Enlaçados: Sex and Rock

Anne Krauze · Capítulo 47 de 50

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Enlaçados: Sex and Rock

Capítulo 45

Em Los Angeles...

 

Lilly soltou uma gargalhada e acelerou a Maserati. Nada no mundo seria capaz de tirá-la do estado de felicidade plena em que se encontrava. Ela arriscou uma olhadinha para o grandão emburrado e espremido no banco do passageiro.

— Brian, relaxa... Não tem uma alma penada nessa estradinha. Só eu sendo muito péssima motorista para colidir com a grama.

Por conta da notícia dos gêmeos, Dreams Beach tinha amanhecido repleta de repórteres. Brian olhou pelo retrovisor e apenas o carro da segurança despontava mais atrás. Menos mal. Tudo o que ele não precisava era da esposa grávida tentando fugir da imprensa.

— Está correndo.

Lilly revirou os olhos.

— Deus! Deixa de ser exagerado! Estou a quarenta por hora.

— Está com sono. Não deveria ter aceitado o convite da minha mãe.

— Deveria sim — retrucou ela. — Além do mais, a sua cara de sono está mais acabada que a minha — debochou.

— Mas eu não estou grávido, porra! Ontem foi cansativo. No Jeep era melhor.

Sim, tinha sido cansativo, e daí?

Entretanto, para Lilly a confusão na saída da Arena e na chegada do aeroporto, por causa da invasão dos jornalistas, não era motivo para diminuir a empolgação dela.

Lilly gargalhou.

— Relaxe, meu barítono! Na autoestrada eu te deixo dirigir.

Brian bufou. Estava começando a perceber que a Pequenininha dele era uma força irrefreável.

Lilly estava mesmo sem limites, com a energia a mil e empolgada com tudo; com Brian, com a vida, com o casalzinho na barriga dela, com o convite para almoçar de Sarah. Nem em sonho conseguiria dormir. A forma com a qual Brian declarou-se em Atlanta tinha sido ainda melhor que o feliz aniversário em Vegas.

Quando contornaram a rotatória para caírem na autoestrada, Brian fez sinal para que Lilly se mantivesse na direção. Sem a ameaça dos paparazzi por perto, até que ele gostava dela dirigindo e tinha mesmo que controlar os instintos protetores para não a sufocar.

Com precisão, Lilly costurou o tráfego até caírem na Hollywood Boulevard[88]. O restaurante ficava a algumas quadras dali e claro que havia um caminho alternativo, bem menos tumultuado que aquele, mas ela simplesmente adorava passar em frente do velho Teatro Chinês, famoso por sediar a premiação do Oscar.

Brian não disse nada, só a observou e aquietou o facho quando o carro pareceu tomar um rumo mais coerente.

Chegaram ao restaurante ao mesmo tempo que Sarah e as meninas. Empolgadas, as gêmeas mal deixaram a mãe cumprimentar a nora e foram logo agarrando Lilly e fazendo mil perguntas sobre os gêmeos.

— Lilly, você está em todos os sites!

— Nossa, Brian... que mico!

— Nossas amigas só falam em BriaLy!

— Podemos ser madrinhas?

Entraram e se acomodaram em uma das mesas. Não era um restaurante disputado, e tampouco da moda. A melhor descrição seria: aconchegante, por sua decoração discreta com mesas redondas, toalhas brancas e vasinhos com flores do campo. A comida simples e a ausência de um chefe renomado eram qualidades preciosas que mantinham os famosos e os paparazzi bem longe.

Pediram as entradas e assim que o garçom saiu, as garotas aproveitaram a deixa para levantaram e irem em bando à toalete.

— Filho, eu vi o que fez ontem em Atlanta. — Sarah deslizou a mão sobre a mesa e tocou em Brian. — Aquilo foi lindo, eu disse que o seu talento vai além dos instrumentos.

Brian ficou completamente sem graça. Aquilo tudo não tinha passado de um ato passional de um homem estupidamente apaixonado.

— Essa coisa de cantar não é para mim não, mãe. Melhor deixar os vocais para o Adan. Só não foi pior, porque treinei pra cacete no banheiro. — Riu.

— Eu achei incrível. — Lilly inclinou o corpo na direção dele e estalou um beijinho em sua bochecha. — Os MM's vão adorar que cante para eles.

— Estou tão feliz por vocês, nem acredito que serei avó. Essa notícia não poderia ter vindo em melhor hora. Depois da nossa conversa, eu tomei uma decisão. Acionei os advogados e pedi a separação.

— Mãe...

— Acabou, filho — interrompeu-o. — Eu não posso continuar com o seu pai, não depois do que ele fez a vocês. Sobre a Kate, não disse nada na época, porque achei que era um livramento para você. Aquela ordinária nunca prestou. — Sarah soltou Brian e tocou na mão de Lilly. — Já você, minha querida, vejo o quanto fazem bem um ao outro. Não vou permitir que ninguém destrua o que estão construindo... Sinto muito pelo Ian.

O queixo de Lilly caiu. A última coisa que desejava era que Sarah pensasse que, de alguma forma, ela tivesse incentivado o que acontecera.

— Não aconteceu nada... Fui pega de surpresa com a visita de Ian, o Brian chegou... Não aconteceu nada... — reafirmou constrangida. — Não quero que pense... o que aconteceu em Nova Iorque...

— Pequenininha, ninguém vai pensar nada — Brian disse em tom amoroso.

— Lilly não se culpe, conheço o meu marido. Nova Iorque foi só a gota d’água... — Sarah disse firme. — O que ele fez com vocês foi inadmissível, mas não é de hoje que ele me trai e as aventuras do Ian vão muito além da Kate... Amante após amante, eu me acomodei e me calei, mas agora chega. O seu pai pode ter os acordos dele com a imprensa, mas, convenhamos, ele nunca foi um homem discreto. Há anos venho montando um dossiê, só resolvi usá-lo.

Isso, Sarah!

Lilly vibrou por dentro, sua Diva era boa demais para aquele ordinário.

— O Bret e as meninas?

Brian tentou parecer calmo, mas por dentro estava em frangalhos. Sabia que a separação dos pais aconteceria mais cedo ou mais tarde, mas de certa forma, sentia-se culpado por ter deixado a situação com o pai ter chegado àquele ponto.

— Vão superar... seu irmão acha que estou fazendo o certo e suas irmãs não são mais tão meninas. Percebem mais coisas do que imaginamos.

Brian assentiu. A mãe estava certa, qualquer pessoa com mais de um ano notaria a falta de relação e afinidade entre os pais dele, mas mesmo assim, não esperava uma virada tão radical por parte de Sarah.

— Tem certeza de que ficará bem?

Sarah assentiu, soltou Lilly e endireitou-se na cadeira como uma rainha.

— Ficarei muito bem.

— Ian já sabe? — Lilly não segurou a curiosidade.

Sarah revirou os olhos.

— Foi notificado esta manhã. Ligou esbravejando, disse que uma separação vai destruir a imagem de bom homem que construiu... Que estou fazendo de propósito, por pura inveja e que vai ser absurdo ter que ir à pré-estreia de O Juiz, como um desquitado — disse, sem parecer comovida.

— Com tudo o que aconteceu, esqueci da pré-estreia. — Brian franziu a testa. — Mãe, sem chances de eu aparecer por lá, sinto muito.

Lilly sentiu-se aliviada, por maior que fosse o seu amor por Brian, acompanhar o marido em qualquer coisa relativa ao Ian estava fora de cogitação.

— Theo, seus irmãos também não querem ir e não pretendo forçar a barra com vocês. O Ian nunca se preocupou em cultivar ou incentivar nada em relação aos filhos, está só colhendo o que plantou. Agora é tarde, no fundo, era cômodo para ele estar casado. Está desesperado porque a separação vai representar uma queda brusca de estilo de vida, já que os filmes dele não têm rendido boas bilheterias. Sabe o que eu era? Uma muleta, não uma esposa... sempre cobrindo os gastos abusivos dele. Acredita que até um maldito colar de rubis aquele canalha debitou no meu cartão? Onde está essa joia? Porque eu não ganhei nada.

Brian soltou um grunhido de descontentamento e Lilly quase engasgou com a água ao se lembrar da ausência de Ian na premiação do Grammy e da falta de joias no pescoço de Kate.

Caramba!

Será? Aquele colar da Cartier? Descarado! Na certa, ele estava traindo a mulher e a amante, com outra amante!

— Agora... chega desse assunto. — Sarah inclinou a cabeça indicando o trio alvoroçado que retornava. — As meninas estão voltando e estamos aqui para comemorar os meus netos.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

O almoço correu tranquilo e cheio de planos para o nascimento dos pequeninos.

— Vai ser um Natal incrível! — Liah comemorou.

Uma onda de emoção correu no coração de Lilly. Poxa vida! Natal! Fazia tantos anos que ela não sabia o que era um Natal em família e agora estava ali... reunida com sua nova e improvável família fazendo planos, rindo e sonhando com um mundo rosa e azul.

— Temos tanta coisa para organizar. Meninas, querem ir às compras? — Sarah disse, sabendo que as gêmeas surtariam.

Cri... Cri... Cri...

A reação que a mãe esperava não veio. As garotas estavam brancas com os olhos fixos na tela do celular.

— Lisa! — Sarah chamou a atenção de uma das filhas. — Quantas vezes já disse para largarem essa porcaria!

Três olhos apreensivos se entreolharam e depois encararam a mãe.

As antenas de Brian levantaram.

— O que foi, meninas? — perguntou às irmãs.

As três se entreolharam novamente e Lilly presumiu que deveria ser algo relativo ao pai delas. Tirando a notícia dos bebês, ela e Brian estavam blindados. Mark tinha instalado, no condomínio, bloqueadores que interferiam nos drones, então surpresas como a Vara Mágica estavam fora de cogitação.

— O casamento de vocês é de mentira? — Leah sussurrou.

Hã?

Um calafrio percorreu a coluna de Lilly.

— O quê? Claro que não! — Brian berrou.

Lisa, a gêmea do meio levantou uma sobrancelha inquisitiva.

— Então, por que disse isso?

O quê?

Lilly voltou-se para Brian que àquela altura estava mais branco que a louça na mesa.

— Você disse? — perguntou em um suspiro.

— Não disse!

— Disse — Leah afirmou decepcionada.

— Meninas, o que está acontecendo? Isso é muito sério — a voz de Sarah saiu trêmula.

Lisa entregou o celular para o irmão.

— Está aqui.

Brian tocou a tela e o mundo dele ruiu. Bem diante dele, no pior site de fofocas de Los Angeles, uma entrevista da Diana. A bandida debochava do que acontecera em Atlanta, os acusava de farsantes e dizia que tinha provas.

Ele tocou no link de vídeo da matéria e a imagem dele bêbado, no Clube de Nova Iorque apareceu. Estava desfocado, mas era inegável... era ele sim, sentado ao lado de um desconhecido. O áudio estava prejudicado pela distância. Ouvia-se uns xingamentos, o nome de Ian... de Lilly e um trecho bem nítido onde ele dizia:

— Que merda, cara! Eu sei que tudo foi de mentira e que só casamos por causa daquela maldita herança do caralho... Mas o que eu posso fazer? Sempre fui fissurado nela... Ninguém nunca vai entender... Saca, o amor da minha vida? A garota-bebê, não! Ian filho da puta!

Um gemido abafado o tirou do inferno em que tinha caído. Brian girou a cabeça para encontrar Lilly estupefata com a mão sobre a boca. Os castanho-esverdeados estavam arregalados e estáticos.

Fodeu! Eu fodi com tudo!

— Lilly — ele murmurou.

— Querida? — Sarah também tentou.

— Amor — Brian insistiu. — Eu... eu... não queria... merda!

Atraída pelo tom de pânico vindo do marido, uma chavinha girou no cérebro dela. Os castanho-esverdeados piscaram e aos poucos, Lilly foi voltando para a Terra.

— Filha da puta! Eu deveria tê-la deixado careca! — berrou e levantou-se.

Todos na mesa fizeram o mesmo. Por sorte, o restaurante estava vazio e no mesmo instante, Max, Samantha e Dani, que estavam em uma mesa mais ao fundo, aproximaram-se.

— O que foi? — Dani perguntou tenso.

— Deus! Precisamos sair daqui! — Lilly berrou novamente.

Brian estava paralisado, não sabia o que fazer. Tudo o que passava pela cabeça dele é que tinha fodido com tudo... perdido tudo... perdido Lilly.

— Vem!

Brian sentiu a mão suave da esposa grudar na dele e puxar com força.

— Vem! Daqui a pouco isso aqui vai virar um inferno. — O corpo dela ricocheteou, quando Brian não saiu do lugar. — Merda! Brian não me vá pifar agora! Está me ouvindo? — disse para o músico múmia e voltou-se para o trio de seguranças. — Max, veja se não tem nenhum paparazzo lá fora.

— Ok.

— Não, pera aí! — berrou, assim que ele fez menção de sair. — Pague a conta! Dani, pega o meu carro e deixa nos fundos! Samantha, acompanhe a Sarah e as meninas até a casa delas! Alguém ligue para o Mark e diga que vamos precisar de um esquema para entrar em Dreams Beach... Não deixem a Marie ligar a televisão ou atender ao telefone. Preciso de todos na mansão! Vamos, caramba!

Todos continuaram estáticos. Nunca tinham visto Lilly daquela maneira, ela parecia um general enlouquecido ditando ordens, pronto para atacar.

— Senhora, o fundo do restaurante é por ali — o gerente que acompanhava tudo de longe, disse.

— Ótimo, obrigada. — Lilly sorriu para o homem que parecia realmente tocado com o que acontecia ali.

— Eu dirijo — Brian conseguiu murmurar.

— De jeito nenhum, eu dirijo. — Lilly olhou feio para ele. — Você está parecendo uma múmia. Vamos!

Lilly agarrou a bolsa e o marido. Em seguida, murmurou para Sarah e para as meninas:

— Sinto muito, tudo vai ficar bem. — E apressou-se pelo caminho dos fundos que o gerente indicou.

Por sorte, saíram sem dificuldade do restaurante. Com Brian ainda petrificado no banco do passageiro, Lilly subiu a capota, viu Max e Dani sinalizarem um ok e partiu.

A cabeça dela estava uma avalanche. Dirigiu com segurança rumo à avenida que daria acesso à estradinha de Dreams Beach. Por um segundo, uma ideia louca de irem se esconder em algum lugar passou pela cabeça dela. Sair de órbita até que as coisas se acalmassem.

Não! De que adiantaria? Melhor enfrentar de uma vez.

— Brian... — ela murmurou para o músico, que parecia um avestruz no buraco, com aquela cabeça afundada entre as mãos.

— Lilly. — Ele girou o rosto para encará-la.

O coração de Lilly quebrou ao ver as lágrimas molhando aquele rosto lindo.

— Meu amor, tudo vai ficar bem.

— Não, não vai. Eu fodi com tudo.

Tá... fodeu um pouquinho, mas, e daí?

Lilly respirou fundo, aproveitou que tinham entrado na estradinha, deu seta avisando aos seguranças, e entrou em uma trilha alternativa que dava num mirante abandonado. Quando chegou ao pé de um penhasco, estacionou.

Max estacionou um pouco mais atrás.

— O que está fazendo? — Os olhos de Brian arregalaram.

— Não pretendo te matar, se esse é o seu medo. — Ela arriscou um pouco de humor, livrou-se do cinto e saiu.

A vista dali de cima era deslumbrante. Um descampado acima de um penhasco e nada além da imensidão do mar diante deles. Ela nunca tinha entendido porque o lugar não era popular. Talvez fosse o vento. Os cabelos dela entraram em modo Medusa e o vestido amarelo com rosinhas estava prestes a levantar voo.

Uma solitária borboleta azul sobrevoou a sua cabeça e Lilly viu aquilo como um bom sinal. Então respirou e inspirou, concentrando-se no mantra...

Alimente a luz, não as trevas...

Alimente a luz, não as trevas...

Alimente a luz, não as trevas...

Munida de toda a paciência do mundo, esperou Brian descer do carro e vir lentamente até ela.

— Quer que eu fique aqui? É isso? — disse cabisbaixo, sem conseguir encará-la. — Fim da linha pra mim, né? — Enfiou as mãos nos bolsos de trás do jeans desgastado e chutou uma pedra.

Hã?

— Eu quero que se acalme. — Ela aproximou-se e ficaram frente a frente. — Talvez estes sejam os nossos últimos momentos de paz.

Brian levantou a cabeça e devastados azuis-violeta encontraram os decididos castanho-esverdeados.

— Não há perdão para o vídeo. Sei que é o fim da linha para nós. Eu só trouxe o caos.

Desde que eu entrei na sua vida, tem passado por um perrengue atrás do outro.

Lilly riu e tirou os cabelos que quase lhe tampavam o rosto.

— Já parou para pensar que pode ter sido o contrário? Que eu saiba, você estava tranquilão até eu aparecer como a louca do vestido de noiva.

— Não estava... Ian, Diana, Kate são problemas meus. Não é justo que passe por isso. — Brian esfregou o rosto e olhou a imensidão do mar. — Está tudo fodido mesmo, é melhor pararmos, antes que se machuque mais.

Parar o cacete!

Lilly bufou e segurou firme nos braços musculosos que tanto amava.

— Escuta aqui, Brian Theodore Lincoln Pierce! É bom que não desista de mim... de nós... — Uma das mãos desceu e tocou o próprio ventre. — Está me ouvindo? Porque, não existe no mundo, a menor chance de eu desistir de você!

— Não quero mais que vocês sofram por minha culpa.

— Vamos sofrer se for embora! — Lilly o soltou e abraçou o próprio corpo. — Eu também entrei nessa trazendo as minhas pedras! Não é nossa culpa, é deles! Consegue enxergar isso? — ela berrou. — Fodam-se os perrengues e as merdas, tudo o que eu sei é que estou um milhão de vezes mais feliz desde que nos reencontramos. Então, seu imbecil, nem pense em abandonar esse barco agora.

Brian estava exausto e caiu de joelhos na grama.

— Eles não vão parar.

Lilly também ajoelhou e o abraçou.

— Que não parem. Danem-se. Estou disposta a encarar essa briga, você está?

Brian agarrou-se a ela como a uma âncora.

— Eu sinto muito. Acabei fazendo a única coisa que eu não podia... expor o nosso casamento e você.

Lilly segurou o rosto dele, enchendo-o de beijos.

— A única coisa que não pode fazer é desistir de mim. — Ela franziu o lábio. — E me trair. — Sorriu.

Rendido à determinação daquela pequena mulher guerreira, Brian riu.

— Tá maluca? Te trair nunca será uma opção.

Os dois se encararam por segundos intermináveis.

— Brian...

— O quê?

— Ah... é... acho que estamos naquele momento, em que você manda tudo à merda, e me beija. — Ela empinou o queixo, oferecendo-se a ele.

Brian riu, inclinou-se e a beijou... beijou... e beijou. Em seguida, deitaram na grama abraçados, desfrutando o calor um do outro e ficaram olhando para aquele céu azul, torcendo por dias melhores.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Uma hora depois e bem mais calmos, a Maserati despontou na reta de cascalhos que dava acesso à portaria de Dreams Beach. Brian e Lilly se entreolharam e suspiros sincronizados saíram de ambos. Como previsto, um mar de repórteres, fãs e curiosos estava bloqueando a passagem.

Brian, agora na direção, avançou com cuidado.

— Pare o carro — Lilly disse.

— O quê? Não.

— Pare. Vamos fazer o que decidimos no penhasco — ela insistiu.

Brian bufou, mas parou o carro. Na mesma hora, a multidão quase engoliu a Maserati. Lilly viu um pelotão de seguranças se aproximar e aguardou. Assim que o cordão de homens gigantescos os isolou, mantendo os repórteres a uma distância segura, ela esticou o braço e acionou o botão para a capota descer.

O casal levantou, Brian ajeitou-se de modo que sua bunda ficou apoiada no banco de passageiro, puxou Lilly para ele e protegidos em um abraço mútuo, entregaram-se aos leões.

— Brian, a declaração da Diana é verdadeira? Tudo aquilo em Atlanta foi orquestrado? — um jornalista alto e com olhos de águia disparou a primeira bala.

O músico respirou fundo e repetiu mentalmente o que Lilly tinha acabado de lhe ensinar.

Alimente a luz, não as trevas...

— A Diana mentiu. Cada uma das minhas atitudes e palavras no show de ontem, foram verdadeiras e espontâneas.

— Os gêmeos, são uma jogada? — uma jornalista um pouco desgrenhada gritou mais ao

fundo.

— Meus filhos estão fora dos limites! Respeite-os! — rosnou, causando uma comoção.

Um homem ruivo e forte, próximo ao cordão de isolamento, gargalhou.

— Esperam mesmo que a gente acredite? Aquele vídeo te entregou, cara!

— É... o próprio Ian Pierce declarou hoje, que vocês não prestam e são capazes de inventar qualquer mentira! — uma jornalista baixinha de óculos gritou.

O quê?

O coração de Lilly disparou de um jeito péssimo quando uma leva de xingamentos começou.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

— Mentirosos!

— Está gravado!

— Estão fazendo os fãs de trouxas!

— Coitada da sua irmã! Ela acaba de dar uma entrevista dizendo que está passando necessidade!

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

— Minha irmã não presta, ela me traiu com o meu noivo, caramba! — foi a vez de Lilly impostar a voz. — Se querem a verdade, fiquem quietos!

Sedentos por qualquer informação, o burburinho foi diminuindo. Quando Brian fez menção de falar, Lilly segurou firme no braço que circundava a cintura dela.

— Deixa, amor.

Ela puxou o ar.

— O que o Brian disse naquele vídeo foi a mais pura verdade. — Lilly sentiu o corpo do marido tensionar atrás dela e intensificou o aperto no braço. — Começamos de forma errada... Minha irmã me traiu, passei uns maus bocados, fui para Vegas em busca do consolo e do apoio dos meus amigos. Nós bebemos e deu no que deu. Acordamos casados e estamos sendo atacados desde então. O homem que filmaram naquele bar não era um marido traído! Era um filho destruído por um pai, que teve a audácia de agarrar a própria nora, e só para magoá-lo. Respondam: que homem não ficaria quebrado ou confuso? Caramba!

— Quer mesmo que a gente acredite nisso? — O repórter ruivo gargalhou.

— Meu pai é um cretino e não estou nem aí, se acreditam ou não... — Brian rosnou novamente. — Uma hora somos os mocinhos, na outra, os bandidos! Não querem a verdade, estão atrás de Ibope, seu bando de falsos moralistas. Vão à merda e nos esqueçam!

A explosão de xingamentos recomeçou e foi crescendo.

Quando a coisa começou a sair do controle, uma buzina, do tipo que se leva em estádios, soou surpreendendo a todos. Um corpo estonteante e bem conhecido de Lilly emergiu no meio da multidão. Ela não acreditou quando viu Mel no alto, sentada nos ombros de Lion.

Deus!

De onde a Mel tirou esse troço?

— Calem a boca! — a morena berrou com uma autoridade impressionante. — Deixem que os dois se expliquem! Cadê a porra da liberdade de expressão? Qual é? Que tipo de profissionais vocês são?

Ondas de protestos e de apoio à jornalista varreram a multidão. A buzina soou mais uma vez e quando o barulho reduziu a um patamar aceitável, Mel sorriu satisfeita. Em seguida, gesticulou dando a palavra novamente para a amiga.

Lilly estava boquiaberta... que grande mulher era a Mel. Ela sussurrou um: Muito obrigada e tomou fôlego para continuar.

— Por favor, não crucifiquem o meu marido. Pensem! Conhecem a fama tanto do pai, quanto do filho. O Brian é um grande sujeito! Pode parecer piegas, mas ele é a minha fortaleza... Se o nosso começo foi torto, isso só diz respeito a nós. Nunca tivemos a pretensão de sermos o casal dos sonhos que a mídia criou... Somos humanos, apenas o Brian e a Lilly... Eu amo esse homem com uma força que não cabe em mim. Será que vocês são tão fissurados em furos de reportagens, cliques e likes que esqueceram de checar o óbvio? Dane-se o que a minha irmã, a Diana ou o Ian disseram. Não precisamos da aprovação deles ou do julgamento de vocês... Nós dois e os nossos bebês somos para sempre!

— Para sempre, entenderam? — Brian berrou.

Um coro de: BriaLy... BriaLy... BriaLy... eclodiu.

— É, deixem os BriaLy em paz! — Uma jovenzinha com a camiseta da banda implorou aos prantos. — Vão infernizar outra banda!

BriaLy... BriaLy... BriaLy...

— Aquela Diana é uma vaca oportunista! — outra gritou agitando um cartaz:

 

I LOVE BRIALY ♥.

 

BriaLy... BriaLy... BriaLy...

Um moço com baquetas na mão começou a batê-las.

— Nós queremos BriaLy juntos! Não destruam o nosso sonho!

BriaLy... BriaLy... BriaLy...

— Seu abestado! Respeite os nossos bebês! — uma senhorinha de uns mil anos bateu com um guarda-chuva no repórter ruivo.

BriaLy... BriaLy... BriaLy...

Os fãs enfurecidos começaram a afugentar os jornalistas. Brian sentiu-se abençoado por ter fãs tão passionais. Palmas pipocaram e ganharam força. Lilly não sabia se chorava ou ria... Começou a rir. Aquilo tudo era muito surreal.

BriaLy... BriaLy... BriaLy...

— Valeu, galera! Vocês são os melhores fãs do mundo! — Brian gritou e fez um gesto para Lion, pedindo que ele trouxesse a Mel para o carro. Em seguida, beijou o topo da cabeça da Lilly e, em meio aos gritos, os dois escorregaram e voltaram a ocupar suas posições no carro.

— Melhor se mandarem daqui. — Lion colocou Mel sentada no banco do passageiro e Lilly acionou a capota.

Finalmente, os três se viram a salvo e isolados, e o mar de gente começou a abrir para dar passagem para os veículos. Brian girou a chave, o motor roncou e lentamente a Maserati voltou a andar.

— Que loucura! — Lilly assoviou, assim que se viram dentro do condomínio. — Esse pessoal te ama de verdade.

— Ama mesmo. — Brian respirou aliviado.

Lilly girou o corpo para olhar a Mel.

— Obrigada, você foi incrível.

— Foi mesmo. — O músico olhou a jornalista pelo retrovisor e abriu um sorriso agradecido.

Mel fez um sinal de deixa disso.

— Só fiz o certo. De agora em diante, a mídia estará do lado de vocês. Você arrasou, Baixinha.

— Caralho, como pode caber tanta coragem dentro de um corpo tão minúsculo? — Brian olhou com admiração para a esposa.

— Amigo... espere a Lilly completar os nove meses, aí você verá o que vai caber de fato, dentro dela. — Mel caiu na gargalhada.

... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...

 

Quando chegaram em casa, o exército que Lilly tinha convocado já estava quase todo a postos na sala.

— Como estão? — Adan parou no meio da sala, lançou um olhar investigativo para o trio e estacionou a inspeção em Mel.

— Acho que nos saímos bem. — Lilly foi sincera, uma estranha adrenalina a fazia se sentir confiante.

— Onde estão o Gabe e o Mark? — Brian perguntou ao descer os degraus de mão dadas com a esposa.

— Lá no quarto de hóspedes, devem bater por aí a qualquer minuto. — Adan manteve a cara fechada.

— Tio Ed! — Lilly soltou Brian e foi abraçar a visita inesperada. — Não queria incomodá-lo. — Libertou-o do abraço apertado. — Estou bem, de verdade.

Pela cara do tio, a coisa com Ava já tinha explodido. Lilly nem precisava perguntar, para saber o que significava o envelope pardo com timbre do Ministério Público, que ele segurava, mas o fez assim mesmo.

— Isso aí é do Juiz, né? — Apontou para a mão do tio e sentou-se no sofá.

Brian ocupou o lugar ao lado da esposa e Mel preferiu uma poltrona.

— Sim, Ava foi rápida. — O tio sentou-se no espaço disponível ao lado da sobrinha e cumprimentou Brian com um meio sorriso. — A audiência será daqui a três dias. — Jogou o envelope sobre a mesa de centro. — Acho que sua irmã não leva essa. Não depois de ontem e da comoção de agora, nos portões do condomínio.

— Mas o lance da mentira? — Penne perguntou esparramada em outra poltrona. O iPad na mão dela pendia de um lado para o outro, denunciando a ansiedade.

— O que está em jogo é a legitimidade do casamento e para mim está mais do que claro, de que é verdadeiro. — O tio foi direto. — Os gêmeos são irrefutáveis.

Brian suspirou aliviado, embora estivesse envergonhado por ter sido o causador de tudo aquilo.

— Senhor Edward, a culpa foi minha... perdi a cabeça. Em momento algum eu quis prejudicar a sua sobrinha.

— Eu sei disso. Sarah me ligou, assim que saíram do restaurante. Estou a par de tudo e, acredite, minha reação teria sido pior do que a sua — disse, para em seguida abrir um sorriso sincero que surpreendeu a todos. — Parabéns pelos pequenos. Ser pai é um grande negócio e meu irmão teria orgulho de você. É muito bom tê-lo na família.

Porra! Ele me aceitou?

Os olhos de Brian marejaram e para despistar uma lágrima, ele apertou o topo do nariz.

— Obrigado, eu estou honrado em ter a Lilly e os meus filhos.

Lilly olhou de um para o outro e sorriu.

— Querem saber? — Ela espalmou a coxa do marido para tranquilizá-lo. — Seja o que Deus quiser. Estou pronta para tudo. Uma hora essa história de Vegas viria à tona mesmo e estou achando até bom. Graças a Deus que essa mentira acabou. Tudo o que eu quero é poder tocar a vida sem medo.

— Eu também acho que foi melhor assim — Big, que estava sentado aos pés da poltrona de Penne, concordou. — A internet está bombando em apoio a vocês. — Levantou o celular.

— A mídia vai colaborar e isso conta muito. — Mel sorriu.

— Colaborar, graças a você — Lilly fez questão de relembrar. — Aquele pessoal estava fora de controle.

— Ela foi imprudente, isso sim! — Adan rosnou. — Poderia ter se machucado.

Mel olhou bem feio para ele.

— Aposto que iria adorar se isso acontecesse.

— Ooooh, os dois! Querem parar! — Mark despontou no fim da escada. — O Lion estava lá, relaxa Adan. — Olhou feio para o vocalista. — A Mel foi ótima, como sempre.

— É, foi ótima, como sempre — Adan ironizou e foi ficar do lado de Gabe que sentou no braço da poltrona em que Penne estava.

Mark foi até a Mel e pediu um cantinho. A morena encolheu-se e ele sentou.

— Confesso que estava bem preocupado com a opinião pública e com a reação dos fãs. Mas pelo andar da carruagem, BriaLy só fortaleceu a banda. Tomara que não haja mais surpresas. Sua irmã e ex-noivo devem acalmar depois dessa.

— Com certeza, o Will não será mais um problema — Penne disse do nada com os olhos fixos na tela do iPad.

— O quê? — Brian dirigiu a atenção para a amiga.

Penne tinha perdido completamente a cor.

— Como era o sobrenome dele?

— Donovan. Willian Donovan — Lilly disse sem perceber o tempo verbal.

— Merda! — a loirinha deixou escapar.

Big estendeu o braço e capturou o aparelho das mãos da amiga.

— Puta que pariu!

— Gente, vocês estão me assustando. — O coração de Lilly disparou. — Não me diga que ele aprontou alguma?

— "O corpo de Willian Donovan foi encontrado preso à base da ponte Vincent Thomas. A polícia trabalha com a hipótese de suicídio" — Big leu a manchete.

— Tem certeza de que é ele? — Tomada por uma onda de culpa, Lilly saltou do sofá e agarrou o aparelho. — Meu Deus! — Sentiu as pernas tremerem e sentou na mesinha de centro.

Na mesma hora, todos a rodearam.

“O corpo do administrador Willian Donovan foi encontrado por pescadores, na manhã de hoje, preso às ferragens da Ponte Vincent Thomas que liga Los Angeles a San Pedro. Devido à decomposição provocada pela água do mar e aos reagentes químicos presentes na região das docas, a polícia não soube precisar a data do óbito. Os restos mortais do empresário foram encaminhados para laudo técnico.

Nenhuma nota de suicídio foi encontrada junto ao corpo. A polícia já fez uma varredura no apartamento do empresário, porém nada foi encontrado. O imóvel estava praticamente vazio e o senhorio do prédio informou que havia uma ordem de despejo contra Willian, devido ao atraso de dois meses no aluguel. ”

Puta que pariu!

Brian sentou ao lado da esposa, pegou o aparelho e releu a notícia. Em seguida, cada um dos presentes na sala fez o mesmo. Quando chegou a vez de Gabe, ele ficou branco ao ver a foto do Will.

— Tem certeza de que esse cara era o seu noivo? — Virou a tela para Lilly.

Atordoada com a notícia, ela olhou novamente a foto, mas não disse nada. Os sentimentos de Lilly estavam confusos e um vazio a tomou. A notícia era devastadora, porém libertadora. Culpa e alívio estavam circulando em seu sangue, na mesma medida. Sabia que não poderia ter feito nada diferente em relação ao ex-noivo, entretanto, cobrou-se por não ter percebido os sinais de um suicida nele. Ao contrário... em Londres ele aparentava estar raivoso, não deprimido.

— É ele? — Gabe insistiu deixando todos em alerta.

— É, sim — Lilly confirmou em um sussurro.

— Foi esse cara que me bateu — Gabe deixou o comentário escapar e imediatamente arrependido de ter dito aquilo, jogou o iPad no chão, e caiu sentado no sofá. Sabia que teria que abrir o jogo sobre tudo o que tinha acontecido.

O quê?

— O Will era o cara com quem estava saindo? — Brian levantou e começou a puxar os cabelos.

Porra! O caralho de curso preparatório para noivas! A dedada atrevida era mesmo coisa daquele WillBi!

Nunca mais na vida deixaria Lilly fazer aquilo.

Bosta! Bosta! Bosta!

Gabe respirou fundo e olhou diretamente para a Lilly.

— Não estava saindo com ele, eu juro — disse em tom de desculpa, como se aquilo pudesse significar algo para a J.J.. — Naquela noite, fui me encontrar com o Bert, o cara que conheci na festa do Grammy e me chamou para uma bebida.

Lilly estava chocada e começou a respirar mais rápido.

O Will era gay? Não! Eu o vi com a Ava.

A cabeça moreninha começou a balançar em negação.

— Eu não estou entendendo. — Engoliu em seco. — Por que o Will bateria em você? Para se vingar de mim?

Gabe inclinou o corpo e segurou firme na mão da amiga.

— Não, J.J., você não tem nada a ver com isso. Nunca tínhamos nos cruzado e ele não pareceu saber quem eu era.

— Isso está confuso, cara. — Adan chegou mais perto e cruzou os braços musculosos. — Se nem se conheciam, por que o Will te detonou desse jeito?

— Sei lá... ciúmes. — Gabe mordeu os lábios de forma tensa. — Depois da boate, o Bertran me convidou para uma saideira no apartamento dele... quer dizer, um buraco que eu achei que era dele. Não lembro muito bem, chapei demais naquele dia. Só lembro que esse Will apareceu de mala e cuia, como se fosse o dono do lugar. Ficou uma fera quando nos viu conversando, começou a berrar e a quebrar tudo, inclusive eu. Pelo que entendi, acho que os dois tinham um caso sério, sei lá... Pelo menos foi o que pareceu. O cara enlouqueceu, só repetia que estava fodido, que todo mundo o tinha traído. Quando ele me deixou de lado e partiu para cima do Bertran, aproveitei a porta aberta e escapei.

O baixista terminou de falar e o silêncio reinou. Nem uma mosca ousou fazer barulho. Todos estavam atentos, esperando por uma reação de Lilly.

A culpa dela tinha ido embora, varrida pela compreensão de que o verdadeiro Will era alguém completamente desconhecido. Um ator... um...

— Filho da puta! — Lilly berrou e levantou-se. — Dois anos com o cara e eu não percebi os sinais óbvios? — Esfregou o rosto e começou a andar de um lado para o outro.

Big e Adan precipitaram-se na direção dela, mas Lilly fez um sinal para que se mantivessem longe.

— Boneca, calma — Penne disse de longe. — Pense nos bebês.

— Tem noção do quão fodido isso é? — Lilly respirou fundo. — Eu me culpei de verdade, pela falta de interesse daquele canalha!

— Amor, esquece isso. — Sem hesitar, Brian a abraçou com força envolvendo-a com seus longos braços. — Depois a gente tenta entender essa história.

— Querida, seu marido tem razão. Daqui a pouco vai anoitecer e o dia foi agitado. É melhor subirem. Brian cuide dela, por favor. — O tio colocou a mão no ombro de Gabe que parecia desolado. — Ficarei aqui para dar apoio ao garoto.

Lilly assentiu. De repente, o peso das horas não dormidas recaíram sobre ela. Despediu-se de todos com um gesto lânguido e deixou que Brian a pegasse no colo.

— Lilly — Gabe a chamou. — Eu juro que não sabia.

Por cima dos ombros, ela olhou para o baixista.

— Tudo bem, meu Anjo. — Sorriu com sinceridade. — Eu não sabia, você não sabia... o mundo não sabia. Não se culpe. Só preciso de um tempo para digerir essa loucura.

Sem esperar por uma resposta de Gabe, Brian adiantou-se com a esposa nos braços, escada acima. Estava ansioso para cuidar dela e fazê-la sentir-se bem.

— Que tal eu te colocar na cama e a gente cuidar um do outro?

— Hum-hum... só preciso disso... de nós. — Afundou o rosto na curvatura do pescoço de Brian.