Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 9
Os vinte passos até o quarto do Brian foram os mais longos da vida do casal. Lilly riu ao
ver o seu mais novo marido recostar no batente da porta e esperar por ela. O sorrisinho que ele lhe deu em troca foi pura tentação.
Ai, caramba, estou lascada.
Ele é mesmo muito magnífico!
Por mais que ela achasse Gabe um dos caras mais gatos que já tinha posto os olhos, ficou secretamente feliz por ter sido Brian o vencedor da disputa. O baixista nunca despertou nela um milésimo dos pensamentos impuros que Brian despertava.
O ar dos pulmões de Lilly pareceu desaparecer. Ela demorou uns bons segundos, para juntar os pensamentos dispersos. Precisou se esforçar para não tropeçar e estabacar-se no tapete vermelho florido, que revestia o corredor do hotel.
O que esse homem tinha na cabeça quando quis se casar comigo?
Por que ele ficava mais irresistível, a cada segundo?
— Tudo isso é medo de entrar no meu quarto? — O músico arqueou uma das sobrancelhas morenas. — Se andar mais devagar, daqui a pouco, vai dar ré.
— Não estou com medo — ela retrucou assim que ficaram cara a cara. — Deveria?
Brian revirou os olhos balançando a cabeça
— Lógico que não. Sou só eu... o seu marido.
Jesus!
Sim, o meu marido!
Ele retirou um cartão magnético do bolso e abriu a porta. Antes que Lilly pudesse passar, enlaçou-a pela cintura... em um único movimento, ela já estava nos braços dele e não pôde evitar um suspiro.
Um formigamento brotou na base de sua espinha. Uau! Os olhos dele eram extremamente lindos de pertinho. Nunca tinha visto um tom assim, azul-escuro, meio violeta.
— Desculpe, mas sou um cara tradicional. Tenho que carregar a noiva.
— Não fez isso ontem?
Brian inclinou-se, chegando mais perto do ouvido dela.
— Shhh... Fiz, mas vou lembrá-la de cada coisa que esqueceu sobre ontem à noite.
Um outro suspiro escapou e uma excitação esquentou a lateral do pescoço dela, que, instintivamente, virou a cabeça ficando a milímetros do nariz de Brian. Seus lábios quase encostaram, então, para aumentar a distância entre eles, Lilly apoiou uma das mãos no peito musculoso e os dedos dela roçaram no piercing no mamilo.
Nem pense nisso, Lilly!
Resista!
— Sensação engraçada. — Sorriu tímida ao cutucar a pequena argola de prata sob a camiseta dele. — Doeu para colocar?
— Não tanto quanto em outros lugares. — Brian deliciou-se com a cara de espanto dela.
Com certeza, sua esposa estava imaginando sobre quais outros lugares ele estava se referindo. Do nada, pequenos dedos curiosos puxaram a argola.
Ah! Sensação do caralho!
— Aiiii — grunhiu ele, como se estivesse sentindo a pior dor do mundo, colocando-a de pé na entrada da sala da luxuosa suíte.
— Ai, poxa vida! — Por instinto, Lilly esfregou e assoprou o mamilo dele sobre a camiseta. Parecia uma mãe tentando acalmar um filho ralado.
O que diabos a Pequenininha estava tentando fazer?
Deixá-lo mais excitado do que já estava?
Brian apertou o peito tentando acalmar o tesão em seu mamilo.
— Desculpa, não queria te machucar! Eu e essa mania impulsiva de pegar e apalpar tudo.
Uma sobrancelha escura de Brian levantou.
— Gosta de pegar e apalpar tudo?
O quê?!
Lilly revirou os olhos.
— Para o seu governo, sou uma pessoa tátil. Deve ser a minha curiosidade artística. Nem todo mundo aprecia muito esse meu jeito. — Lilly afastou-se e respirou fundo para conter a euforia. Ele muito próximo era um perigo e tentando desviar a atenção, examinou a decoração moderna e clean da suíte.
— Acho que temos um ponto em comum. — Brian fechou a porta, com um coice. — Sou bastante tátil também. Gosto de pôr as mãos em tudo e concordo, nem todo mundo entende... já levei muito tapa na cara por ter esse lado explorador.
— Está dizendo isso só para me sentir melhor, né? Desculpa se te machuquei.
— O lance de ser um cara tátil é verdade. — Ele riu, foi até o bar, pegou duas garrafas de água; entregou uma para Lilly, que continuava rondando a sala e o encarando com cautela.
— Calma, estava só brincando. Não senti dor, pelo contrário. Só dói se puxar forte demais. Agora... chupar ou puxar de leve a argola dá uma sensação do caralho. Acredite, tem ligação direta acendendo outras partes do meu corpo. — Piscou malicioso.
Lilly engasgou e virou de supetão para o outro lado, quase atropelando um vaso com uma palmeira. Droga! Avistou e dirigiu-se para umas das poltronas de couro branco, ao lado da porta de vidro da varanda. A intenção dela era manter-se afastada da cama e dele o máximo que conseguisse.
Esta suíte certamente é melhor do que a outra.
Uma enorme jacuzzi na varanda, com água borbulhante, reinava majestosa ao ar livre.
As palavras de Brian sobre ligação direta fizeram os pensamentos de Lilly irem a todas as direções inadequadas. Estava atiçada pelo jeito extrovertido e espontâneo dele. Will era quase sempre tão... tão contido. Chegando a repreendê-la quando arriscava algumas palavras mais picantes.
— Tem um piercing igual ao do Gabe? — perguntou, antes que pudesse policiar as palavras.
— Igual ao do Gabe? — Brian questionou-a, esparramando-se no sofá.
— É... lá... no...
Lilly parou de falar na hora. Não porque estava envergonhada. Estranho, mas sentia-se à vontade perto dele, assim como era com Penne e Big. O problema é que, talvez, estivesse sendo invasiva e curiosa demais. Por mais aberto que ele parecesse, sabia que nem todos os homens gostavam de ter seus documentos investigados.
— Lá no meu pau? — completou, parecendo pouco se importar e ainda se divertir. Depois, levantou uma sobrancelha inquisidora. — Andou reparando no pau do meu amigo, senhora Pierce? Mal acabamos de casar e já está pensando em me trair?
O quê?
As bochechas dela queimaram na mesma hora. Sem graça, encolheu as pernas sobre a poltrona. A quantidade de tecido do vestido era descomunal. Afofou tudo e acomodou-se na cadeira.
Devia estar parecendo um boneco de neve.
Mesmo que Brian estivesse no direito de perguntar sobre Gabe, afinal, como saberia do piercing lá, se não tivesse dado uma boa olhadela... não gostou. Costumava ser muito fiel em suas relações.
— Fique sabendo, senhor Pierce, que costumo ser fiel em minhas relações. — Lilly lançou uma cara de indignação. Brian sorriu e os olhos azuis-violeta iluminaram-se. — E em minha defesa, digo que foi meio difícil ignorar a anatomia dos seus amigos com os dois tão nus à minha frente!
Uma gargalhada deliciosa invadiu a sala da suíte. Brian sentiu um bem-vindo alívio ao saber que sua esposinha prezava pela fidelidade. Casos de infidelidade sempre lhe trouxeram muita dor, tanto na infância como na fase adulta.
— Tão nus? — Brian gargalhou de novo. — E existe, por acaso, alguma outra forma de ficar pelado?
— Não! Quero dizer, lógico que não. Pelado é pelado.
— Isso te incomoda? Posso proibi-los de andar nus na sua frente. Isso na estrada costuma acontecer muito. Estamos tão acostumados a dividir o palco, a casa, a estrada e os camarins, que ficar sem roupa na frente uns dos outros, tornou-se algo irrelevante. Mesmo para Penne.
— Não, por favor, não faça isso! A última coisa que eu quero, é que mudem os hábitos por minha causa. A intrusa nessa história sou eu e, na verdade, não me incomodo. Eles são bonitos de se olhar. — O rosto de Brian contorceu em uma expressão de desagrado. Ai, Jesus! Conserte isso, Lilly! — Quer dizer... não que eu pretenda ficar olhando, claro.
Brian levantou-se do sofá com os olhos fixos nos de Lilly. Irritou-o que ela se sentisse como alguém que não deveria estar ali. Os dois estavam juntos! Quer dizer, pelo menos, pelos próximos doze maravilhosos meses. Assim ele esperava.
— Não é uma intrusa, Lilly. Faz mais parte disso tudo do que imagina. Nunca mais repita isso ou pense desta maneira. Está me ouvindo? Antes mesmo de ontem, você já era a melhor amiga de Penne e Big... o que, por si só, a torna mais adequada aqui do que eu, o Gabe ou o Adan.
— Como assim?
— Apesar de hoje, todos sermos donos da banda... quem a fundou foi Big e você já fazia
parte da vida dele bem antes que qualquer um de nós. E até aonde eu sei, [19] No Rules foi coisa sua, não é verdade? Lembra que esse foi o tema da nossa primeira música de sucesso?
Lilly sorriu com a lembrança. Bons tempos aqueles em que os três costumavam passar horas na praia, à toa.
No Rules era o lema que ela inventara. Todos vinham de famílias tradicionais. Cheios de regras para tudo... Sonhavam com o dia em que fossem donos de seus próprios narizes. Sem regras para a arte, para se expressar ou amar. Pena que para ela... tirando a arte, esses sonhos não se realizaram daquela maneira.
— Tinha me esquecido disso. — Lilly encarou Brian e ele parecia realmente interessado no que ela tinha para dizer. — No rules... A gente sonhava com a liberdade para escolher o nosso próprio caminho. Meus pais eram ótimos, mas, de certa forma, já tinham um destino traçado para mim.
— Exatamente o tema central da música. — Ele fez cara de entendeu agora? — Seus pais... eles não queriam que pintasse? — Brian sentou-se na mesinha de centro, na frente dela e tomou um longo gole de água.
— Não é isso. — Lilly sorriu amigavelmente e cruzou as pernas em posição de lótus, endireitando-se na poltrona. — Meus pais até me incentivavam na pintura, mas nunca viram isso como uma profissão de verdade. Meu irmão Andreas era o substituto natural do meu pai nas empresas. Eu e a minha irmã deveríamos seguir o mesmo caminho da nossa mãe. E isto me assombrava na adolescência.
— Qual caminho?
— De esposa perfeita, totalmente dependente do marido. Sei que a minha mãe amava o meu pai. Talvez, ela tivesse nascido para desempenhar o papel de boa mãe e esposa dedicada exclusivamente à casa. Eu sempre fui mais independente. Morria de medo de casar com alguém que acabasse me proibindo de pintar. Hoje, faço algumas viagens para cumprir os compromissos nas galerias, muitos homens não levariam isso numa boa.
— O babaca te apoiava?
— E isso importa? — As feições de Lilly entristeceram. — Acho que tudo o que vivi com o Will nos últimos anos foi uma farsa.
— Para mim importa. Vê-la sofrer me tocou num nível que não sei explicar... Primeiro fiquei com raiva e depois feliz... Louco, né? Graças ao otário estamos aqui... casados — Brian disse sem pensar e Lilly manteve-se quieta.
Droga!
— Esquece... Às vezes, eu sou um panaca. Tenho mania de romantizar as coisas... — o músico confessou, sentindo-se um marciano.
Pelo menos, ele não tinha dito que acreditava em destino e vidas passadas.
— Tem? — Lilly quase suspirou.
— O quê?
— Mania de romantizar?
— Sou um compositor, romantizar faz parte do pacote. — Brian levantou os ombros fazendo pouco caso. — Pela reação do Mark, você deve ser uma artista e tanto. Adoraria ver a sua pintura. — Ele tentou uma abordagem mais suave.
Agora Lilly tinha suspirado.
— Adoraria? Sério?
Brian balançou a cabeça devagar afirmando.
— Quero te conhecer, senhora Pierce. Se pintar te realiza, tanto quanto tocar me completa... acho que deve fazer o que te dá tesão. Serei um homem morto no dia em que não puder mais tocar ou compor. Minha alma se alimenta de música.
— E a minha se alimenta de aquarelas e carvões. — Os cílios de Lilly tremelicaram um pouquinho mais rápido.
Brian sorriu animado e deu um tapa no joelho.
Lilly riu com a animação dele.
— Tá vendo? Outro ponto que temos em comum. Somos pessoas táteis e com mentes que se alimentam da arte. Algo me diz que faremos uma bela dupla, Lilly. Sei que tudo o que fizemos ontem foi um tanto impulsivo... e sem regras. — Ele sorriu e controlou-se para não falar sobre o destino. — Mas acho que pode vir a ser uma experiência incrível.