O Caminho Certo

Ana Martines · Capítulo 33 de 44

Páginas do PDF

O Caminho Certo

Capítulo 35 · Ricardo

Depois de uma semana dormindo ao lado da Paloma todos os dias, não

aguentava mais as suas provocações.

A garota sabia o que queria e estava disposta a tentar de tudo para conseguir. A única coisa que ela não entendia era que eu não sabia como lhe dar aquilo. Precisava ser especial, perfeito, delicado e inesquecível. Tudo o que eu não conseguia ser. Com isso, só restava resistir.

Mas o meu limite já havia sido ultrapassado há muito tempo e quanto mais resistia, mais a vontade crescia, junto com a frustração de não poder fazer nada.

O certo seria voltar a dormir longe do seu corpo para poder planejar a nossa noite especial. Mas era impossível. Todas as noites ela me dava um beijo de boa noite e pedia para que ficasse ali, dizendo que só assim dormiria bem... E eu ficava porque entendia completamente o que queria dizer. Nenhuma noite era comparável com as que nós passávamos juntos.

Tudo seria perfeito se eu fizesse o tipo romântico.

– O que nós estamos fazendo? – Perguntou Paloma na manhã de segunda-feira após se espreguiçar no meu colo.

– Agora? Nós estamos deitados, xingando o universo por termos que levantar da cama e ir trabalhar. – Brinquei, apertando-a em mim.

Até que se afastou e sentou na cama, me encarando com milhares de perguntas.

– Não, não é isso. Quero dizer... O que está acontecendo entre nós?

– Nós... – Queria dizer que estávamos namorando, mas era cedo e arriscado demais. – Estamos curtindo.

Paloma me encarou como se tivesse falado o maior absurdo do mundo.

– Curtindo? Eu não acredito que essa é a sua resposta! – Falou, indignada.

– O que quer que eu diga?

– Sei lá, Ricardo. Só não quero que durma na minha cama todas as noites e acorde dizendo que estamos “curtindo”. – Fez aspas no ar, ironizando a palavra.

Levantei atrás dela, que já estava na porta do quarto.

– Estou dormindo na minha cama todas as noites porque você me chama. – Falei, indignado. – Onde pensa que vai?

– Então não vou te chamar mais! – Me encarou. – Vou para qualquer lugar longe de você, seu idiota. – Cuspiu as palavras em mim.

Imediatamente, eu a impedi que abrisse a porta e a empurrei contra ela, prendendo-a com o meu corpo. Amava senti-la assim indefesa, mas tão feroz. A garota mimada sem escapatória.

– Você não vai fugir de mim.

– Me solta! Vai aproveitar a SUA cama! – Gritou.

– Paloma, me ouve. – Pedi calmamente, enquanto ela perdia cada vez mais o controle.

– Não vou te ouvir porcaria nenhuma. Você não presta! Quer tirar a minha virgindade, mas ainda não fez nada. Dorme comigo todas as noites, mas não fala sobre isso com ninguém. Age como se nada acontecesse. Só pensa em você e... – Tampei a sua boca com a mão, impedindo que continuasse falando besteiras.

– Ah, você vai me ouvir. Por bem ou por mal.

Foi assim que começou a me bater. Queria ter mais braços para poder contê-la, pois sua fúria só aumentava. Até que tive a melhor ideia de todas.

Empurrei o seu corpo de volta para a cama, tomando cuidado para não machucá-la, mas evitando que saísse do meu controle. Peguei na gaveta da escrivaninha um lenço vermelho que a vi usando na semana passada e prendi seus braços com ele. Juntos, sem ter como se soltar.

Deitada de barriga para cima, com os braços amarrados para o alto, foi a melhor visão que tive em toda a minha vida. Poderia admirá-la para sempre.

– Que porra você pensa que está fazendo? – Perguntou quando soltei a sua boca.

– Estou fazendo com que me escute.

– Não vem com essa de Sr. Grey para cima de mim, porque não vai funcionar. Me solta, Ricardo.

– Não vou te soltar até que fique quieta. E não preciso encarnar algum personagem para possuí-la, já deveria saber disso... – Pisquei, sorrindo de lado.

– Você não presta. – Resmungou.

Tão linda...

– Ainda não escuto o silêncio, Paloma.

Ela estava louca para falar alguma coisa. Louca. Seu olhar implorava que a deixasse falar... Ou que a pegasse de vez. Preferia a segunda opção.

– Melhor assim. – Falei quando conseguiu ficar quieta.

Aproximei meu corpo do seu, apoiando o peso nos braços e dei-lhe um selinho. Pretendia dar outro, até sentir a sua mordida.

– Você mandou que te ouvisse, não que te beijasse.

– Tudo bem, desculpe-me. É que alguém acordou irresistível hoje... – Sorri, mordendo o seu lábio de volta.

Ela ficou me encarando, tentando fazer cara de brava, mas a doçura era evidente em seu olhar. Oh, Paloma, como consegue ser tão contraditória?

– Ok, em primeiro lugar... Não venha descontar sua TPM em mim. O Miguel está aqui para isso. – Falei, sorrindo.

– De TPM tá a sua... – Beijei sua boca novamente.

– Shiii, minha vez de falar. – Sorri. – Em segundo lugar... Essa cama não é mais minha; é nossa. Não consigo imaginá-la sem o seu corpo nela e não quero mais dormir aqui sem você.

Finalmente um sorriso surgiu em seu rosto.

– E ainda faremos muitas coisas nela... – Pisquei.

– O romantismo durou pouco. – Reclamou.

– Oh, Paloma, você não falou isso... – Brinquei, ameaçando-a. – Você sabe que não sou de romances...

– Você é sim, só não percebeu ainda.

Eu era? Com ela, era. Toda noite que deitava ao seu lado imaginava fazendo aquilo para sempre. Não queria pensar no dia que deitaria na cama e não encontraria o seu corpo... Ou no dia que acordaria e não admiraria seu sono profundo, sua beleza eterna. Se isso não era romantismo, o que mais seria?

– Tudo bem. Em terceiro lugar... Não sabia que você queria ser vista comigo.

– Por que não iria querer? – Perguntou triste.

Suspirei. Havia tantos motivos para não querer ser vista com o cara que dormia cada noite com uma... Não queria que ninguém pensasse que ela era apenas mais uma. Paloma era única.

– Pare de se rebaixar, Ricardo. Você está inventando tudo, isso sim. Não quer ser visto com alguém? Não quer perder a fama de pegador? Que seja, mas não pense que... – Beijei a sua maravilhosa boca novamente, calando-a.

Dessa vez, não funcionou. Assim que libertei sua boca, voltou a falar coisas horríveis. Aquela não era ela... Mas teria que me acostumar com seus dias complicados. Só não sabia que mulher mudava tanto assim quando entrava na TPM!

– Quer namorar comigo, Paloma? – Perguntei no meio do seu discurso. Ela ficou quieta assim que terminei a frase, finalmente.

Encaramos um ao outro por um momento. Ela, não acreditando que havia escutado direito. Eu, surpreso por ter falado aquilo em voz alta. Pedir alguém em namoro era tão... Clichê. Mas havia sonhado com aquele pedido várias vezes durante a semana e desejava poder falar para todos que ela era minha. Minha namorada, minha amada.

– Repete. – Pediu ela, surpresa.

– Está falando sério? – Ri.

– Repete Ricardo. – A raiva ainda estava no seu tom.

– Quer namorar comigo? – Pedi, distribuindo alguns beijos pelo seu rosto.

– Pensei que não tivesse ouvido direito. – Suspirou.

– É a sua vez de falar alguma coisa... – Sorri, voltando a olhá-la.

E se recusasse meu pedido? O que aconteceria?

– Agora quer que eu fale, né? – Riu.

– Sim, Paloma, responda logo. – Sorri, usando o seu tom raivoso.

– Eu quero. É claro que quero. – Sorriu. – Mas você precisa me soltar.

Olhei para suas mãos amarradas. Ah, tantas coisas que poderia fazer com seu corpo rendido daquele jeito...

– Não sei se quero te soltar... – Sorri de lado, encarando-a.

– Ricardo, para com isso! – Resmungou.

– Tudo bem, tudo bem! – Rendi, levantando para soltar as suas mãos. – Já vi que não posso mexer com você quando estiver nesses dias.

– Não estou em dia nenhum, seu idiota. – Falou, me empurrando para a cama assim que teve as mãos livres, e sentando-se em cima de mim.

Não sei qual posição gostei mais: seu corpo todo amarrado ou assim, tão dominante e atrevida. Tudo fazia com que a desejasse ainda mais.

Vê-la assim, montada em mim com um desejo evidente no olhar, me enlouqueceu. Por pouco não troquei nossas posições e a possuí ali mesmo. Foi por muito, muito pouco. Mas, felizmente uma pequena parte do meu cérebro ainda funcionava.

– Isso quer dizer que já podemos transar, namorado? – Falou, mordendo levemente a minha orelha.

Não provoque, garota... Não provoque.

– Ainda não. – Falei, usando todas as forças ainda existentes. Não eram suficientes. – A hora certa ainda não chegou.

– Não precisamos de hora certa. – Resmungou.

– Na verdade, precisamos. – Falei, acariciando o seu rosto levemente. – Porque se fosse fazer tudo o que tenho vontade com você neste momento, nunca mais olharia na minha cara.

Era a mais pura verdade. Poderia imaginar mais de mil cenas eróticas envolvendo nós dois. Na cama, no chuveiro, na cozinha, no carro... Todas fortes demais para uma garota que tinha aparência de durona, mas por dentro era a coisa mais delicada que já havia conhecido.

Não seria capaz de machucá-la.

– Você não está falando sério... Eu sei como é o seu sexo e tenho certeza que não fugiria após isso acontecer. – Falou, usando a voz mais sensual que já ouvi. A garota sabia como conseguir o que queria.

– Eu quero que após ter um orgasmo comigo, você não pense em ter com mais ninguém. – Falei, imaginando seu rosto corado, sua respiração ofegante, seus gemidos insistentes... Nada disso ajudava a me manter controlado.

– Então vamos fazer isso. – Pediu, puxando levemente meu cabelo.

Mais uma vez, ultrapassando o meu limite.

– Tudo na hora certa, Paloma. Tudo na hora certa. – Expliquei, enquanto tirava-a do meu colo e levantava da cama, deixando-a sozinha para tomar um banho gelado. Muito gelado.

Minha namorada estava na cama, implorando por sexo, enquanto eu negava com todas as forças e tentava relaxar no banho. Que porra havia de errado comigo?

A próxima semana se passou assim: provocações seguidas de banhos frustrantes. Meu corpo parecia estar criando resistência à água gelada, pois logo quando voltava para o quarto e a encontrava com apenas a minha blusa e uma calcinha cada vez menor, ficava duro novamente.

Sabia que precisava fazer algo sobre isso, e logo. O mais rápido possível. Se passasse mais uma noite encoxando-a, faria algo que me arrependeria pelo resto da vida e faria me odiar por este mesmo tempo.

-

Acordei com a sensação de estar sendo observado.

Quando consegui prestar atenção nos meus sentidos, percebi que Paloma traçava os contornos das minhas tatuagens no braço com seu dedo fino e delicado. Mesmo sem abrir os olhos sabia que olhava atentamente para as mesmas.

– Está gostando do que vê? – Perguntei, sorrindo de lado.

– Não sabia que estava acordado. – Falou surpresa.

– Agora estou – Me virei para ela.

Sua boca estava tão macia como sempre. Jamais me cansaria daquilo.

Depois de um tempo nos beijando, voltamos à posição inicial, comigo olhando para ela de lado, enquanto observava os desenhos com um brilho de curiosidade no olhar.

– Pode perguntar. – Falei, reconhecendo aquele olhar em seu rosto.

– Elas são tão lindas... – Comentou, sem parar os movimentos dos dedos. – Têm um significado?

– Sim, elas têm. – Suspirei, deixando de olhá-la para me concentrar nas rachaduras do teto.

– Fale mais. – Pediu, docemente. O tom que sempre usava quando queria alguma coisa.

Era incrível como conseguia desvendá-la. Ela estava mais aberta, como se quisesse se entregar para mim. E eu queria, ah, como queria que fosse só minha para sempre.

– Ricardo? – Perguntou. Então percebi que ela esperava por explicações.

– Ok... A primeira que fiz foi um coração com um nome dentro. – Comecei, tentando me lembrar da ordem cronológica de todas.

– Não consigo ver essa. – Disse, segurando meu braço para ver melhor. Ela jamais encontraria.

– Me deixa terminar. – Reclamei, enquanto olhava em seus olhos para que entendesse que tudo seria explicado. Quando assentiu, voltei a olhar o teto, me concentrando nos desenhos. – Depois fiz a rosa branca em homenagem à minha mãe. Ela amava rosas e... Eu queria algo no meu corpo que lembrasse ela. E que havia morrido por...

– Não foi por sua causa. – Me interrompeu mais uma vez, movendo a mão do meu braço para o meu rosto.

– Ainda é difícil acreditar nisso. – Falei, sem saber se havia falado realmente. Como poderia acreditar o contrário? Que ela não havia morrido por minha culpa? Não sei como, mas estava começando a acreditar... Talvez, apenas talvez...

– Continue. – Pediu me tirando das divagações novamente.

Respirei fundo, feliz em focar outra coisa que não fosse o momento mais terrível da minha vida.

– Depois fiz os símbolos em japonês. Eles querem dizer "irmão de sangue", e foram feitos em homenagem ao Miguel.

– Não faz sentido.

– Posso falar? – Perguntei, sorrindo para ela.

– Pode, mas quero saber mais! Não faz sentido colocar uma frase tão fria... – Explicou-se, parecendo indignada.

Eu respirei fundo antes de revelar mais um segredo do meu passado.

– Miguel não é meu irmão biológico. Pelo menos, não por inteiro. Minha mãe o teve fora do casamento. – Expliquei, relembrando uma história que há muito tempo não era contada. – Escrevi isso porque para mim, ele é como um irmão de sangue, mesmo não sendo. Agora faz sentido?

Paloma me encarava de boca aberta, sem esconder a surpresa.

– Ele sabe disso?

– Sim, ele sabe.

– Uau! – Exclamou, olhando para o nada.

– Agora posso continuar? – Perguntei, acariciando o seu rosto para fazê-la voltar à realidade.

– Depende... Tem mais alguma história chocante?

– O pássaro é em homenagem ao meu pai. É para me lembrar de que ele foi embora... Voou para longe quando nós mais precisávamos dele. – Continuei, sabendo que ela ainda queria saber os significados das tatuagens.

Pude sentir a compreensão nos olhos da garota. Ela sabia o que eu sentia, pois havia passado pela mesma coisa. A diferença é que não tinha um irmão mais novo para criar.

– Ele te dá notícias? – Perguntou.

– Ele deposita uma quantia exagerada de dinheiro na nossa conta a cada mês. Mas não quero isso, então está tudo intocável.

Senti a mão de Paloma no meu rosto mais uma vez, acariciando levemente. Seus olhos pareciam querer dizer algo, mas a boca não se movia. Dessa vez, não conseguia fazer a menor ideia do que pretendia falar.

– O que mais? – Perguntou, interrompendo nossa conexão e voltando a olhar para o meu braço.

– O que falta? – Perguntei, conturbado.

– A caveira.

– A caveira. – Suspirei, imitando-a.

– E o coração... – Comentou, esperando por explicações. Sempre tão ansiosa!

– O coração foi coberto pela caveira. – Falei, por fim. – Ele tinha o nome da Raissa dentro, e não poderia me arrepender mais de ter tatuado isso.

Paloma pareceu pensativa por um momento e temi que tivesse ferido os seus sentimentos ao mencionar uma ex, mas ela logo se recuperou.

– E por que uma caveira? – Perguntou.

– Porque a caveira simboliza a morte. A morte cobrindo o amor... O amor sendo extinto do meu coração. Foi o fim para mim. E... Ela está com rachaduras para simbolizar que não tem reparo. Que meu coração se foi e se quebrou. É permanente.

Doeu falar isso, mas acima de tudo, pareceu estranho. A explicação para a tatuagem vinha à minha mente toda vez que olhava no espelho e sempre pareceu a melhor explicação. A mais pura verdade.

Por que agora parecia não fazer sentido?

– Posso dizer o que eu acho? – Perguntou ela. Entretanto, eu já sabia que falaria de qualquer maneira.

– O que você acha? – Perguntei ironicamente.

Paloma não riu e nem olhou mais para o meu braço. Concentrou-se em meus olhos e moveu a mão até o meu coração que batia acelerado toda vez que sentia o seu toque.

– Eu acho que você está errado. – Começou séria. – Acho que as rachaduras representam o amor vencendo a morte. O amor sendo capaz de superar a morte. Tão forte que a caveira não aguentou e rachou. Mas não foi forte o suficiente para quebrá-la completamente. Você precisa de um amor mais forte.

– É uma boa teoria... Mas você está esquecendo o fato de que eu não acredito nessas coisas. – Falei como teria falado algumas semanas atrás.

– Tem certeza disso? – Perguntou enquanto me puxava para cima dela.

Sempre que tive uma mulher embaixo de mim, fazia a garota gemer alguns segundos depois. Mas desta vez foi diferente. Tudo o que consegui fazer foi encarar Paloma e amá-la ainda mais.

Seus olhos estavam tão intensos que era impossível desviar o olhar.

– Você acredita nisso? Acredita que o amor seja capaz de superar a morte? – Perguntei confuso pelos sentimentos em conflito.

– Eu... Eu acho que sim. – Respondeu parecendo insegura do que disse.

– Seja sincera.

– Tem amor que é forte o suficiente para curar qualquer ferida. – Falou, passando as mãos pelo meu rosto em um carinho que eu queria sentir para sempre.

– Mas, e quando a pessoa não é capaz de amar? – Perguntei, buscando respostas em seu olhar.

– Quando a pessoa não é capaz de amar, ela não é capaz de viver.

– Você está viva? – Perguntei desesperado por uma resposta.

– Você está?

– Com você, eu estou. – Revelei sem nem pensar duas vezes. Nenhuma frase pareceu tão verdadeira como esta.

Paloma me olhou com brilho nos olhos e enfim respondeu com a voz mais doce que já ouvi.

– Eu também estou.

Estávamos vivos, juntos. Isso era tudo o que importava.

Como um sentimento era capaz de evoluir em tão pouco tempo? Como um coração era capaz de ser restaurado com pequenos gestos, os quais passariam despercebidos por outras pessoas? A maneira como ela procurava por mim no quiosque, por exemplo: sorrindo de pura felicidade ao me encontrar. O jeito como suspirava cada vez que ouvia algo triste sobre mim, como se sentisse minha dor. E o modo como me tocava, arrastando sua mão pelo meu peito como se tivesse restaurando tudo o que um dia fora quebrado.

Não poderia imaginar um mundo mais perfeito... Uma droga que estava prestes a ser destruída.