Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 10 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 8

Enquanto esperava, não tão pacientemente, que todos se encaminhassem para a sala de

estar da suíte, Mark estava com a cabeça a mil.

Eram tantas as perguntas... Por que ele sempre reservava o andar inteiro, se os caras acabavam na mesma suíte? Por que ele ainda se enganava e dormia acreditando que todos iriam se comportar? Por que ele não seguiu o conselho da mãe e virou médico?

Por quê?

Por quê?

Com os seus seis problemas espremidos no grande sofá da suíte máster, Mark andava de um lado para outro, rezando para que os deuses do Tibet trouxessem para ele um pouco de calma.

Seis problemas, não mais cinco. Porque Lilly era nada mais do que aquilo... um novo problema para ele.

Se já não bastassem, a instabilidade da Penne, que o fazia ficar em alerta, vinte e quatro horas por dia, a preocupação constante com Gabe e a tendência às drogas, as brigas de Big, que vivia entrando em confusões que não eram dele, e as inúmeras fãs apaixonadas por Adan, que o fizeram ter uma conta aberta no laboratório de DNA, agora o Brian. O único sensato do grupo resolvera enlouquecer!

Porra!

Porra!

Porra!

— Vocês sabem o porquê desta reunião?

— Sim — o grupo inteiro respondeu, seguido de um: — Eu desconfio — quase inaudível de Lilly.

Na mesma hora, Lilly sentiu as mãos de Brian envolverem as dela. O primeiro impulso foi tirá-las, mas o calor reconfortante da pele dele na dela, fez um efeito imediato apaziguador. Uma avalanche de emoções e a vergonha faziam o coração dela bater descompensado.

— Sabem que são a porra de uma banda que emplaca, no mínimo, três hits semanais em top 10, há cinco fodidos anos?

— Sim.

— Estão cientes de que este é um negócio SÉRIO de bilhões de dólares?

— Sim.

— Sabem que, para cada passo que dão, tem sempre um babaca de um paparazzo intrometido e louco para ganhar alguns milhares dólares em cima de qualquer imagem de vocês?

— Sim.

— Lembram-se de quando eu disse que tudo era permitido, desde que agissem com um mínimo de discrição? Quantas vezes eu falei que eram livres para fazer o que quiserem, foder quem quiserem, ir às porras dos clubes que quiserem, mas o único mísero favor que EU pedi era para não se exporem?

— Uma porrada de vezes. — A resposta foi unânime.

— Olha só... — Mark bateu palmas. — Estou impressionado que lembrem do que implorei, então por que me desobedeceram?

— Mark, olha só... — Adan começou a falar, mas o empresário levantou o dedo dramaticamente, levando-o à testa, como se quisesse conter um derrame eminente.

— Sabem... hoje eu acordei animado, mesmo depois de uma noite infernal... minhas bolas pisoteadas latejaram a noite toda... tive pesadelos sonhando que meu pau nunca mais subiria... e que o Richard me largaria. Porém, mesmo assim, acreditei que seria um bom dia... um magnífico dia de folga! Aí, chego aqui e descubro... — Faz outra pausa dramática. — Um... que passaram a perna na equipe de segurança, mais uma vez. Dois... que o meu vocalista estava se atracando com duas prostitutas. Até aí normal, estranhei que não fossem mais. Três... que a minha adorável banda foi abduzida pela fada verde do vômito. Poxa vida! Dei um desconto... Afinal, são jovens e estão estressados...

— Então... sobre ontem... — Big começou a argumentar, mas recebeu um olhar mortal de Mark, que respirou fundo e recomeçou a falar:

— Calma, que a coisa só melhora! Não sabem como eu fiquei feliz quando um “superamigo” me ligou hoje cedo — Mark enfatizou as aspas com os dedos — tão alegre por ter visto vocês em cada porra de tabloide, site e programa de celebridades do planeta. Pensei... bom! Meus meninos são estrelas, quanto mais brilharem, melhor, não é mesmo? — Passou a mão freneticamente nos cabelos. — Sabiam que até agora, já temos mais de quinze milhões de novos posts no site oficial? Elogios, é verdade, mensagens de apoio, não posso negar, mas, em contrapartida, também tivemos centenas de fãs histéricas e deprimidas dizendo que querem morrer! MORRER! Vocês viraram o quê? Aquela porra da baleia azul assassina?

— Credo, Mark, vira essa boca pra lá... Aquela merda de baleia é uma puta roubada!

— Quieta, Penne! Sou eu quem fala agora!

— Não grita com ela, Mark!

— Eu sei me defender sozinha, Adan!

— Ingrata da porra!

— Pescador de piranha!

— Oooos dois, querem calar a boca? Quem disse que eu estou gritando? Vocês ainda não me viram perder a cabeça, mas eu juro, estou a um triz de implodir!

Como que por milagre, Dilon entrou no quarto interrompendo a discussão. Ele trazia um carrinho abarrotado com café, água, suco de laranja, um vidro de Advil, além de antiácidos.

— Valeu, cara! — Brian agradeceu ao anjo da guarda da banda. — Minha cabeça parece uma britadeira.

Os cinco saltaram em cima do carrinho, como se fosse uma tábua de salvação.

Ciente de que era a causadora de todos os males que atingiam Mark... Lilly ficou imóvel. Por mais que a cabeça dela também latejasse, seria muita cara de pau buscar por alívio. Merecia a dor. Sabia que as bebidas eram para os meninos, não para ela.

Então... ficou grata quando Big sentou-se novamente ao seu lado e lhe entregou um copo borbulhante de antiácido; e um pouco excitada, quando Brian colocou à sua frente outro copo com suco de laranja e dois comprimidos de Advil... e, por fim, feliz, vendo Gabe depositar uma xícara de café preto fumegante.

E... pela primeira vez em anos... Lilly sentiu-se parte de uma família novamente. Um bando de caras doidos, tatuados, que se xingavam e se batiam, mas que, no fundo, cuidavam uns dos outros.

Penne também voltou a sentar, mas agora no canto oposto, bem longe do Adan fodedor. Sorriu, pois não conseguiu conter a emoção. Ver Brian e Gabe cuidando de Lilly significava muito para a loirinha. Finalmente, depois de seis anos de banda, ela deixaria de ser a única mulher do grupo. Seria maravilhoso ter a amiga no dia a dia. Era difícil dividir com Lilly os segredos e angústias só por telefone.

— Estão todos medicados?

Um sim geral pipocou.

— Daqui a meia hora, ninguém mais vai se lembrar dos litros de álcool ingeridos, eu espero. — Mark voltou a se posicionar em frente ao sofá. — Bom... eu ainda não terminei. Onde eu estava mesmo? Ah! Na mídia... não imaginam como eu vibrei com o roteiro detalhado e maravilhoso que li nos sites. Detalhes e mais detalhes de uma noitada animada! Lembram-se de como foi divertido? Posso apostar que NÃO! Primeiro, os senhores decidiram perder cem mil dólares no Cassino. Nada de mais, afinal, somos bilionários e estamos em Vegas!

Mark começou a ficar verde e Lilly achou que ele também iria vomitar.

— Hey! Eu ganhei vinte pratas nos caça-níqueis! — Brian vibrou, batendo a mão dele na de Gabe.

— Nossa, que impressionante! — Mark revirou os olhos. — Depois, segundo o depoimento dos fãs que os seguiam, a nossa intrépida Penne, apoiada por Adan e Brian, começou um discurso inflamado para convencer a Lilly do quanto era genial a ideia de casar-se em Vegas. Olha só que beleza e como foder com tudo é bobagem no dicionário de vocês... Para quê encerrar a noite por aí, não é mesmo? — As veias das têmporas de Mark pulsavam. — Não satisfeita, Penne regeu um coral de fãs que pedia para a Lilly escolher um de vocês. Parece que a pressão surtiu efeito, porque a nossa adorável bonequinha aceitou, não é mesmo?

— Aceitei? — Lilly quase engasgou e Gabe riu satisfeito. Brian deu um tapa na cabeça do amigo.

— Ah, sim, aceitou! — O coração de Lilly parou ao ouvir Mark. — Agora, meus amores... posso saber a que horas foi feito um pedido? Desde quando Brian estava interessado na garota?

Há uns quatro anos, talvezzzz?, Brian quis confessar, mas mudou de ideia.

— Hum-hum... — Brian limpou a garganta. — Na verdade... é que... não teve um pedido... quer dizer... foi meio que... decidido na queda de braço... quando a gente voltou para o quarto, para pegar o vestido de noiva. Estava entre mim e Gabe.

Mark engasgou e Gabe abaixou a cabeça, batendo-a por diversas vezes na mesa de centro em frente ao imenso sofá.

— Não acredito que perdi a gata! Isso foi roubo! O Brian é muito mais forte do que eu! Deveria ter sido no par ou ímpar, aí eu teria mais chances! Eu quero uma revanche!

— Pode esquecer! Não te dou revanche porra nenhuma! — Os dois amigos começaram a se bater.

— Chega, vocês dois parecem crianças! Brian! Gabe! Isso explica algumas coisas... Belo modo de se escolher um marido, senhorita Lilly! Ou seria senhora Pierce, agora?

A boca de Lilly abriu e fechou... Grunhidos saíram, mas as cordas vocais dela não obedeciam.

Big pigarreou.

— Senhora Lilly Emanuelle Peterson Lincoln Pierce, para ser mais preciso. Eu e a Penne somos os padrinhos!

— Padrinhos? Que maravilha! E posso saber o porquê do passeio de limusine às duas da manhã, justamente para a Luxury? Sabem que aquela boate tem a fama mais do que duvidosa pelas danças exóticas e prostitutas!

Adan caiu em uma gargalhada.

— Qual é, Mark? Um homem não pode se casar, sem ter uma despedida de solteiro decente! Isso é básico!

— Vou dizer o que é básico aqui! — Mark parecia inconformado.

Já o resto do grupo parecia achar tudo muito engraçado. Menos Lilly, que estava tremendo e sem ar... com as cordas vocais ainda congeladas e o cérebro a milhão... totalmente apavorada, excitada, envergonhada, animada, curiosa, grata e casada.

Caramba!

Eu casei para valer... com o Brian!

Nossa Senhora Santíssima, e agora?

— Sabem o que é básico? — Mark bateu palmas, pedindo a atenção de todos. — As imagens que o gerente da boate vendeu para a imprensa! Os pombinhos se atracando em cima do bar e depois, no sofá e por último, o show de striptease com que o Brian e os seus amigos solidários presentearam a noivinha e a madrinha!

— Aquilo foi fantástico! — Penne empolgou-se e Lilly fez uma promessa secreta de nunca mais beber tanto assim. Como ela foi esquecer de uma coisa daquelas? E se casar?

— Fantástico, Penne Love? Trágico, isso sim! Graças a Deus, o gerente teve o bom senso de parar o show antes que vocês tirassem as calças. Pois nós sabemos que nem todos vocês gostam de usar cuecas. Não é mesmo, senhor Gabe?

— Não tenho culpa se a minha pele é sensível!

Mark riu com desgosto e voltou a falar:

— Mas o melhor vem agora! Meu precioso grupo de rock parou na primeira capela vinte e quatro horas pelo caminho, caindo de bêbados! Não preciso nem dizer que as fotos divulgadas pelo pastor, vestido de Madonna, ficaram ótimas... Brian e Lilly quase transando no altar... Big e Penne socorrendo Gabe que vomitava em um vaso! O senhor Adan atracando-se com as duas prostitutas, que depois fodeu neste sofá. — Apontou para o móvel no qual todos estavam sentados.

— Que nojo! — gritou Penne, levantando-se e indo sentar sozinha, em uma poltrona.

— Então, senhores, eu lhes pergunto… Para que porra me contrataram? Têm noção de quantos milhares de dólares estou gastando neste exato momento, para tentar transformar essa merda toda em um lindo caso de amor e uma divertida despedida de solteiro?

— Eu... eu sinto muito. Faço questão de arcar com o prejuízo — Lilly achou a voz e foi a primeira a se manifestar. — É tudo culpa minha. Posso ir à imprensa falar que tudo não passou de brincadeira. Podemos anular o casamento.

O coração de Brian deu um salto ao perguntar:

— Você quer anular? — Eu não quero anular porra nenhuma!

Mark cruzou um braço na cintura, bateu o pé e cutucou a ponta do nariz pensativo.

— Acho que anular seria o caminho mais sensato. Se até Britney anulou o casamento dela, vocês também podem.

— Não, Brian! Não, Lilly! Não podem anular o casamento! Não depois de tudo! Foi tão perfeito! — Penne levantou-se, indo direto para Lilly, sentou na mesinha de centro e segurou as mãos da amiga. — Pense no testamento. Além do mais, Lilly, você me disse que sentia muita atração por Brian e gostou do beijo!

As bochechas de Lilly pegaram fogo. Agora, todos saberiam.

Merda! Merda!

— Eu disse?

— Ela disse? — Brian perguntou ansioso e um sorrisinho presunçoso desenhou-se em seu rosto.

Gabe deu um tapa nas costas do guitarrista, orgulhoso do amigo.

Brian aceitou o golpe, sem retrucar. Ele também sentia atração por ela e gostou do beijo. O fato dela não se lembrar era só um detalhe que ele poderia corrigir facilmente.

— Disse! — Penne abriu um sorrisão e piscou para Brian. — Vai ver pelas fotos. A sua cara de satisfação estava incrível!

— Ai, meu Deus! — Lilly afundou o rosto nas mãos.

Como foi confessar aquilo?

Maldita bebida!

Eram tantas as perguntas...

Como era a cara dela achando o beijo incrível?

Se gostou tanto, por que esqueceu?

Como foi se meter naquela roubada?

Estar casada com um homem que ela mal conhecia. Tudo bem que Brian era o primeiro na lista de Top Perfeitos, mas também era alguém de quem ela não sabia quase nada.

— Que testamento é esse que a Penne falou? — Mark ficou totalmente confuso. — Deus do céu... Por acaso, o que fizeram viola as regras da comissão de valores?

Big coçou o queixo.

— Acho que viola todas elas.

O coração de Mark parou, deu um pulo, parou de novo e deu outro pulo.

— Estamos lascados! — berrou.

A próxima hora foi gasta entre acalmar Mark e explicar a ele as cláusulas do testamento.

— Têm noção da merda em que os dois se meteram? Isso não é brincadeira! — Mark desesperou-se. — É claro que vão pensar que só fizeram isso para salvar o dinheiro. Nem se conhecem.

— Não é bem assim! Conheço a Lilly há quatro anos — Brian argumentou.

— É verdade, nos conhecemos há um tempão e as cláusulas do testamento são confidenciais. Só poucos da família e os advogados sabem. — Lilly o apoiou. Era o mínimo que poderia fazer diante de tudo.

— Todos nós podemos confirmar — Ethan falou. — Temos fotos juntos, Lilly até comprou uma casa quase ao lado da nossa.

— Mas o Will não era contra? — Brian admirou-se. — Pensei que tivessem desistido da casa.

— Era contra, mas... eu a comprei mesmo assim — Lilly murmurou com timidez.

Adan tossiu e foi até Brian, colocando a mão em seu ombro para apoiá-lo.

— A melhor coisa é a verdade. Encheram a cara, sentiram tesão e fizeram merda.

— Não posso ir à imprensa com isso — Mark bufou.

— Só diz que casamos, porra! E foda-se o que pensarem! — Brian perdeu a paciência. — Não sou obrigado a dar satisfação de cada passo meu!

Sem saída, fizeram uma conferência telefônica com o tio Eduard. O único em quem Lilly podia confiar, além dos amigos e de Marie, é claro.

Todos os prós e contras foram discutidos, assim como as possíveis consequências legais de uma denúncia por fraude. Acabaram concordando que o caminho mais seguro era o proposto por Adan. A loucura etílica e impulsiva dos dois estava clara pelas fotos. Nada de anulações.

Decidiram que tanto Lilly quanto Brian teriam que arcar com a bebedeira da noite anterior. Um escândalo agora poderia pôr a perder o sucesso da banda, e a boa reputação de Lilly como artista plástica. Sem falar que... um ano passaria rápido.

O que menos importava naquele momento era o que os dois realmente queriam. Ou negavam ou assumiam tudo de forma convincente. Uma coisa era certa: no segundo em que Mark passou uma cópia da certidão de casamento para os advogados de Ava, todo o mundo daqueles dois inconsequentes havia se alterado.

— Cacete! Eu me casei pra valer! — Brian não conseguia acreditar. — Mas e agora?

— Eu não sei. Acho que não muda muita coisa — Lilly disse baixinho para Brian. O cara já tinha feito um imenso favor a ela. Não poderia exigir mais nada. — Você continua na banda e eu volto para casa. De vez em quando, a gente se encontra. Não é isso?

— Acho que é. — Brian estava confuso, esperava que os dois passassem mais algumas horas juntos, pelo menos, para mostrar como ela tinha gostado de beijá-lo.

— Temos que encher a cara de novo para comemorar! — Big foi logo até o bar e pegou uma nova garrafa de whisky.

Penne e Gabe bateram as mãos em sinal de acordo.

— Concordo! Precisamos de uma festa.

— Que porra de festa, o caralho! Pelo menos não agora! Quero todo mundo circulando. Cada um para o seu quarto. Já! — Mark arrancou a garrafa de Gabe, expulsando todo mundo. — Brian e Lilly vão para suíte dele. Vocês têm muito que conversar.

— Para a suíte dele? — Lilly quase engasgou. — Eu pensei que voltaria para casa.

Mark explodiu em uma gargalhada.

— Pensou errado, queridinha! Trouxe bagagem?

— No meu carro. Deixei com o manobrista ontem à noite. — Lilly, ainda aturdida, alcançou a bolsa jogada em um canto da sala e entregou o voucher do estacionamento para Mark. — É uma Maserati GranCabrio vermelha. Será que dá para pedir para levantar a capota, larguei tudo de qualquer jeito.

— Uau! Belo carro — disse Mark, impressionado. — Vou mandar a bagagem ser entregue no quarto do Brian e vou avisá-los sobre a capota.

— Obrigada! Meu pai adorava Maseratis — Lilly disse com um tom carinhoso. — Acha mesmo necessário eu ficar no mesmo quarto que o Brian? Não quero tirar a privacidade dele. Essa coisa de casamento é meio de mentirinha. Você sabe, né? Talvez, seja melhor eu voltar para a casa ou ficar em outro quarto.

É óbvio que é necessário. No meu quarto, na minha cama e em mim..., Brian pensou animado.

— Minha querida, pensasse nisto antes. Não percebe que todos os olhos estarão voltados para vocês? Qualquer passo em falso e já era. Acho bom irem se acostumando. Os dois vão ter que conviver o máximo possível e é bom que sejam convincentes. Seu tio foi bastante claro, Ava vai querer questionar a veracidade do casamento. Além do mais, pessoas recém-casadas gostam de ficar juntas. Não a quilômetros de distância um do outro. Este é um dos efeitos do amor. — Mark riu e Lilly sentiu o coração palpitar inúmeras vezes. — De jeito nenhum vou manter vocês separados. Vou fazer a minha parte sobre essa louca história de amor, mas preciso que os dois me ajudem.

— Ajudar como? — agora foi a vez de Brian perguntar.

— Repetindo em público o mesmo fogo que mostraram nas fotos. Quanto tempo seria a sua lua de mel, Lilly? Tem algum emprego ao qual precisa retornar?

— Ficaria fora por um mês. E eu não tenho exatamente um emprego fixo. Sou artista plástica, lembra? Trabalho no meu ateliê e as minhas obras circulam entres as galerias de arte. Devo ir para Londres em breve, mas ainda não confirmei a data.

— L. E. Peterson! É você? — Mark arregalou os olhos e pôs a mão no peito em sinal de espanto. — A garota que conheci em Miami virou a artista responsável pela sequência em aquarela do pôr do sol em Veneza?

— Sim, você viu as minhas obras? — Um sorriso iluminou o rosto de Lilly e Brian a achou ainda mais adorável. — Eu as pintei aos dezesseis anos, na última viagem que fiz com meus pais.

— Deus Santíssimo, se eu vi? — Mark bateu a palma da mão na testa, claramente, em êxtase. — Querida, eu comprei aquelas telas! Galery Oxford em Londres!

— Não brinca! — Lilly gritou.

— Caramba! — Brian parecia não acreditar em como o mundo era pequeno. Ele também estava em Londres, mas bêbado. Tanto que não aceitou o convite de Mark para a tal galeria. — Que coincidência!

— [17] Crazy Boy, não acredito em coincidências. Destino talvez. Simplesmente amo as tonalidades e luzes que a Lilly utilizou. As gôndolas sobre a Ponte dos Suspiros são exatamente como as vi ao vivo. Brian, sua noivinha é um talento!

— Noivinha, não. — Abriu um sorriso e Lilly não pôde deixar de reparar que duas covinhas apareceram no rosto dele. Nossa, mãe! Ela adorava covinhas. O homem mais lindo do mundo. — Minha mulher — disse Brian presunçoso.

— Menos empolgação, Brian. Os advogados precisam validar a certidão. Até lá, sugiro que mantenha esse pau bem guardado e que esperem para consumar.

Mark lançou um sorrisinho sacana, Lilly estremeceu, o coração começou a bater a trezentos por hora e o rosto pegou fogo.

Consumar?

Que parte da mentirinha eles não estavam entendendo?

— Posso falar que você é você? — Mark perguntou do nada, apontando para Lilly. Uma expressão de dúvida surgiu em seu delicado e assustado rosto. — A artista plástica? Isso vai ajudar muito com a imprensa. Já até imagino a história romântica que vou criar! Ai, Jesus seja louvado! Não estamos tão na merda, afinal.

— Que história, Mark? Não pode sair criando fatos e nos deixar no escuro aqui. Precisamos parecer de verdade, lembra? — Brian exasperou-se.

— Calma, Lover Boy. Ainda não inventei nada. Primeiro, enfiem-se naquele quarto e não saiam até eu mandar. As pessoas pensam que estão apaixonados, então, precisamos deixá-los acreditar que estão fodendo até desmaiar. Depois, entro em contato sobre os próximos passos. Mas já te aviso, minha pequena pintora... Está colada ao UB pelos próximos trinta dias e os dois vão fazer direitinho o que eu e seu tio acharmos melhor, combinado?

— Mas vocês não estão em turnê? Vou acabar atrapalhando.

— Ah, minha pequena artista. Você acaba de entrar em turnê com a banda. Brian vai te explicar todo o esquema. Vou garantir que os dois fiquem com um dos quartos de casal. Adan e Big que se matem pelo outro. Os dois são tão culpados quanto vocês. Acho justo que paguem pelas consequências também. Recém-casados não podem compartilhar um beliche. Além do mais, o entra

e sai no [18] Palazzo QG móvel da banda é muito grande, não podemos arriscar. Agora, vão. Chega de enrolar.