Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 35
Os olhos de Penne arregalaram e ela soltou um assovio, assim que o elegante joalheiro
da Cartier depositou solenemente uma bandeja de veludo sobre a mesa. A guitarrista parecia um peixe fora d’água, nunca tinha estado em um lugar tão cheio de frescuras antes.
— Uau, Bonequinha! As coisas no mundo das artes devem estar indo de vento em popa. — Girou o dedo ao redor da loja repleta de lustres de cristais, carpetes vermelhos, mesas de mogno real e joalheiros que mais pareciam mordomos. — Não sabia que frequentava lugares como esse.
— E não frequento — Lilly disse baixinho e sorriu para o homem que as aguardava pacientemente.
— E também não sabia que usava coisas desse tipo. — Apontou para o colar de diamantes descansando majestoso no leito aveludado.
— E não uso. — Lilly sorriu e acariciou a joia. — Era da minha avó.
— É lindo. Deve custar milhares de dólares.
O joalheiro sorriu.
— Milhões, senhorita. Cinquenta e três, para ser mais preciso — disse com certa pompa e adoração.
Penne soltou um gritinho quase histérico:
— Puta que pariu! Cinquenta e três milhões?
Um pequeno “Oh” escapou do homem chocado com o linguajar da loirinha. Um pouco desconcertado, ele limpou a garganta e voltou-se para Lilly.
— Polimos as pedras e arrumamos o fecho como a senhorita pediu.
Lilly abriu um sorriso involuntário e radiante.
— Senhora... sou senhora, agora.
— Parabéns! — felicitou-a sem entusiasmo. — Deseja experimentar? Seria recomendável, dessa forma, poderemos ajustá-lo, caso algo não esteja do seu agrado.
Lilly assentiu.
— Deus, Lilly... Só maluca para ir ao Grammy com esse troço caro pra caralho, no pescoço! Quando o Brian souber, vai querer triplicar a segurança — Penne sussurrou, mas não muito.
Outro hum-hum veio do joalheiro.
— Desculpa aí, tio. Foi mal. — Penne sorriu sem graça.
— Ninguém precisa saber que é de verdade — Lilly disse em um tom de aviso e súplica. — Eu nunca usei as joias da vovó. Só que eu lembrei desse colar e pedi que o Tio Ed o tirasse do Banco e trouxesse pra cá. Percebeu como o diamante tem a mesma cor dos olhos do Brian?
Penne fez cara de eu-não-estou-ouvindo-isso, misturada com nojo.
— Ah, fala sério! Vai usar isso, só por causa da cor dos olhos do Brian?
— Vou. — Lilly sorriu e segurou os cabelos para que o joalheiro vestisse a joia. — Vai trazer boa sorte.
— Uma pedra incomparável. — O joalheiro colocou o colar em torno do pescoço dela e fechou com um clique. — Disse que a pedra veio da Austrália, correto?
— Sim, minha família está no negócio de extração há anos — explicou para ele. — Eles têm minas espalhadas pelo mundo.
O joalheiro assentiu, encantado. Aquela mocinha era tão simples. Não parecia ter real noção do quanto aquele colar era valioso. Uma corrente delicada cravejada por minúsculos diamantes brancos em formato de coração e um pingente ovalado do mais incrível diamante azul-violeta que ele já tinha visto.
— A pureza da gema é magnífica. Existem poucas pedras como essa no mundo. É uma jovenzinha de muita sorte mesmo, senhora.
Lilly pensou em Brian.
— Sim... sou mesmo. — Sorriu, acariciando o colar. — Ele vai ficar incrível com o vestido que eu escolhi.
O celular tocou na bolsa, Lilly fez um gesto pedindo um minuto e correu para resgatar o aparelho. Já eram duas da tarde e estava com saudades do Brian. Ele saíra logo depois do café da manhã, para se encontrar com o Mark. Os dois estavam obcecados tentando descobrir quem tinha vendido as fotos para o tal site de fofocas.
Com o dia livre, Lilly foi convocada por Penne para acompanhá-la ao salão de beleza e pegar a roupa que usaria na cerimônia. A guitarrista queria escandalizar em um macacão de couro no estilo mulher-gato.
— Oi — atendeu ofegante, depois do quinto toque.
— Oi — a voz de Brian parecia estar cansada. — Já chegou em casa?
— Não, estamos em Beverly Hills terminando umas coisinhas. — Não quis contar sobre a joalheria, não tinha dito pra ele sobre o seu pequeno tesouro.
A voz de Mark soou urgente ao fundo.
— Caramba, General, já vou falar pra ela, porra! — Brian reclamou com o empresário.
— Falar o quê? — Lilly adiantou-se com curiosidade.
— [70] O Rony Candyligou nos convidando para uma sessão de fotos. Um lance para a Vogue. O Mark acha importante para a minha imagem, depois do fiasco da vara mágica — Brian bufou irritado.
— A Penne vai adorar — ela disse, reconhecendo o nome do badalado fotógrafo de celebridades.
— Não, nós, a banda... nós, eu e você. Parece que somos os queridinhos. — Brian riu com irritação e Lilly engoliu em seco. Ela nunca tinha feito aquele tipo de coisa antes, nem sabia se levava jeito ou se achava legal. — A revista quer algo meio estilizado... tipo noivos — ele continuou.
— Noivos? Tipo vestida de noiva? — Lilly interessou-se. A ideia de ter fotos mais legais das que tiraram deles na boate em Vegas soou-lhe agradável.
— Tipo isso.
— Quando?
— Hoje... agora — Brian falou com cuidado.
— O quê? Mas já são duas da tarde... o Grammy. — Lilly ouviu risos e uma voz familiar atrás dela e virou-se. Droga! O que ele está fazendo aqui? — Seu pai.
Brian congelou.
— Meu pai? Onde?
— Aqui.
— Onde?
— Na loja. — Lilly observou o senhor Pierce falar algo para Penne, que riu e depois ambos viraram para ela. O homem abriu um sorriso predador.
Credo!
— Você está sozinha? Quero que saia daí agora — Brian disse ríspido deixando Lilly sem reação. — Não dê conversa para ele, está entendendo?
Lilly ficou ouvindo Brian esbravejar do outro lado da linha sem saber o que fazer. Penne fez sinal para ela e saiu deixando o senhor Pierce sozinho. Merda! Ela tinha que ir no banheiro justo agora? O pai de Brian pegou uma caixa delicada que um outro joalheiro lhe entregou, agradeceu-o com um tapinha nos ombros e veio na direção dela.
Ai, caramba, ferrou!
— Lilly! Não quero que fale com ele!
— Não estou sozinha... a Penne e o Daniel...
— Não me interessa... — Brian interrompeu-a. — Fala para o Dani te trazer para o QG estúdio agora!
Meu Deus, pra quê tudo isso?
Lilly ficou chocada, só tinha visto Brian nervoso daquele jeito no dia da Diana.
— Tá... calma, vou pedir para o Daniel me levar — disse sem pensar e olhou para a cópia desgastada de Brian parada à sua frente.
— Agora! — Brian insistiu.
— Tá, entendi... estou indo agora. — Desligou e o telefone voltou a tocar na mesma hora. Não atendeu.
O senhor Lincoln sorriu e apontou para o celular tocando na mão de Lilly.
— Meu filho?
— Meu agente — ela mentiu em um impulso e desligou o aparelho.
Do que será que o Brian tem tanto medo?
Um milhão de possibilidades passaram pela cabeça dela. Brian não era um cara inseguro ou superciumento. Ela vivia rodeada pelos integrantes da banda e da equipe técnica e ele nunca dera um chilique.
Será que é medo que o pai conte os podres dele?
— Veja só... que mundo pequeno. — Ian olhou para o colar no pescoço dela. — Já começou a extorquir o meu filho? Belo colar...
Hã?
— O colar não é meu — mentiu novamente e Ian não pareceu convencido. — É uma cópia e é da minha tia, não estou nem aí para o dinheiro do seu filho — disse na defensiva.
— Hum-hum... sei que não está, brinquedinho. — Ele riu quase sexy, esticou a mão e tocou o pescoço dela com intimidade.
O coração de Lilly disparou de um jeito ruim e ela deu um passo largo para trás.
— Meu filho deve estar tremendamente satisfeito na cama. É tão boa assim? — Levantou uma sobrancelha. — Fiquei curioso.
O quê? O bandido está me cantando?
Desgraçado!
Lilly respirou fundo. A raiva percorreu as veias dela.
— Isso não é da sua conta! O senhor está sendo grosseiro... — Controlou a voz para não gritar. Viu Penne descer as escadas e parar diante de uma vitrine. Droga! Deu um suspiro agoniado.
— Qual é, brinquedinho? Medo de não resistir. — Ian divertiu-se e passou o polegar pelos lábios em um gesto guloso.
— Medo nenhum. — Ela ergueu o queixo em desafio.
Ele sorriu confundindo a atitude petulante com flerte e deu um passo estreitando a distância entre eles.
— Não se atreva! — Lilly sibilou em um tom ameaçador.
Pego de surpresa, Ian a encarou em dúvida, mas voltou com um sorriso cafajeste.
— E se eu me atrever? — provocou-a e ameaçou se mover.
— Eu disse não! — Lilly o encarou com fúria e o homem recuou. — Se o senhor não respeita a esposa e o filho que tem, eu respeito. Deveria se envergonhar... Tem idade para ser meu avô — exagerou a idade de propósito e saiu.
— Eu tenho quarenta anos! — Ian protestou atrás dela.
Quarenta em cada perna!, pensou ela.
Com raiva e envergonhada, Lilly foi em direção à amiga que conversava com o joalheiro que as tinha atendido. O senhor segurava a caixa aberta, pronta para receber a joia que carregava.
— É impressão minha ou o Ian está aborrecido? — Penne perguntou, assim que Lilly se aproximou.
— Impressão sua — mentiu.
— Ah, bom, ele é sempre tão brincalhão. — Penne sorriu aliviada.
Brincalhão?
Lilly conteve o ímpeto de contar para Penne o que tinha acontecido, mesmo que aquilo não tenha parecido uma brincadeira. Droga! Ela ficou em dúvida. Será que tinha entendido completamente errado a atitude do sogro ou o homem era de fato um safado de marca maior?
— Viu o colar de rubis que ele comprou? — Penne perguntou trazendo Lilly para a Terra. — Ele é tão romântico! A dona Sarah vai surtar!
Romântico?
A dúvida só aumentou.
Maridos safados não são românticos com as esposas.
São?
Impaciente, Lilly fez que não viu com a cabeça.
— Preciso ir. — Tirou o colar de diamantes do pescoço e entregou ao joalheiro. — O Brian quer que eu vá encontrá-lo no QG estúdio.
Penne arregalou os olhos.
— Agora?
— Pronto, senhora. O seu tio já deixou tudo acertado.
— É... agora. — Lilly assentiu, pegou a sacolinha da Cartier que o joalheiro lhe entregou e apressou-se em ir embora com Penne atrás dela, sem entender o motivo de tanta urgência.
Assim que saiu da joalheria e entrou no carro, Lilly ligou, mas Brian não atendeu. Deixou um recado avisando que teriam que passar em Dreams Beach para deixar a Penne e pegar as roupas que usariam na cerimônia do Grammy. No caminho, Lilly tentou especular com a loirinha, perguntando sobre a relação entre pai e filho.
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— Sei lá, Lilly... Só sei que os dois brigaram depois que o Ian pisou feio na bola com a tia Sarah. Os pais dele quase se separaram.
— O Ian traiu a Sarah?
— Não sei que merda o Ian aprontou, o Brian nunca entrou em detalhes.
— Quando foi isso?
— Ah... já faz tempo. A gente estava em turnê... Acho que um pouco antes do Brian terminar o namoro com a Kate e entrar em parafuso. Por quê? O Ian falou alguma coisa da Sarah? Será que brigaram de novo? Por isso ele comprou o colar?
— Não sei, ele não disse nada. Só fiquei curiosa, só isso.
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Lilly e Daniel chegaram no QG estúdio uma hora mais tarde. O time de assistentes de Rony Candy corria de um lado para o outro carregando toda espécie de equipamentos de fotografia... refletores de luz, câmeras, tripés, tela de fundo infinito, flores, figurinos e até um ventilador enorme.
Seguida pelo segurança, ela passou entre a pequena multidão, que a olhou com curiosidade, e foi na direção da escada nos fundos do galpão. Subiu apressadamente os degraus... entrou em um corredor mal iluminado e estreito, repleto de portas. Deus, isso aqui parece um labirinto! Abriu algumas delas, para não encontrar ninguém.
— O escritório do Mark é o primeiro virando o corredor à direita. — Daniel tomou a frente indicando o caminho.
A porta estava aberta e um burburinho de vozes e risos saía por ela. Assim que Lilly despontou no batente, o coração de Brian deu um salto de alívio.
— Pequenininha! — Saltou da cadeira e veio correndo em sua direção.
As demais pessoas na sala assistiram quietas, quando o músico suspendeu Lilly em um abraço urgente e apertado, arrastando-a para fora até um canto reservado.
— Está tudo bem com você?
Brian a colocou no chão e escaneou o rosto delicado como se procurasse algum ferimento mortal.
— Deus, Brian, é claro que estou bem, não se preocupe.
— Como não se preocupe? — disse irritado. — Claro que eu me preocupo.
— Eu te liguei — ela disse, um pouco irritada também. — Não ouviu o recado?
O rosto dele contraiu.
— Não... meu celular caiu... e quebrou. — Ele não ia contar que, sem querer, atirou o aparelho contra a parede. — Por que desligou na minha cara e depois não atendeu mais? O que o meu pai te disse?
Hã?
As mãos de Lilly foram parar na cintura.
— Brian Theodore Lincoln Pierce, o que tem a esconder? Por que ficou tão nervoso quando eu disse que o Ian estava lá?
— Não tenho nada para esconder! Eu já te expliquei... meu pai é um babaca mal-educado... — E um predador, porra!
Brian queria contar toda a verdade para ela, mas não podia. Ele passou as mãos nos cabelos e respirou fundo para se acalmar. Em seguida, olhou para Lilly, que estava com cara de que não engolira nada do que ele dissera. Merda! Ele respirou novamente e puxou-a em um abraço.
— Amor, desculpa. — Beijou-a no topo da cabeça. — Meu pai pode ser bem desagradável, às vezes. Você viu como ele se comportou ontem no churrasco. Eu só não queria que ele a aborrecesse.
Lilly levantou o rosto e fitou-o nos olhos.
— Ele não me aborreceu, não fomos além de um simples "oi" — mentiu para não o deixar mais irritado.
— Jura? — Agora foi a vez dele de parecer pouco convencido.
Brian tinha notado o olhar predador do pai pra cima da esposa.
Ian adorava as novinhas.
— Juro... já estávamos de saída quando ele chegou — jurou sem conseguir olhar nos olhos dele.
— Hum-hum, se é o que diz... Assunto encerrado, então — Brian disse em um tom desconfiado e a imagem de Ava com o Will veio à mente de Lilly.
Merda!
— Por acaso acha que eu sou como a minha irmã? Que carrego algum gene traidor no sangue? Não confia em mim? Caramba, vivemos rodeados por todo tipo de gente. Já me viu dar mole pra alguém? Olha aqui... eu não tenho saco para aturar um maníaco ciumento na minha cola! — esbravejou quase sem fôlego.
— Não sou um maníaco! — Brian ficou ofendido, embora andasse muito ciumento em relação a ela. — Por que desenterrou essa merda da Ava? Sei que não é como ela!
— Porque sei que insegurança é que não pode ser! É o homem mais confiante e atraente que eu já vi, poxa vida! Então é claro que acha que o problema só pode estar...
Brian colocou um dedo no lábio dela.
— Quieta. Atraente? — interrompeu-a.
Lilly girou o rosto livrando-se do dedo.
— Não acredito... está querendo confete a uma hora dessas? — Revirou os olhos com impaciência.
Brian sorriu demonstrando que sim.
— O mais atraente. Satisfeito?
Mark apareceu atrás deles, interrompendo o que estava prestes a virar um beijo de reconciliação.
— Crianças, que tal encerrar a DR? O Rony já está impaciente, desse jeito não conseguiremos fazer as fotos antes da cerimônia.
Empata dos infernos!, pensou Brian.
Sem saída, o casal retornou à sala, escoltados por Mark. Apresentações foram feitas, Rony explicou-lhes o que tinha em mente para o editorial. Olhou Lilly de todos os ângulos, e por fim, abriu um sorriso satisfeito.
— Hora da maquiagem, mocinha. O Brian pode ir com o Stephen, ele vai te mostrar o figurino.
Lilly passou a hora seguinte sendo carregada de um lado para o outro... Unhas, cabelo, maquiagem e até depilação.
— Pra quê, isso? Eu não vou fazer nudes!
A diretora de figurino riu.
— Esse procedimento é padrão. O seu figurino já está separado. É o mesmo que vai usar no Grammy.
— No Grammy? Não... eu trouxe um vestido. Tenho um colar que eu preciso que combine... — começou a explicar, mas engasgou assim que a mulher abriu o zíper de um porta-roupas e tirou o vestido que estava guardado.
— O Domenico achou que este ficaria perfeito em você. Vestir um modelo dele em uma celebração é uma honra.
A mulher sorriu com idolatria e mostrou o tomara que caia branco, com uma saia rodada em estilo anos cinquenta, até a altura de um palmo abaixo dos joelhos. Uma delicada fita de veludo azul-marinho, quase negro, adornava a cintura e combinava com o barrado em renda escura arrematando o estilo romântico.
As palmas das mãos de Lilly começaram a suar em um misto de euforia com não-pode-ser...
— O Do-Domenico Dol-Dolce? — gaguejou. — Da Dolce & Gabbana? Ele sabe quem eu sou e me mandou um vestido?
— Todo mundo sabe quem é você. BriaLy virou febre. — A mulher arqueou a sobrancelha loira perfeita. — Não acompanha a imprensa?
— Na verdade, não. — Lilly deu de ombros. — Ainda estão malucos com a coisa do casamento... evito olhar. Alguns sites têm sido muito invasivos e passado dos limites.
A maquiadora e a diretora de figurino se entreolharam e deram um sorriso malicioso.
— Sei como é. Tem um marido brilhante, senhora Pierce.
— Sim, eu tenho. O Brian é muito talentoso — Lilly disse um pouco possessiva, sabendo muito bem a que tipo de brilhantismo a mulher se referia. — Não é melhor eu me vestir? — mudou de assunto.
Uma vez pronta, desceram para o estúdio no andar de baixo.
Azuis-violeta e castanho-esverdeados brilharam ao se encontrarem. Uau! Lilly pensou. Ao contrário dela, que não se reconhecia debaixo daquela produção de alta costura, Brian estava pura sensualidade vestindo nada além de um jeans desgastado e rasgado com o primeiro botão aberto, ressaltando ainda mais o V bem demarcado.
— Caralho, que você está sexy como o inferno. — Brian correu até ela. — Gostei desse cabelo e dessa boca! Porra!
Ainda desconcertada pela imagem quase sexual do músico, Lilly tocou os cabelos presos em um coque solto e retrô.
— Também gostei de tudo. Só a maquiagem... Não acha um pouco demais?
Brian examinou o rosto dela de um jeito que lhe molhou a calcinha. Deus, tudo isso por causa de um batom vermelho? Ela sabia que alguns homens tinham um certo fetiche, mas o olhar dele estava feroz.
— Não, tá sexy! — rosnou.
— Ah, você está aí! — Rony chegou junto. — Melhor impossível. Eu sabia que misturar o romântico com um toque agressivo iria ficar ótimo.
— Será? Achei um pouco demais... Costumo usar algo mais suave. — O rosto de Lilly expressou sua dúvida.
O fotógrafo segurou a mão esquerda dela com unhas recém-pintadas em um vermelho vibrante.
— A ocasião é especial. Vi algumas fotos suas... Notei que tem um estilo mais casual e aposto que nem se dá conta do quanto é sensual, senhora Pierce. — Sorriu amável. — Sua boca segura bem esse tom vermelho. Te trouxe uma selvageria rock-and-roll. Você vai fazer aquele tapete vermelho tremer.
— E se eu não quiser tremer nada? — Lilly perguntou sincera e passou a mão pelo tecido delicado da saia. — Amei a roupa, mas...
— Mas uma mulher precisa explorar o lado femme fatale de vez em quando — Rony interrompeu-a, sabendo onde ela queria chegar. — Ser sexy não é ser vulgar, compreende? Confundem muito a sensualidade com a falta de roupa. A sensualidade está nos detalhes, como dessa sua boca carnuda realçada em sangue... confie em mim.
— Estou amando essa boca abusada... — Brian opinou, não escondendo o entusiasmo e o volume crescente em sua virilha. — Sem falar nos peitos que estão fabulosos. — Passou a mão nos cabelos já bagunçados.
Aquele corpete tinha valorizado muito a comissão de frente dela.
Rony e algumas pessoas da equipe técnica gargalharam.
— Amei o seu figurino. — Lilly passou a mão no peitoral trincado brincando com a falta de roupa.
Ia ser difícil se concentrar nas fotos com ele assim tão comestível.
— Uau! Vocês dois são ardentes. Vamos lá! — Rony começou a comandar. — Acho melhor começarmos com os dois, lado a lado. Quero Lilly de frente e Brian de costas exibindo esse dragão incrível — disse e, em seguida, apontou rindo para a virilha do músico. — Seu amigão está animado demais para sair na foto agora. Trate de se acalmar... Não quero ter a minha licença cassada por atentado ao pudor.
Rony era habilidoso e soube fazer com que eles relaxassem. Acompanhou boquiaberto a metamorfose do casal tímido para outro, totalmente entregue, apaixonado e ardente. Impressionou-se como os corpos dos dois se enlaçavam instintivamente. A sessão transformou-se em uma sequência de risos, carícias, provocações e sussurros.
— Stephen, eu quero tentar uma coisa... — Rony baixou a câmera e apontou para a mesa de apoio. — Traga aquele buquê e cubra os olhos da nossa noivinha. Brian, abrace-a por trás. Meu anjo, consegue me dar uma expressão de surpresa? Imagine-se surpreendida por um lobo mau, louco para devorá-la.
Como alunos aplicados, obedeceram ao mestre. As mãos firmes de Brian circundaram a cintura delicada de Lilly... Ai, caramba! Um arrepio subiu pela coluna dela até a nuca e a fez se contorcer como uma gata. Desconcertada, levou a mão ao queixo, entreabriu os lábios e formou um pequeno “O”, assim que sentiu a voracidade da Fera roçar em seu traseiro.
— Isso! Magnífico! Essa vai para a capa!
Quase em êxtase, Rony vibrou. Ele tinha ouvido uns boatos de que o casamento era um golpe de marketing. Pura maldade! Ele tinha olhos treinados e poucas vezes, em sua extensa carreira, tinha presenciado tamanho desejo.
— Acho que finalizamos. Podem soltar o making of. — O fotógrafo e a equipe começaram a bater palmas.
— Já era tempo! — Mark levantou as mãos para o alto. — A limusine com o restante da banda está chegando.
— Beleza, só preciso de uns vinte minutinhos para terminar aquela conversa com a Lilly — Brian disse e começou a carregá-la em direção à escada.
Antes que pisassem no primeiro degrau, Mark correu e parou ofegante diante deles.
— Malditos cigarros! — esbravejou e olhou firme para Brian. O empresário parecia ter crescido trinta centímetros, exalando autoridade. — Nem pensar, Lover Boy! Sei muito bem que tipo de conversa quer ter com ela. Estamos atrasados. Depois da cerimônia, vocês batem quantos papos quiserem. Mas agora, vai entrar na porra do camarim e vestir aquela maldita roupa!
— Eu ajudo — Lilly ofereceu-se, claramente excitada, e Brian abriu um sorriso lascivo.
Mark segurou-a pelo braço.
— Está escrito otário na minha testa? Mocinha, você vem comigo! Brian, entre naquela merda de camarim agora!
Mark berrou e Brian saiu protestando.
— Empata dos infernos! Tomara que o seu pinto caia!
Deus!
Mark suspirou.
Custava apenas uma vez na vida ser obedecido de primeira? Com eles, tudo era um drama... um daqui a pouco. Controlar os ímpetos sexuais dos integrantes da banda era cansativo demais.
Pois é, mãezinha...
Ser médico teria sido bem mais fácil.