O Caminho Certo

Ana Martines · Capítulo 34 de 44

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O Caminho Certo

Capítulo 36 · Estava vivendo os melhores dias da minha…

Estava vivendo os melhores dias da minha vida ao lado de Ricardo. Jamais

imaginei que poderia ser tão feliz... Ainda mais depois de tudo que já aconteceu.

Mas com ele era assim: se não estávamos rindo, estávamos nos amando. Não, não da maneira tradicional, sem roupa e tudo mais... Ainda não chegamos neste ponto. Nosso modo de amar era diferente. Ele me olhava e tudo desaparecia como num passe de mágica. E então caíamos em nosso mundo particular, onde nada mais importava. Se pudesse ficaria lá para sempre.

Ele ainda não havia falado as três palavrinhas importantes... Mas havia demonstrado de todas as maneiras possíveis. No primeiro mês aquilo me frustrara. E se estivesse comigo apenas por diversão e não sentisse nada? Ficaria destruída. Mas então percebi que ele sentia e muito. Não mais do que eu... Mas o suficiente para me fazer feliz. Para tampar aquele buraco no meu peito.

Ricardo não havia apenas me concertado, mas me reconstruído. Era uma nova mulher por sua causa.

Estávamos prestes a completar três meses juntos. Três meses! Jamais estive em um relacionamento por mais de uma semana e o nosso já durava tudo isto. E o melhor: ele não me pressionava para transar. Fazia muitas provocações, é claro... Só de vê-lo com aquele sorriso de lado já tinha vontade de trancá-lo no quarto mais próximo. No entanto, ele sabia que eu ainda não estava pronta. Não sei bem o motivo... Mas não estava. Queria que fosse perfeito, sabia que seria... Mas meus medos eram grandes demais para arriscar.

– Não sei por que me trouxe junto... Tenho certeza que você conhece o Ricardo melhor do que eu. – Falou Marina, piscando.

Nossa caminhada pelo shopping já durava mais de duas horas, em busca do presente perfeito de três meses de namoro... E nada. Ou era muito caro, ou muito feio, ou não era a cara dele. Que ótimo!

– Não do jeito que você está pensando. – Falei, encarando-a. – Precisava de uma segunda opinião...

– Que nada, só queria alguém para fazer compras com você. Sabe que aqui não é muito a minha praia, não sabe?

– Sim, percebe-se. – Falei, apontando para a roupa que usava: short e regata no fim da tarde em um shopping... Imagino que nunca tenha pisado ali. – Mas também não é mais a minha.

Lembro os dias em que fugia para lá apenas para esfriar a cabeça e gastar um pouco. O pouco que hoje considerava dinheiro pra caramba. Mas agora, tudo que queria era ir para a praia descansar. Sair desse lugar lotado de gente sem conteúdo. O que havia acontecido comigo?

– Ainda bem que não te conheci quando era diferente. Teria te odiado. – Riu.

– Acho que eu também me odiaria. – Ri junto.

Marina havia se tornado uma das minhas melhores amigas. Passávamos todos os domingos juntas, conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Claro, os meninos também estavam presentes, o que nos impedia de conversar assuntos mais íntimos. Mesmo assim a nossa ligação só aumentava.

– Por que não compra lingerie para ele? – Perguntou quando passamos na frente de uma loja de peças íntimas.

– Não sei... Não é bem um presente que se dá na frente de todo mundo.

– Mas não precisa, garota! Se vista bem amanhã e faça uma surpresa para ele no meio da noite... Tenho certeza que não decepcionará. – Falou, me olhando de cima a baixo.

– Se você não fosse tão apaixonada pelo Miguel, pensaria que é lésbica. – Ri, recebendo um tapa no braço.

– Miguel é o meu melhor amigo. Não sei por que vocês insistem em confundir as coisas. – Resmungou, me puxando para dentro da loja. – Vem, vamos comprar logo essa droga de lingerie.

Ótimo, este seria o presente então. Pensando bem... Não seria tão ruim. Tenho certeza que Ricardo amaria... Mas eu estava pronta para o que aconteceria depois que desse o presente?

– Não confundimos nada, vocês que não assumem logo... Por que nunca te vi com nenhum garoto além dele? – Perguntei curiosa.

– Porque não sou de levar meninos na casa do meu melhor amigo. E... Eles sempre desistem quando descobrem da sua existência.

– Oi? – Acho que não ouvi direito.

– Pois é. O Miguel é... Intimidante. – Falou, pensando na palavra. – Um ou dois dias depois de apresentá-lo a algum namorado, este simplesmente some. É como se tivessem medo dele...

– Miguel? Intimidante? Acho que não estamos falando da mesma pessoa. – O Miguel é um doce de pessoa. Impossível.

– Você não o conhece tão bem quanto eu. – Falou, encerrando o assunto e saindo de perto para ver outras peças.

Pelo visto, não mesmo. Mas de uma coisa eu sabia: aqueles dois eram inseparáveis... E não era só amizade.

Por fim, comprei a lingerie e Marina me deu uma carona até em casa, já que ainda não tinha o meu próprio carro – e muito menos sabia dirigir.

– Não quer ficar até a chuva passar? – Perguntei antes de sair do carro, olhando o céu que mostrava que a garoa era apenas o começo.

– Não, minha casa não é tão longe. Esta chuva não vai passar tão cedo. Vou passar no quiosque para pegar o Miguel e vou direto para casa.

– Ele vai dormir com você? – Perguntei, ansiando por mais uma noite sozinha com Ricardo. Eram as melhores.

– Sim, minha colega de quarto está com um namorado novo, e continuo detestando tempestades. – Falou, olhando com raiva para o céu.

– Por detestar, você quer dizer morrer de medo, não? – Ri.

– Exatamente. Agora vai lá porque o tempo só vai piorar.

– Obrigada por ter ido comigo hoje. – Sorri, me despedindo. Peguei a sacola de compras e desci do carro.

Antes de chegar à portaria, Marina gritou:

– Lembre-se: o presente é para amanhã, não para hoje! – Riu ela, saindo sem me dar a oportunidade de me defender.

Não sabia nem se conseguiria usar aquilo amanhã... Quem dirá hoje!

Ao entrar no apartamento, me surpreendi com a completa escuridão. Não era nem seis horas da tarde. Estava escuro e Ricardo ainda demoraria a chegar. Droga, por que o escuro me aterrorizava tanto? Por que parecia haver diversos monstros escondidos, somente esperando o momento certo para me atacar?

Precisava me distrair. A primeira coisa que vi foi a sacola de roupas intimas. Não custava nada experimentar o que comprei, certo? Afinal, nem havia provado na loja, com vergonha da Marina... Sozinha em casa me sentiria melhor pelo menos e saberia se teria coragem de mostrar para ele amanhã.

Animada com a ideia, corri para o quarto com a sacola nas mãos, louca para saber como a camisola ficaria no corpo. Urgh, camisola era um nome tão feio para uma peça tão delicada... Mas quando perguntei para a moça como aquilo se chamava, ela falou algum outro nome em inglês que fugiu da minha mente poucos segundos depois. Que seja camisola então.

A peça era curtíssima – não cobria sequer a curva da minha bunda – mas muito elegante. Vermelha, com rendas na parte superior e transparente abaixo dos seios. Simplesmente perfeita e, quando olhei no espelho, me senti a mulher mais sexy do mundo. Estava pronta para desfilar na Victoria’s Secret.

E foi esse pensamento que me fez colocar um salto alto da mesma cor e sair desfilando pela casa com o tecido fino e a calcinha que não escondia nada. Havia depilado as pernas mais cedo, o que me fez sentir ainda melhor. O que Ricardo acharia disso?

Nunca me senti tão bem comigo mesma. Tão... Sensual. No entanto, não teria coragem de colocar aquela roupa e sair desfilando para ele, com seus olhos presos no meu corpo. Só de imaginar já começava a ficar da cor da camisola. O que faria amanhã?

Parei na sala e apaguei a luz, deixando apenas a do quarto para iluminar o caminho. O ambiente ficou com um ar muito mais erótico. Como podia sentir isso apenas com uma roupa? Ou melhor... O que ele sentiria quando me visse assim?

Não demoraria a descobrir.

Foi neste momento que Ricardo abriu a porta da frente e acendeu a luz mais rápido do que o normal. Não ouvi a chave sendo enfiada na fechadura por causa dos trovões cada vez mais intensos. Como pude não ouvir?

Tudo se moveu em câmera lenta. Ricardo acendendo a luz e levantando a cabeça. Seu corpo longe do meu, mas não longe o suficiente para não reparar que estava ali. Sua cabeça erguendo na expectativa e o olhar alterando-se para a surpresa. Não havia mais o que fazer. Estava presa em seu olhar, sem conseguir mover um músculo sequer enquanto era analisada – e desejada pra cacete – da cabeça aos pés.

Ele fechou a porta com a perna, sem se importar em trancá-la e sem tirar os olhos de mim. No entanto, o barulho me despertou do transe e finalmente consegui me cobrir – ou ao menos tentar – com os braços. Ele já estava se aproximando, cada vez mais próximo... E eu quase nua. Nua!

– Eu... Eu posso explicar. – Falei, me encolhendo, querendo desaparecer.

– Por que está se escondendo, Paloma? – Perguntou com a voz grossa.

– Você não deveria me ver assim.

– Quem deveria, então? – Usava um tom desconfiado, mas não menos desejoso.

– Não quis dizer isso. Você, é claro. Mas não agora. Não hoje. – Meu rosto estava em chamas. Por que ele havia chegado mais cedo?

– Você está magnífica. – Falou, puxando a minha mão para que parasse de esconder o corpo. Oh não, não poderia me mostrar assim.

– Pare com isso. – Pedi sem olhar para ele.

– Vamos lá, me deixa te ver, Paloma. – Meu nome nunca soou tão sexy em seus lábios.

Quando olhei em seus olhos novamente, percebi que estava perdida. Simplesmente perdida. O azul era tão profundo que me passou todo o desejo que sentia, e de repente queria que fizesse qualquer coisa que tivesse vontade. Qualquer coisa. Queria saciar o seu desejo. O meu desejo.

Abaixei os braços devagar, me deixando levar pelo seu olhar, tentando não ligar por estar quase nua na sua frente. Depois de observar o meu corpo pelo tempo que pareceu uma eternidade, Ricardo segurou na minha mão e me fez girar, parando de costas para ele. E então veio o suspiro.

– Não, magnífica não descreve. Você quer me destruir. – Falou, suspirando em suas pausas. Colou o corpo no meu, passando os lábios pelo meu ombro até minha orelha em um carinho tão conhecido, mas tão diferente. Nunca pareceu tão erótico.

– Não era para você ver isso hoje. – Repeti sussurrando.

– Quando era para eu ver?

– Amanhã. Era... um presente. – Falei, sentindo o rosto queimar novamente.

Enquanto falava, suas mãos não paravam de subir e descer pelo meu corpo, acariciando e apertando todos os lugares possíveis.

– Vamos fingir que já é amanhã então. – Sussurrou, puxando minha orelha de leve.

De repente, me virou para si e atacou a minha boca com fúria e desejo inesperados. Não hesitei em retribuir, entrelaçando os dedos no seu cabelo e aproveitando ao máximo o beijo inédito. Ele nunca havia sido tão sem controle comigo...

Quando vi, minhas pernas estavam na sua cintura enquanto me carregava em direção ao quarto. Sem tirar a boca de mim, Ricardo distribuiu beijos e mordidas por todo o meu pescoço, indo até o ombro e me deixando mais arrepiada do que nunca.

Tive o corpo largado na cama e ele voltou a me observar. Com o desejo no olhar, sorriu de lado e sentou próximo aos meus pés, tirando um salto por vez, sem deixar de me olhar um segundo. Como poderia haver tanto desejo em sua feição? Tenho certeza que o olhava da mesma maneira.

Aos poucos foi subindo pelo meu corpo, beijando cada pedaço de pele das pernas nuas. Quanto mais subia, mais arrepiada eu ficava e mais desejo sentia. Continuava longe... Nunca próximo o suficiente. Não via a hora que o sentisse próximo o bastante.

Quando ficou completamente sobre mim, voltei a entrelaçar as penas na sua cintura e suspirei ao sentir seu volume mostrando o quanto me queria. Se não fosse por isso, seu olhar cumpriria a tarefa, com a pupila dilatada e o desejo evidente.

Foi então que a realidade caiu sobre mim.

O que estava fazendo? Estava prestes a perder a virgindade? Estava pronta para aquilo? Não, não estava há algumas horas... Não era possível estar agora. E se doesse? E se ele sumisse no dia seguinte? E se alguma coisa desse errado? E se...?

Ricardo parou de me beijar e ficou me encarando, olhando no fundo dos meus olhos. Tirou uma mecha do meu cabelo que caía pelo meu rosto e sorriu de lado... O sorriso safado misturado com o apaixonado. Nunca havia visto este em seu rosto. Definitivamente era o meu preferido.

– Eu te amo, Paloma. – Falou alguns segundos depois, sem tirar os olhos de mim.

Era a resposta que procurava. Ao ouvi-lo falar as três palavras perfeitas soube que sim, estava pronta. Mais do que pronta. E sabia que nada daria errado... Seria tudo tão perfeito quanto sonhei, ou até mais. Tudo se tornava perfeito quando estava ao seu lado.

– Eu também te amo, Ricardo. – Respondi, sorrindo amplamente. O mesmo sorriso surgiu em seu rosto.

Foi a minha vez de atacá-lo. Puxei sua boca para mim novamente, querendo demonstrar o que havia acabado de falar. Oh, e como o amava! Amava mais do que a minha própria vida... Saber disso me fez suspirar e, mais uma vez, sentir a mulher mais feliz do mundo.

Ricardo então desceu a boca pelo meu corpo, apreciando cada pedaço do mesmo, e me fazendo levantar para tirar a camisola. Ao ficar completamente nua na frente dele, seu olhar mudou de “estou te desejando, mulher” para “estou te desejando pra caralho, mulher”. Se o anterior já me fazia suspirar, este então...

Aproveitei que estávamos ajoelhados na cama e comecei a desabotoar sua calça, na expectativa. Ricardo percebeu que eu estava nervosa, ansiosa, receosa e tudo mais... E não me apressou em nenhum momento. Quando consegui abrir o único botão da calça e abaixar o zíper, ele saiu da cama e a tirou, ficando apenas com a cueca boxer. Mesmo vendo-o todos os dias dessa maneira, aquela foi a mais sedutora de todas.

Como desejava aquele homem!

Depois de me deixar encará-lo por alguns segundos, ele tirou a cueca e me deu uma visão melhor: finalmente estava nu. A primeira vez que via um homem nu na vida, e este tinha que ser um deus grego. Não havia perfeição maior que aquela...!

– Gosta do que vê? – Perguntou ele, metido como sempre.

Gostar era pouco... Mas não queria apenas observá-lo. Queria descobrir quais sensações aquele corpo seria capaz de me proporcionar.

– Volta aqui logo. – Pedi, sorrindo.

– Como desejar. – Sussurrou, deitando por cima de mim.

Não existem palavras para descrever a sensação maravilhosa que era ter a sua pele contra a minha, sem nada nos atrapalhando e sem nenhum tecido nos interrompendo. Livres, sozinhos e unidos. Nosso mundo particular virando realidade.

– Eu quero te amar de todas as maneiras possíveis, Paloma. Quero sentir seu gosto, te conhecer dos pés à cabeça e te dar orgasmos antes mesmo de te comer. Mas agora, tudo o que preciso é estar dentro de você. – Suspirou, com o membro próximo demais de mim.

– Eu também, Ricardo. Preciso que faça isso. – Pedi, suspirando com ele.

– Tem certeza?

– Nunca tive tanta certeza em toda a minha vida. – Falei, olhando em seus olhos.

– Que bom. Vou fazer com que não se arrependa. – Sorriu de lado.

Tão metido e tão sedutor ao mesmo tempo. Descontraído em um momento tão sério... Aquele era o homem que decidi amar. Não, não decidi, mas meu coração escolheu por mim. E foi a melhor escolha de todas.

Senti seu membro entrando aos poucos, junto com uma dor inesperada que só aumentava. Quando percebeu que eu estava com dor, Ricardo parou de se mover, me olhando preocupado.

– Não, não pare! – Pedi, sem olhar para ele.

– Paloma... – Sua voz mostrava que sentia a minha dor. E que não queria que eu a sentisse.

– Não para, Ricardo. – Falei olhando em seus olhos, mostrando que queria aquilo.

Já havia lido sobre isso: doía pra caramba. Mas no final, valia a pena cada segundo. No fundo já estava valendo só por tê-lo dentro de mim, me amando cada vez mais. Suportaria o triplo da dor para senti-lo tão próximo.

Aos poucos a dor foi substituída por um prazer inacreditável. Quanto mais ele se movia, mais meu corpo se arrepiava e meus, nossos gemidos escapavam por nossos lábios. Só de ouvi-lo gemer já sentia um prazer enorme. Quando percebeu que a dor havia sumido, Ricardo olhou em meus olhos e mostrou quem realmente era. Seus movimentos aumentaram, tornaram-se mais fortes... Ao mesmo tempo em que nossos gemidos ficavam mais altos.

Enquanto a chuva ficava cada vez mais violenta lá fora, a cama batia na parede, nossos corpos suavam e uma sensação maravilhosa surgia dentro de mim. Aos poucos, essa sensação foi tomando conta de cada nervo, de cada membro, até que se espalhou pelo corpo inteiro.

– Ricardo. – Gemi seu nome ao sentir o orgasmo tão desejado por todas as mulheres. Temia não sentir em minha primeira vez... Mas seria impossível com ele agindo daquela forma. Agora entendia porque era um assunto tão polêmico... era maravilhoso e indescritível.

– Paloma. – Ele gemeu de volta, continuando os movimentos dentro de mim por mais alguns segundos cada vez mais intensos. Enquanto aproveitava os arrepios que ainda circulavam pelo meu corpo.

Até que desabou em mim, suspirando alto e parando aos poucos.

Quando recuperou o fôlego, saiu de cima de mim e deitou ao meu lado. No mesmo instante me puxou para o seu peito, onde deitei a cabeça e amei o carinho que recebi no cabelo. Assim passamos vários segundos... Aproveitando o silêncio e não fazendo a menor ideia de como escapar dele.

– Me desculpa. – Falou, por fim.

Apoiei o cotovelo na cama para poder olhar em seus olhos e não encontrei o arrependimento presente na sua voz. Tudo o que havia ali era carinho... Carinho e satisfação.

– Pelo que?

– Por ter sido tão bruto com você. – Falou, acariciando o meu cabelo.

Sorri para ele.

– Não, não desculpo. Você não pode se desculpar por ter me dado a melhor primeira vez de todas.

– Bom... Não tem como existir uma vez melhor, certo? É a única. – Riu.

– Tenho certeza que todas as outras vezes também serão únicas. – Sorri, dando-lhe um selinho. – E as melhores.

– Serão as melhores porque jamais deixarei que outro faça isso. – Falou, me olhando intensamente.

– Não é justo, afinal você já teve outras... – Brinquei.

– Nenhuma delas chega aos seus pés, Paloma. – Continuou sério.

Depois de tantas, como poderia falar que eu era a melhor? Não era possível... No entanto, eu sabia que jamais haverá um homem que não seja ele na minha cama.

– Não quero mais ninguém, Ricardo. Só você. – Falei, adquirindo a sua seriedade.

– Melhor assim, porque você é minha. Jamais deixarei que você seja de mais alguém, garota. – Sorriu.

Sem ter o que falar, eu beijei a sua boca tão sedutora. Um beijo calmo e apaixonado, diferente do que estávamos compartilhando alguns minutos atrás, mas tão perfeito quanto.

– Por que veio para casa mais cedo? – Perguntei quando voltamos a nos olhar.

– Fiquei preocupado com você... A chuva estava piorando e eu não queria que ficasse sozinha com um tempo desses.

Sua resposta tão simples me deixou ainda mais apaixonada.

– Eu te amo. – Falei sorrindo.

– Eu também te amo. – Suspirou ele, demonstrando as palavras em apenas um olhar.

– Eu sei. – Sorri, piscando.

– Não sei se sabe mesmo... – Falou, movendo-se para cima de mim novamente. – Acho que preciso demonstrar mais uma vez.

– Só mais uma vez não será suficiente... – Admirei seu olhar profundo. Capítulo 37

– Não? Quantas então? – Perguntou, sorrindo.

– Acho que não sairemos mais dessa cama. – Sorri com ele. Até que ele começou a beijar meu pescoço e perdi a noção de onde terminava a brincadeira e começava a realidade. Tudo indicava que não sairíamos dali tão cedo.

Queria viver naquele paraíso para sempre. A vida era perfeita demais para ser verdade...