Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 8 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 6

Depois de a banda ter abandonado os convidados VIPS no bar do hotel, todos subiram

e estavam sentados nos sofás, ao redor de Lilly, na sala de estar de uma das suítes.

Mark ficou para trás, tentando abafar e evitar que as imagens de Lilly caíssem na imprensa.

Agora que, finalmente, tinha se juntado aos seus amigos verdadeiros, Lilly acalmara-se e nem se dera conta de que ainda estava vestida de noiva. Pelos fios que caíam sobre o rosto, presumiu que o penteado de casamento estivesse arruinado. Ela devia estar uma bagunça.

Dane-se!

Nem tinha se dado ao trabalho de baixar a capota do carro. O vento gelado da estrada era bom... muito bom. Precisava deixar a raiva e indignação passarem. Tudo o que ela conseguiu pensar quando entrou no carro e dirigiu feito uma louca até Las Vegas era:

Preciso dos meus amigos!

Quero sumir daqui!

O resto que se dane.

Brian pensou:

Tão linda!

— Lilly, se não quiser falar nada, não precisa. — Mesmo morrendo de curiosidade, Penne achou que esse seria o melhor conselho para dar à amiga.

— Estou bem mais calma agora — Lilly disse com sinceridade. Estranhou, ao perceber que em sua mente confusa, acreditava que tudo o que lhe acontecera, pertencia à história de outra pessoa. Não à dela. — Sinto muito por ter estragado a festa de vocês. Se quiserem voltar... eu estou bem agora.

— Não! De jeito nenhum vai ficar sozinha! Dane-se a festa! — um coro geral fez encher o coração de Lilly de calma e gratidão.

— Acho que só preciso de uma bebida — disse e levantou-se. Sobre os olhos atentos de todos, pegou a primeira garrafa que encontrou, abriu-a com as mãos meio trêmulas e deu vários goles de uma só vez.

Big sabia que Lilly não estava acostumada com vodca, porém não quis cortar o barato dela. Tudo indicava que a Bonequinha havia passado por um mau tempo... e se a bebida fosse amenizar o sofrimento dela, então iria acompanhá-la. Foi até o bar e pegou uma garrafa de whisky.

Jack [16] sempre era um bom companheiro para os momentos difíceis.

O mesmo fizeram os outros. Em segundos, todos estavam com a própria garrafa de álcool e com os olhos grudados em Lilly.

O silêncio incômodo foi interrompido quando Mark entrou no quarto para avisar que a situação estava sob controle, e que ele precisava dormir, uma vez que as bolas dele estavam doendo pra cacete.

Depois de entornar meia garrafa de vodca, Lilly sentiu-se pronta para falar e olhou para Penne.

— Eu não casei — disse e deu mais um gole na bebida.

Deus existe!, pensou Brian.

— Isso a gente já percebeu, Bonequinha — Big disse acariciando a mão pequena da amiga.

Houve um silêncio e expectativa de todos à espera dos próximos capítulos.

— O Will me deixou esperando na igreja — disse, sorriu e o estômago de Brian revirou. — Esperei feito uma idiota por quase uma hora.

— Ele morreu? Só isso explicaria. — Até Adan, que já tinha visto de tudo na vida, parecia indignado.

Lilly sorriu para o vocalista.

— Morreu para mim, serve? O que ele aprontou foi bem humilhante.

O coração de Brian deu um salto triplo, seguido de um mortal. Outra vez, a agonia e o êxtase.

O otário morreu para ela!

— Descobriu que ele é gay? — perguntou Gabe, ansioso.

Lilly gargalhou, já estava bêbada e Brian decidiu que precisava dizer alguma coisa urgente, queria que ela olhasse para ele, sorrisse para ele e falasse com ele. Entretanto, tudo o que conseguia pensar era: Tão linda! Tinha alguma coisa de diferente nela, estava mais mulher. Os anos foram maravilhosos para ela. A mesma perfeição estava ali, só que havia algo a mais. O sorriso... A voz... O corpo.

Caralho!

— Se Will dissesse que se descobriu gay, eu o apoiaria. O que me quebrou foi a traição, ele me deixou como uma pata-choca... para estar com ela...

— Ela? — Penne suspeitava, mas recusava-se a acreditar.

Lilly fez cara de óbvio.

— Encontrei o Will com a minha irmã.

— O quê? — A voz de Big falhou.

Os outros caras da banda, que não sabiam das desavenças entre irmãs, estavam completamente perdidos.

— Estavam juntos, ao que parece. — Lilly sentiu o estômago revirar.

— Como assim, juntos? — Brian perguntou com cautela.

Essa foi a primeira vez que Lilly notou a voz aveludada de Brian e um arrepio percorreu a espinha dela... Ooooh, bom Deus! Como a voz dele tocava-lhe a alma! Era como um calmante, e excitante, tudo e mais um pouco.

Timidamente, Lilly olhou para o guitarrista.

— Juntos do tipo... ele comendo o rabo da minha irmã, enquanto eu o esperava no altar. — Lilly sorriu com desgosto. — O tio Eduard localizou o Will em um hotel... fomos até lá... e praticamente invadimos o quarto. Eu precisava ver, sabe? O gerente disse que tinha uma mulher com ele, mas nunca pensei em Ava! Nunca!

Brian ficou sem palavras... e apenas assentiu para ela, embora o real desejo dele fosse confortá-la e protegê-la.

— Filhos da puta! — bradou Ethan.

Inconformada, Penne começou a andar de um lado para o outro. Brian queria abraçar Lilly, mas achou que seria mal interpretado, afinal, eles mal tinham trocado um oi em quatro anos.

— Aquela ordinária fez isso por querer! E esse Will... eu capo ele! — Penne levantou a garrafa de tequila como uma arma.

— Eu sei. Tenho certeza de que Ava tramou alguma coisa.

— Precisamos encontrar o filho da puta e acabar com a raça dele — Adan falou decidido.

Brian levantou-se.

— É melhor pedirmos para o Mark chamar um ótimo criminalista. Vou matar o otário. Não bato em mulher, mas a minha vontade é dar uma surra nesta sua irmã também. — Ele olhou para ela com receio. — Sei que é sua irmã, mas cacete!

Lilly sorriu para o guitarrista de modo carinhoso e aquele par de olhos avelã-esverdeados olhando para ele, por baixo de cílios grossos e longos, foi arrebatador.

— Não quero que se prejudique, Brian. — O coração dele disparou ao ouvir seu nome na voz doce de Lilly. — Ninguém vai matar ninguém, entendeu? Eles não valem o esforço. Não duvido nada que se casem. Fui burra de cair no golpe deles.

— Graças a Deus! Pensei que você nunca fosse acordar. — Penne soltou um longo suspiro.

— Sobre o que vocês duas estão falando? — Big parecia não ter entendido ainda.

— Penne sempre achou suspeita a antipatia exagerada de Will por Ava — Lilly esclareceu.

A seguir, contou-lhes sobre as conclusões às quais chegara, durante as quatro horas em que estivera dirigindo de Los Angeles para Las Vegas. Ficou claro que Will e Ava eram parceiros, mas ela não saberia dizer desde quando, se antes ou depois de encontrá-lo ao acaso.

Parecia tão óbvio que os dois armaram contra ela. Primeiro, o pedido... depois, Ava querendo contestar a veracidade do noivado. O ódio entre eles. Droga! Devia ser por isso que ele nunca a tocou mais intimamente. Podia apostar que os dois riam dela enquanto transavam. Mesmo a insistência do noivo quanto à data do casamento, às vésperas do seu aniversário, fazia sentido agora... não lhe restaria tempo de manobra e nenhuma alternativa, a não ser entregar os bens a Ava.

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— Como assim, o cartório errou a data? Isso é um absurdo! O plano era casarmos bem na véspera do seu aniversário!

— Um dia a mais ou a menos, que diferença faz, Will? Vai ser romântico do mesmo jeito.

— Droga, eu prometi!

— Prometeu pra quem, Will?

— O quê? Pra ninguém... pra mim! Esqueça!

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Flashes começaram a pipocar na mente de Lilly.

A imagem de Ava de quatro no chão do quarto.

Will penetrando-a em êxtase... os gemidos... as taças de champanhe...

Ahhhh!

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— Gosta de tomar no rabo, né, Safada?!!

— Mete mais fundo, Cachorro!

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Que nojo!

O casal estava tão animado que não percebeu que tinha sido desmascarado. E nada do que dissessem mudaria a traição... nem poderiam negar, não com o pau do noivo enterrado na bunda da irmã dizendo tudo.

Quando notou a presença de Lilly, do tio, do primo e de um dos advogados da família, os olhos de Ava explodiram em raiva, mas também havia a satisfação da vitória. Will ficou lá... quieto e imóvel como um covarde. Nem uma explicação... nada... ou ao menos um: “ Eu sinto muito”. Talvez, ele planejasse sumir ou alegar que estava confuso, ou até mesmo, dizer que tinha virado gay, monge ou qualquer outra merda.

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— Por que, Ava? Me odeia tanto assim?

— Menos, Lilly. Seus dramas me irritam, não tenho culpa se o Will me acha mais interessante. Aconteceu... conforme-se...

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Os cinco integrantes da banda estavam agitados e boquiabertos com tudo o que Lilly havia acabado de contar.

— Não é justo que a vaca apronte e ainda fique com tudo o que é seu, Lilly. Deve ter alguma coisa que possa ser feita — Penne ponderou.

— Já quebrei a cabeça tentando achar uma saída, mas não tem jeito, amiga. Se os advogados da minha irmã não receberem a certidão de casamento até amanhã, às cinco da tarde, tudo será dela. Só espero que me deixem ficar com o que conquistei através do meu trabalho.

— Por que a sua irmã vai ficar com o que é seu? — Brian estava perdido.

Com calma, Lilly explicou tudo, desde o dia em que os pais morreram. As partes iguais. Os gastos de Ava, o golpe de Paris, o casamento falido da irmã, a brecha no testamento, a obrigação de se casar antes dos vinte e três anos. A nova cláusula sobre o tempo mínimo de união. A nova herança. A revolta da irmã por sua avó ter deixado tudo só para ela.

O silêncio na sala ficou sepulcral. Quase dava para ouvir o tique-taque das cabeças funcionando em busca de uma solução que não existia.

— Cacete! Isso que é traição! Até Judas deve estar revoltado. — Brian quebrou o silêncio.

— Eu caso com você! — Big anunciou decidido. — Estamos em Las Vegas! Podemos resolver tudo agora.

— Perfeito, Ethan! Imagina a cara da Ava quando souber que Lilly deu a volta por cima! Será que o casamento lésbico é legal por aqui? Muitas mulheres que se decepcionam com os homens mudam de lado, sabia? Eu também caso se for preciso.

Adan levantou de um pulo só, como se levasse um choque!

— Você virou lésbica por minha causa, Penne? Eu sabia que tinha alguma coisa... nunca te vejo com ninguém!

— Cale a boca, seu egocêntrico! — Penne deu um tapa na cabeça de Adan. — Nem tudo acontece por sua causa! Você não me vê com ninguém, porque está sempre ocupado fodendo alguma vadia! Fique sabendo que eu tenho muitos amantes e agora vou ter uma esposa! — A guitarrista quase tropeçou de tão bêbada.

Um Big tão mamado quanto Penne protestou:

— A Lilly vai casar comigo!

— Não, Big! Ela vai casar comigo, imagina o escândalo! Vai ser épico! Será que eu posso vestir um smoking?

— Vocês dois são incríveis. — Lilly já bem alterada, gargalhou e abraçou os dois amigos. — Todos sabem que somos amigos desde a infância, praticamente irmãos. Ava iria contestar em dois segundos.

— Fodeu, então. — Penne suspirou.

— Pois é, fodeu, mas... agora, não quero pensar em como fui otária. Só quero beber e comemorar o meu não casamento.

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— E agora, tio?

— E agora? Simples, minha querida... siga o seu coração e vá em frente! O universo costuma abrir portas onde antes só havia paredes.

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O conselho do tio Ed continuava piscando na mente de Lilly.