Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 14 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 12

Na sala, Brian ainda pensou em fingir que não tinha ouvido o telefone tocar. Queria

acabar a conversa com Lilly, entretanto, Mark não costumava ser insistente a não ser que fosse importante.

— Fala, Capitão — atendeu na segunda vez que Mark insistiu.

— Porra, onde estava? Pensei que fosse me ignorar.

— Desculpa, não ouvi o telefone tocar — mentiu.

— Droga, não me diga que já me desobedeceu e consumou o casamento? Estavam fodendo, né?

— Que papo é esse de consumar? Não vou conversar sobre esse assunto com você.

— Ué, pela irritação acho que não consumaram. Podia jurar que estavam fodendo sem sentido. Como o meu mago do sexo ainda não desrespeitou as minhas ordens e enfeitiçou uma coisinha tão pequena e inocente como ela? Está com febre? De ressaca?

— Já disse... não te interessa e não estou doente. O que quer? Podemos falar depois?

— Caralho, não me diga que a minha musa dos pincéis é durona ou pior, mais inocente do que parece? — O empresário deliciou-se.

— Ela não é a sua musa dos pincéis, só para começar — rosnou. — Cara, se não disser o que quer, vou desligar — ameaçou e sentiu alívio quando ouviu Lilly entrar no banheiro e fechar a porta.

— Ela parece uma ninfetinha safada.

— Vá à merda, caralho. Não vou falar da minha mulher com você — rosnou Brian, indo em direção à porta da varanda.

— [25] Ui! Minha mulher! Ah... meu Fucking Boy, até que, enfim, está virando um troglodita possessivo. — Mark riu se deliciando. — Porra! Que espetáculo! Ela é tão bonequinha que é difícil imaginá-la fodendo com alguém, né? Se bem que dizem que essas com cara de santa são as mais safadinhas.

Brian rosnou outra vez e desligou na cara do empresário.

O telefone voltou a tocar na mesma hora. Brian ignorou a chamada e foi até a borda da varanda. A suíte ficava de frente para a fonte, marca característica do Bellagio. A dança das águas ainda não tinha começado.

Imaginou-se, ali do alto da cobertura, apreciando ao espetáculo com Lilly e a ideia lhe pareceu convidativa. Se bem que, seria muito mais legal se assistissem ao show lá de baixo. Vista de perto, a coisa era impressionante, um verdadeiro balé de águas. Sim, ele poderia convidá-la. Recém-casados faziam coisas românticas, não faziam?

Droga, impossível!

Seria complicado demais, mesmo que se camuflasse, as chances de tudo virar um caos eram altas. Alguém sempre o reconhecia. Ser famoso, às vezes, era uma merda completa.

Ao mesmo tempo que o telefone recomeçou a tocar, alguns gritos histéricos vieram da calçada do hotel.

Brian riu e acenou. Com certeza, as pessoas lá embaixo não sabiam de quem se tratava. Só se estivessem com binóculos ou lentes especiais dos paparazzi.

Acenou mais um pouco, mais gritos, e depois sentou em uma espreguiçadeira. Era divertido, os fãs gritavam sem saber para quem, mas, com certeza, acreditavam ser alguém famoso. Afinal, só as celebridades, os artistas ou a nobreza costumavam se hospedar na cobertura do Bellagio.

Na quarta vez que o telefone recomeçou a tocar, resolveu atender.

— Se falar alguma coisa da Lilly, desligo na tua cara de novo. — Brian não estava brincando.

— Ok! Desculpa, não vou mais falar da sua esposa — Mark bufou do outro lado da linha. — Do jeito que a defende, até parece que é mesmo a fim dela. Pera aí! Você é?

Brian não iria confessar nem a pau que era.

— O que quer? — mudou de assunto. — Toda essa insistência, pra quê?

Outra bufada de Mark.

Brian podia imaginá-lo do outro lado da linha apertando a ponta do nariz em busca de paciência. O homem era completamente pilhado, sempre andando de um lado para o outro, resolvendo alguma coisa. O Richard era um santo, aturar o Mark não era fácil. Ele devia transar com o celular na mão.

— Acabei de receber um e-mail do tio Ed, falando que o escritório reconheceu a legitimidade da certidão. Você é oficialmente um homem de família.

Yes!

Brian vibrou com a notícia. Estava em dúvida se aceitariam a tal certidão. A capela na qual se casaram era muito duvidosa, caindo aos pedaços. Merda! Ele deveria ter se preocupado em achar um local mais decente. Lilly merecia ter se casado em um lugar à altura dela.

Mark continuou, depois que Brian permaneceu quieto.

— Então... eles mandaram os exames pré-nupciais da Lilly. Ela está mais limpa que água sanitária. Gentilmente, o tio dela pediu para ver os seus.

Depois de saber do estado virginal da mulher, o resultado não o surpreendeu. Ao contrário dele, ela não saiu por aí comendo o que viesse, porra! Sempre fora cuidadoso, mas merdas podiam acontecer e ele nunca se preocupou em fazer aquele tipo de testes antes.

— Meus? Como posso ter exames pré-nupciais se eu nunca casei, caralho! Que tipo de exames são esses?

— Uma porra qualquer para provar que não carrega nenhuma merda no seu sangue ou no seu pau. Não sei por querem exigir isso? Como se você saísse por aí comendo vagabundas. — Mark gargalhou diabolicamente e Brian teve que afastar o celular para não ficar surdo.

— Vai tomar no cu, otário. Tirando a Penne, que resolveu virar freira, eu sou o menos prostituto dos quatro!

— Mas não deixa de ser prostituto. Eu vi a loira que você levou para o QG anteontem. Bom, o fato é que não posso ter problemas. Se o velho quer que faça os exames, você vai fazê-los. Eu consegui fechar um laboratório para termos privacidade, contudo precisamos ser rápidos. Só estarão disponíveis por duas horas. Vou aproveitar e levar os outros caras com a gente. Vai ser bom saber se estão todos limpos. Deveria ter pensado nisto antes.

— Se é assim. Posso descer em duas horas. — Jogou um verde. Brian nutria uma esperança de tomar banho com a sua noivinha imaculada.

— Que caralho de duas horas. O jogo é rápido e tem que ser agora. Vão entregar os resultados em doze horas.

Brian ficou puto. Como ficava a merda da ordem de... Tranquem-se no quarto? Pelo jeito, teria que amargar mais umas horas, carregando o pau dolorido por aí.

— Ok, mas... em troca, quero passar em alguns lugares depois.

Assim que despachou Mark, Brian foi até a porta do banheiro e achou melhor bater. Ainda não tinham chegado em um grau de intimidade.

— Está destrancada — uma voz doce e hesitante respondeu.

Bom sinal!

Abriu e a visão de Lilly entre as espumas da banheira foi uma das coisas mais sensuais que Brian já tinha visto na vida. Engoliu em seco e suprimiu a vontade de ignorar a ordem de Mark e pular de roupa e tudo ali com ela.

— Estamos oficialmente casados — disse, puxando assunto.

Será que ela secretamente esperava que a certidão fosse negada?

Um rastro de dúvida apareceu no rosto delicado. O nariz arrebitado tinha um pouco de espuma na ponta. Brian achou aquilo tesudo demais.

— Pensei que já estivéssemos. — Ela sorriu, entre a inocência e a sensualidade.

Ele sentiu vontade de puxar os cabelos, mas controlou-se. Porra de mulher mais delícia.

— Os advogados ligaram para o Mark, dizendo que estava tudo bem com a certidão.

— Ah! Esqueci que poderiam recusar! — disse, parecendo aliviada e Brian gostou daquilo... gostou muito. — Obrigada, Brian... obrigada de verdade. Deus! Pode parecer tolice, mas estou tão feliz!

— Sério? — A voz dele saiu como o de um idiota e nem se deu conta de que estava sorrindo de orelha a orelha.

Ela abriu um sorriso de derrubar qualquer um.

Ele sorriu mais ainda, satisfeito com a empolgação da sereia na banheira e, de repente, também se sentiu empolgado... e com medo que ela percebesse seu estado de espírito, um pouco acima, olhou para a janela.

Quando voltou a olhar para ela, só viu as pernas para cima que batiam no ar.

Lilly animou-se tanto com a notícia, que foi chutar a espuma para cima. Ela só não contava que fosse escorregar com tudo e afundar. Teve quase um miniafogamento e quando conseguiu voltar à tona, Brian a olhava com curiosidade. Ela afastou os cabelos grudados no rosto e sorriu para despistar.

— Acho que me empolguei!

— Percebi. — Sorriu torto, uma covinha apareceu e Lilly achou aquilo uma graça.

— Temos que comemorar. Vai fazer o quê, agora? — Lilly tentou ser sensual ao perguntar. Queria que ele percebesse que era um convite.

Brian engoliu em seco. Será que ela o estava convidando para o banho? Não...

O rosto dele contraiu e uma linha fina apareceu em sua boca deliciosa.

— O Mark precisa que eu vá fazer uns exames.

Lilly fez uma careta e um olhar frustrado caiu sobre o seu rosto.

— Agora?

— Infelizmente, sim. Tinha esperança de que me convidasse para entrar na banheira com você.

— E eu tinha esperança de que aceitasse.

O coração de Brian disparou e suas bolas deram cinco saltos ornamentais. Cacete! As bochechas dela ficaram ainda mais rosadas. Tão estupidamente linda!

— Caralho! Assim eu morro de tesão, mulher!

— Não quero que morra. — As palavras dela eram quase uma súplica de desejo.

Maldito Mark!

Maldito tio Ed!

Maldita loira que comi no QG... e a morena antes dela... e a japonesinha... e a submissa do clube outro dia...

Merda! Merda!

Tinha que fazer as drogas dos exames. Mesmo tendo usado preservativo, não poderia colocar Lilly em risco.

— Se os exames não fossem uma exigência do seu tio... — achou melhor jogar na conta do tio. Nem morto iria confessar que era um pouco prostituto... ou muito — juro que mandava tudo à merda e entrava agora nesta maldita banheira. — Brian agarrou a bancada de mármore da pia do banheiro. Apertou tanto, até quase não sentir os dedos.

— Meu tio? — Lilly estranhou. Por que diabos o tio pediria uma coisa daquelas? A vida pessoal dela era privada. Se o tio começasse com a história de que músicos eram todos uns drogados, iria se ver com ela. — Que tipo de exames que ele quer de você? Ele tem que parar de ser tão protetor!

A palavra “protetor” caiu como uma raquetada na testa de Brian. É lógico que o tio tinha que ser protetor. Lilly não tinha um pai ou um irmão para protegê-la. E depois do fiasco com o Will era natural que ele redobrasse os cuidados. Se Brian pretendia que o arranjo desse certo, precisava mostrar ao tio dela que era um cara confiável. Que a sua má fama era injustificada. Pelo menos, desde ontem à noite e pelos próximos doze meses.

— Ele quer saber se sou um cara confiável. Se estou limpo, como você. Acho que ele está certo em ser protetor. Se o Will, que era aceito em seu mundo, fez o que fez, é natural que desconfie ainda mais de um tipo como eu.

— Não vejo nada de errado em um tipo como o seu. Eu confio em você.

Ah! Baby Girl... se você soubesse as coisas que eu já aprontei... nem eu não confiaria em mim.

— Fico feliz que confie. Mas mesmo assim preciso ir. Tenho que sair agora. Mark está esperando para chamar um táxi. Devo ficar fora por umas três ou quatro horas.

— Tudo isso?

— Infelizmente.

Os olhos dela iluminaram.

— Vá com o meu carro. Quem sabe volta mais rápido.

— O Maserati? Caralho! Não posso aceitar, é muito pessoal. Não tem ciúmes dele? Sou meio possessivo com o meu Jeep.

— Para começar é ela, e não... não tenho ciúmes de dividi-la com você. Não é sobre isso que se trata o casamento? Compartilhar?

Bom ponto, Lilly!

— Cacete, Lilly! Isso foi quente! Sim, quero me compartilhar inteiro com você e mal posso esperar para pôr as mãos naquela belezinha de carro. Mark vai gozar e te amar eternamente.

Lilly sorriu com a empolgação dele. Homens e a obsessão por carros. Tão exagerados!

— Que bom. Vou ficar aqui te esperando.

— Volto logo. Precisamos terminar aquela conversa. Posso te dar um beijo de despedida?

— Esperava que fizesse isso — Lilly sussurrou, olhando para ele timidamente. Os cabelos dela estavam molhados, agarrando-se às bochechas úmidas, emoldurando o rosto adorável e perfeito.

Brian riu. A mulher fazia o coração dele cantar. Ajoelhou-se à beira da banheira e puxou Lilly contra o peito. A espuma molhou a camiseta, mas ele não ligou. Abaixou a cabeça para beijá-la e, mais uma vez, a mágica se deu.

Brian desenhou os lábios macios e generosos dela com a ponta da língua. Enfiou os dedos nos cabelos molhados, juntando os dois o máximo que a física permitia. Chupou e mordeu o lábio inferior delicado. Sentiu uma língua, a princípio tímida, buscando a sua própria, roçando em seu piercing. Mãos macias agarraram o cabelo dele com vontade... Nem ligou, a dor era boa. As bolas de Brian, já saturadas, pularam novamente ao sentir os seios macios esmagados contra o seu peito. Precisava ter aquela mulher.

Mordidas e gemidos entrecortados saíam da boca dos dois. Corações batendo forte, respirações rápidas e pesadas.

A língua de Brian roçando no céu da boca de Lilly, explorando cada centímetro dela... trouxe a ela sensações há muito não tinha: fome, desejo, luxúria. Então, retribuiu como podia... com vontade. Brian quase surtou com a língua macia dela transando com a dele. Gostosa demais! Realmente ela não mentiu quando disse que era empolgada!

A pele áspera roçando no rosto de Lilly era divina. Gostou daquilo. Imaginou a mesma sensação em outras partes do corpo... Sua boceta piscou para a vida. Caramba! Que gostoso, que delícia. Chupou a língua dele com a mesma vontade que tinha de chupar o pau desconhecido.

— Porra, Lilly! — rosnou, fazendo cosquinha na garganta dela. O que a fez empolgar-se mais. Tinha certeza de que ele seria tão gostoso lá quanto todo o resto. Impossível. O homem era totalmente bom!

Ele rompeu o beijo quando o bipe em sua bunda estava ficando infernal.

— Merda! Eu tenho que ir! — disse sem fôlego.

— Pena! Estou gostando disso aí.

— Lilly, Lilly... Você é totalmente um tesão, sabia?

— Não, mas se quiser me mostrar por que acha isso…

Batidas gladiadoras e os gritos do Big, na porta principal de suíte, quebraram todo o clima. Brian sorriu abertamente, mostrando as covinhas. Ficou ainda mais lindo, como se fosse possível.

— Acho que alguém está com medo de tomar agulhada.

— Big vai com você? Ele odeia sangue.

— Todos vão.

— Penne também?

— Ela não.

— Bom... quem sabe depois do banho eu vá visitá-la.

— Faça isso, distraia-se um pouco. — Brian beijou a testa dela, ficando de pé e ajeitando discretamente o desconforto entre as pernas.

— É o que pretendo.

— Deixei o número do meu celular anotado. Está em cima da cama, qualquer coisa que precisar me ligue. Afaste-se da janela ou da beirada da varanda, se não quiser ser fotografada. Espere eu voltar para ir até o lobby, ok? Se quiser serviço de quarto, é só pedir. Não vi você comendo nada o dia inteiro. Tem certeza de que posso pegar a Maserati?

— Tenho, já disse. Mais alguma ordem, senhor?

Só que pense em mim.

Quase na porta do banheiro, Brian virou-se.

— Ah! Nada de falar com estranhos. Vou pedir para o Dilon vir ver se está tudo bem.

— Jesus. É sempre tão exagerado assim?

— Sempre. Tchau, Sexy Girl.

— Até, Sexy Boy.

Na porta da suíte, Brian encontrou um muito agoniado Big.

— Porra, cara! Pensei que estivesse morto. Vai assim? — Ethan apontou para a camiseta e o jeans molhados de Brian.

— É só espuma, vai secar logo — respondeu Brian.

Ele podia ter trocado de roupa, mas a espuma estava com o cheiro da Lilly e queria mantê-lo. Era muito bom... algo doce e cítrico, sem ser enjoativo, como uma flor exótica e rara... assim como a mocinha que a muito custo, teve que deixar na banheira.

Caminharam juntos, em silêncio, até um dos elevadores que já estava à espera deles. Mark e Gabe estavam lá na recepção. Adan tinha se recusado a ir. Tinha feito os mesmos exames há menos de quinze dias. Big e Brian se apoiaram em paredes opostas do elevador. Ficaram alguns segundos se encarando, enquanto os andares passavam lentamente.

— Merda! Está com aquela cara.

— Que cara, imbecil?

— Essa aí, com esse sorrisinho sacana e satisfeito... de conquistador.

— Desde quando repara no “tipo” do meu sorrisinho? — Brian fez aspas.

— Desde quando é a minha bonequinha, trancada naquele quarto com você. Diga que não a fodeu como se fosse uma das suas vadias.

— Claro que não! Que tipo de homem pensa que sou? Lilly é diferente.

— Do tipo Brian Pierce... cacete! Lilly é como uma irmã pra mim!

— Eu a respeito, ok, Big, mas... nem sonhe em me pedir para manter as mãos longe dela, porque a gente vai brigar feio.

— Mas ela é sonhadora e pode acabar se apaixonando. E se você quebrar o coração da garota? Acho que deveriam ter um relacionamento platônico e manter tudo só na amizade.

— Não acho que Lilly seja o tipo de mulher que se apaixonaria por mim. Ela é uma dama e eu praticamente um vagabundo. Sabe bem do que estou falando. Veio do mesmo lugar que ela e estou cansado de ouvir como te tratavam como lixo, amigo. Não tenho ilusão de que teremos algo mais do que esse tempo juntos e acredito que ela menos ainda.

— Não sei, cara. Quando começa a rolar pegação, as coisas mudam.

— Ontem você bem que incentivou a pegação.

— Porque... achei... que se estivesse empolgado...

Confuso, Brian esfregou a testa.

— Está dizendo que me usou?

— Não! Claro que não! — Big ficou envergonhado. Talvez tenha usado um pouquinho, mas estava bêbado e desesperado para resolver o problema da Lilly. Depois da Kate, Brian ficou tão mulherengo quanto qualquer um deles.

— Acho bom ir se acostumando a nos ver juntos, amigo.

Big mostrou o dedo do meio e Brian o ignorou.

— A questão é mais embaixo, otário. — Big insistiu. — Estou falando de sexo, de mulheres se esfregando e se oferecendo toda noite. Porra! Impossível resistir a isso. Não sei se a Lilly aguentaria ser tachada de corna mais uma vez.

— Ela não vai ser corna... Estou cansado dessa merda toda.

— Vi como parecia cansado com a Diana — ironizou Big. Ele sabia que Brian não era tão sem noção quanto ele ou Adan, mas mesmo assim... estava sempre comendo uma ou outra por aí. Com certeza, Lilly podia até ter uma ideia sobre a vida farta que eles levavam, mas a realidade era muito... muito pior.

Ah! Então esse era o nome da loira do outro dia.

Brian sabia que era alguma coisa relativo a princesa... apostou em Grace quando tentou se lembrar.

— É sobre isso que estou falando. Sempre os mesmos tipos vazios. Que nos chupam e fodem, em troca de uns cinco minutos de fama. Porra, cara, chega uma hora que isso cansa! São seis anos nessa.

Big levantou a sobrancelha em descrença.

— Que merda de seis anos? Você namorava, porra! Acho que não vou cansar disso nunca. Adoro essa putaria. Quanto mais peito e boceta melhor.

Seis anos sim!

Kate era exatamente igual a elas.

— Cada um na sua, Gladiador. Tenho pensado sobre essa porra toda sem sentido. Cansei ou melhor, CASEI — enfatizou com orgulho. — Não vou chatear a Lilly. Ela disse que preza pela fidelidade.

— Cacete! Vocês prometeram exclusividade?

— Não, lógico que não. Ela me contou que era fiel ao noivo, só isso. Falou para eu fazer o que eu quiser... Não me privar de nada. Lilly não quer ser um fardo.

— Sabe que te considero pra caralho, é como um irmão, porra! Mas se tiver que acabar com a tua raça, se magoar Lilly, pode ter certeza de que vou fazer isso.

A porta do elevador abriu no oitavo andar, para alívio de Brian. Dois casais falando algo que parecia japonês entraram animados no elevador. Quando encararam os dois brutamontes diante deles ficaram quietos na hora.

Brian não era um cara pequeno. Ele tinha a constituição de um atleta sarado: músculos bem definidos, ombros largos, braços fortes, coxas grossas e musculosas. Um metro e noventa e dois. Mas Big era gigante, não só por causa dos dois metros e dez, mas o cara era um muro. Tipo um gladiador. Os braços eram exageradamente grandes, quase explodindo na camiseta. Os cabelos descoloridos, sempre desgrenhados, a barba de lenhador e o corpo todo tatuado o faziam parecer um cara mau.

Brian tinha certeza de que se o amigo grunhisse, a trupe japonesa iria enfartar. No mínimo, deviam estar pensando que eles eram algum tipo de criminosos. Que mataram alguém afogado, já que a japonesa ao lado dele não tirava os olhos de sua camiseta molhada.

Quando Big os encarou e tentou um sorriso, congelaram. Poucos conheciam o lado bondoso que se escondia atrás dos olhos cor de mel do amigo.

Por isso, Brian não ficou tão puto com a intromissão de Big.

Sabia que o Gladiador tinha o coração completamente dominado por Penne e Lilly. O

cara sempre fora um solitário na infância, filho único. Um nerd gigante, sofrendo [26] bullyingna escola e que adotou as meninas que o trataram como igual. Brian só não queria sofrer as mesmas consequências que o Adan, ao quebrar o coração de Penne. Ele, Gabe e Dilon quase não conseguiram conter a fúria do Big, quando quase quebrou Adan ao meio.

As últimas coisas que Brian queria eram magoar Lilly ou morrer. Só que a penúltima coisa que desejava era deixar que todo mundo se metesse no relacionamento deles. Já bastavam o Mark e o tio dela, mais do que empolgados em fazê-lo.

Assim que desembarcaram na recepção do hotel, foram cercados pelas dezenas de fãs que já assediavam Gabe. Os dois casais de japoneses saíram do elevador e começaram a fotografar o teto do hall, que era um espetáculo à parte... revestido por milhares de sombrinhas japonesas multicoloridas, porém, quando perceberam o assédio dos fãs, mudaram o foco e foram logo os abraçando e tirando fotos.

— Ué, pensei que nos achassem dois criminosos — zombou Big, ajoelhando-se para tirar uma foto com a japonesa, que mais olhou feio para ele no elevador.

— Nada como o efeito dos flashes e dos gritos dos fãs para as pessoas mudarem de opinião rapidinho. — Brian deu um sorriso falso para o amigo ao também ajoelhar-se para a foto.

— É foda! — lamentou-se Big para Brian.

Quando o baterista percebeu que tinha dito um palavrão, fez um gesto de desculpas, inclinando a cabeça para o grupo oriental. Ao que tudo indicava, eles pensaram que “É Foda” era algum tipo de cumprimento. Baixaram a cabeça repetindo o gesto do Gladiador e vários “é foda” saíram em sotaque japonês.

Gabe juntou-se a eles, seguido de um grupo de adolescentes com cabelos multicoloridos.

— E aí, ladrão de noiva — disse Gabe, abrindo um sorriso de derreter qualquer calcinha. Sua marca registrada. — Meio injusta essa merda.

— Que merda, otário? — Brian deu um tapa na cabeça do loiro abusado.

— O Capitão obrigar todo mundo a ser torturado por agulhas. Já que somos obrigados a sofrer, acho justo que role um compartilhamento.

— Mantenha o pau longe da minha mulher.

— E se ela gostar de variar? — Gabe provocou.

Brian partiu para a briga, mas Big adiantou-se e deu uma gravata automática em Gabe. Os fãs ao redor não sabiam se aquilo era brincadeira ou era sério. Só voltaram a sorrir quando Gabe gritou, batendo no peito de Big:

— Ááááágua!

— Nem se atreva, babaca. Lilly não é mulher para as suas perversões sexuais — rosnou Big baixinho.

— E você foder com cinco mulheres não é perversão? — Gabe retrucou, enquanto massageava a garganta.

— Caras, que tal discutirem as suas preferências em outro lugar — Brian aconselhou. Se fosse ontem, ele não teria se importado que alguns fãs os pegassem tendo aquele tipo de conversa em um saguão de hotel lotado, mas agora ele era casado, porra!

— Aí estão vocês! Brian do céu, que roupa molhada é essa? Caramba! Já falei que só um pouquinho de asseio não lhe faria mal. Até parece que não saiu da depressão.

Brian voltou-se para Mark, que estava cercado por três brutamontes.

— Já tá secando e hoje é meu dia de folga. — O guitarrista fez pouco caso e o empresário revirou os olhos ao examinar o jeans desgastado e a camiseta preta surrada do Nirvana.

— Que seja! O táxi vai esperar por nós no subsolo. Tem um grupo de garotas um pouco revoltadas com o seu casamento lá fora. Acho melhor evitar confusão. Vamos sair pelos fundos.

— Pode dispensar o táxi — Brian disse e todos o olharam assustados. — Não vou a lugar nenhum com ele.

— Não pode desistir dos exames! — Mark disse quase gritando. — Seja razoável!

Um sorrisinho presunçoso brotou nos lábios bonitos do guitarrista.

— Acontece que eu sou um marido excelente e se a minha senhora quer que eu vá na Maserati dela será nela que eu irei.

— Porra de um bastardo sortudo. — Gabe abraçou Brian. — Posso dirigir?

— Claro que não! O marido sou eu.

— Ela te emprestou? — Os olhos de Mark faiscaram em glória.

— Brian Theodore Lincoln Pierce... tem certeza do que disse no elevador? Que vocês não... — Big parou a frase. — Ela nunca me emprestou quando eu pedi! Caralho! — rosnou magoado.

— Talvez porque ela saiba que dirija como um camicase — Gabe brincou e tomou um tapa na testa.

Brian ignorou o bico de Big.

— É natural que me empreste, somos casados agora. O que é dela é meu e o que é meu é dela.

Mark desmaiou.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Vinte minutos depois, no ambulatório...

— Quantos dedos o senhor vê? — uma enfermeira rechonchuda perguntou, assim que Mark retomou a consciência.

— Quatro. — Ele afastou a mão da mulher como se fosse algum tipo de praga e sentou-se na maca.

Os três músicos e os três seguranças o olhavam com cautela. Mark aceitou o copo d’água. Precisava pensar...

Que merda! Como foi deixar uma coisa daquelas escapar?

Teria que ligar para o tio Ed, urgente, mas antes de falar com ele, não iria dizer nada ao Brian ou a Lilly. A última coisa da qual precisava era de uma cena de indignação de Brian. Conhecia o peste e suas maneiras altruístas.

Ele podia apostar que nenhum dos dois pensara nas consequências desastrosas de uma separação com comunhão total de bens. Tinha que dar um jeito naquilo, o mais rápido possível.