Enlaçados: Sex and Rock
Capítulo 38
Dias depois...
— Meu Deus! Acho que toma Viagra escondido, só pode ser. — Lilly caiu de costas no
colchão. O rosto dela estava afogueado e suado, e os cabelos espalharam-se bagunçados sobre os travesseiros.
Brian lançou-se ao lado dela e o colchão afundou com o peso do seu corpo.
— Meu Viagra é você. — Ele virou de lado, apoiando o cotovelo no colchão e a cabeça na mão para encará-la. — Está achando ruim, Pequenininha? — Ele inclinou e deu um beijo babado na bochecha dela.
— Que nojo!
Lilly limpou a pele molhada do rosto e ajeitou-se de lado ficando de frente para ele. Queria olhar feio ou até mesmo falar algum desaforo, mas quem disse que conseguiu. Sua boca a traiu em um sorrisinho apaixonado. A cada segundo, o coração dela cedia mais e mais espaço para o furacão emocional chamado Brian.
— Ninguém acha ruim aquilo que é tão bom — murmurou.
— Hoje a gente se superou. — Brian abriu um sorriso e puxou-a de modo que ficasse aconchegada junto dele. — Cômoda resistente, né? — Olhou para o móvel onde estiveram minutos atrás.
— Se é... — Rindo, Lilly cobriu o rosto com as mãos.
Decerto, o safado achava que ela tinha vocação para contorcionista. Assim que o show acabou, arrastou-a de volta para o QG. Mal entraram no quarto, ele arrancou a roupa de ambos, colocou-a sentada sobre a cômoda e meteu duro, mantendo as pernas dela nas alturas e as panturrilhas trançadas no pescoço dele.
— Uma hora, juro que pensei que ia me dar câimbra. — ela riu.
Gargalharam juntos.
A reconciliação pós-garota-bebê estava rendendo bons frutos. Lilly não tinha muita experiência no amor, mas sabia que era genuíno o que sentia por ele. Toda aquela discussão, a divergência e a urgência em se reconciliarem para ter certeza de que estavam bem e mais fortes do que nunca... era algo acima da razão. Era amor em sua essência mais pura... tinha que ser.
Saíram de Washington e, há três dias, tudo o que os dois fizeram, quando Brian não estava cumprindo a agenda de compromissos e shows, foi sexo... sexo... e mais sexo.
— Minhas partes baixas ainda estão vibrando. — Lilly entrelaçou as pernas de ambos e afundou o rosto no peito dele.
As mãos de Brian acariciaram os cabelos emaranhados da esposa.
— Eu te falei que estava muito bravo. Se pensou que uma trepadinha fosse resolver, errou feio. — Ele girou e esfregou a sem-vergonhice na barriga chapada dela. — Ainda tem muito o que se desculpar.
Um som de deboche escapou dos lábios dela.
— Ah... essa é boa! Quem tem que se desculpar aqui é você. — Lilly tentou escapar do abraço, mas ele a apertou e esfregou-se mais. — Já viu a minha bunda? Aquela mordida doeu!
— Bunda gostosa. — Ele riu.
— Nunca mais vou poder usar biquíni na praia! — ela continuou a resmungar.
— Ótimo, daí eu te compro uma burca. Odiei aqueles idiotas olhando para você.
Lilly lembrou-se da ceninha patética do dia anterior e revirou os olhos.
— Aquilo de ontem passou dos limites.
— Já te falei que ando um pouco possessivo.
— Um pouco? — Os olhos dela aumentaram de tamanho. — Se acha que vai me controlar em tudo, pode ir tirando o cavalinho da chuva. Não sou uma bonequinha submissa, e homem das cavernas comigo não rola. — Cutucou-o na costela.
Apesar de ter gostado um pouquinho de vê-lo todo nervosinho e ciumento. Lilly precisava estabelecer uns limites. Na tarde anterior, ela e Penne resolveram se refrescar na piscina do estádio, enquanto Brian passava o som. Não foi culpa delas que um batalhão de jogadores de futebol invadiu o parque aquático. Não puderam fazer nada e bancar as antipáticas é que não iriam.
— Queria ver se fosse eu rodeado por um monte de gostosas.
Belo ponto!
Verdade, talvez ela também o arrancasse de lá à força.
— Para onde estamos indo mesmo? — mudou de assunto, sabendo que tinha perdido o round.
Já era de madrugada e o QG ainda não tinha zarpado. Os outros integrantes da banda tinham ido a uma festa.
— Baltimore. Dei uma olhada no Google e vi que tem um aquário incrível na cidade — Brian disse, demonstrando que continuava empenhado em proporcionar momentos agradáveis a ela.
Lilly acariciou o peitoril grande.
— Gosto quando faz essas coisas por mim.
— Eu também gosto. — Beijou-a no rosto, só que agora, sem babar. — Está com sono?
— Exausta, mas sem chances de dormir antes de um banho.
Os dentes bonitos apareceram em um sorriso sacana.
— Perfeito, ia sugerir o mesmo. — Ele pulou apressado da cama.
— Hey, eu não te chamei para ir junto. — Lilly ficou de pé preguiçosamente.
— Como se precisasse. — Ele riu e adiantou-se para a área de banho, exibindo a bunda indecente de gostosa.
O chuveiro da suíte no QG era um caso à parte... integrado ao quarto e todo revestido de mármore. Pequeno, mas com espaço suficiente para os dois e muito... muito inquietante. Uma janela de vidro cobria toda a altura no fundo do boxe. Lilly tinha a impressão de que se encostasse nela, cairia estatelada no chão.
— Não consigo me acostumar com isso. — Indicou a vidraça atrás dele.
— É o que eu mais gosto daqui. — Brian apertou um botão e uma cascata de água quente começou a jorrar. Ele balançou a cabeça respingando a água dos cabelos.
Ela torceu a boca.
— Meio exibicionista.
— Seria... se pudessem nos ver. — Brian apontou para uns caras da técnica que passavam carregando umas caixas de som.
— Não adianta... eu sempre vou achar que eles podem nos ver.
— Mas não podem! Deixa de ser chatinha e entra aqui!
Primeiro, Lilly olhou receosa, mas, em seguida, sorriu. Era muito tentador assistir aquele corpão todo encharcado e a mão enorme acariciando de forma provocativa o pênis...
Droga!
— Não acredito que já está animado de novo! — Apontou para a virilha vigorosa.
— Ainda não, mas posso ficar bem animado se me ajudar. — Deu uma sacudida na Fera. — Estou com saudades do seu dedinho mágico me bulinando.
O quê?
Lilly desconcertou-se.
Depois daquela primeira chupada épica que tinha dado nele, ela nunca mais arriscara repetir o ato. Não depois de Penne ter rido na cara dela.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
— Caralho, o Brian deve ter surtado! O idiota achando que era toda inexperiente, com nível zero no sexo e você meteu logo uma carícia avançada. Bonequinha, eu sou experiente, mas desconhecia esse ponto de prazer. Impressionante, aquele Will era bem pervertido, hein?
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
As palavras da amiga fizeram Lilly puxar o freio no quesito carícias genitais.
— Es-está falando sé-sério? — ela gaguejou.
O roqueiro abriu um sorriso malicioso.
— Eu sonho com isso todos os dias.
— Ah... — A sobrancelha dela levantou. — Eu pensei... por que não me pediu?
Ele examinou o rosto preocupado. Não tinha pedido, porque ela nunca mais tinha feito um movimento que indicasse que desejava fazer aquilo de novo.
— Estou pedindo agora. — sorriu.
— Verdade? — Olhou-o ressabiada. — Não achou pervertido?
Ele gargalhou e passou a mão no rosto para tirar uns fios de cabelo dos olhos.
— Pervertido, nunca, mas não nego que suas habilidades nada amadoras me pegaram de surpresa. — Olhou divertido para ela, louco para perguntar onde ela tinha aprendido aquilo, mas desistiu... sabia a resposta: WillBosta. — Primeiro, pensei: Uau! Que gata safada! Depois, quase rezei de joelhos por eu ser tão sortudo.
Sério?
Lilly deu a ele um sorriso radiante, abriu a porta de vidro do boxe e entrou. Aaah, dane-se! Vivia na luxúria completa por aquele homem, mesmo, e intimidade era algo que já tinham de sobra... Então, que mal tinha? Ficou frente a frente e tentou se concentrar no olhar violeta, mas era impossível. Não com aquela Fera orgulhosa e ereta entre eles.
— Parece bem mais animado, né? — Apontou para o mastro erguido entre eles.
Brian a olhou com um misto de fome e pressa.
— Culpa sua, Pequenininha... toda essa conversa me fez lembrar do quanto você faz gostoso certas coisas. Meu pau está ansioso!
A boca de Lilly encheu d’água.
É fácil fazer gostoso quando se tem um produto delicioso para manusear.
— Ansiedade não é legal... — Ela franziu o nariz. — Acho que preciso ter uma conversinha com essa Fera.
Provocou e prostrou-se de joelhos bem diante daquele monumento de músculos e veias...
Opa! Lá vamos nós!
Animado, Brian jogou a cabeça para trás. Sabia que suas perspectivas eram as melhores. O boquete de Lilly era realmente bom... muito bom, na verdade... o melhor de todos... ainda mais com...
Porraaaaaa, que isso vai ser animal!
Brian afundou o rosto no veio d’água ao primeiro toque.
— Ah! Porra! — externou entredentes ao sentir mãos pequenas lhe acariciarem as coxas e brincarem com os pelos da perna. Depois, grunhiu quando a língua suave correu da base até a ponta de seu pau.
Caralho!
Como isso é bom!
Um estremecimento violento percorreu toda a coluna do músico.
— Seja dura comigo, não me poupe de nada! — exigiu e implorou em um rugido.
Lilly passou o polegar pela abertura, onde uma gota de pré-sêmen surgia. Ser dura? Sim, eu posso ser dura. Animada, sugou o próprio dedo saboreando Brian.
— Hummm... bom.
Ela segurou a base do falo e o levou à boca. Desenhou a cabeça com a língua e brincou com as bolinhas de prata... Um ronco abafado veio do guitarrista quando a esposa chupou a glande explorando o piercing.
Eu adoro essas bolinhas!
Lilly concentrou-se nelas, instigando-as com os lábios e dentes.
— Caralho... me engole... — ele grunhiu.
Mãos ansiosas agarraram a cabeça de Lilly, e dedos emaranharam-se nos cabelos dela, trazendo-a para perto... Ela engoliu-o inteiro. Relaxou a garganta... subiu e desceu indo cada vez mais fundo na boca.
A água no rosto quase a afogou, mas sugou com força e vigor. Os sons guturais que escapavam de Brian eram quase primitivos. Eram excitantes. A vagina respondeu aos sons contraindo-se e os bicos dos seios despontaram...
É, talvez eu goste um pouquinho desse estilo homem das cavernas...
Com tesão, Lilly chupou com energia... mais... mais e mais... Sua cabeça ia e vinha em um movimento não tão gracioso... Sentiu o pênis engrossar na boca e passou a língua estimulando a pele quente e macia. Mas não era suficiente... ela queria brincar...
Tirou o pau da boca sob protestos.
— Sabonete...
— Hã?
— Preciso do sabonete...
Brian estava tão excitado, que esbarrou na prateleira de vidro, derrubando tudo.
— De... des... culpa.
Lilly riu do desespero dele e da chuva de xampus e sabonetes líquidos que caíram sobre ela. Ela também estava excitada, mas a água em seus corpos lavava os fluídos, precisaria de uma ajudinha extra.
Embalou as bolas pesadas com uma das mãos... queria distraí-lo enquanto abria o sabonete líquido. Voltou a engolir a Fera chupando com determinação, enquanto sua mão ensaboada infiltrou-se entre as pernas dele. Dedos deslizantes desenharam a linha do períneo.
Um gemido alto eclodiu e Brian afastou mais as pernas... Ele parecia gostar muito daquela brincadeira ousada. Lilly admirou-se, o músico era um baita de um safado, aberto às experiências... então, continuou a chupá-lo e a sugá-lo, provocando a trilha de músculos, sem avançar o sinal.
Quando a respiração dele ficou mais difícil e o quadril sem controle, interrompeu a chupada e pressionou com força o ponto secreto que aprendera. Um urro explodiu.
— Foda! Foda! FODA-ME!
Ele pediu e ela deu. Intensificou as carícias rentes ao traseiro dele, enquanto com a outra mão, bombeou o pau. Viu Brian entregar-se... sem controle algum.
Grunhidos desconexos e alguns "porra, Lilly" saíram daquela boca suja. Ela girou o dedo e apertou com força o ponto de gatilho masculino. Ele jorrou forte... como petróleo, gritou, contorceu-se... e gozou para todo lado. Sem parar a pressão, Lilly sugou-o na tentativa de saboreá-lo até o limite e ele balançou o pau implacavelmente na garganta dela, tremendo de prazer.
Brian estava no paraíso e ela sentia-se radiante.
Lilly lambeu delicadamente a abertura na glande em busca das últimas gotas, prolongando ainda mais o prazer dele.
— Porra, Lilly, porra! — rosnou e gemeu. — Assim você me quebra! É a mulher perfeita pra mim.
Com as pernas bambas, Brian desceu ao chão e a envolveu em um abraço trêmulo e molhado. Estavam felizes e completos. Por alguns minutos, ficaram enlaçados e emaranhados no chão só apreciando a força do êxtase que os consumia. Quando ele segurou o queixo impetuoso e a olhou com plenitude, o coração de Lilly contraiu.
— Pequenininha... eu te amo é pouco para traduzir a profundidade dos meus sentimentos por você.
Não faz isso, Brian!
Se eu me apaixonar mais um pouco, vou sublimar no ar...
Num ímpeto, Lilly juntou suas bocas em um beijo urgente. As línguas se exploraram em um sussurro gritado... traduzindo o que não precisava ser dito. Era amor... era maturidade... era tudo... posse... raiva... carinho... desejo... angústia... Era viver perdendo-se, e encontrando-se um no outro.
Os joelhos dela cederam quando ele levantou trazendo-a consigo. Colado às costas dela, imprensou-a contra a vitrine de vidro e dedos talentosos deslizaram pela barriga lisinha e depois entre as pernas.
— Preciso dizer obrigado da forma certa. — Sorriu em seu pescoço e o clitóris foi reverenciado com um outro solo enlouquecedor, até que ela gritasse pedindo bis.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Lilly acordou soterrada pelo corpo do músico, que dormia profundamente. Braços e pernas poderosas a envolviam como os tentáculos de um polvo e a cabeça morena descansava na curva do pescoço dela. Xixi! Deus, como eu estou apertada... Desvencilhou-se dele do modo mais gentil que conseguiu e correu para o banheiro.
Depois de aliviar-se e de fazer sua higiene matinal, Lilly saiu do reservado, espiou pela vidraça do boxe e estranhou. O mar de grama verde onde o QG estava parado não condizia com o estacionamento de um estádio. Bucólico demais. Definitivamente, ali não era o centro nervoso da cidade de Baltimore, que ficava à beira-mar, e era o principal centro urbano, financeiro e cultural do estado de Maryland, um formigueiro de prédios e de gente.
Curiosa, ela queria perguntar que lugar era aquele para Brian, mas ele continuava apagado. Então abriu a cômoda com cuidado e apanhou algumas peças de roupa. Vestiu uma saia jeans, uma regatinha branca e um casaquinho claro com estampas de rosas. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo bem alto, calçou um par de All Stars vermelhos e foi procurar por alguém que explicasse onde estavam.
Abriu a porta no fundo do Palazzo e a sala, com os longos sofás laterais e a estante com TV, estava ainda mais clara. Os destaques vermelhos da decoração e almofadas ganhando destaque. Raios de luz dançavam pelo ambiente iluminando pequenas partículas de poeira que pairavam no ar. Ela cerrou os olhos, protegendo-os de tanta luminosidade. Havia um agradável aroma de café fresco no ar.
Avistou Dilon e Mark conversando na cozinha. Foi até eles.
— Bom dia — disse, assim que chegou bem pertinho.
Dilon abriu um sorriso preguiçoso.
— Bom dia... café? — Ergueu a xícara.
— Oi. — Mark se restringiu a um sorriso aborrecido.
Lilly sorriu para ele, foi até o balcão e encheu uma xícara de café. Virou-se.
— Posso? — Apontou para o espaço vazio ao lado do faz-tudo. Ele estendeu a mão em um gesto afirmativo.
Sentou-se e esticou as pernas por baixo da mesa.
— Eu pensei que fôssemos direto para o estádio? — ela perguntou e tomou um gole de café.
O rosto de Mark esboçou uma leve tensão.
— Esse era o plano.
Lilly odiava quando Mark bancava o evasivo.
— E não é mais, por quê? Vai me dizer ou é segredo de estado? Onde estamos? — Ela apontou para a janela da cozinha atrás dele.
Empresário e faz-tudo se entreolharam.
— Cancelamos o show — Mark disse, por fim.
— Cancelaram? Por quê? Onde estamos? — ela insistiu.
Dilon bebeu de uma vez o conteúdo da caneca e virou para Lilly.
— No Country Club de Baltimore.
Mark bufou, sabendo que ela insistiria até que ele abrisse o jogo.
— Essa madrugada, eu recebi uma ligação anônima. Depois do que aconteceu no show da
Ariana [72] e com toda esta instabilidade política, resolvi não arriscar e cancelei a apresentação. O Clube de campo só abre aos fins de semana, achei melhor virmos para cá e evitarmos os hotéis. Estamos aqui em sigilo. Soltei um boletim oficial lamentando o cancelamento e informando que já tínhamos deixado a cidade.
Um choque de terror percorreu o corpo de Lilly. A xícara de café ficou congelada a caminho da boca.
— Iam explodir o estádio com a gente lá?! — exclamou horrorizada.
Dilon grunhiu com irritação.
— Terroristas filhos da puta!
Mark olhou para ele pedindo calma e voltou para Lilly.
— Acho improvável. Além do mais, pode ter sido só um trote. Muitos babacas têm ideias estúpidas e falam merdas em bares quando estão bêbados. Já recebi outros avisos que deram em nada, mas... como disse, achei melhor não arriscar. Quem ligou, queria que eu alertasse a todos para tomarem cuidado e repetia coisas sem sentido sobre alguém estar fora de controle e ressentindo.
O quê?
Lilly mal conseguiu absorver as palavras, sua mente girava em todas as direções, depositou a xícara na mesa.
— Tem certeza de que era um homem? Sabe quem é?
Caralho, Lilly! Foco! Acabei de dizer que foi anônimo.
Uma linha fina se formou na testa de Mark.
— É claro que era um homem, mas sei lá quem é... existe maníaco para tudo — respondeu com certa impaciência, mas resolveu respirar. — A ligação foi feita de um celular não identificado.
— Avisou a polícia?
Com um suspiro, Mark esfregou o rosto cansado.
— O prefeito está me ajudando com tudo.
— E o pessoal? — Lilly levantou a cabeça indicando o andar acima deles.
— Não será um grande drama, no fundo, vão apreciar a folga. Além do mais... voltaram tão bêbados que não adiantaria falar nada. E vocês... — Mark fez uma careta. — Bom... eu gosto demais do meu pescoço, Brian me proibiu de interrompê-los quando estiverem a sós.
Dilon soltou uma risadinha abafada e Lilly corou.
Mark deu um olhar mortal para ele.
— Por que não vai ver se está tudo bem no home da técnica? — ordenou, não pediu.
— Só se for agora, General. — Dilon levantou-se de um pulo, despediu-se e saiu apressado.
Uau!
Lilly achou o tom mandão de Mark desnecessário, mas não disse nada. Entendia o nervosismo do empresário. Não era preciso ser nenhuma gênia para saber o quanto um cancelamento era desastroso.
— Pode dar a notícia quando ele acordar? — Mark apontou para o quarto evitando os olhos dela. Seu tom era um pouco mais ameno, mas ainda assim parecia uma ordem e não um pedido.
Ooook, General!
— Posso, claro! — Ela levantou-se como um soldado. — Acho melhor eu ligar para casa e ver se está tudo bem. — Algo dentro dela pedia por aquilo.
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
De pé, Lilly olhou para Brian deitado embaixo de uma árvore, todo relaxado, com os braços cruzados sob a cabeça. O moreno não parecia mesmo estar preocupado com as ameaças recebidas por Mark.
Ao acordar, ele ouviu tudo o que Lilly dissera sem demonstrar surpresa, vestiu-se e convidou-a para um passeio pelos jardins. Brian amava os shows e estar no palco era sua vida, mas a cada dia que passava, as obrigações da fama vinham se tornando um fardo difícil de carregar. A loucura de alguns fãs era um pé no saco. Viviam inventando tragédias iminentes para chamar a atenção e chegar até eles como heróis.
— Amor... — ele a chamou com doçura. — Vem aqui, comigo. Você já ligou para meia Los Angeles e viu que está tudo bem. Agora relaxa. — Ele esticou um braço e chamou-a em um gesto.
Indecisa, ela mordeu os lábios e olhou para o celular.
— Estou há horas tentando falar com o Antoine e nada. — Ela não era uma pessoa dada a sextos sentidos, mas o seu peito estava apertado de um jeito ruim. — Liguei na galeria e ninguém atendeu.
Brian sentou e apoiou as costas no tronco da árvore frondosa. Os campos do Country Club eram de tirar o fôlego, quilômetros e quilômetros de grama bem tratada e árvores centenárias com folhas em um tom avermelhado. Um vento forte lambeu o chão, fazendo o carpete verde ondular. Ele girou os olhos ao redor, enquanto passava as mãos na cabeça tentando domar os cabelos e o temperamento. Aquela preocupação toda com o merdinha da camisa polo o irritava e muito.
— Desencana... notícia ruim corre rápido. — Brian abriu um sorriso e estendeu os dois braços a chamando para perto. — Vem cá, vem... deixa eu te apertar.
O telefone dela tocou. Era o tio Ed, e após as primeiras expressões tensas que se formaram no rosto de Lilly, Brian praguejou em pensamento:
Merda!
Boca maldita a minha!
Ele levantou de um pulo e correu para ampará-la, assim que o celular caiu no chão e Lilly desatou a chorar convulsivamente.
— O que foi que o tio Ed disse? — perguntou, tentando enxugar as lágrimas que rolavam freneticamente pelo rosto delicado.
Sem erguer a cabeça, ela fungou e tentou controlar-se. Agarrou-se ao tecido da camiseta cinza de Brian buscando equilíbrio.
— A galeria... pegou fogo — disse em um sussurro. — O Antoine... ele tentou salvá-las, mas... tinha muito fogo. — Explodiu em prantos novamente.
— Salvar quem?
A resposta não veio, apenas mais um rompante de lágrimas e tremores. Puta merda! Brian sentiu o corpo de Lilly fraquejar, e antes que ela desabasse no chão, pegou-a em um movimento rápido. Com ela nos braços, abaixou, capturou o celular do chão e marchou apressado. Atravessou os campos o mais rápido que sua calça jeans permitiu, em direção ao Palazzo.
Não queria saber de mais nada. A cabeça dele estava pirada. O aviso que Mark recebera tinha sido para Lilly e não para eles? Será que a ordinária da Ava tinha cumprido a promessa de se vingar? Segurou-a mais apertado nos braços e beijou o topo da cabeça de Lilly, sentindo o aroma delicado de lima.
— Pequenininha... eu vou dar um jeito. Vai ficar tudo bem... tudo bem... — a promessa saiu sufocada pelo esforço.
Brian subiu os degraus do Palazzo de três em três e encontrou o restante da banda reunida na sala, todos com cara de ressaca e surpresa. Assim que colocou Lilly sentada no sofá, Penne e Big prostraram-se ao lado dela.
— Ah... minha Boneca, vai dar tudo certo. — A loirinha a abraçou.
Em seguida, Big passou os braços em torno das duas, fechando-as em um casulo.
— Vai ficar tudo bem... — prometeu o mesmo que a outra amiga.
Adan aproximou-se de Brian e apertou o ombro de modo a confortá-lo.
— Como ela está?
— Chocada.
Gabe pulou da cadeira.
— Vou fazer uma água com açúcar para a J.J.. — Correu para a cozinha desviando de Daniel, Lion e Josh, que observavam a tudo, calados.
— Acabei de falar com o tio Ed, mas que merda, hein. — Mark sentou-se em umas das poltronas laterais da sala. — Parece que a coisa foi proposital. O alarme de incêndio tocou e um vizinho avisou Antoine. Quando ele chegou lá, a coisa toda estava fora de controle.
— Alguém se machucou? — Brian perguntou, com medo da resposta.
— Não, foi no meio da madrugada. O prédio da galeria estava vazio. Encontraram o segurança apagado em um beco.
— De madrugada? — Adan cruzou os braços, ainda parado no meio da sala. — Acho que a ligação que recebeu pode ter sido para a... — O vocalista parou a frase no meio e olhou de soslaio para Lilly e depois voltou para Mark.
O empresário inclinou o corpo para frente, apoiou os cotovelos nos joelhos e esfregou as mãos. — Não faz sentido, por que me alertar? Não, não faz sentido...
Adan balançou a cabeça, pensativo. Para ele fazia todo o sentido.
Alheio à conversa do vocalista e do empresário, Brian observou a agitação de Gabe. Assistiu o baixista entregar a água para a Pequenininha, que estava soterrada entre os amigos, e depois sentar-se aos pés dela no chão. Era bom que todos estivessem ali para acalmá-la. Seria egoísmo de sua parte pensar que, sozinho, poderia suprir todas as necessidades da esposa. Lilly era uma mulher de raízes e afeto. Alguém que ao longo do caminho, ia somando amizades e não substituindo.
— E o Antoine? — mais calma, Lilly quis saber.
Quando ela soube que suas obras haviam sido destruídas, seu cérebro entrou em curto. Estava envergonhada por ter encerrado a ligação com o tio, sem entrar em detalhes sobre o real estado de saúde do agente.
— Engoliu um pouco de fumaça, mas está bem. — Mark lançou um olhar gentil para ela, que havia parado de chorar e o observava atentamente. — Seu tio quer que vá para Los Angeles imediatamente.
— Eu também vou — Brian disse sem pestanejar.
— Tem certeza? — ela sussurrou.
Ele a olhou com tanta determinação que o coração dela saltou.
— Absoluta. Sem mim, você não vai — disse.
Lilly assentiu aliviada e sussurrou:
— Obrigada.
Não queria ter que enfrentar a situação sozinha. Brian era como a sua fortaleza. Precisava dele junto a ela. Aquelas pinturas iriam para Londres. Perdê-las, prejudicaria a carreira dela com certeza, mas era o emocional que estava em frangalhos. Havia colocado a alma em cada pincelada.
Brian voltou-se para Mark.
— Nem adianta querer me impedir. Eu vou e isso não está em discussão.
— Achei que fosse querer ir, Lover Boy. — Mark desviou o olhar de Lilly para o músico. — O jatinho da banda está vindo pra cá, vai levá-los para casa. O Daniel e o Lion vão com vocês, e isso também não está em discussão. Resolvam tudo, mas me prometa que amanhã, entrará naquela merda de avião e voará direto para Norfolk. A turnê no estado da Virgínia é muito importante, sabe disso.
Brian assentiu prometendo.
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Mal tiveram tempo de pegar algumas roupas e correram para o aeroporto. Passaram o voo todo aconchegando-se um no outro. Brian a tratou com ternura. Seus pequenos gestos, demostravam a preocupação e o desejo dele em fazer qualquer coisa para que Lilly se sentisse bem...
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— Está tudo bem? Quer um travesseiro?
— Não... só me deixa ficar assim agarradinha. Seu cheiro me acalma.
— Então chega mais... que vou te apertar bastante, para nenhum pensamento ruim conseguir entrar.
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Chegaram em Los Angeles no comecinho da noite. A SUV da banda esperava por eles no hangar exclusivo.
O carro foi direto para o hospital entrando pelo estacionamento privativo, para evitar a aglomeração de repórteres na entrada principal. Àquela altura, a notícia de um possível incêndio criminoso havia se espalhado.
Na recepção, foram informados que Antoine ficaria em observação. Subiram de mãos dadas até a ala dos queimados, escoltados por dois policiais. Lilly e Brian enfiaram as cabeças pela fresta da porta, perguntando se podiam entrar. O homem gigante, que se remexia na cama e reclamava com a enfermeira, olhou-os com certo alívio e acenou.
Com a mão bem atada à de Brian, Lilly entrou. Graças a Deus, ele está inteiro. Ela soltou o ar dos pulmões e depois inspirou profundamente. Havia uma queimadura superficial aqui e outra ali, mas fora isso, ele parecia estar bem.
— E aí, cara? — Brian tomou a iniciativa. — Fico feliz que esteja bem.
Antoine sorriu polidamente para o músico.
— Estou bem, esses médicos que são uns exagerados. — Olhou feio para a enfermeira que trocava o soro.
— O senhor inalou muita fumaça, precisamos ter certeza de que seus pulmões ficarão bem.
Lilly aproximou-se, arrastando Brian com ela.
— Poxa vida! Fiquei tão preocupada com você. O que fez foi uma loucura.
— Eu sei o quanto se dedicou àqueles quadros — Antoine foi sincero. — Eu tentei, mas... Ai, ai! — reclamou com a mulher que ajeitava a intravenosa e o rosto dele franziu em sinal de desconforto. — Pode nos deixar a sós por um instante.
— Acredita que foi a Ava? — Lilly disparou, assim que a enfermeira saiu.
Os olhos de Antoine cresceram de espanto.
— Acho que Ava é louca, mas não burra. Depois do que ela aprontou no Grammy, todos os olhos estão voltados para ela. Além do mais, a câmera de segurança captou uma imagem antes de ser desligada. Não está nítida, mas mostra alguém parrudo e de cabelos escuros, alguns palmos mais alto do que a sua irmã.
Alto e parrudo?
Definitivamente, aquela não era a descrição da Ava ou do Will. Lilly suspirou.
— E a polícia?
— Está tentando descobrir alguma coisa, mas não sobrou quase nada. A sala climatizada foi destruída, as suas e as outras obras, dos demais artistas que represento, viraram pó. A boa notícia é que tudo estava no seguro.
— Não estou preocupada com o dinheiro. — Lilly largou da mão do Brian e segurou nas grades da cama. O músico veio atrás e abraçou-a pela cintura. — A questão é... eu nunca vou conseguir reproduzir aqueles quadros. A exposição já era.
— São só cinco telas. — Antoine agitou-se. — E as aquarelas que tem em casa? A das luzes e formas? Elas fazem parte do mesmo ensaio que selecionamos para Londres.
Não, eu as fiz ouvindo o solo do Brian!
Não vou me desfazer delas!
— Impossível, aquelas têm valor sentimental. Tenho umas três quase prontas no ateliê, mas não sei se consigo finalizá-las e criar outras duas em um mês.
— Claro que consegue. Sabe o quanto Londres é importante.
— Não tenho espaço.
As sobrancelhas de Antoine arquearam.
— Tem um ateliê inteiro!
— Não no QG.
— Fique em Los Angeles! Não pode querer continuar com esta loucura de turnê, quando a sua carreira está em jogo.
— Ele tem razão. Precisa ficar e concluir o seu trabalho — Brian sussurrou no ouvido dela, mesmo querendo o contrário.
Lilly girou nos calcanhares ficando de frente para ele.
— De jeito nenhum! Eu quero ficar com você. Dane-se, Londres!
Brian respirou fundo e segurou o rosto contrariado de Lilly.
— Pequenininha, eu não posso deixar que destrua a sua carreira... vou morrer por ficar longe, mas precisa fazer isso.
— Não. — Os olhos dela lacrimejaram. — Eu não quero... vou me odiar se fizer isso e não vou conseguir pintar nada do mesmo jeito. Eu não funciono assim, não posso desligar o interruptor, deixar as coisas que amo para trás e produzir como uma máquina. Aqui ou no QG, eu não conseguiria de qualquer forma.
— Lilly, seja sensata. Estamos esperando por essa oportunidade há dois anos.
— Não, Antoine. — Olhou-o sobre os ombros. — Ficar longe do Brian está fora de cogitação.
Merda!
Brian baixou a cabeça e esfregou o próprio rosto. A impotência da situação era avassaladora.
Porra! Porra! Porra!
Cancelaria a turnê, sem pensar duas vezes, mas não tinha o direito de prejudicar os caras daquela maneira. Não era justo envolver a todos em um problema que era só deles.
Merda! Droga! Bosta!
Ficar longe de Lilly ia acabar com ele.
— De quanto espaço precisa? — A mente dele começou a trabalhar. — Podemos tirar a cama, liberar o quarto.
— Aquela cama é soldada no chão! — Lilly riu. — Esquece, mesmo que me concentrasse só nisso, não sei se conseguiria.
— Vai desistir antes de tentar? — Brian foi severo com ela. — Eu quero que fiquemos juntos, mas só vou aceitar que continue conosco, se me prometer que irá se dedicar de corpo e alma para chegar em Londres e detonar!
— Mas como?
— Não sei. Só sei que você não vai desistir! — Brian exaltou-se. — A Lilly que eu amo é uma sobrevivente, uma guerreira! — Ele voltou a segurar o rosto dela com força. — Escuta aqui... Nesse momento, algum ordinário está lá fora rindo, achando que fodeu as coisas e ganhou a parada. Vai deixar isso acontecer ou vai mostrar para esse filho da puta que ele está errado?
— Eu... eu... quero, mas...
— Não tem essa de eu quero, mas... Você vai vencer essa! Nós vamos, juntos!
E foi ali, com aquela atitude, que Brian conquistou o respeito de Antoine.
Caramba, esse cara ama a minha Pequena Picasso pra valer!
... ... ... ... ♥♫♥♪♥ ... ... ... ...
Saíram do hospital e foram direto para Dreams Beach. Boa parte da noite foi gasta entre acalmar Marie e separar os materiais de pintura de Lilly que, exausta, caiu em um sono profundo e agitado.
Brian não conseguia pregar o olho, então levantou, checou as janelas mais uma vez, desceu e encontrou Max de vigília na sala.
O segurança levantou da poltrona, assim que viu o patrão ao pé da escada.
Vestindo apenas a calça de um pijama azul-marinho, e descalço, Brian fez um gesto para que ele voltasse a sentar, aproximou-se e tomou lugar na outra poltrona ao lado dele. A sala ampla continuava imaculadamente clara, arrumada e repleta de vasos com arranjo de flores brancas. As cortinas leves balançavam com a brisa do mar vinda da varanda aberta.
— Senhor — Max o cumprimentou polidamente.
— Esqueça as formalidades. Brian é o suficiente.
O homem assentiu e apoiou os cotovelos nos joelhos, dando total atenção ao músico que passou a mão nos cabelos rebeldes e o encarou com preocupação.
— Como foram as coisas por aqui?
— Tranquilas.
— E Marie?
— Segura.
Brian assentiu, confiava nele. Sabia que Max era homem de confiança do tio Ed e que, depois de se aposentar, trabalhara por um período na mineradora.
— Era policial, certo?
Max sorriu de um jeito discreto.
— A gente nunca deixa de ser — respondeu, e já sabendo onde Brian queria chegar, continuou: — Ainda tenho as minhas conexões. Depois do que aconteceu no Grammy, pedi que alguns amigos mantivessem um olhar atento em Ava e Will. Ela passou parte da noite de ontem perdendo dinheiro no Jóquei e ele amanheceu bêbado em um bar. Ambos foram para casa e não chegaram nem perto da galeria.
Brian gostou da iniciativa. Ele precisava de olhos além da rotina da banda e saber que Max zelava pela segurança de Marie e Lilly, o fez respirar mais aliviado, mas não muito.
— Isso é bom, mas não quer dizer muita coisa — constatou com cautela.
— Não, claro que não. Qualquer um poderia ter feito aquilo a mando de um deles. — O homem tirou uma caderneta do bolso interno do paletó escuro, abriu-a e passou os olhos sobre as páginas. — Conversei com o Antoine. Fui para a galeria, assim que soube do ocorrido.
— E?
A expressão de Max fechou.
— Quase nada... o homem estava atordoado, mas não acredita em algo direto contra Lilly. Disse que no ramo dele, o sucesso causa certa insatisfação... e desafetos. Confessou que é ambicioso e que seus métodos para a captação de clientes não são lá os mais éticos. Alguns Marchands se ressentem de terem perdido para ele representações lucrativas...
— Direto ou indireto... — Brian esfregou o rosto cansado. — não posso me arriscar com a segurança da Lilly. Conheço tipos como os de Ava e o nosso casamento foi um golpe duro para as ambições dela. Está com raiva e contrariada, a coisa passou a ser maior do que apenas dinheiro.
— Eu sei. Ava tem deixado claro, por onde passa, que a atenção da imprensa e admiração que Lilly vem conquistando a desagradam. — Max refletiu por alguns segundos. — Até agora, temos nos restringido a acompanhar de longe os passos de Ava e Will. Se me permitir, eu gostaria de ir além.
Brian esfregou a barba e encarou o homem. Sabia o que ir além significava. Um gosto amargo brotou em sua boca. Merda! Escancarar a privacidade de alguém era ir contra tudo o que ele mesmo defendia. Merda! Respirou fundo.
— Vá em frente — deu a ordem, certo de que faria qualquer coisa para manter Lilly segura.
Conversaram por mais um tempo. Brian contou que, até aquele momento, o episódio dos drones continuava sem solução. Explicou que o aparelho havia sido registrado sob uma licença falsa, que as negociações com o tal site que divulgara as fotos foram feitas através de um e-mail e caixa-postal anônimos, e que a polícia deu o fato por encerrado, acreditando ser obra de algum lunático da imprensa marrom. Max prometeu investigar e manter Brian informado de tudo.