderio da elite global reside em sua capacidade de escapar aos
compromissos locais, e a globalização se destina a evitar tais necessidades,
a dividir tarefas e funções de modo a ocupar as autoridades locais, e
somente elas, com o papel de guardiões da lei e da ordem (local).
Em verdade, disseminam-se sinais de um certo “arrependimento” no
campo dos vencedores: a estratégia da “força policial global” está uma vez
mais submetida a intenso escrutínio crítico. Entre as funções que a elite
global deixaria para os Estados-nação transformados em delegacias de
polícia, crescente número de vozes incluiria os esforços para resolver
conflitos sangrentos entre vizinhos; a solução de tais conflitos, ouvimos,
deveria ser “descongestionada” e “descentralizada”, rebaixadas na
hierarquia global, com ou sem atenção aos direitos humanos, e entregue “a
quem de direito”, aos senhores da guerra locais e às armas que possuem
graças à generosidade ou “bem compreendido interesse econômico” das
empresas globais e dos governos que querem promover a globalização. Por
exemplo, Edward N. Luttwak, senior fellow do Centro Norte-Americano de
Estudos Estratégicos e Internacionais e durante muitos anos termômetro
confiável das mutáveis disposições do Pentágono, apelou no número de
julho-agosto de 1999 da revista Foreign Affairs (descrita pelo Guardian
como “a mais influente em circulação”) para que se “dê uma chance à
guerra”. As guerras, segundo Luttwak, não são de todo más, pois levam à
paz. A paz, porém, só virá “quando todos os beligerantes estiverem exaustos ou quando um vencer de maneira decisiva”. A pior coisa (e a
OTAN fez justamente isso) é detê-las a meio caminho, antes que o tiroteio
termine na exaustão mútua ou na incapacitação de uma das partes em
guerra. Nesses casos, os conflitos não são resolvidos, mas apenas
temporariamente congelados, e os adversários usam o tempo da trégua para
rearmamento, reposicionamento e para repensar as táticas. Portanto, em seu
próprio benefício e no deles, nunca interfira “em guerras alheias”.
O apelo de Luttwak pode bem cair em ouvidos favoráveis e gratos.
Afinal, do modo como avança a “promoção da globalização por outros
meios”, abster-se de intervir e permitir que a guerra atinja seu “fim natural”
teria trazido os mesmos benefícios sem o incômodo do envolvimento direto
em “guerras alheias”, e especialmente em suas complicadas e pesadas
conseqüências. Para aplacar a consciência despertada pela imprudente
decisão de fazer a guerra sob uma bandeira humanitária, Luttwak indica a
óbvia inadequação do envolvimento militar como meio para um fim:
“Mesmo uma desinteressada intervenção de larga escala pode deixar de
alcançar seu objetivo humanitário ostensivo. É preciso perguntar-se se os
kosovares não estariam em melhor situação se a OTAN não tivesse
intervindo.” Teria sido provavelmente melhor para as forças da OTAN ter
continuado com seus treinamentos diários e deixado aos locais o que os
locais tinham que fazer.
O que causou o arrependimento e levou os vencedores a lamentarem a
interferência (oficialmente proclamada um sucesso) foi que eles não
conseguiram escapar à mesmíssima eventualidade que a campanha “atingir
e fugir” pretendia evitar: a necessidade da invasão e da ocupação e
administração do território conquistado. Quando os pára-quedistas
aterrissaram e se estabeleceram em Kosovo, os beligerantes foram
impedidos de se matar entre si, mas a tarefa de mantê-los à distância segura
trouxe as forças da OTAN “do céu para a terra” e as envolveu com a
responsabilidade das sujas realidades em campo. Henry Kissinger, um
sóbrio e atento analista e o mestre da política entendida (de um modo meio
antiquado) como a arte do possível, advertiu contra outro tropeço que seria
arcar com a responsabilidade pela recuperação das terras devastadas pelos
ataques dos bombardeiros.15 Esse plano, diz Kissinger, “arrisca tornar-se um
compromisso aberto em direção a um envolvimento cada vez maior,
colocando-nos no papel de gendarmes de uma região de ódios apaixonados
e onde temos poucos interesses estratégicos”. E o “envolvimento” é justamente o que as guerras destinadas a “promover a globalização por
outros meios” devem evitar! A administração civil, acrescenta Kissinger,
envolveria inevitavelmente conflitos, e caberia aos administradores, como
tarefa custosa e eticamente dúbia, resolvê-los pela força.
Até agora há poucos (se houver) sinais de que as forças de ocupação
possam sair da tarefa de resolver o conflito em condições melhores que
aqueles a quem bombardearam e substituíram em nome de seu fracasso. Em
claro contraste com o destino dos refugiados em cujo nome a campanha de
bombardeios foi iniciada, as vidas cotidianas dos que retornaram raramente
chegam às manchetes, mas as notícias que ocasionalmente chegam aos
leitores e ouvintes são sinistras. “Uma onda de violência e represálias
continuadas contra sérvios e a minoria roma em Kosovo ameaça solapar a
precária estabilidade da província, deixando-a etnicamente limpa de sérvios
apenas um mês depois da tomada de controle pelas tropas da OTAN”, relata
Chris Bird de Pristina.16 As forças da OTAN em campo parecem perdidas e
desvalidas diante dos furiosos ódios étnicos, que pareciam tão fáceis de
atribuir à malícia de apenas um celerado, e portanto tão fáceis de resolver,
quando vistos das câmeras de TV instaladas a bordo dos bombardeiros
supersônicos.
Jean Clair, e com ele outros observadores, espera que o resultado
imediato da guerra nos Bálcãs seja uma profunda e duradoura
desestabilização de toda a área, e a implosão, não a maturação, das jovens e
vulneráveis (ou ainda nem nascidas) democracias como a macedônia,
albanesa, croata ou búlgara.17 (Daniel Vernet apresenta seu levantamento
das opiniões sobre a questão por cientistas políticos e sociais de classe alta
da região sob o título “Os Bálcãs diante do risco de agonia sem fim”.18) Mas
Clair também se pergunta como será preenchido o vazio aberto depois que
as raízes da viabilidade dos Estados-nação foram cortadas. As forças
globais de mercado, jubilosas com a perspectiva de não mais serem detidas
ou obstruídas, provavelmente se instalarão no local, mas não vão querer
(nem conseguir, se quiserem) representar as autoridades políticas ausentes
ou enfraquecidas. Nem estarão necessariamente interessadas na ressurreição
de um Estado-nação forte e confiante em pleno controle de seu território.
“Outro Plano Marshal” é a resposta mais comum à perplexidade atual.
Não são só os generais que são conhecidos por estar sempre envolvidos na
última guerra vitoriosa. Mas não é possível pagar para sair de cada apuro,
por maior que seja a soma posta de lado para isso. O problema dos Bálcãs é inteiramente diferente do da reconstrução da soberania e do sustento dos
cidadãos dos Estados-nação depois da Segunda Guerra. O que enfrentamos
nos Bálcãs depois da guerra do Kosovo não é apenas a tarefa da
reconstrução material quase a partir do zero (o sustento dos iugoslavos está
praticamente destruído), mas também os agitados e inflamados
chauvinismos interétnicos que saíram da guerra reforçados. A inclusão dos
Bálcãs na rede dos mercados globais não será de muita serventia para
amainar a intolerância e o ódio, dado que aumentará a insegurança que era
(e continua sendo) a fonte principal dos sentimentos tribais em ebulição.
Há, por exemplo, um perigo real de que o enfraquecimento da capacidade
de resistência sérvia possa servir como convite para que seus vizinhos se
envolvam em nova rodada de hostilidades e limpezas étnicas.
Dada a lamentável folha-corrida dos políticos da OTAN em sua
grosseira administração das delicadas e complexas questões típicas do
“cinturão de populações mistas” (como Hannah Arendt adequadamente
chamou a região) dos Bálcãs, pode-se temer nova série de custosos
desastres. Não erraríamos em muito tampouco em suspeitar da iminência do
momento em que os líderes europeus, tendo se assegurado de que nenhuma
nova onda de refugiados em busca de asilo ameaça seu próspero eleitorado,
percam o interesse intrínseco nas terras inadministráveis, como já fizeram
tantas vezes antes — na Somália, Sudão, Ruanda, Timor Leste e
Afeganistão. Estaremos então de volta ao começo, depois de um desvio
semeado de cadáveres. Antonina Jelyazkova, diretora do Instituto
Internacional de Estudos de Minorias, expressou bem a questão (citada por
Vernet): “Não se pode resolver o problema das minorias com bombas. As
explosões deixam o diabo à solta dos dois lados.”19 Tomando o lado das
posições nacionalistas, as ações da OTAN fortaleceram os já frenéticos
nacionalismos da área e prepararam o terreno para futuras repetições de
atentados genocidas. Uma das mais terríveis conseqüências é que a mútua
acomodação e a amigável coexistência de línguas, culturas e religiões da
área nunca foi tão improvável como agora. Quaisquer que sejam as
intenções, os resultados contrariam o que um empreendimento
verdadeiramente ético nos levaria a esperar.
A conclusão, ainda que preliminar, não é auspiciosa. As tentativas de
mitigar a agressão tribal pelas novas “ações policiais globais” foram até
aqui inconclusivas, e mais provavelmente contraproducentes. Os efeitos
totais da incessante globalização têm sido marcadamente desequilibrados: a ferida do reinício da guerra civil chegou antes do remédio necessário para